O bem que Fortunati causou à Ponte dos Açorianos, hoje um criadouro de Aedes aegypt

O bem que Fortunati causou à Ponte dos Açorianos, hoje um criadouro de Aedes aegypt

Em poucos anos, nossa querida Ponte dos Açorianos foi de cartão postal a criadouro de Aedes aegypti. Vejam nas fotos baixo, a Ponte em 2008 e agora. José Fortunati é nosso prefeito deste a longínqua e triste data de 30 de março de 2010.

Segundo a Wikipedia, A Ponte de Pedra dos Açorianos é um monumento histórico da cidade de Porto Alegre. Está situada no chamado Largo dos Açorianos, que abriga também outro conhecido monumento da cidade, o Monumento aos Açorianos.

A ponte de pedra substituiu uma primitiva ponte de madeira erguida quase no mesmo local por volta de 1825. Várias vezes reconstruída em razão dos estragos causados pelas enchentes e pela deterioração natural da madeira, foi fechada ao trânsito em março de 1848, altura em que já estavam quase finalizadas as obras para uma nova ponte, mandada edificar já em 1843, antes do fim da Guerra dos Farrapos, pelo Duque de Caxias, então presidente da província.

A nova obra deveria ser mais durável e, por isso, foi construída de alvenaria de pedra. O construtor designado foi João Batista Soares da Silveira e Sousa, que utilizou escravos como mão de obra, num custo de 980 contos. A obra foi aberta ao público em 1848, ainda inacabada, e só foi concluída em 1854. A ponte cruzava um dos braços do arroio Dilúvio, que se bifurcava onde hoje está o Colégio Estadual Protásio Alves, e representava a única ligação entre o Arraial (pequeno vilarejo) do Menino Deus e o Centro Histórico de Porto Alegre.

Veja as fotos:

Ponte de Pedra dos Açorianos na década de 30
Ponte de Pedra dos Açorianos na década de 30
Em 2008 | Ricardo André Frantz
Em 2008 | Ricardo André Frantz
Em 9 de junho de 2015 - Lago sobre a Ponte dos Açorianos, também conhecida como Ponte de Pedra. Foto: Guilherme Santos/Sul21
Em 9 de junho de 2015 – Lago sobre a Ponte dos Açorianos, também conhecida como Ponte de Pedra. Foto: Guilherme Santos/Sul21
Ontem | Foto: Ladeira Livros
Ontem | Foto: Ladeira Livros
Ontem | Foto: Wladymir Ungaretti
Ontem | Foto: Wladymir Ungaretti

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A última do Sartori: governo estuda exonerar concursados

A última do Sartori: governo estuda exonerar concursados
Quem pariu Sartori que o embale? Mas cadê essa gente? | Foto: Luiz Chaves
Quem pariu Sartori que o embale? Infelizmente não | Foto: Luiz Chaves

Como se não bastasse o caos já instalado em diversos setores da administração estadual, como se não bastasse a montanha de gestores incompetentes, hoje o Correio do Povo traz uma nota de fazer cair os butiá dos bolso de muita gente. Se já estava difícil encontrar quem votou neste cabra, agora ficará pior. O cruzeiro para a Flórida e Caribe não melhorou nosso governador. A notícia:

No primeiro encontro deste ano entre o governador e sua base parlamentar, José Ivo Sartori (PMDB) anunciou que o governo poderá optar por exonerar servidores concursados para adaptar as despesas com pessoal à receita do Estado. Em janeiro, o Rio Grande do Sul foi notificado pelo Ministério da Fazenda por ter extrapolado o limite de 49%, estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

“Se o Estado não alcançar, nos próximos oito meses, o equilíbrio entre a receita e a folha de pagamento, servidores concursados poderão ser exonerados”, relatou o deputado Ênio Bacci (PDT). “Isso é complicado, muito complicado. Temos é que fazer um grande esforço pela renegociação da dívida com a União para viabilizarmos as contratações necessárias”, completou Elton Weber (PSB).

(…)

O secretário de Comunicação do governo do Estado, Cleber Benvegnú, garante que não foi apresentado na reunião qualquer estudo prevendo corte de concursados. Segundo ele, apenas foi apresentado no encontro os mecanismos relativos à Lei de Responsabilidade Fiscal, visto que o Estado está chegando ao limite prudencial.

Conforme estabelecido pela Constituição Federal, isto seria possível. Porém estas mesmas legislações asseguram uma escala de prioridades a ser respeitada, protegendo a estabilidade do servidor. Os ocupantes de cargos ou funções comissionadas seriam os primeiros desta lista de demissões. Na sequência, estariam os não-estáveis, ou seja, aqueles que ainda não se tornaram efetivos, conforme o artigo 41 da Constituição. Após estes, precisariam ser dispensados do trabalho os empregados terceirizados na atividade fim de empresas públicas e sociedade de economia mista, seguidos ainda pelos contratados temporariamente.

O processo de demissão de um servidor público não é simples. A legislação os protege para garantir-lhes segurança no exercício de suas funções. Precisamos lembrar ainda que artigo 41 é muito claro neste assunto. Ele só perderá sua estabilidade em virtude de uma sentença judicial transitada e julgada ou ainda após passar por processo administrativo, no qual ainda terá o direito de ampla defesa.

Atrás apenas de Rio Grande do Norte, Tocantins e Mato Grosso, o Rio Grande do Sul é o quarto Estado que mais estourou o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal em 2015. No ano passado, o RS registrou percentual de 49,18% na relação entre gastos com pessoal e arrecadação de receitas – o limite máximo estipulado pela medida é de 49%.

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Um texto sobre tributação viraliza em pleno Carnaval

Um texto sobre tributação viraliza em pleno Carnaval

Por Rogério Godinho, texto retirado de seu perfil do Facebook

imposto

A carga tributária do Brasil é de 34,4%.

O que isso quer dizer?
Nada.
A do Chade é 4,2%, de Angola 5,7% e Bangladesh 8,5%.
A do Reino Unido é 39%, da Áustria 43,4% e da Suécia 47,9%.

Alguém pode vir com alguns poucos exemplos de países que pagam menos do que nós e estão melhor, mas isso também não quer dizer NADA.

O problema real tem muito mais a ver com a forma como é cobrado. Como já escrevi em vários textos, o Brasil cobra
– muito no consumo e
– pouco na renda.

Isso na média. Porque mesmo na renda se cobra
– pouco de quem está em cima
– muito de quem está embaixo.

Resultado:
– A galera de baixo é a que mais sente,
– A galera do meio é a que mais paga,
– A galera de cima não sente e (quase) não paga.

Como assim?
Se você ganha até R$ 1900, como 66% dos brasileiros, não paga imposto de renda. Mas todo o seu dinheiro vai para a subsistência, que é taxada. Absurdamente taxada.
Sobra nada.
E ainda usa um serviço público ruim.

Se você ganha entre R$ 2000 e R$ 6800, como 25% dos brasileiros, pode pagar até 27,5%. E também gasta muito para sobreviver, então paga alto.
Sobra pouco.
E não quer usar o serviço público ruim, então sobra menos ainda.

Bom mesmo é quem ganha muito.
Mas muito, aquele 1% de cima, sabe?
Esse reclama porque a empresa dele é taxada, mas embute isso no preço dos produtos – aquele imposto que mata o resto dos brasileiros – enquanto tem sua renda isenta. Chamam de lucros e dividendos.
Sabe quantos países isentam lucros e dividendos?
Dois.
Brasil e Estônia.
Quando muito, essa galera de cima paga aquela média de 3% sobre o patrimônio, enquanto a média mundial está entre 8% e 12%.
E aí ficamos discutindo se a CPMF é boa ou ruim.
E por quê?
Porque a galera do meio compra facinho o discurso de que a carga tributária é alta.
Só que a Suécia tem 7 vezes mais dinheiro por habitante para gastar no serviço público.
Mas a galera de cima não usa serviço público.
Ela quer mesmo é pagar ainda menos imposto.

Então, vende esse discurso para a galera do meio, que passa a querer
– imposto baixo angolano e
– serviço público sueco.

É isso.
Reflita.

.oOo.

P.S. — Os negritos são do blog.

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A bancada evangélica (ou teocrática) samba no governo Dilma

A bancada evangélica (ou teocrática) samba no governo Dilma

Dilma acaba de sancionar um dos mais espetaculares absurdos constitucionais de todos os tempos, a Lei Nº 13.246, de 12 de janeiro de 2016. A lei fixa o dia 31 de outubro como o Dia Nacional da Proclamação do Evangelho. Abaixo e no link, você pode ler o inacreditável conteúdo da lei. Note-se que o 31 de outubro é o Halloween — objeto de ódio dos congressistas evangélicos? — e a data do nascimento de Carlos Drummond de Andrade, que acaba sendo inadvertidamente respingada. Mas o que interessa não é bem isso. Leiam o Art. 2º. Ele desrespeita todas as religiões não cristãs e a lei, como um todo, vai moldando o meu e o seu Estado Fundamentalista.

Trata-se de uma leviandade, de uma verdadeira pândega evangélica em nosso Estado dito Laico, tendo o governo Dilma como parceiro. Espero que logo venha uma ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade).

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA

Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o  Fica instituído o dia 31 de outubro de cada ano como Dia Nacional da Proclamação do Evangelho.

Art. 2o  No dia 31 de outubro dar-se-á ampla divulgação à proclamação do Evangelho, sem qualquer discriminação de credo dentre igrejas cristãs.

Art. 3o  Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 12 de janeiro de 2016; 195o da Independência e 128o da República.

DILMA ROUSSEFF

Congressistas planejando o país
Congressistas planejando o país

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Em 2016, Sartori quer ainda ‘menas’ cultura

Em 2016, Sartori quer ainda ‘menas’ cultura
Esperamos que o servidor faça o mesmo com o Papai Noel Sartori
Esperamos que o servidor faça o mesmo após examinar os presentes do Papai Noel Sartori

Neste final de ano, Sartori voltou a utilizar a habitual estratégia do político fraco e pusilânime. Em pleno período de festas, entre dois feriadões de quatro dias cada, o polenta faz um pedido de convocação extraordinária para que a Assembleia Legislativa aprecie ainda nesse ano um novo pacote de ajuste fiscal encaminhado pelo Executivo. A data foi escolhida a dedo para fazer passar, sem grandes protestos, projetos de desmonte do estado, de massacre dos servidores públicos e de descaso com a população. É um Pacotão de Natal, um Pacotão de Maldades.

Estado do servidor após a leitura do pacote
Estado do servidor após a leitura do pacote

Ontem a repórter Jaqueline Silveira, do Sul21, apontou uma série de pequenas alterações, daquelas ao estilo das letras pequenas que não lemos nos contratos e que são, na verdade, o cerne do monstro, as coisas que mudam tudo e que os deputados certamente não terão tempo para ler neste período de viagens e festas.

Bem, já que até já fui processado por uma Secretária de Cultura — não deveria fazer um crowdfunding para rever a grana que perdi? — fui direto à parte do artigo que diz respeito à Cultura. Vejamos:

(E olha que o foco do Sartorão de Natal nem é a Cultura, mas o fim da licença-prêmio e as limitações nos reajustes salariais, ou seja, a destruição de conquistas de décadas).

Limite de recursos para o Programa de Incentivo, Programa de Apoio à Inclusão e Promoção Social e Sistema Estadual de Apoio Unificado e Fomento às Atividades Culturais – (…) Em relação às atividades culturais, investimento não pode ser superior a 0,5% do ICMS da receita líquida. Pela lei anterior, o parâmetro também era 0,5% do ICMS da receita líquida, porém estabelecia que não poderia ser inferior ao limite do ano anterior. (Ou seja, como a arrecadação diminuiu, teremos ainda menos dinheiro para a Cultura)

Ou seja, são três palavrinhas que diminuem o que já é miserável.

Há uma história atribuída a Winston Churchill que o governo do nosso estado certamente desconhece. Ela é muito conhecida. Durante a II Guerra Mundial, os esforços britânicos para resistir aos ataques nazis obrigaram Winston Churchill a fazer cortes duros nas despesas das pastas que não tinham relação com a defesa do país. Durante esse processo, alguém sugeriu que fossem feitas reduções significativas no orçamento da Cultura. Churchill recusou terminantemente. Seu argumento foi arrasador: “Respondam-me, por favor: por que é que estamos lutando?”.

Esta devia ser a pergunta que todos os que defendem contas públicas saudáveis deviam também fazer a si mesmos. Hoje, quem vai à Inglaterra sabe o resultado de atitudes como essa. O resultado está não apenas na produção cultural, mas disseminada por um dos povos mais educados do planeta. Dito isso, vamos a uma dica literária:

Victor Hugo

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Michel Temer é poeta publicado, sabiam? E dos bem ruins

Michel Temer é poeta publicado, sabiam? E dos bem ruins

Como escreveu o Carlos André Moreira, deixaram ele sem fazer nada e deu nisso. Os grifos são meus. Segundo Temer, estes poemas são coisas que fazia quando deixava a arena árida da política. Aqui, a chamada do lançamento na Folha; abaixo, exemplos da poesia do vice.

Exposição
Escrever é expor-se.
Ou incapacidade.
E sua intimidade.
Nas linhas e entrelinhas.
Não teria sido mais útil silenciar?
Deixar que saibam-te pelo que parece que és?
Que desejo é este que te leva a desnudar-te
A desmascarar-te?
Que compulsão é esta?
O que buscas?
Será a incapacidade de fazer coisas úteis?
Mais objetivas?
É por isso que procuras o subjetivo?
Para quem a tua mensagem?
Para ti?
Para outrem?
Não sei.
Mais uma que faço sem saber por quê.

(sim, mais uma)

Saber
Eu não sabia
Eu Juro que não sabia!

(sabia sim)

Passou
Quando parei
Para pensar
Todos os pensamentos
Já haviam acontecido

(?)

Assintonia
Falta-me tristeza.
Instrumento mobilizador
Dos meus escritos.
Não há tragédia
À vista.
Nem lembranças
De tragédias passadas.
Nem dores no presente.
Lamentavelmente
Tudo anda bem.
Por isso
Andam mal
Os meus escritos.

(muito mal)

Embarque
Embarquei na tua nau
Sem rumo. Eu e tu.
Tu, porque não sabias
Para onde querias ir.
Eu, porque já tomei muitos rumos
Sem chegar a lugar nenhum.

(agora quer chegar, né?)

Não teria sido mais útil silenciar? (...) Será a incapacidade de fazer coisas úteis? / Mais objetivas?
Não teria sido mais útil silenciar? (…) Será a incapacidade de fazer coisas úteis? / Mais objetivas?

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Duas análises sobre o novo processo de impeachment: os votos necessários e como chegamos a este ponto

Duas análises sobre o novo processo de impeachment: os votos necessários e como chegamos a este ponto

Minha opinião? Uma presidente eleita democraticamente e que não tem contra si qualquer crime de responsabilidade não pode sofrer impeachment. Mas o que interessa são duas análises abaixo, publicadas sem título no perfil de seus autores:

Por Luís Eduardo Gomes, jornalista do Sul21

Cunhas ou não Cunha, o que importa agora é que são necessários 342 votos para que o impeachment de Dilma tenha andamento na Câmara, uma vez que a regra exige que dois terços do total de 513 cadeiras.

A pergunta que fica é: há tudo isso de votos para derrubar a Dilma? A princípio não, longe disso. Dilma tem, bem ou mal, aprovado projetos a seu favor (aprovou um hoje). Mas, como essa Câmara é uma sacola de gatos, nunca se sabe. Vamos aos números:

Atualmente, essa é a composição da Câmara:

Bloco PP, PTB, PSC, PHS – 84
Bloco PR, PSD, PROS – 75
Bloco PMDB, PEN – 68
PT – 60
PSDB – 53
PSB – 33
Bloco PRB, PTN, PMN, PTC, PTdoB – 27
DEM – 21
PMB – 20
PDT – 18
SD – 15
PCdoB – 12
PPS – 10
PV – 5
PSOL – 5
REDE – 5
S.PART. – 2

Pegando os partidos de oposição aberta e que já defenderam o impeachment, acho que teríamos 53 do PSDB, 21 do DEM, 15 do Solidariedade do Paulinho da Força, 10 do PPS. Totalizando 98, muito longe dos 342 necessários.

Do outro lado, que certamente votariam contra o impeachment, há o os 60 deputados do PT, obviamente, os 12 do PCdoB, os 5 do PSOL (mesmo sendo oposição duvido que votaria a favor) e imagino que os 5 da Rede, visto que o Molon, líder do partido, é recém saído do PT. Totalizando 82. Faltariam 90.

Agora que vem a parte interessante. Esses votos que eu digo certos, somam só 180. Só que, das outras 333, temos muito mais partidos que são da base e que precisariam romper com o governo. A popular trairagem.

Desses, 68 são do bloco PMDB, PEN, que teoricamente poderia virar de lado se sentisse o poder tão perto.

Agora, será que o bloco PR, PSD, PROS, com 75 deputados, e o bloco PP, PTB, PSC, PHS, com 84, mudariam de lado assim tão fácil. Acho muito improvável. Aí no meio tem partidos sólidos da base. Mas, nunca se sabe.

Prosseguindo. Tem dois partidos, um independente, PDT, com 18 deputados, e outro da oposição, PSB, com 33, que muito me surpreenderiam se votassem a favor do impeachment. Acho que estariam rasgando um pouco da trajetória deles e para entregar o poder para o PMDB e para direita – que certamente iria se abraçar num governo Temer -, o que eu não vejo como nenhuma vantagem para partidos que supostamente são de centro-esquerda.

Tem ainda uns partidos aleatórios, como esse bloco PRB, PTN, PMN, PTC, PTdoB, que eu desconheço como votam, e o novato PMB (o partido da mulher que só tem homens), que tem uma carinha de quem vota com os tucanos…

Dado esse quadro, seria precisa uma senhora traição da base e uma posição favorável praticamente inteira de partidos que pouco ou nada teriam a ganhar com o impeachment para que se chegasse aos 342 votos. Isso é, difícil.

Passada essa etapa, seria necessário mais dois terços do voto do Senado, em que, teoricamente, a base da Dilma é mais estável e menos volátil do que na Câmara. Aqui, seriam necessários 54 votos.

Vamos lá: PSDB (11), DEM (4), PPS (1) somam só 17 votos.

PT (13), PCdoB (1), REDE (1, duvido que o Randolfe Rodrigues vote pelo impeachment), somam 15.

A essa altura, se já passou na Câmara, imagino que os 19 senadores do PMDB já tenham se bandeado. Embora aqui, existam senadores como Roberto Requião que não devem votar a favor. Como votaria Marta Suplicy?

De novo, PDT e PSB me soam como incónitas e somam 6 e 7 senadores, respectivamente. Como vota Romário? Cristovam Buarque? Lasier Martins? Acho muito improvável 13 votos aqui. Talvez liberem as bancadas, mas votar ambas totalmente contra é difícil.

Restam os partidos da base e outros bancadas pequenas. O problema, para quem quer o impeachment, é que a Dilma só precisaria de mais 12, isso considerando que PMDB, PSB e PDT votaram inteiros contra a Dilma, o que é difícil. E, de novo, a maioria desses seriam de partidos da base. PP (6), PR (4), PTB (3), PSD (4), PROS (1), PRB (1), PSC (1) somam outros 20.

Considerando isso tudo e só analisando a questão do ponto de vista matemático, é muito, muito improvável que o impeachment passe pela Câmara e menos ainda pelo Senado.

P.S: Que sacola de gatos confusa que elegemos, hein…

Cunha, nem rezando
Cunha, nem rezando

.oOo.

Por Idelber Avelar, professor de literatura latino-americana e ensaísta

Levaram o cinismo da Realpolitik até limites nunca antes imaginados. Abriram mão de todos os princípios. Aliaram-se aos piores bandidos da República. Cultivaram uma militância entorpecida, lobotomizada, especializada em negar hoje o que dizia ontem e em tentar justificar o injustificável. Humilharam repetidamente a sua base social, obrigando-a a sustentar um governo que trata a pão-de-ló os inimigos dessa base e a chicote os seus próprios membros. Foram perdendo os aliados genuínos, um por um, até ficar só com os chantagistas. Criaram um exército de capangas e ex-jornalistas em atividade para distorcer fatos e difamar opositores. Ajoelharam-se ante um pilantra de quinta categoria, cujo único projeto na vida era ser mais um bandido do PMDB carioca. Até o soar do gongo, imploraram por um acordo. Ofereceram tudo e conseguiram o pior dos mundos possíveis: nem fizeram política direito e nem se pautaram pela ética.

O resultado está aí: um criminoso comum, de quem já se sabe que roubou milhões do erário público, abre um processo de impeachment contra uma Presidente incompetente, mas que foi legitimamente eleita e de quem se sabe que nunca roubou um alfinete.

Parabéns a todos os que cultivam esse cinismo sem princípios. Agora, que lidem com o monstro.

Dilma, só rezando
Dilma, só rezando

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Argel Fucks e o legado de Muhamad Said al-Sahaf

Argel Fucks e o legado de Muhamad Said al-Sahaf
O Inter joga um bolão, declarou Muhamad Said al-Sahaf
O Inter joga um bolão, declarou Muhamad Said al-Sahaf

Por Marco Weissheimer (em RS Urgente intervenção no futebol)

As entrevistas do treinador do Internacional, Argel Fucks, vêm impactando a comunidade futebolística gaúcha, em especial a colorada, pela insólita leitura que o comandante faz dos jogos. O insólito consiste em relatar um jogo que só ele parece ter visto. Na verdade, a estratégia midiática de Argel tem precedentes históricos. Ela remete às antológicas entrevistas de Muhamad Said al-Sahaf, ministro de Informação iraquiano, durante o governo de Saddam Hussein, que espantava o mundo com seus briefings diários à imprensa, totalmente desconectados da realidade. Said al-Sahaf elevou esse estilo de entrevistas à categoria de arte. Entre outras coisas, ele chegou a desmentir que as tropas norte-americanas tivessem entrado em Bagdá, enquanto os tanques do Tio Sam passavam atrás do prédio onde ele dava sua coletiva.

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A crise da Síria bem contada em 10 minutos e 15 mapas

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Hora de se informar mais e escrever menos

Hora de se informar mais e escrever menos

A tolice das redes sociais neste fim de semana foi tamanha que desisti de ler as postagens. Era gente reclamando da bandeira da França nas fotos de perfil, era gente reclamando de que a lama de Mariana tinha virado nota de rodapé — bem, com nossa imprensa e políticos, o que esperavam? –, era gente que chegava ao ponto de comparar o incêndio na boate Kiss com o massacre do Bataclan.

Pessoalmente, minha solidariedade pessoal vai para Paris, Minas Gerais, África, Japão, Oriente Médio e para as periferias brasileiras. O que houve em Mariana e em Paris têm nome: são ambos crimes e espero que sejam punidos rigorosamente. Essa comparação de tragédias, misturadas com nacionalismo, é muito pouco humanista.

Nestes momentos, o melhor a fazer é ficar quieto e tentar não ler a montanha de gente que resolve dar sua contribuição após passar dias e dias ignorando o que acontece no mundo. Pois é muito irritante ler as “soluções” propostas.

Montagem do site Mural do Coach
Montagem do site Mural do Coach

A questão de Mariana é gravíssima. Trata-se de um crime ecológico de enormes proporções e de longa duração. A destruição de fauna, flora e solo ao longo da bacia do Rio Doce é algo gigantesco e de consequências incalculáveis. O desastre remete à velha exploração indiscriminada de nossos recursos naturais, com altos custos ambientais e com os principais ganhos indo para o exterior. Mas o governador de Minas deu coletiva em plena sede da empresa causadora da lama… Enquanto isso, a empresa inventava um “abalo sísmico”, mas ele garantiu que esta realizava todos os esforços para minorar o problema.

Se as responsabilidades forem abrandadas e se o descaso reinar, nosso país estará entregue a própria sorte. Uma das analogias para o caso de Mariana é a de dizer que trata-se de um tumor primário do qual começam a se desprenderem células cancerígenas para a corrente sanguínea. O que fazer? Não sei.

Já Paris é o câncer em âmbito mundial. Para o Brasil, Mariana é muito mais importante. Para o mundo, bem, o Estado Islâmico considera-se o agente do Apocalipse, tá bom?

Nestes momentos, todos esquecem que o Ocidente optou por investir no fundamentalismo islâmico, escolhendo-o como “solução” ao nacionalismo árabe. Depois, quando estes grupos passaram a criar problemas, passaram a invadir e bombardear as regiões dominadas por estes grupos. (Quem lucra sempre? Ora, os fabricantes de armas!) Só que esta reação gerou tal ódio que começaram os atentados no Ocidente. Então, pensa o Ocidente, vamos atacá-los ainda mais. E nós, decidem os fundamentalistas, cometeremos ainda mais atentados. Ou seja, é uma questão complexa, não é discussão para ignorantes como eu. É o momento de ler quem entenda do assunto e seja minimamente honesto.

O autoproclamado Estado Islâmico não é um simples grupo de psicopatas. É um grupo religioso com crenças que acho perfeitamente imbecis, mas que são cuidadosamente pensadas, entre elas a de que o grupo será o agente do apocalipse que se aproxima. Querem saber mais? Comecem por aqui. Sim, é complicado.

O ISIS é diferente dos grupos anteriores. Não estamos mais no campo do bando de xaropes que vende religião, nem no do grupo dos que quer matar os infiéis. Eles são um grupo que se visa acabar com tudo, inclusive e principalmente com a história. E… São 30 mil caras que controlam um território maior que o da Inglaterra e que têm dinheiro para recrutar pessoas. E… É dinheiro ocidental. Afinal, nações aliadas aos Estados Unidos estavam financiando os rebeldes sírios que lutavam contra a ditadura de Bashar Al Assad. O que fazer? Não sei.

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Em cinco minutos, a paciência de Stephen Fry perante a estupidez de Bolsonaro

A risada histérica ao final, que parece se autoelogiar pela estupidez absoluta, é uma das coisas mais apavorantes que eu já vi na vida. Aqui, o contraste com a elegância de Stephen Fry destaca — como caricatura bizarra — a ideologia desprezível desse homem público que em plena era da informação e da tecnologia ainda tem seguidores fiéis e fanáticos, mas a gente vê isso toda hora por aí, em menor escala… pratica-se toda sorte de humilhação contra o outro, depois soca “kkkkkkk” na frente que tá tudo certo, né? NÃO TÁ NÃO.

Somos o mundo que as nossas ideias projetam.

Fabrissa Valverde, em seu perfil do Facebook.

Trecho de um comentário no Youtube:

Não existe homofobia no Brasil
Não existe racismo no Brasil
Não existe abismo social no Brasil
Não existe perseguição religiosa no Brasil…
Eu ainda digo que os que apoiam esse cara são assassinos em potencial…

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100 anos do genocídio armênio, o massacre que “inspirou” Hitler

100 anos do genocídio armênio, o massacre que “inspirou” Hitler

Publicado em 18 de abril de 2015 no Sul21

A data de 24 de abril de 1915, o Domingo Vermelho, foi estabelecida como a de início do genocídio armênio, por ter sido o dia em que dezenas de lideranças armênias foram presas e deportadas em Istambul. Apesar da negativa quase centenária do governo turco em reconhecer o massacre, o fato está firmemente estabelecido como verdadeiro. Há evidências de um plano organizado do Império Otomano para eliminar sistematicamente os armênios. O evento serviu de “inspiração” para Hitler e os nazistas porem em prática o Holocausto judeu durante a Segunda Guerra Mundial. Em defesa do holocausto e de seu esquecimento futuro, Hitler afirmou: “Quem lembra do extermínio dos armênios?”. Cerca de 1,5 milhão de armênios foram mortos e outro tanto foi deportado.

Até hoje a Turquia rejeita o termo genocídio organizado e nega que as mortes tenham sido intencionais. Por outro lado, a França reconhece dois genocídios por lei: o dos judeus, durante a Segunda Guerra Mundial, e o armênio. O texto prevê pena de prisão por um ano e multa de 45 mil euros para a negação pública de um genocídio reconhecido pela lei. Após a promulgação, em 2011, a Turquia suspendeu as visitas políticas e os acordos de cooperação militar com a França.

O Brasil não reconhece o genocídio armênio, ainda que a presidente Dilma Rousseff seja de origem búlgara. A Bulgária foi outro país que sofreu por séculos violências sob o domínio do Império Otomano. Na última segunda-feira (13), o papa Francisco defendeu a posição da Igreja de considerar genocídio os massacres de armênios há um século. A declaração irritou as autoridades turcas, que classificaram de insultuosas as palavras do pontífice e retiraram seu embaixador no Vaticano.

Três dias depois, foi a vez do Parlamento Europeu deixar furioso o governo turco.  Os eurodeputados exigiram que a Turquia “reconhecesse o genocídio armênio, abrindo caminho para a verdadeira reconciliação entre os povos turco e armênio.” O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, respondeu que o apelo europeu lhe “entrou por um ouvido e saiu pelo outro”.

armenian-genocide

Os antecedentes históricos

Desde o século XV, os armênios estavam sob o domínio otomano. Quando a ideia de independência amadureceu, o império reagiu matando 20 mil armênios no episódio conhecido como o Massacre de Adana (1909), nome de uma província otomana. Foi uma série de pogroms (atos de violência em massa, premeditada ou espontânea) anti-armênios em todo o distrito, protagonizados pelas forças imperiais. Além disso, durante a Primeira Guerra Mundial, o Império Otomano recrutou soldados para a guerra. Muitas minorias étnicas eram contra o recrutamento, inclusive os armênios. Com isso, em 24 de abril de 1915, o governo turco reuniu 250 líderes da comunidade armênia, alguns foram deportados, outros, executados. Depois de privar os armênios de suas principais lideranças, começou a deportação e o massacre dos armênios.

Justificando o ato de 24 de abril de 1915 , o ministro do interior, Mehmed Talat Bey, alegou que os comitês armênios “há muito tempo perseguem autonomia administrativa e este desejo é exibido uma vez mais, em termos inequívocos, com a inclusão dos armênios russos que assumiram uma posição contra nós”. A Primeira Guerra Mundial estava acontecendo e o texto dizia que “os armênios estão em conluio com o inimigo. Eles vão lançar um levante em Istambul”.

Os métodos

No extermínio foram utilizados a incineração coletiva,

O tenente Hasan Maruf, do exército otomano, descreve como os habitantes de uma aldeia foram reunidos e depois queimados: “prisioneiros turcos que tinham presenciado algumas dessas cenas ficaram horrorizados e enlouquecidos com a lembrança desta visão. Russos afirmaram que, vários dias depois, o odor da carne humana queimada ainda impregnava o ar. As populações civis foram fechadas em igrejas e queimadas, reduzidas a cinzas” .

afogamentos,

O cônsul italiano de Trebizonda, em 1915, Giacomo Gorrini, escreveu: “Vi milhares de mulheres e crianças inocentes colocadas em barcos que foram emborcados no Mar Negro. Outros, foram jogados amarrados no Eufrates”.

agentes químicos e biológicos,

O psiquiatra Robert Jay Lifton, ao descrever os crimes dos médicos nazistas: “talvez os médicos turcos, em sua participação no genocídio contra os armênios, foram os que mais se aproximaram dos nazistas disto, como comprovarei a seguir”.

como overdose de morfina, gás tóxico e inoculação de tifo, além de enfocamentos, deportações em massa e as chamadas Marchas da Morte.

Abril de 1915: armênios escoltados por soldados turcos marchando em direção à Síria.
Abril de 1915: armênios escoltados por soldados turcos marchando em direção à Síria.

As Marchas da Morte

Parte da população armênia foi levada para a cidade síria de Deir ez-Zor e para o deserto ao redor. O governo otomano não forneceu quaisquer instalações ou suprimentos para sustentar os armênios durante a sua deportação, nem quando eles chegaram. Privados de seus pertences e marchando para o deserto, centenas de milhares de armênios morreram. O general Friedrich von Kressenstein observou que “A política turca de causar a fome é uma prova muito óbvia de que a Turquia está decidida a destruir os armênios”.

Um registro fotográfico especialmente chocante é o de um oficial turco mostrando um pão para crianças armênias famintas.

Oficial turco exibindo um pão, para provocar crianças armênias famintas (1915)
Oficial turco exibindo um pão, para provocar crianças armênias famintas (1915)

Acredita-se que 25 grandes campos de extermínio existiram, sob o comando do ministro Mehmed Talat. A maioria deles situavam-se perto das atuais fronteiras da Turquia, Síria e Iraque.

Um fato que torna ainda mais absurda a negação dos turcos em admitirem o genocídio é o julgamento ocorrido em janeiro de 1919. Nele, o tribunal militar fala claramente sobre o “desejo” do Comitê de União e Progresso de eliminar os armênios fisicamente, através da chamada organização especial.

“Levando em consideração os crimes acima mencionados, o tribunal marcial declara, por unanimidade, a culpabilidade, como principais autores destes crimes os fugitivos: Mehmed Talat. (…) A Corte Marcial pronuncia, a Lei a pena de morte contra Talat, Enver, Cemal e Dr. Nazim”.

Porém, em uma sessão da Assembléia Nacional, realizada em 17 de outubro de 1920, Hasan Fehmi Bey, deputado de Bursa, talvez tenha dado o pontapé inicial para a negação:

“A questão da deportação foi um evento que fez o mundo protestar e fez todos nós sermos considerados assassinos. Nós sabíamos, antes de termos feito isso, que o mundo cristão não toleraria isso e que iria dirigir sua fúria contra nós. Por que imputar o título de assassina a nossa raça? Por que entramos numa luta decisiva e tão difícil? Ora, isso foi feito apenas para garantir o futuro de nosso país que nós conhecemos como mais precioso e sagrado do que nossas vidas”.

Cerca de 1,5 milhão de armênios foram mortos durante o genocídio. Dentre eles, vários morreram assassinados por tropas turcas, em campos de concentração, queimados, enforcados e jogados amarrados ao Rio Eufrates, mas a maior parte dos armênios morreu por inanição, ou seja, falta de água e alimento. Dois milhões de armênios instalaram-se em outros países, na chamada Diáspora Armênia. O número de armênios no Brasil, conforme estimativas, chega a 25 mil, sendo em sua maioria em São Paulo.

armenios enforcados

As perdas culturais

A destruição do patrimônio cultural, religioso, histórico e comunitário armênio também foi um objetivo do genocídio e da campanha de negação pós-genocídio. Igrejas armênias e mosteiros foram destruídos ou transformados em mesquitas. Cemitérios armênios foram destruídos, e, em várias cidades, bairros armênios foram demolidos.

Além das mortes, os armênios perderam suas propriedade e bens, sem compensações. Empresas e fazendas foram perdidas e todas as escolas, igrejas, hospitais, orfanatos, conventos e cemitérios tornaram-se propriedade do Estado turco. Em janeiro de 1916, o Ministro Otomano do Comércio e Agricultura emitiu um decreto ordenando a todas as instituições financeiras que operavam dentro das fronteiras do império a entregar dos ativos armênios ao governo. Os ativos foram canalizados para os bancos europeus, incluindo Deutsche Bank e Dresdner Bank. Após o fim da Primeira Guerra Mundial, os sobreviventes do genocídio tentaram retornar e recuperar seus antigos lares e bens, mas foram expulsos pelo governo de Ancara.

Em 1914, o patriarca Armênio de Constantinopla apresentou uma lista dos locais sagrados armênios sob sua supervisão. A lista continha 2.549 lugares religiosos, dos quais 200 eram mosteiros e 1.600 igrejas. Em 1974, a Unesco declarou que, após 1923, de 913 monumentos históricos armênios na Turquia oriental, 464 desapareceram completamente, 252 estão em ruínas, e 197 necessitam restauração.

Pamik: problemas em casa
Pamik: problemas em casa

Pamuk, um exemplo

O romancista Orhan Pamuk é o primeiro e único cidadão turco a receber um Prêmio Nobel. Recebeu o de Literatura em 2006. Pamuk foi processado em dezembro de 2004 por “insultar e debilitar a identidade turca” (artigo 301 do código penal) em uma entrevista a um periódico suíço na qual disse a seguinte frase: “Na Turquia mataram um milhão de armênios e 30 mil curdos; ninguém fala nisso e me odeiam por fazê-lo”. A primeira sentença era uma condicional de seis meses, durante os quais devia abster-se de cometer quaisquer outros delitos do gênero para manter sua liberdade. Ele reafirmou suas palavras em outubro de 2005.

É claro que a posição de Pamuk sobre a questão armênia na Turquia tornou-o um personagem polêmico em sua terra natal. Enquanto alguns poucos admiraram-no, a maioria considerou-o um traidor. Houve uma campanha de ódio desencadeada contra o escritor e Pamuk deixou o país por algum tempo. Alguns meios de comunicação turcos escreveram que ele teria usado a pretensa perseguição como pretexto para ganhar dinheiro dando palestras na Universidade de Columbia, nos EUA.

Erdogan: entrou por um ouvido, saiu pelo outro.
Erdogan: entrou por um ouvido, saiu pelo outro.

A Turquia

Este ano, o estado turco marcou as comemorações da batalha de Galípoli para o dia 24 de abril — mesmo ela tendo começado em 25 de abril –, numa nova tentativa de encobrir o genocídio armênio. Na Batalha, forças britânicas, francesas, australianas e neozelandesas desembarcaram em Galípoli, numa tentativa de invasão da Turquia. Foram rechaçados no início do ano seguinte.

O curioso é que os dirigentes turcos, ao negarem o genocídio, parecem confirmá-lo: “Não deixaremos a nossa nação ser insultada por causa da sua história”, disse o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu. Faz cem anos que a negação deste crime se situa no coração da política e da diplomacia do Estado turco. Há cem anos que tal negação alimenta o nacionalismo, os conflitos étnicos e impede o desenvolvimento da liberdade de expressão na Turquia.

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Pronunciamento do PUM sobre o Projeto a Lei do Aborto de Cunha, aprovada ontem na CCJ

Pronunciamento do PUM sobre o Projeto a Lei do Aborto de Cunha, aprovada ontem na CCJ

PUM - Partido Utopico ModeradoO PUM, Partido Utópico Moderado, vem a público a fim de emitir nova e importante ventosidade:

Para quem não sabe, o PL 5.069/13 foi aprovado ontem por um bando de imbecis na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania). O Projeto de Lei  torna crime o anúncio ou informação sobre meios ou métodos abortivos, e pune quem induz, instiga ou auxilia um aborto, com agravamento de pena para profissionais de saúde. Mesmo que se trate de uma vítima de estupro, mesmo que sob o pretexto de redução de danos, intervir será crime. A matéria seguirá para votação no plenário da Câmara, onde outra horda de lobotomizados à espera.

Imaginem que será praticamente impossível abortar legalmente no Brasil, mesmo nos casos já previstos no Código Penal desde 1940 (estupro e risco de vida para a mãe) ou recém autorizados pelo STF (feto anencéfalo). Opa, isto é algo que Estado Islâmico aprovaria!

O PUM informa:

No Brasil, cerca de 800 mil mulheres praticam abortos todos os anos. Dessas, 200 mil recorrem ao SUS para tratar as sequelas de procedimentos malfeitos.

O aborto é um dos maiores causadores de mortes maternas no Brasil. Segundo um estudo publicado em 2013, uma de cada cinco mulheres com mais de 40 anos já fizeram, pelo menos, um aborto na vida. Hoje existem 37 milhões de mulheres nessa faixa etária, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dessa forma, estima-se que 7,4 milhões de brasileiras já fizeram pelo menos um aborto.

Na maioria dos casos, o aborto começa em casa. Quantas mulheres já introduziram agulhas de tricô ou outros objetos pontiagudos em seus corpos, na tentativa de impedirem uma gravidez que não desejam ou não devem levar adiante? Depois, recorrem ao serviço de saúde pública. Quando recorrem. Porém, em vez de legalizar logo o aborto, em vez de torná-lo seguro…

Bem, o fato da pena crescer se o agente é funcionário da saúde pública ou médico, farmacêutico ou enfermeiro, pode ser lido assim: “Quanto mais seguro o aborto, mais sujeito à pena”. Ah, a punição também é aumentada em um terço se a gestante for menor de idade (sim, isso mesmo). E o PL também revoga artigos anteriores que dispõem sobre o atendimento obrigatório e integral de pessoas em situação de violência sexual, dificultando ainda mais o acesso das mulheres a essa política de saúde.

Claro, as mulheres pobres é que serão as mais prejudicadas, já que a medida não vai impedir que abortos sigam acontecendo no país.

Eduardo Cunha… E tem gente que ainda fica o dia inteiro nessa de PT X PSDB. Enquanto os bugios gritam e jogam sua própria merda nos adversários — mesmo sem pertencer ao PUM –, deixam a avenida livre para os fundamentalistas religiosos. E eles chegaram lá.

Enquanto Dilma luta para arrastar seu governo até o final do jogo, Cunha coloca toda a agenda conservadora em votação. É a coisa mais linda.

Ah, vão acabar com o Cunha? Pois saibam que há muitos outros parecidos com ele no Congresso.

Ele e seus asseclas fundamentalistas (e ricos) (e cheios de emissoras de rádio e TV) são a verdadeira ameaça. Nosso querido Brasil neopentecostal e ultraconservador está pronto para nos comer vivos.

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Apresentamos (ou lançamos) o PUM — Partido Utópico Moderado

Apresentamos (ou lançamos) o PUM — Partido Utópico Moderado

PUM - Partido Utopico ModeradoNo passado, eu e Igor Natusch criamos informalmente o PJS — Partido da Justiça Social. Quem poderia ser contra nós? Quem não estivesse conosco estaria contra o Brasil! Porém, PJS lembrava Juventude Socialista, coisa velha, putz.

Agora, sem Igor Natusch — que tornou-se um odiado dissidente –, lançamos formalmente o PUM — Partido Utópico Moderado.

Acho é até possível que ser contra o PUM, mas ninguém negará sua popularidade. É um partido visceral que se espalhará facilmente pelo país. O PUM abarca todas as nuances, da mais sutil à mais bombástica.

O Partido Utópico Moderado tem um sugestivo paradoxo em seu nome. Trata-se de abismo semântico capaz de abarcar inúmeros outros vieses ideológicos, tais como, por exemplo, a própria justiça social! Ou seja, o PJS e qualquer outra tendência não passará de uma facção do PUM.

Além do mais o PUM já está na b… boca do povo! Estão marcadas concorridas plenárias regadas a ovo cozido, brócolis, batata doce, feijão e repolho.

PUM, mesmo sendo sutil, sempre se espraiará. Por mais secreto que seja, o PUM normalmente é notado, como acontece nos elevadores. O poder do PUM está justamente na sua punjência intrínseca. O PUM estará sempre com você, pois nenhum dos nossos poderá abandonar discretamente o recinto, tal é nosso poder de disseminação.

Em nossa primeira plenária, houve a proposta de mudarmos nosso nome para Partido das Utopias Múltiplas. A proposta era boa, pois no PUM há a já explicada pluralidade de tendências e de sons. Mas foi rejeitada.

Então, criou-se uma tendência interna, a Partícula Antagonista, já denominada de PA-PUM.

O PUM é o partido do calor deste momento difícil que vivemos. Pode parecer efêmero como um gás que flutua no ar, sem consistência, mas, sabem?, o PUM sempre retorna a nós. Em média, uma pessoa produz cerca de um litro por dia, distribuído em cerca de 14 emissões diárias. O efeito pode ser rarefeito, mas nossa militância é fiel.

Nesta altura, já chegada a hora de convocarmos artistas e designers, convocamos Carlos Latuff para desenhar nossa bela bandeira e logomarca. O chargista teve sensibilidade de logo sentir a dimensão, a força, o tanto que o Brasil espera por nosso PUM.

Em breve, lançaremos o PUM-Jovem e o PUM-Maduro, ala da terceira idade de nossas fileiras.

E, num mundo em que apenas os homens se orgulham de seus PUMs, teremos também o PUM-Mulher, nossa ala feminista.

Mas o PJS insiste: quer juntar-se a nós, formando o PUS. Porém, a proposta foi rejeitada, pois…

O Brasil espera por esse PUM. Não por outro.

.oOo.

O PUM alerta que tem grandes concorrentes. Imaginem se Dilma sofrer o impeachment, se Temer fraquejar, imaginem se Cunha vier a nos faltar? Vocês conhecem o restante da linha sucessória para a presidência? Ora, o PUM informa. A linha sucessória é formada pelos deputados da mesa diretora… Pois bem, oito dos onze integrantes da mesa respondem a processos ou têm condenações na Justiça. Quase todos eles são acusados na Lava Jato.

Por exemplo, o primeiro da linha pós-Cu é Waldir Maranhão (PP-MA). Esta figura é um dos 32 deputados do PP investigados na Lava Jato. Foi citado pelo doleiro e delator do esquema Alberto Youssef como sendo o receptor de pagamentos mensais que variavam de 30 a 50 mil reais. Além disso, ele também responde a dois outros processos no STF, por lavagem de dinheiro e ocultação de bens. Vote PUM!

O segundo na linha de sucessão de Dudu, caso ele seja afastado e Maranhão não possa assumir, é Fernando Giacobo (PR-PR). Atualmente, rola um inquérito contra ele por crimes contra a ordem tributária. No passado, ele já se livrou de outras ações que incluem crimes como sequestro e cárcere privado. Uma das acusações, pelo crime de falsidade ideológica e formação de quadrilha, prescreveu em 2011, o que motivou a absolvição. Vote PUM!

E assim por diante… Só o PUM salva! Só o PUM tem coragem de denunciar. Só o PUM é posicionado!

O Brasil espera por esse PUM. Não por outro.

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O que Eduardo Cunha tem que deixou sua esposa tão arregalada?

O que Eduardo Cunha tem que deixou sua esposa tão arregalada?

A mulher de Eduardo Cunha, Cláudia Cruz, 48, está bem enrolada depois que autoridades suíças enviaram documentos para a Operação Lava Jato, confirmando a propriedade de quatro contas com, mais ou menos, 20 milhões de reais. Meus amigos, nem na Suíça dá para confiar mais. Imaginem que identificaram lá a assinatura do nosso religioso Presidente da Câmara dos Deputados! Que honra para nós, brasileiros!

Seria grana de corrupção. Há uma leve e discretíssima possibilidade de que ela seja presa. Afinal, não tem o fórum privilegiado do maridão, é apenas uma ex-apresentadora da Globo

Eduardo Cunha, 57, e ela, aparentemente movimentaram milhões na Suíça.

Mas o que me interessa não é a corrupção, e sim o impressionante efeito de algum produto ou cirurgia no rosto da moça.

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Lembro dela dos tempos de Globo, era uma mulher bonita que mantinha o padrão da emissora: apresentadores bonitos, tranquilos e destros.

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O que Cunha tem ou fez que deixou sua esposa tão arregalada? Meu deus, que cara fará se  for presa?

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Doações de empresas para campanhas eleitorais, será que acabaram mesmo?

Doações de empresas para campanhas eleitorais, será que acabaram mesmo?
Te ajuda, Dilma!
Te ajuda, Dilma!

O STF julgou inconstitucional a doação de empresas para as campanhas eleitorais, porém, se Dilma Rousseff sancionar sem vetos a contra-reforma eleitoral aprovada pelo Congresso, que cria um limite máximo de R$ 20 milhões (!) para doações empresariais, tudo volta ao normal. Ou ao anormal. Por quê? Ora, se Dilma sancionar o monstrengo, a lei será posterior à decisão da corte e passará a valer. A decisão do Supremo passaria a valer “para trás”. Como toda lei aprovada tem presunção de constitucionalidade, a lei do Cunha, se sancionada, valeria sim para 2016.

Otimista, o deputado Wadih Damous diz que, caso seja aprovada e sancionada a PEC 182/2007, ela será considerada inconstitucional pelo Supremo porque este entendeu que o financiamento de empresas fere cláusulas pétreas. “Se for aprovada, a PEC cairá”, prevê o deputado Damous. Bem, segundo Millôr Fernandes, o otimista é apenas um mal-informado. Se lei for sancionada, o STF precisará ser provocado para dizer se a nova lei é inconstitucional também. Isso precisa acontecer em 2015 para valer no pleito municipal de 2016. E se cair na mão de Gilmar Mendes? E se alguém pedir vistas? E se o esperto Eduardo Cunha, que disse que “o grande problema é que as eleições de 2016 vão ficar em uma zona de sombra, em um limbo de dúvida”? E, sabemos, suas manobras demoníacas são apenas e simplesmente política, feitas nas barbas de todos.

Nas últimas eleições, segundo o Instituto Ethos, 1% das empresas que fizeram doações (200 empresas) foram responsáveis por 60% do financiamento. Mas não tenho certeza se o impedimento de doações de empresas mudará muita coisa. O país campeão de sonegação deve conhecer caminhos para eleger seus queridinhos.

O fato é que, cada vez mais, somos obrigados a confiar mais nos ministros do STF do que nesse Congresso lamentável. É a judicialização do estado, filha de um Congresso absolutamente medíocre, infestado de religiosos conservadores, e neta do voto obrigatório, que elege uma massa de pessoas despreparadas.

(Ontem, por exemplo, na votação do aumento do ICMS proposto pelo governo Sartori, quem acabou decidindo? Ora, Jardel, um deputado com sérios problemas de entendimento e que jamais estaria onde está não fosse o voto de pessoas que passam quatro anos sem pensar em política, mas que votam como quem se preocupa. Votaram no ex-artilheiro do Grêmio… Que foi decisivo).

Mas tergiverso.

Anteontem à noite, dia 21, num jantar com líderes do PCdoB com presença do diabo Cunha, Dilma Rousseff teria avisado a ele que não irá enfrentar a decisão do Supremo Tribunal Federal, que considerou inconstitucionais as doações de empresas. Dilma, segundo notícia de duas horas atrás do site amigo Brasil 247: “Eu disse ao Eduardo Cunha que nem eu nem ele podemos fazer um enfrentamento com o Judiciário”. Aguardemos. Porque às vezes ela se atrapalha.

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A CPMF é um imposto justo… O aumento do ICMS não prejudica os pobres… Conta outra!

A CPMF é um imposto justo… O aumento do ICMS não prejudica os pobres… Conta outra!
Sartori aumenta o ICMS, Levy e Dilma o CPMF. No meio, estou eu.
Sartori aumenta o ICMS, Levy e Dilma o CPMF. No meio, estou eu.

Como disse o Charlles Campos, Charles Dickens é uma das razões pelas quais a vida merece ser vivida. O escritor inglês tinha uma receita de felicidade, nascida certamente do fato de, na Inglaterra vitoriana, haver uma lei que podia levar à prisão quem tivesse dívidas. Tal lei fez o pai de Dickens sofrer muito. A citação-receita é a que segue.:

Annual income twenty pounds, annual expenditure nineteen [pounds] nineteen [shillings] and six [pence], result happiness. Annual income twenty pounds, annual expenditure twenty pounds ought and six, result misery.
Mr. Micawber em David Copperfield, de Charles Dickens

Esta citação está enorme numa das paredes do Charles Dickens Museum. Ela é o maior argumento de que a CPMF — imposto que de “contribuição” não tem nada –, é desigual e injusta. Na citação, o cara ganha 20 pounds por ano. Se gasta menos no período, é feliz; se gasta mais, é miserável. É verdade. Posso comprovar, afinal, sou jornalista. Se gasto mais do que ganho, posso passar meses recuperando a perda. Meus ganhos me obrigam a ser financeiramente contido. Deste modo, gasto o estritamente necessário. Tenho uma planilha do Excel onde anoto cada centavo que entra e sai. Sei que se deixasse a coisa se descontrolar, teria graves problemas. A CPMF virá para mexer um pouco neste equilíbrio, pois a inflação que gerará vai atingir a todos.

Ela pode ser maravilhosa na opinião de quem está singrando os mares num transatlântico ou num iate, porém para nós, que vamos num barco a remo, qualquer marolinha pode nos deixar de cabeça para baixo.

A inflação oficial dos últimos 12 meses é de menos de 10%. O IBGE fala em 9,88%. Mas a Inflação-Milton, por exemplo, é de mais de 20% no mesmo período. A faculdade da filha, o supermercado e os serviços de autônomos — ah, os vazamentos… — garantem o aumento. E a CPMF virá só para piorar a situação. Aposto que os comerciantes vão meter a mão em muito mais do que os 0,20% anunciados.

Seria até boa uma CPMF bem pequena, com muitos zeros após a vírgula. Não pela arrecadação, mas como mecanismo para monitorar as movimentações financeiras com a finalidade de combater a sonegação.

Hoje pela manhã, o “Sonegômetro”, do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional, batia em R$ 374,5 bilhões desde janeiro de 2015. Como o “Impostômetro”, mantido pela da Associação Comercial de São Paulo está em 1,439 trilhão, temos que a sonegação corresponde a mais de 25% do que é arrecadado e é sete vezes mais do que a corrupção calculada no país. Mas só se fala em corrupção. A sonegação é coisa de quem ganha muito, coisa de empresas, coisa de quem paga publicidade, então é melhor ficar quieto.

Correr atrás da sonegação cansa nossos governantes. Então, eles preferem aumentar os impostos. É chato brigar com quem financiou a campanha… Nossos impostos aumentam para pagar o que devem os sonegadores, mas ninguém protesta contra eles.

Amanhã, será votado o aumento do ICMS aqui no RS. Vai passar, claro, e vai aumentar tudo, os impostos dos bens rurais e industriais. E tudo virá sobre a nossa cabeça. A sonegação de ICMS no estado é enorme, basta ver a quantidade de vendas sem nota — uma comprovação bobinha e visual –, só com o ticket do Cartão de Crédito, como tentaram fazer comigo na semana passada.

Nesta onda de aumentar impostos, Dilma e Sartori querem ver minhas planilhas pintadas de vermelho. E eu fodido. Ir atrás da sonegação, ah, isso ninguém quer.

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Com 500 euros e um megafone, ex-militante do PT disputa prefeitura em paraíso italiano

Com 500 euros e um megafone, ex-militante do PT disputa prefeitura em paraíso italiano
Uma pequena amostra de Riva del Garda | Foto: it.wikipedia.org
Uma pequena amostra de Riva del Garda | Foto: it.wikipedia.org (clique para ampliar)

Publicado no Sul21 em 14 de março de 2015

(Como acabou? Ele foi eleito para um cargo correspondente ao de vereador em sua belíssima cidade).

Flavio Prada é um arquiteto brasileiro de origem italiana que concorrerá, em maio, à prefeitura da paradisíaca Riva del Garda, na Itália, pelo Movimento 5 Estrelas de Beppe Grillo. Para quem acompanhou o crescimento dos blogs no final da primeira década do século XXI, Prada é o célebre criador do blog Lixo Tipo Especial, hoje desativado. Em seu blog, Prada liberava seu espírito crítico na forma de devastadoras enxurradas de zombaria e sarcasmo sobre as políticas brasileira, italiana e europeia.

Com o blog fechado há mais de cinco anos, Prada pouco a pouco desapareceu da cena brasileira, porém, na Itália, seguiu trabalhando profissionalmente com arquitetura, amadoristicamente em seu grupo de rock, e com política, onde não ocupou nenhum cargo eletivo. Até agora.

Entrevistamos Flavio a fim de compreender sua trajetória desde os tempos da fundação do PT, ainda no Brasil, passando pelos blog e chegando a atual candidatura. No Lixo, nosso entrevistado costumava fazer Entrevistas Transoceânicas com seus leitores brasileiros. Vingamo-nos.

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Sul21: Tu és reconhecido um italiano ou como um brasileiro na Itália?

Prada: Alguns pensam que eu sou de Gênova, porque meu sotaque é meio parecido com o genovês. Sabe como é, às vezes você solta um sotaque mais forte, principalmente quando muito cansado. Mas alguns nem percebem que sou estrangeiro. No filme que fiz para a campanha, explico a trajetória familiar da Itália para Limeira (SP) e meu retorno, por assim dizer,  para a Itália, em 2001. Meu italiano é bom, então não tem muito problema. Mas o povo daqui é muito bairrista, então é melhor deixar tudo explicadinho.

Sul21: O que tu fizeste, do ponto de vista político, no Brasil?

Prada: Certa vez, em 1980, eu participei de uma festa na casa do (ex-senador Eduardo) Suplicy. Era um dos primeiros encontros que se fazia com a intenção de, talvez, criar um partido chamado PT. Depois, eu sempre militei pelo PT. Militei muito em Limeira, menos em São Paulo, mais em Florianópolis, até que vim para a Itália, em 2001.

Além da militância, Flavio tem um grupo de pop-rock com a família
Além da militância, Flavio tem um grupo de pop-rock com a família

Sul21: Tu começaste imediatamente a militância aí no norte da Itália?

Prada: Nos primeiros anos estava tentando me situar tanto profissional quanto politicamente. Há muita diferença, principalmente na legislação. É óbvio que eu mantinha grande afinidade com os partidos de esquerda. O problema que ocorreu aqui e que está começando a acontecer no Brasil, é que, com a chegada ao poder, os partidos vão se descaracterizando, toda a ideologia vai perdendo o sentido. É por isso que estou mais critico em relação ao PT, inclusive. Hoje, o partido está aliado com o (Fernando) Collor, (José) Sarney, (Paulo) Maluf. São coisas que, se eu dissesse há 20 anos atrás numa reunião nossa, alguém me declararia como louco ou piadista de mau gosto. Mas hoje é uma realidade. A esquerda, nos 15 anos que estou aqui, sofreu o mesmo fenômeno.

Sul21: O PT da Itália é o PD?

Prada: Aqui nós temos o Partido Democrático de centro-esquerda e os partidos mais radicais, mais tradicionais, comunistas. Há três partidos que são comunistas, além dos verdes. Este último grupo tem menos de 1% de eleitores, estão desaparecendo. Realmente,  o PD (Partido Democrático) é o mais próximo do PT brasileiro. Mas estão fazendo um governo com o (ex-primeiro-ministro Silvio) Berlusconi, o que é uma coisa inimaginável, um absurdo. Em nome da governabilidade, em nome de você administrar o teu condomínio, você chama o estuprador para cuidar dos filhos. É o que está acontecendo. Essa transformação da esquerda, com fenômenos de corrupção estourando em todos os níveis, começaram a aparecer no momento em que esses partidos, que eram de luta, chegam ao poder. O problema é o poder.

Comício de Beppe Grillo
Comício de Beppe Grillo

Sul21: Tu te filiaste a algum partido além do Movimento?

Prada: Eu primeiro me inscrevi num partido de centro-esquerda, mais de centro que de esquerda, chamado Italia dei Valori. O “valor” do nome não é o econômico, é o valor ético, a moralidade. Surgiu outro parecido, só que claramente de direita, com aquela legalidade nacionalista. Então, quando eu estava no Italia dei Valore, assisti ao crescimento do Movimento 5 Estrelas, que nasceu dentro de um blog. Eu e muita gente acompanhávamos o blog do Beppe Grillo e o movimento. O que aconteceu com o IDV? Ora, o partido, que detinha 7% de preferência, hoje está com 0,5%. Morreu. Por que morreu? Porque a gente vinha pregando a moralidade e em um certo momento se descobriu que a cúpula do partido pegava milhões de euros para comprar apartamentos, aumentando seus patrimônios pessoais. Ou seja, o próprio partido que a gente acreditava como uma reserva ética, roubava a dar com pau. Então, foi mais do que natural que praticamente todo o pessoal do IDV fosse para o Movimento 5 Estrelas.

Beppe Grillo, um humanista cômico
Beppe Grillo, um humanista cômico

Sul21: A imagem que se tem do 5 Estrelas no Brasil é a de um bando de loucos chefiados por um humorista.

Prada: É exatamente isso. É que numa sociedade doente como a nossa, a gente tem orgulho de ser louco. O Beppe Grillo é um humanista cômico. Faz mais de 30 anos que atua. Começou na televisão. Depois, no teatro, fazia sempre um humor meio desesperado. Ele faz sátira política no estilo de Voltaire. Às vezes é muito simples. Ele apenas lê as noticias e faz o pessoal rir porque deixa às claras a demência que a gente está vivendo. Aqui e no Brasil também. Ele fazia isso na TV até o momento em que começou a criticar o Partido Socialista, que estava no poder em 1992. Houve também uma piada sobre chineses… Mandaram ele embora. A partir daí, ele foi para o teatro. Ele encheu qualquer ginásio de esportes nesses últimos 20 anos. O tema de Beppe Grillo é a loucura que estamos fazendo com o ambiente, com as energias renováveis, e a corrupção geral.

Sul21: Mas como ele fazia tanto sucesso falando desses assuntos?

Cartaz do V-Day
Cartaz do V-Day

Prada: Ele falava isso de maneira teatral. O personagem dele é aquele cara que está desesperado com a situação. Ele fala muito seriamente enquanto você morre de rir, porque é a realidade. Ele te joga a realidade na cara. Quando surgiram os blogs — ele abriu o dele em 2005 –, os temas eram esses aí: o ambiente, o que nós estamos fazendo com a política, os políticos e a atuação política. Em 2007, ele fez uma provocação que relancei no meu blog, lembra? Foi o VaffanculoDay ou V-Day (literalmente, Dia de mandar tomar no cu). Ele não imaginou que permaneceria no centro das atenções só com o espaço do blog, mas permaneceu. Cada post dele recebia mil comentários e 300 mil views. Então ele falou: “Nós já somos tantos que poderíamos nos reunir numa praça para uma manifestação. Afinal, nós somos os idiotas que trabalham, que pagam impostos, contas. Estamos isolados, quietos, sem voz, sem representatividade”. Aí ele criou o VaffanculoDay. Mas a mídia tradicional não deu notícia do fato. Aí, no ano seguinte, ele fez mais outro, com 100 mil pessoas na praça. Quando a mídia começou a boicotar, ridicularizando a iniciativa, deu para perceber quem estava no caminho certo.

Sul21: A situação da mídia italiana é análoga à brasileira, não?

Prada: É muito parecida. Na mídia italiana, existe um único jornal que é independente e autônomo, o Il Fatto Quotidiano. O resto vive de subvenção do governo. A imprensa ajoelha-se aos pés do poder. Como eu dizia, não houve nenhum tipo de notícia decente sobre o VaffanculoDay. Então o Beppe fez uma coisa. Ele se inscreveu no PD para ser o primeiro-ministro… Estavam acontecendo as primárias do Partido Democrático para a escolha exatamente do candidato a premier. Isso foi em 2009, 2010. E o barraram. Não houve nenhuma alegação, só disseram que não podia. Um representante do PD foi para a televisão e soltou a frase histórica “Se o Beppe Grillo quer entrar na política, ele que faça um partido dele e vamos ver quantos votos ele vai ter”. Aí ele falou: “É. Boa ideia”.

Sul21: (risadas)

Beppe Grillo
Beppe Grillo no Trento

Prada: Ele fundou uma semana depois o Movimento 5 Estrelas, que tem cinco pontos fundamentais: ambiente (não ao nuclear, sim às energias alternativas), água (propriedade pública), desenvolvimento, conectividade e transportes. São cinco pontos que depois se desdobram. E se criou um programa, o “não-estatuto”. Beppe Grillo foi o aglutinador de um movimento que nasceu na rede. A mídia tradicional, que trabalha sempre com estereótipos, diz que o Beppe Grillo controla tudo, mas ele não controla absolutamente nada. O processo interno é absolutamente democrático, não existe nenhuma interferência, nenhuma determinação para os programas que criamos. Dentro da linha do movimento, a gente faz o que quer.

Sul21: E o desemprenho eleitoral?

Prada: Pois é. E o 5 Estrelas foi para as eleições. Primeiro, fez alguns vereadores. Agora, em 2013, fizemos 160 parlamentares. São 140 deputados e 20 senadores, mas alguns pularam fora porque uma das regras é cortar a metade do salário. Um parlamentar italiano ganha por volta de 100 mil euros anuais, o que, comparando com outros países da Europa, é demais. Nós pegamos esses 100 mil euros e colocamos a metade em um fundo. Com esse fundo, estamos abrindo um programa de microcrédito para pequenas e médias empresas que estão em dificuldades. Tem lá uns 20 milhões de euros só com a renúncia de salário. Isso é grana que pode fazer alguma diferença, além de ser uma questão filosófica.

Sul21: E onde é que o 5 estrelas se colocou no governo atual?

Prada: Fora. O que aconteceu foi que a Itália está debaixo de um regime europeu comandado pela Alemanha e os bancos. A grande dificuldade de países como Grécia, Itália, Portugal, Espanha é que são países que tem uma outra cultura, a do “dar aqui para receber ali”. Todos têm um grande nível de corrupção, só que o que está acontecendo é que o remédio está matando o paciente. Com a política que a Europa está impondo a esses países, a corrupção aumentou. A classe política sabe que a festa está acabando, então, para se proteger do futuro, deita e rola. A corrupção explodiu de tal forma que não há mais vergonha de se associar ao Berlusconi. Está tudo aberto, tudo descarado, pois é nesse contexto que os presidentes tem poderes para se garantirem.

Riva del Garda | Foto: Milton Ribeiro
Riva del Garda | Foto: Milton Ribeiro

Sul21: E como será a eleição para a prefeitura de Riva del Garda? Tens chance?

Prada: Nenhuma. (risos)

Sul21: Então de que valeu esta entrevista?

Prada: Não sei. Problema teu. (risos) Bem, falando sério: não tenho nenhuma chance. Minha campanha teve um investimento de 500 euros. Quando nos reunimos para escolher o candidato, foi aquele silêncio. Então, escolheram o mais louco, o mais improvável. Mas é uma candidatura válida porque este paraíso que é Riva, principalmente na região da beira do Lago de Garda, está sendo absurdamente loteado. Comprei um megafone e ando pela cidade, dando meu recado.

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42 anos do golpe chileno: o cinegrafista que filmou a própria morte

42 anos do golpe chileno: o cinegrafista que filmou a própria morte

20130629tancazo-leonardo-henrichsen

Tive um pesadelo esta noite. Em meu sonho, eu era Leonardo e morri.

Na manhã fria de 29 de junho de 1973, sons de gritos, tiros, carros e da execução de muitas pessoas foram ouvidas rua Agustinas, a apenas dois quarteirões do Palácio de La Moneda. Era o tancazo. Foi o dia em que mataram o cinegrafista Leonardo Henrichsen. Ele estava trabalhando para uma agência de notícias sueca. Em memória a Leonardo Henrichsen, na Argentina, o 29 de junho é o Dia do Cinegrafista. Hoje, 11 de setembro de 2015, faz aniversário o Golpe Militar Chileno.

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Sartori garantiu um sábado à noite triste em Porto Alegre

Sartori garantiu um sábado à noite triste em Porto Alegre
Sartori pensando: "Por que D. Elsa quis que eu fosse governador? | Foto: Ramiro Furquim/Sul21.com.br
Por que D. Elsa quis que eu me tornasse governador? | Foto: Ramiro Furquim / Sul21

Saímos para jantar às 22h. Fomos a um bom restaurante perto de casa, aqui no Bonfim. Ele está sempre lotado. A parrilla ao fundo, a carne bem preparada e a cerveja uruguaia garantem o barulho alegre das conversas. Porém, ontem, quando chegamos, ele estava com as luzes acesas e as portas fechadas. O silêncio era total, parecia uma cerimônia de velório. Dentro, apenas um casal. Já imaginando a resposta, perguntei o que estava acontecendo. “Pouca gente está saindo de casa por causa da insegurança dos últimos dias. Também estamos preocupados, mas podem entrar.”

Pois é, as mortes desta semana e o policiamento rarefeito — e por vezes assassino — apavorou a cidade que está vazia de uma forma esquisita para esta época do ano. A redução do efetivo da Brigada Militar fez o comércio de Porto Alegre adotar medidas para se precaver. As medidas são: fechar mais cedo ou nem abrir. Nunca vi um governante administrar tão mal uma crise. Credo, parece o Planalto!

É estranho. O governo não tem dinheiro, mas suas ações criam um clima que atrapalha o comércio que lhe dá impostos. No mês passado, a arrecadação caiu em 100 milhões. Certamente, vai cair ainda mais este mês, aprofundando a crise. O que é ruim vai ficar pior. Este problema foi cultivado por anos, através de muitos governos. Muitos sabiam e avisaram. O muro que estava longe aproximou-se sem que ninguém tivesse tomado a iniciativa de desviar, seja pagando a dívida quando era possível; seja depois, alterando as regras de pagamento de forma substancial. Orgulho-me de ter sugerido a pauta que gerou a melhor reportagem publicada recentemente em nosso estado a respeito da divida e que comprova o fato de ela ter sido criada por bem mais do que duas ou quatro mãos. Tivemos uma série de governos estaduais ridículos ou razoáveis e todos são igualmente culpados, desde a sumidade que criou a bola de neve, o nada saudoso primeiro governador da ditadura, Euclides Triches. Em seu governo arenista, o crescimento da dívida chegou a 194.4%…

Triches nasceu em Caxias, Sartori em Farroupilha. Nasceram perto um do outro. Não lembro de Triches, mas sei que, no quesito comunicação, Sartori só encontra rival em Dilma Rousseff. Só que ela fala bobagens longamente, enquanto que ele prefere pequenas e exatas frases infelizes. Às vezes ele nem precisa falar, basta dançar que já irrita. E os dois não param. Creio que a recessão federal e a crise gaúcha nos inquietem tanto porque ninguém acredita nas ações de gente tão atrapalhada com as palavras. Tanto jornalista desempregado e ninguém para editar aqueles discursos da Dilma no site do Planalto. E Sartori? Seu staff deve ficar em pânico cada vez que ele pega um microfone.

Hoje, fomos tomar café na outra esquina. Tinha pouca gente na rua, o pessoal está comprando suas coisas no supermercado e sumindo dentro de casa. Os donos dos supermercados devem estar felizes. Só eles pagarão belos impostos. Mas tergiverso. O fato é que estou louco para ir ao cinema. Vou caminhar por nossas ruas tristes.

Se não voltar até a noite, chamem a polícia. Polícia? Bem, sei lá, chamem alguém.

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Recadinho a alguns comentaristas:

policia mata

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