O homem infelizmente tem que acabar, de Clara Corleone

O homem infelizmente tem que acabar, de Clara Corleone

Se minhas resenhas são exemplos de jornalismo gonzo, esta talvez bata meus recordes no estilo. Eu conheço Clara Corleone faz algum tempo. Leio seus textos nas redes sociais e gosto deles. Certa vez, tivemos uma dessas tretas de internet — tenho problemas reais com textos que possam levar a linchamentos virtuais — e certamente seríamos inimigozinhos se Clara não fosse tão generosa ao iniciar um papo meio bobo inbox, semanas após a confusão. Agradeço muito a ela, que tem a enorme sabedoria de não cultivar bobagens, pois eu exagerei feio na crítica. Mas fazer o quê? Ela me mostrou o caminho e eu fui. O cômico é que algumas pessoas arregalam os olhos quando digo que estamos de boas, que conversamos, que já tive a honra de participar do sarau literário que ela mantém, que uma de suas irmãs trabalhou na Bamboletras, etc. Bem, espero que ela tenha notado que não sou totalmente escroto…

O homem infelizmente tem que acabar é uma coletânea revisada das melhores crônicas de Clara. A primeira questão seria examinar se os textos suportariam a passagem para o formato livro ou se tornariam um saco vazio. Não, o papel lhes caiu muito bem.

Os temas são conhecidos de quem a lê: o sexo — início (abordagem), meio (convivência) e fim (separações) –, o feminismo, as diversas formas de assédio, o medo, o amor, com sua poesia e sacanagem, o machismo circundante e a sorte de ter uma família calorosa e sensacional, tudo pontuado com muita música e sarcasmo.

Clara não faz grandes teses, mas dá exemplos e exemplos a respeito de como (sobre)vive uma mulher solteira e sexualmente ativa numa cidade como Porto Alegre. Olha, não é fácil, não há paz nem para passear com as cachorras no bairro Bom Fim. Eu nunca assobiei ou chamei mulher de gostosa na rua, mas é óbvio que me reconheci em algumas posturas de machismo mais sutil. Só que também comemorei. Não sou 100% tosco.

Mas sabe o que é bom mesmo no livro? A autora. Ela é uma jovem na primeira metade dos 30 anos que gosta do melhor cinema, da melhor música brasileira e que sabe misturar sua enorme cultura e bom gosto em narrativas do dia a dia. Como deve ter uma jukebox em permanente funcionamento na cabeça, Clara também tem o costume de surpreender, integrando perfeitamente letras de canções em meio aos textos. O bom humor é onipresente e ele torna a crítica mais potente. Clara não tem nada do estereótipo da feminista mal-humorada — provavelmente criado por nós, homens — e está rindo e nos ridicularizando, mesmo que aprecie nosso instrumental. E os textos poéticos sobre o amor são excelentes.

Como não sou um leitor em busca de teses e penso que a ficção e os casos bem contados arranham mais a realidade do que os ensaios, gostei muito de O homem infelizmente tem que acabar. O título? Ora, leia o livro que você entenderá. Tem que acabar mesmo.

Clara Corleone em seu sarau no von Teese | Foto: Carolina Disegna

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Imagens cruzadas durante ‘O Messias’ de Händel na Igreja das Dores

Imagens cruzadas durante ‘O Messias’ de Händel na Igreja das Dores

Eu estava assistindo ao Messias de Händel na Igreja das Dores com uma série de amigos. Quando olhei para trás, vi Elena sentada na lateral do confessionário ao lado de Jonatha Arruda.

Foto: Milton Ribeiro

Ela me viu.

Foto: Milton Ribeiro

Ao meu lado, a Cláu Paranhos me fotografava com Marisa Monte — na verdade Marina Vilaça — em primeiro plano.

Foto: Cláu Paranhos

O Jonatha também fotografou a mim e à Elena.

Foto: Jonatha Arruda

Na nossa frente, estava o Mateus Rosada, mais conhecido pelo apelido de Bisnaga.

Foto: Elena Romanov

Ele é um talentoso arquiteto e desenhista e, enquanto ouvia  música, registrava a Igreja.

Desenho de Mateus Rosada

E, no celular da Lia Maria de Medeiros, apareceu isto…

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Saiba porque a obra-prima de Scorsese ficará apenas duas semanas em Porto Alegre

Saiba porque a obra-prima de Scorsese ficará apenas duas semanas em Porto Alegre

A Netflix não se importa muito com o antigo modelo de negócios cinematográfico, ela quer é ver seus assinantes felizes e adimplentes. Então, com produção da Netflix, ao custo de US$ 159 milhões, O Irlandês terá somente 2 semanas em cartaz nos cinemas — li em vários lugares que seria apenas uma, mas o Guion confirma duas. Em Porto Alegre, como disse, ele está no Guion Cinemas com exclusividade porque as grandes redes não aceitaram as exigências da Netflix.

E isso ocorrerá no mundo todo. Nos Estados Unidos, por exemplo, apenas 65 salas exibirão o filme. No Brasil, serão 19 salas espalhadas por 15 cidades a partir do dia 14 de novembro. E fim. É claro que a Netflix está mais interessada em promover seu streaming do que as salas de cinema trabalhadas pelas produtoras tradicionais. Mas também está de olho nos prêmios como o Oscar. Então, temos uma pequena chance na tela grande.

O Irlandês narra mais uma uma saga de Scorsese sobre o crime organizado nos Estados Unidos pós-guerra. Contado através da perspectiva do veterano da Segunda Guerra Mundial Frank Sheeran, um assassino profissional que trabalhou ao lado de algumas das personalidades mais marcantes do século 20, o filme aborda o desaparecimento do lendário líder sindical Jimmy Hoffa – e se transforma em uma jornada pelos corredores do crime organizado, com seus mecanismos, leis, rivalidades e associações políticas.

O filme é baseado no livro O Irlandês: Os Crimes de Frank Sheeran a Serviço da Máfia, de Charles Brandt. O livro tem um sugestivo título original: I Heard You Paint Houses, que é uma expressão do submundo do crime dos Estados Unidos, que significa “pintar casas”, melhor dizendo, significa matar, uma gíria derivada do sangue que espirra dos corpos e das cabeças nas paredes contra as quais os mortos se chocam após o impacto dos tiros.

Scorsese fez seus filmes recentes, incluindo O Lobo de Wall Street e O Aviador, na Paramount. Se tivesse feito O Irlandês em um estúdio tradicional de Hollywood, tudo teria transcorrido normalmente, e seria provável que ele aparecesse em um cinema perto de você. Mas a Paramount não se interessou, por causa do orçamento robusto de um filme que abrange décadas.

A Netflix foi a única empresa disposta a assumir o risco do projeto — um filme com ritmo lento de três horas e meia de duração, que conta a história de como o crime organizado se interligou ao movimento trabalhista e ao governo nos Estados Unidos ao longo do século passado.

“A Netflix está recusando uma quantia significativa de dinheiro”, disse irritado John Fithian, presidente da Associação Nacional de Proprietários de Cinemas. “Pense em Os Infiltrados, de 2006. O filme arrecadou US$ 300 milhões em todo o mundo. Garantiu o Oscar de melhor diretor a Scorsese. Ganhou a estatueta de melhor filme. Ficou muito tempo nos cinemas e rendeu uma tonelada de dinheiro. Por que a Netflix não gostaria de gerar receita com isso antes de ir para o streaming? Ele ainda ficaria exclusivo na Netflix”. Ué, mas a Paramount quis esses 300 milhões, né? E quem aceitou investir tem suas regras, não?

Então, como a Netflix quer atrair mais e mais assinantes, daqui a alguns dias o único lugar em que você poderá vê-lo é em casa. Paciência. Pois é claro que o lugar dele é mas telonas.

Mais uma coisa: dizem que a grande cena do filme ocorre só aos 45 min do segundo tempo.

Foto: Divulgação

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Lula vai percorrer o Brasil

Lula vai percorrer o Brasil. Vai falar com líderes internacionais. Vai às praias sujas de petróleo do nordeste (um absurdo que Boçalnato nem foi olhar!). Vai falar sobre o desmonte do estado patrocinado por Paulo Guedes. Vai mostrar o plano de Guedes para nos tornar uma colônia dos EUA — o cara é um singelo baba-ovo anos 70. Vai falar da estagnação econômica. Vai comparar. Vai mostrar, com sua oratória brilhante — e não sou lulista –, que Boçal é burro demais. Vai ver Macron e dar beijos em Cristina e Alberto Fernandez. Se a Frente Ampla ganhar no Uruguai, ele vai visitar.

E nós vamos nos foder com este Congresso de baixo nível que os boçalnaristas colocaram lá. (Religião e direita é o mesmo que intolerância e autoritarismo). E a tendência é uma grande explosão. Mas eu vou parar de me preocupar e amar a bomba, porque os estúpidos eleitores de Boçalnato merecem isso mesmo.

E eu vou dizer que prefiro o 6 x 5 ao 7 x 1 deles, bando de trouxas amantes de milicianos. E meu sonho de Pollyanna é que seja instalada inteligência artificial nos eleitores do Bozo. E que, enquanto eles não receberem esse acréscimo, que fiquem quietos, dormindo, sonhando com o AI-5. E fim.

P.S. — E os boçalnaristas nem poderão reclamar muito do STF, pois este colegiado é que está garantindo a não prisão dos filhos de Bolso — que são os verdadeiros Irmãos Petralha. Quem leu Tio Patinhas na infância sabe disso.

P. P. S. — E quem mandou matar Marielle?

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Atrás do balcão da Bamboletras (XVIII)

Atrás do balcão da Bamboletras (XVIII)

Eu estava vindo para a Livraria num Uber. Eu e o motorista, um negro, vínhamos falando mal do Inter e ofendendo severamente nossa diretoria. Eles merecem. Bah, merecem muito, mas isso não interessa.

No meio do papo, eu, por algum motivo, falei no livro “Liga da Canela Preta”, de José Antônio dos Santos para a Editora Diadorim. E contei um pouco da história da liga dos negros, enquanto o sujeito arregalava os olhos.

— MAS EU NÃO CONHECIA ISSO!!! Ah, não. Eu preciso ler este livro HOJE.
— Olha, tem na minha livraria e nós estamos indo pra lá.
— Então vou estacionar e comprar o livro. Depois volto pro trabalho.

Quando saímos do carro ele disse:

— Tu sabe que o negro não conhece a própria história, né?

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A parte hipócrita da imprensa gaúcha

A combativa imprensa gaúcha diz que o Estado está falido, que é necessário um pouco de sacrifício e aguentar o parcelamento de salários há anos sem reajuste…

Então, para ter uma graninha a mais, o Leitinho cobra o IPVA em janeiro sem parcelamento e a mesma imprensa diz que é um absurdo, que não pode ficar assim!

E o governador — do alto de suas inabaláveis convicções — recua…

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Um abuso (ou quase)

Meu pai era um dentista de conversa leve e cômica. Mesmo quando se irritava era leve. Jamais sairia falando sobre ABUSO. E ele era engraçado. Mesmo sério era engraçado. Quando minha irmã, aos 15 anos, disse que estava namorando, ele respondeu “Mas é platônico, não?”. Isso tornou-se uma clássica piada familiar. Mas eu estava dizendo que ele tangenciava e evitava os papos mais difíceis e que por isso não falaria sobre abuso.

Porém, na noite em que eu — tinha uns 8 anos (1965) — estava passeando com o cachorro e depois saí numa fuga a toda velocidade porque um sujeito sentado numa mesa de bar primeiro puxou conversa, depois acariciou minhas pernas e pegou na minha mão, algo me disse que devia falar com ele. Entrei em casa ofegante e contei o acontecido. Ele me olhou com a maior calma e perguntou:

— Foi só isso?
— Foi.
— Mão nas pernas e depois na tua mão?
— Sim.
— Tu reconheceria o sujeito?
— Reconheceria.
— Então, se a gente cruzar com ele, me mostra.
— Mostro.

E ele me olhou fixamente.

— E nunca mais chega perto ou fala com esse cara.

Meses depois, eu mostrei o cidadão para o pai.

— Mas ele é meu cliente! Incrível.

Um tempo depois ele me disse que o tal cliente tinha marcado hora.

— Vou falar com ele.

Com o sujeito de boca aberta, meu pai disse que tinha um filho que levava nosso cãozinho para fazer xixi na rua, às vezes à noite, que eu devia passar perto do bar tal. E que…

— Essa cárie está muito infectada. Acho que vai doer. Muito. Demais.

Meu pai ria dizendo que o sujeito suava e suava. E que sumiu depois desta consulta.

(Só eu, ele e minha mãe soubemos dessa história. Nada de escândalos).

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Ser pedestre em Porto Alegre

Ser pedestre em Porto Alegre

Tudo pelo carro nesta Porto Alegre de merda.

Tente atravessar a João Pessoa na altura da República. As sinaleiras para pedestre não são sincronizadas e há quatro pistas. Duas para carros e duas para ônibus. É complicado de atravessar e até de entender. Tem gente que vai e volta correndo… Um perigo.

Ah, é exceção? Então tente atravessar a Borges na altura do Centro Administrativo, no pé da elevada. São 3 pistas que se leva 5 minutos para atravessar. É claro que todo mundo faz a travessia correndo, quando dá uma folga.

E experimente caminhar pela perimetral vindo da ex-Medicina em direção à Procergs pelo lado direito da rua. Há a pista dos carros, que é laaaaarga, e a calçada, que é dividida entre uma pista para ciclovia e outra caminhantes formando uma trança sem fim. Parece feita para que os ciclistas nos atropelem.

Mas o carro… Ah, este tem metros e metros. São outras 4 lindas pistas.

Tudo pelo carro.

E há locais onde a gente atravessa é dá de cara com uma grade…

Foto: Youtube

.oOo.

Comentário de Eduardo Canto:

Difícil ser pedestre, difícil ser ciclista. Ainda na gestão do Fortunati, foram criadas calçadovias, como a da Restinga, que simplesmente transformou calçadas em ciclovias. Tiraram o pedestre pra botar o ciclista. E com isso se fomenta a guerra entre pedestre e ciclista, pois ai de quem mexer com os carros. O mesmo ocorre em frente ao Barra Shopping. Um pouquinho depois do Centro de Treinamento do Grêmio, termina a calçada e fica só ciclovia. Sobre as sinaleiras, eu já filmei mais de 8 minutos de espera da sinaleira para pedestres e ciclistas no cruzamento da Beira-Rio com Ipiranga, ali ao lado do Dilúvio e do Guaíba. Ou seja, são sistemas feitos para serem burlados. Quer mais? Ciclocoisa da Ipiranga: tem alguns semáforos com 3 tempos para conversão de carros da Ipiranga para pontes que levam ao norte. O ciclista chega, aperta o botão e tem que esperar o novo ciclo para que tenha 10 ou 12 segundos para atravessar. Se chegar e apertar o botão mesmo antes da hora em que o semáforo abriria para ele, ele tem que esperar o novo ciclo. Quando vendi o carro e comecei a pedalar, eu ficava de trouxa no sinal esperando, até me dar conta de que este SISTEMA PENALIZA QUEM NÃO USA CARRO. E agora, eu atravesso quando dá. Mas pior mesmo do que esse descaso dos gestores público-privados (prefeitos a serviço das empresas financiadoras de campanha) é o comportamento de boa parte dos motoristas: odeiam o ciclista, como se ele fosse apenas um pé de chinelo que não tem carro porque é pobre (e aí se fosse?!) e não conseguem enxergar a quantidade de gente que já não entope as ruas com carros para andar de bike. E mais ainda, a quantidade de gente que só não faz o mesmo porque tem medo de ser atropelada. Estamos muito atrasados. Assim como fomos o último país a abolir, pelo menos oficialmente, a escravidão, seremos o último a abandonar o conceito de que ter carro é imprescindível para a felicidade. E, claro, seremos os últimos a termos consciência de classe, que é a raiz de todos esses problemas. Logo nós, um dos países mais lindos desse planeta…

Ah, sim, e quem tem carro e berra é ouvido: a gritaria sobre a ameaça de não parcelamento do IPVA foi ouvida no dia seguinte e o Leitinho, o governador das empresas, já abriu as pernocas.

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Bom dia, Zé Ricardo (com os lances de Inter 1 x 1 Athlético)

Bom dia, Zé Ricardo (com os lances de Inter 1 x 1 Athlético)

Para usar um termo que está na moda, o Inter é tóxico, faz mal. Na verdade, a diretoria e seu guru Fernando Carvalho fazem mal. Pois só uma pressão de cima justifica certas escalações. Pô, Patrick a esta hora? Ele só poderia jogar na lateral esquerda, naquele lugar para onde temos Natanael, Uendel, Zeca Oktoberfest, etc.

Já pensaram em somar os salários deles? Acho que dava um, digamos, Filipe Luís + um guri da base na reserva. E se somássemos os salários de Sóbis, Trellez e Parede? Acho que teríamos um bom reserva pro Guerrero. E se pegássemos o Bruno Silva e o Rithely? Bem, não me digam que estas contratações eram loteria, que poderiam dar certo. Quem apostava em Sóbis (há anos não faz um bom jogo), Trellez (idem) e Parede (reserva no Ypiranga), quem conhecia Natanael ou acreditava em Uendel? Ninguém. A margem de erro das contratações pode baixar sim.

Lindoso: um dos poucos acertos da diretoria | Foto: Ricardo Duarte

Ontem jogamos muito, mas muito mal. O primeiro tempo foi de rara pobreza. A saída de bola estava um caos. Lindoso simplesmente deixou de circular entre os dois zagueiros para fazer a saída de bola — ordem de Zé Ricardo? Como consequência, Moledo e Cuesta passaram a dar chutões, no que foram auxiliados por Lomba. Já disse, o Inter é tóxico. Uma providência singela — pedir para que Lindoso fosse uma opção segura de passe — não foi tomada.

Só que Lindoso fez um golaço, mas Zeca Oktoberfest providenciou o empate do, falemos sério, fraco time do Athlético-PR. Os curitibanos jogaram muito mal, se esforçaram para perder, mas nós não sabemos ganhar.

Jogamos 12 pontos contra o Athlético-PR e ganhamos 1. O time deles tem Wellington Martins de volante e capitão. E mais não digo.

No segundo tempo, pressionamos bastante. Perdemos gols e até um pênalti batido por Guerrero. Não sei o que houve com Nico, mas o gol perdido por ele no final da partida — coisa bem comum — foi diferente: Nico queria o gol bonito, não o gol, se me entendem.

E assim seguimos para o Gre-Nal. Estamos prontos para tomar nova goleada. Algo há naquele vestiário, certamente insatisfação, brigas, má gestão. Cada vez fica mais complicado pagar a mensalidade para ver tanta confusão espirrando para dentro do campo.

PS: o Inter teve 6 pênaltis a seu favor em 2019. Errou 4. Devemos treinar muito este e outros fundamentos…

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Lembrete nada a ver (sobre Roma)

Lembrete nada a ver (sobre Roma)

Se um dia voltar à Roma, vou de tênis novos. Uma vez, no caminho para Londres, eu e minha filha fizemos uma Roma louca em um dia. Chegamos de manhã e saímos à noite.

Pegamos o ônibus em Fiumicino e fomos até um terminal bem bagunçado no centro. Lembro de uma palavra: termini (?). Bem, todos devem ser termini. Caminhamos como loucos.

Pantheon, Fontana di Trevi, Piazza Navona, Piazza di Spagna, imediações do Coliseo, algumas igrejas, um museu (Bárbara, qual foi?) e sei lá mais o quê. Tudo a pé, em um dia de louca infantaria. Lembro que comemos em um beco e a coisa era barata e maravilhosa. E também, burramente, na frente do Pantheon.

Lembro que quase todas as pessoas e garçons que nos identificavam como brasileiros perguntavam sobre a Boate Kiss, cujo incêndio tinha ocorrido uns dias antes.

É a última lembrança que tenho de Roma. Adorei quando fui pela penúltima (e primeira) vez e me perdi na cidade histórica. Isso eu quero que aconteça novamente. Deve ser fácil.

Em Roma, as estações de metrô ficam tão afastadas uma da outra que a cidade histórica deve ser vista a pé mesmo, acho eu.

A Bárbara inteira, o Coliseu nem tanto.

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Quando a Elena indica…

Quando a Elena indica…

Quando a Elena indica, é garantia de alta qualidade. Em outras palavras, não percam!

Johannes Brahms era mestre em incorporar e reinterpretar o passado em suas obras. Sua última sinfonia contém um dos exemplos mais sublimes disso. No quarto movimento, ele adota um tema em forma de coral — com ligeiras modificações — extraído da Cantata BWV 150, de Bach, e constrói sobre ele um conjunto de 35 variações em forma de passacaglia. São os sopros (metais e madeiras) quem apresentam o tema circunspecto e austero que dá início a uma estrutura monumental que é um ponto final da última obra sinfônica do compositor nascido em Hamburgo. Tudo isso após um terceiro movimento fofo, onde a ‘melancolia generalizada’ de Brahms não aparece.

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O Chile acordou, o Brasil segue em coma

Foto tirada pela atriz Susana Hidalgo

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Bom dia, Zé Ricardo (com os lances de Bahia 2 x 3 Inter)

Bom dia, Zé Ricardo (com os lances de Bahia 2 x 3 Inter)

Deves saber, Zé Ricardo, que Odair jamais venceria o jogo de sábado contra o Bahia. Em primeiro lugar, porque não atacaria como atacamos. Em segundo lugar, porque, quando o Bahia descontou para 1 x 2, Odair recuaria, chamando o Bahia para nosso campo sem contra-atacar. Zé Ricardo manteve o time na frente e fez o terceiro.

No final do jogo, Guerrero fritou Odair: “Time entrou com tática diferente, para ganhar”.

Outra coisa maravilhosa é que foi um jogo sem VAR, essa grande invenção que não funciona no Brasil.

Boa partida de Neilton | Foto: Ricardo Duarte

No mais, vamos antes a uma estatística trazida pelo Alexandre Perin:

O Inter jogou 2 partidas no 4231 fora de casa e ganhou 2. Fez seis gols.

Inter jogou 1 jogo no 442 fora de casa e ganhou 1. Fez 2 gols.

Inter jogou 11 jogos como visitante no 4141 e ganhou 1. Fez 5 gols.

Por que Odair manteve o 4141 por tanto tempo?

Bem, sem Dale e Patrick, Zé Ricardo escalou Neilton e Parede.  O primeiro tempo de Parede foi trágico, mas ele melhorou no segundo tempo, marcando até um gol e dando passe para outro. Azar de comentaristas como eu, que estavam espinafrando Parede. Tive a sorte de não deixar registro por escrito, Gustavo Czekster… Prova de que às vezes é melhor esperar o fim do jogo, né?

Já Neilton foi escalado onde fazia misérias no Vitória, pelo meio. E saiu-se bastante bem.

Minha opinião? O 4231 deve ser mantido, é óbvio. Patrick deve entrar ou na posição de Wellington Silva ou na lateral esquerda. E Dale deve alternar com Parede ou Sarrafiore. Temos um equilíbrio bastante débil, então não é bom mexer muito.

Com a vitória, a segunda consecutiva fora de casa, chegamos aos 45 pontos em 28 jogos e ocupamos o 5º lugar. Voltamos ao campo na próxima quinta-feira (31/10), quando recebemos, a partir das 21h30, o Athletico Paranaense. Domingo tem Gre-Nal no Humaitá.

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Laguinho da Redenção, agora

Laguinho da Redenção, agora

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Bom dia, Renato e Zé Ricardo

Bom dia, Renato e Zé Ricardo

Tu, Renato, assim como o Zé Ricardo, estás mal assessorado. Imagina que o Flamengo não poupa seus jogadores, tem poucos lesionados, corre muito e, quando alguém se machuca, volta logo. Que incrível, né? O chefe do Depto. Médico do Grêmio é um pediatra… Mas conheço mais o caso do Inter.

Os jogadores são caros e, incrível, também são seres humanos que, como todo mundo, merecem profissionais atualizados. Rodrigo Dourado foi operado no primeiro semestre. Voltaria logo. Fez uma partida e foi operado novamente. Matheus Galdezani sofreu uma grave lesão em janeiro e nunca mais. Acho que será operado novamente qualquer dia desses. E Nonato está sendo “tratado”. Um perigo!

Outra coisa é a preparação física. É óbvio que Odair usava as folgas para agradar seus pupilos e permanecer no cargo. Todo mundo jogava — e todo mundo folgava — e era feliz com o papito. O vestiário estava na mão do técnico e a instituição que se danasse. Já Jorge Jesus é malvado — com ele sempre os melhores atuam.

É que ele trouxe toda uma trupe de Portugal. Ele tem uma equipe de seis portugueses e um brasileiro — que é o motivador Evandro Motta. Não desprezo Motta, mas vejam, a ciência é toda europeia. São auxiliares técnicos, preparadores físicos e analistas de desempenho, todo mundo bem informatizado e atualizado. O resultado disso fica claro dentro de campo.

Enquanto isso, em nossas comissões técnicas reina o compadrio. Todo mundo é amigo e está lá há anos, com os resultados que vemos. Os nomes dos médicos são os mesmos há 20 anos. Digo isso com conhecimento de causa. Tem um lá com 25 anos de casa. Será que eles se atualizam?

Mas é claro que há mais: o Flamengo tem jogadas ensaiadas, tem sincronia, há trabalho real ali, tempo de trabalho. Ouvi Rodrigo Caio dizer que jamais foi tão exigido do ponto de vista físico como com Jesus. E está lá, jogando sempre. Nada de folgas pelo desgaste. Aqui, os jogadores são mimados. Isto é apenas inabilidade para administrar o grupo, para deixá-lo calminho.

Óbvio que isto não explica 100% as atuações de Geromel e Kannemann na quarta-feira. Kannemann é comum, mas Geromel é bom jogador. Olha, se Geromel tivesse mais ritmo de jogo, talvez não perdesse aquela bola para Bruno Henrique logo no início do segundo tempo e que resultou no escanteio do segundo gol. Lembram da jogada? O magrão teve a noção de tempo de um bêbado. E falhou ou estava fora do lugar nos três gols seguintes. Querem saber de uma coisa? Dá uma folga pra ele, Renato. O coitado está es-ta-fa-do.

Foto: gremio.net

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O Dia do Rato

e-mail

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Atrás do balcão da Bamboletras (XVI)

Atrás do balcão da Bamboletras (XVI)

— Quer CPF na nota?
— Sim.
— Pode dizer.
— 007…
— Tu tem licença para matar?

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E Andris Nelsons grava sua integral das Sinfonias de Beethoven

E Andris Nelsons grava sua integral das Sinfonias de Beethoven

Andris Nelsons (1978) é um jovem maestro letão. Atualmente, ele é o diretor musical da Orquestra Sinfônica de Boston e da Gewandhaus Orchestra de Leipzig. Também já foi chefe da respeitada City of Birmingham Symphony Orchestra (CBSO). É uma estrela em plena ascensão e a Deutsche Grammophon já o contratou para gravar integrais das Sinfonias de Bruckner (Gewandhaus), de Shostakovich (Boston) e de Beethoven (com a Filarmônica de Viena).  As duas primeiras séries ainda estão sendo gravadas, mas a de Beethoven foi lançada neste mês.

E que esplêndido trabalho Nelsons fez com os filarmônicos de Viena! Um Beethoven forte e redondo, escandaloso e alegre, porém jamais, mas jamais mesmo, grosso. Certo pessoal do século XX achava que para tocar Beethoven, em certos trechos mais agitados, era só dar ênfase e berrar que estava bom. Era tudo muito emocional. Isso é ignorar a cultura. Beethoven foi um enorme artista de transição do classicismo para o romantismo. Se este é um dos fatores que o torna tão grande, também nos obriga a abordá-lo com conhecimento.

E Nelsons, com fraseados muito trabalhados, vai pelo outro lado e mata a questão com classe. E a Filarmônica de Viena fala beethoveniano, respira Beethoven. Creio que Nelsons deva ter ouvido muito os músicos da orquestra. Sei que se trata de um homem profundamente sensível e inteligente, conheço músicos que trabalham com ele. Sei das surpresas que apronta e que costuma dialogar.

O desenho do primeiro movimento da Eroica é quase erótico com a mágica das passagens da melodia de um instrumento para outro. Isso se repete a cada sinfonia, sublinhando a qualidade da orquestração. Raramente ouvi coisa mais natural, fluida e perfeita. E a sonoridade nem se fala.

Bem, ouvi as 4 primeiras sinfonias de Beethoven com Nelsons de enfiada. As duas primeiras — que jamais chamaram minha atenção — cresceram muito. A Eroica está sensacional, apesar de certas alegres liberdades tomadas na Marcha Fúnebre. A 4ª nem se fala. Mas logo voltei à Eroica (3ª), que está anormal de tão boa. Depois fui para uma excelente 5ª, cheia de sinuosidades e plena de tradição no terceiro movimento. Mas parece que Nelsons se dá melhor na delicadeza, pois sua 6ª é um primor, uma campeã.

Não, me enganei, sua sétima — com a sucessão fantástica de danças e o rock pauleira do último movimento — é um primor.

(Comecei a frequentar os concertos de música erudita com a idade de 4 ou 5 anos. Meu pai me levava. Ele disse que, por uns 5 anos, eu sistematicamente dormia após dez minutos. Ele queria saber quando eu pararia com aquilo, ainda mais porque eu dizia que gostava de ir… Certamente gostava era da companhia dele, claro.

Mas houve um dia em que eu passei a não mais dormir. Foi quando assisti uma 7ª Sinfonia de Beethoven regida por Pablo Kómlos. Aquilo era enlouquecedor. Uma sucessão de agitadas danças com aquele Alegretto (uma Pavana) no meio.

Ouvi hoje a 7ª e, pela enésima vez… Toda aquela primeira impressão permanece viva. Eu sou o mesmo, de certa forma. De certa forma bem distorcida.)

A oitava está menos haydniana do que o costume e mais parruda. A nona se vem dentro do padrão de alta qualidade do restante. Adorei.

A DG rouba sempre a cena quando o assunto é Beethoven, né?

E Nelsons, contrariamente àquela outra grande estrela da DG no século XX, está mais pela música do que pelo negócio. Isto é muito claro.

E, para deixar claro, QUE NOTÁVEL ORQUESTRA É A FILARMÔNICA DE VIENA. Não creio que possa haver algo melhor atualmente!

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Bom dia, Roberto Melo

Bom dia, Roberto Melo

Eu não vou escrever sobre Ricardo Cobalchini — o menino que pegou este rabo de foguete — mas sobre nosso diretor de futebol Roberto Melo, futuro presidente do Internacional, pois é o nome da situação. E vou escrever rapidamente, porque ele não merece mais do que algumas linhas.

Ele, que apenas come da mão de Fernando Carvalho, escolherá o quarto treinador titular em três temporadas. Ele é o cara que deu aval ao modelo de Odair. Modelo retranqueiro, que empilha loucamente volantes, sem usar a base e sem visão de longo prazo.

Em 3 anos, Melo contratou (gastou em) 9 volantes, 6 zagueiros, 5 laterais e 14 atacantes (sendo que o time utiliza 1) e, pasme, apenas 2 armadores, sendo que só Camilo tinha características próximas de D’Ale. Resultado: nosso ataque não existe, como revimos ontem. Do que necessitamos? Ora de, armadores. Mas Melo e FC não gostam, preferem volantes que saiam para o jogo…

O gol do Vasco começou numa falha do último volante contratado, Bruno Silva.

Além disso, já entramos em férias em 18 de setembro, após perder a final da Copa do Brasil para o Athletico-PR. Acho que, como estamos em férias e como Patrick e D’Alessandro receberam o terceiro cartão amarelo, podíamos apostar em Sarrafiore e Neilton para começar o jogo contra o Bahia, não? Teste por teste… Mas não, vamos achar no grupo um volante para tentar segurar o jogo.

.oOo.

Alexandre Perin escreve e assino embaixo:

Sobre a questão do novo treinador do Inter.

Gente, é óbvio que o Eduardo Coudet está 100% garantido para 2020. É óbvio que ele está contratado.

A prova disso é que ninguém, nem na imprensa, tampouco nas comunicações oficiais no clube, discute mais isso. Nada. Não há mais sequer especulação.

O foco agora mudou para se continuará o interino, tão borrado quanto o antecessor, ou o um novo treinador temporário será escolhido.

Até mesmo essa Diretoria virgem, de um presidente omisso e um vice de futebol absolutamente incompetente (tal qual sempre falei) , não seriam tão BURROS de deixar uma especulação gigante acontecer sem simplesmente cortar o papo pela raiz, gerando uma expectativa que simplesmente jogaria contra eles.

Nem o Medeiros, nem o Melo (que foram “hackeados” e perderam as contas de Twitter após o vexame na final), a despeito das inúmeras decisões erradas, deixariam assim.

Nem mesmo eles estariam perdendo a chance de levar um baita treinador desempregado, caso do Ariel Holan, se não houvesse essa garantia. Nem eles.

Eles sabem que o projeto de poder deles depende muito de 2020.a manutenção desse grupo no comando do clube por 20 anos é responsabilidade das decisões deles até dezembro.

O Inter tem dono.
O Inter serve para um único objetivo.
Este dono continuar no poder.

Futebol e sucesso são detalhes na franquia Sport Club Internacional Ltda.

Roberto Melo, futuro presidente do Internacional

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