A Hard Day’s Night completa 50 anos

A Hard Day’s Night completa 50 anos
A capa do original inglês de vinil. A edição brasileira trazia a mesma capa, só que com a cor vermelha substituindo o azul. Clique para ampliar.
A capa do original inglês de vinil. A edição brasileira trazia a mesma capa, só que com a cor vermelha substituindo o azul. Clique para ampliar.

Publicado em 10 de julho de 2014 no Sul21

A Hard Day’s Night é o terceiro álbum dos Beatles. Seu aguardado lançamento aconteceu na Inglaterra em 10 de julho de 1964, acompanhando o lançamento do filme homônimo de Richard Lester.

O título da canção A Hard Day’s Night tem origem numa expressão criada por Ringo Starr em uma entrevista, daquelas bem bagunçadas. Ele disse ao disc jockey Dave Hull, no começo de 1964: “Tínhamos trabalhado um dia inteiro e mais a noite toda. Quando saímos do estúdio, eu pensava que ainda era dia e disse: “Foi um dia duro… mas olhei em torno e vi que estava escuro, então eu disse: foi a noite de um dia duro”. A Hard Day’s Night.

John Lennon escreveu a música em uma noite — desta vez sem trabalhar durante o dia –, e apresentou-a aos outros Beatles na manhã seguinte. A letra do manuscrito original pode ser vista na Biblioteca Britânica, rabiscada em caneta esferográfica nas costas de um cartão de aniversário.

Apesar de assinarem juntos a maior parte das músicas do grupo, Lennon e McCartney raramente as escreviam juntos. Eles as faziam separadamente e depois discutiam alguma alteração. É simples identificar quem fez o quê. Basta ouvir o cantor principal. John cantava as dele e Paul as suas.

Correria
Correria

O filme lançado com o disco foi dirigido por Richard Lester. Dez ENORME sucesso. Mostrava, em preto e branco, a história de uma banda de rock que era perseguida por fãs histéricos. Após perseguições de fãs, entrevistas, e muitas piadas, a banda realiza um show na televisão. O filme mostra um pouco da realidade dos Beatles na época. No Brasil, o disco e o filme foram lançados pelo nome de Os reis do iê, iê, iê (a expressão “iê, iê, iê” deriva de “yeah, yeah, yeah”, presente no refrão da canção She Loves You).

Saltos
Saltos

Como se fazia na época, o álbum foi gravado em apenas nove dias não consecutivos, de janeiro a junho de 1964. Entre as sessões, os Beatles cumpriam seus compromissos de shows e da filmagem de A Hard Day`s Night. Durante a filmagem, John Lennon e Paul McCartney escreviam mais e mais canções. A maioria destas ficou fora de A Hard Day`s Night, indo para o seguinte, Beatles for Sale, lançado em 4 de dezembro do mesmo ano.

Descanso
Descanso

A Hard Day`s Night tornou-se seu primeiro álbum do grupo que continha material exclusivamente original, só com canções de Lennon e McCartney, ainda sem a participação de George Harrison como compositor.

É um álbum bem diferente do que veio antes e do que virá depois. O motivo é simples. É o único disco dominado por canções de John Lennon. Isto o trona muito mais rápido, muito mais rock ‘n’ roll. A típica presença de Paul, muito mais lírico e melodioso, é notada em And I love her e Things we said today. O resto, com exceção de If I fell, são rocks rápidos.

Mais correria
Mais correria

Lennon foi o único compositor da faixa-título, juntamente com I Should Have Known Better, Tell Me Why, Any Time At All, I’ll Cry Instead, When I Get Home e You Can’t Do That. Ele também escreveu a maior parte de If I Fell e I’ll Be Back, e colaborou com McCartney em I’m Happy Just To Dance With You.

As contribuições de McCartney para o álbum foram discretas, porém excelentes: as clássicas baladas And I Love Her e Things We Said Today, bem como Can’t Buy Me Love.

A Hard Day’s Night é um dos três únicos álbuns dos Beatles para não contêm vocais por Ringo Starr. Os outros são Let It Be e Magical Mystery Tour.

O cartaz do filme de Lester
O cartaz do filme de Lester

As faixas de A Hard Day`s Night:

Lado A

A Hard Day’s Night
I Should Have Known Better
If I Fell
I’m Happy Just To Dance With You
And I Love Her
Tell Me Why
Can’t Buy Me Love

Lado B

Any Time At All
I’ll Cry Instead
Things We Said Today
When I Get Home
You Can’t Do That
I’ll Be Back

John Lennon: vocal, guitarra, violão, harmônica, tamborim
Paul McCartney: vocal, baixo, piano, sinos
George Harrison: vocal, guitarra, violão
Ringo Starr: bateria, congas, bongôs, tamborim
George Martin: piano

Produtor: George Martin, óbvio

O disco completo:

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A desconhecida história do vibrador (II)

A desconhecida história do vibrador (II)

Pois nós abandonamos ontem nossos vibradores quando eles eram enormes mesas cujo uso podia ser dividido por várias “pacientes” (talvez não fossem de uso exclusivo feminino, mas o que podemos garantir?). Esqueçamos esta hipótese que só nos atrapalha. Bem, aquilo era mais ou menos como uma “lan house” onde as usuárias — todas mulheres satisfeitas com seus diagnósticos de histeria — iam ter seus orgasmos.

Leia mais: A desconhecida história do vibrador (I)

Então, a empresa americana Hamilton Beach, especializada em equipamentos para cozinha, patenteou o primeiro vibrador portátil. Estávamos em 1902.

Como vocês podem ler na propaganda acima, era a Maior Descoberta Médica de Todos os Tempos. E, por favor, vejam a discrição do médico da propaganda à direita. A máquina deveria provocar o tal paroxismo que curaria as histéricas. Era uma coisa tão boa que a literatura consultada diz que, em 1917, havia mais vibradores nos lares americanos do que torradeiras. Descobriu-se que quase todas as mulheres era histéricas e deveriam ser necessariamente levadas ao paroxismo.

Porém, os anos 20 trouxeram o filme pornográfico e, nele, as “atrizes” curavam sua histeria frente as câmaras. Os filmes fizeram com que o vibrador ficasse estigmatizado como coisa de mulheres da vida. Nenhuma mulher fina ou mãe de família poderia ter uma histeria tranquila sabendo que a rameira da esquina fazia uso do mesmo instrumento. A venda de vibradores foi então disfarçada sob formas de discutível sutileza.

Posso imaginar a felicidade daquela esposa que, tendo recebido um aspirador de pó como presente de aniversário de seu marido mongo, se deparasse com a panaceia ao abrir a caixa.

— E aí, amor, o aspirador é bom?
— Uma maravilha. Nossa casa ficou na maior paz!

E ficava mesmo pois, ao comprar-se um aspirador, recebia-se isso:

Como já lhes disse, não sou mulher e não sei o grau de sedução que um instrumento desses tem. Para mim, assemelha-se a um maçarico.

Já o instrumento acima não tem muito jeito de que vá acordar aquele clitóris mais preguiçoso e sim moê-lo a pancadas. Bem, já disse que minha capacidade de entendimento é limitada e que esta matéria serve apenas para disponibilizar cultura a meus sete leitores.

Havia propagandas mais escondidas, que permaneciam nos classificados dos jornais, tal como a desta senhora que faz vibrar sua caixa craniana com numa britadeira doméstica. Sua postura é tão confortável que só mesmo uma histérica faria a compra da geringonça. E como havia!

Nos anos 40, 50 e 60, a utilização diminuiu muito. O conservadorismo e a religião — a mais sem graça das invenções humanas — tornaram cada vez mais deselegante o aparelho. Concluo que é mais provável que sua avó usasse um vibrador, mas não sua mãe! Minha mãe, por exemplo, é tão santa que nem imagino como estou aqui. Porém, o vibrador voltou com tudo nos anos 70 e nos 80, principalmente nos 80, quando a música tornou-se tão chata que era melhor divertir-se privadamente. Em 1973, a Hitachi lançou um vibrador revolucionário. Abaixo, a foto da propaganda…

Quem ergue o mixer acima é Betty Dodson, uma moça que criou grupos de masturbação em Nova Iorque. No mesmo ano, também em Nova Iorque, foi fundada a primeira sex shop feminina. A fundadora foi Eves Garden.

Hoje, com a eletrônica fazendo coisas cada vez menores — nem sempre, nem sempre — e livres das tomadas, os vibradores são… ou seriam… ou talvez devessem ser… Bem, traduzo a seguir uma propaganda dos anos 40 (EUA):

… os vibradores são implementos necessários à vida de toda jovem educada. Os vibes estão destinados a fazerem parte da paisagem urbana e um namorado sensível certamente dará um a sua amada no Dia dos Namorados. O vibrador é, muito possivelmente, o mais potente símbolo de independência feminina. A posse de um vibrador diz ao mundo (ou pelo menos você diz a si mesma!) que não só você está confortável com sua sexualidade, mas que você é capaz de dar satisfação sexual a si mesma sem ficar esperando a boa vontade de um homem.

A última novidade é que um executivo aposentado da indústria petrolífera patenteou um tipo de vibrador com o qual a mais preguiçosa das mulheres chegará ao orgasmo, mesmo que não queira! O fabricante diz que seu vibrador “empurra e gira, eliminando dessa forma qualquer necessidade de trabalho da usuária”. Custa 139 dólares. Só Deus sabe se é verdade. Pesquisem aí.

E abaixo nós temos o famoso vibrador batom, motivação da série de dois artigos, aqui finalizada. Trata-se do “Vibrador em Formado de Batom Multivelocidade À Prova D’água da Studio Collection”. Não, não recebo comissão.

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A desconhecida história do vibrador (I)

A desconhecida história do vibrador (I)

Revisado e republicado atendendo a pedidos.
Afinal, o filme Histeria tem passado na Net e as pessoas perguntam.

O espírito que norteia nosso blog sempre foi o de ilustrar seus e suas visitantes. Ademais, aprender história dá-nos outros horizontes e podemos captar repetições e nuances que nos permitem fazer projeções para o que vivemos e vamos viver. É rigorosamente dentro deste propósito que contaremos a nossos leitores e leitoras a história do vibrador. Ora, a ideia me surgiu a partir de uma amiga que possui um vibrador-batom… Isto é, se alguém abre sua bolsa, não encontrará algo de grandes proporções e formato suspeito, mas um aparelho fabricado na China, semelhante a um batom. Digamos que não há nada ali para pintar os lábios. Não lhe perguntei se tamanho era algo importante em tratando-se de vibrador, pois, sabem, até minha cara-de-pau de historiador conhece limites e não sou tão íntimo da moça para lhe perguntar sobre o uso de produto tão íntimo.

Antes de chegar a esta solução pequena e elegante, oculta dentro de uma pequena bolsa que pode ser aberta sem constrangimentos, o vibrador percorreu notável história a qual começa, obviamente, pelos nossos espertos psiquiatras. Ao final do século XIX, vivíamos uma das épocas culturalmente mais florescentes. Havia Brahms e Mahler, Thomas Mann e Kafka eram crianças, Dostoiévski e Tolstói produziam como nunca e, prova da inteligência daquele tempo, a histeria era considerada uma doença exclusivamente feminina. Ou seja, a medicina também era a melhor possível e só decaiu com aqueles médicos vienenses que não apreciavam Richard Wagner.

A massagem vulvar foi descoberta como tratamento eficaz para a histeria e a neurastenia. Claro que aquilo não era nada sexual, era antes algo essencialmente técnico. Era como alongar ou tirar nós musculares nos dias de hoje. Mas as mulheres gostavam e as mais espertas rolavam no chão à menor contrariedade, atrás de um libertador diagnóstico de histeria. O tratamento era aquele mesmo: a massagem vulvar. Era uma máquina de fazer dinheiro e, é claro, a massagem só acabava no momento em que acabava ou, melhor dizendo, no momento em que a paciente chegava ao orgasmo. Mas os médicos achavam que passar dez horas por dia atendendo a vasta clientela das massagens vulvares era cansativo e tedioso, além de que muitos temiam ver crescer pelos na palma de suas mãos. Então, os neurologistas inventaram uma forma de mecanizar o processo: a hidroterapia. Era como molhar as plantas: o médico ajustava o jato, regulava sua força do jato e deixava um (ou uma) auxiliar segurando a mangueira:

Observem atentamente a figura acima. Vejam bem o lado esquerdo. O médico ou auxiliar, certamente inglês, preferia pegar numa mangueira. Eu nunca fui mulher, mas imagino que esta troca não tenha sido muito legal para o publico aficionado. Imagino que houvesse variáveis que poderiam dificultar as coisas: a temperatura da água, por exemplo, poderia ser fatal para as friorentas; também acho que os constantes erros de mira do(a) auxiliar do médico obrigavam a paciente a rebolar sobre a cadeira a fim de que o jato alcançasse de forma produtiva o local exato da histeria. E se, na hora da histeria, algo chamasse a atenção do homem da mangueira e este a apontasse para a parede? Ora, neste caso, tudo teria de começar novamente! Afora isso, havia a absurda conta d`água e aquela molhaçada, já pensaram?

Mas voltemos aos vibradores. Em 1880, novamente os ingleses…

… inventaram uma máquina elétrica que, ao menos, não molhava tudo. E a geringonça — espécie de Orgasmotron, lembram de O Dorminhoco de Woody Allen? — podia atender várias pacientes ao mesmo tempo. Imaginem o ganho de produtividade? Foi um enorme sucesso, apesar do enorme risco dos médicos confundirem os êxtases de suas pacientes com meras eletrocuções. As pacientes passaram a chegar ao êxtase em 10 minutos e as mãos dos médicos, assim como suas mangueiras, puderam finalmente descansar.

(continua amanhã, com muito mais informações e fotos)

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Albert Camus

Albert Camus

Alguma coisa em O homem que amava os cachorros me lembra Camus.

A morte de Camus, num medíocre acidente de automóvel, aos 46 anos, lembra Moscou. Só hoje descobri que não apenas eu faço a relação. O escritor e tradutor checo Jan Zabrana sugere a possibilidade de que Camus tenha sido assassinado por ordem do Ministro das Relações Exteriores da URSS, Dmitri Shepilov, em retaliação à oposição aberta que o escritor vinha fazendo ao país — particularmente no artigo publicado na revista Franc-Tireur de março de 1957, em que atacava pessoalmente o ministro, responsabilizando-o pelo que chamou de “massacre”, durante a repressão soviética à Revolução Húngara de 1956.

Em sua crítica, Camus citara o poeta americano Walt Whitman. Afirmara “sem liberdade, nada pode existir”. Ganhou assim, a inimizade de stalinistas e de simpatizantes da URSS. Olivier Todd, no livro Albert Camus — Uma Vida (Record, 877 páginas), relata o acidente:

A vinte e quatro quilômetros de Sens, na Rodovia 5, entre Champigny-sur-Yonne e Villeneuve-la-Guyard, o Facel-Véga, depois de uma guinada, sai da estrada em linha reta, se arrebenta contra um plátano, ricocheteia para cima de uma outra árvore, se desmantela. Michel Gallimard sai gravemente ferido — morreu cinco dias depois –, Janine ilesa, Anne também. O cachorro desaparece, Albert Camus morreu na hora. O relógio do painel é encontrado bloqueado às 13h55. A seus amigos, Camus dizia com frequência que nada era mais escandaloso do que a morte de uma criança e nada mais absurdo do que morrer num acidente de automóvel.

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Começam as especulações

Começam as especulações

distintivo-grenalComeça a parte mais chata do ano, a das especulações da imprensa esportiva. O Inter já teria contratado Tite para técnico, Dudu para seu ataque e Fábio Mahseredjian para a preparação física. Tudo muito adequado não fosse o fato de as eleições para a presidência do clube serem no próximo sábado… Estamos com dois candidatos à presidência que contratam e contratam.

Por falar nisso, votarei em Píffero no próximo sábado. A mim, o acerto — este sim anunciado — entre Abel e o candidato Marcelo Medeiros soa como uma ameaça. Nós vimos como Abel se classificou para a Libertadores. Em bom português, o nome daquilo é casualidade, sorte, rabo, cu. Nada de estratégia, nada de bom futebol, nada de nada do que pareça orientação e treinamento. Abel tem que sair. A grande duvida é como reagirão os jogadores com a saída de seu querido técnico.

Enquanto isso, o Grêmio parece que parte para um desmanche. Oito jogadores de bom salário devem sair e três virão. A venda de Barcos já é admitida abertamente. Vai para o México. Douglas e Maxi Rodríguez voltam. Segundo Felipão, que adquiriu perigosos ares de presidente do clube, serão contratações “cirúrgicas”. Se eu fosse gremista, estaria em pânico.

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Uma espetacular vitória na despedida de Abel Braga e Alan Ruschel (veja os gols da façanha e a fuga alucinada do juiz)

Uma espetacular vitória na despedida de Abel Braga e Alan Ruschel (veja os gols da façanha e a fuga alucinada do juiz)
Valdívia engana e engana-se em Florianópolis
Valdívia engana e engana-se em Florianópolis

Não, infelizmente, Abel não se despediu, nem Alan Ruschel, trata-se apenas de um desejo deste comentarista que quase arrancou os cabelos restantes neste CRUENTO sábado à tarde. Incrível, Abel fez de tudo para ser DEVASTADO neste jogo e eu só o aceitaria em 2015 se ele garantir permanecer com a sorte incrível dos últimos jogos. O que foi a escalação de hoje? Para que três zagueiros? Nós só havíamos jogado (muito mal) contra o São Paulo neste esquema. Hoje, “amparado pela ausência de D`Alessandro”, Abel remontou o que não tinha funcionado e voltamos a fazer uma partida ABOMINÁVEL. Como viramos para 2 x 1, só a Nossa Senhora dos Últimos Minutos, citada por Luís Augusto Farinatti, pode explicar.

Como escreveu o Luís Felipe dos Santos no Facebook:

Resumo do torcedor do Inter em 2014:
– precisamos ganhar! ‪#‎vamointer‬
– nossa, que ataque ruim
– nossa, que zaga horrível
– não tem como ganhar com esse time
– GOL
– NOSSA, COMO ESSE TIME GANHOU DE NOVO?

Quem não viu o jogo, não acredita. Aos 49min59, PAULÃO fez um lançamento TODO TORTO em profundidade para WELLINGTON SILVA. É óbvio que isso só podia acabar em MERDA, mas não no Inter de Abel. Wellington Silva levou no peito como se fosse um jogador de futebol, mas concluiu como Wellington Silva mesmo. Saiu-lhe um chutinho CHOCHO, triste, sem graça. Tão chocho e sem graça que ILUDIU o goleiro, o qual saltou como se estivesse brincando em casa com seu gatinho. Logo depois a câmera mostrou Abel ao lado do campo. Ele parecia o ursinho Puff feliz, ROTUNDINHO, pulando com seus bracinhos no ar, um amor. Parecia até que tinha algum mérito. Nossa, Abel, tu tens muita sorte, és um amuleto, não um técnico de futebol.

Eu penso nesse jogo e… Como explicar o gol de empate do Inter? O pior jogador em campo, Alan Ruschel, deu um cruzamento perfeito num escanteio. Rafael Moura entrou na corrida e cabeceou consciente, no ângulo. Dá pra entender?

Ao final da partida, após o árbitro distribuir RAMALHETES de cartões vermelhos para quatro jogadores — 2 de cada time –, teve que fugir (ver o segundo vídeo) dos jogadores do Figueirense após receber um peitaço de Thiago Heleno. Foi muito engraçado. Demonstrando um talento insuspeitado, Rafael Moura foi seu LEÃO-DE-CHÁCARA durante todo o episódio. Jamais vi tanta ATITUDE nele.

Como comentar um jogo sem sentido? Não sei o que dizer. Só sei que o Inter está no Grupo 4 da Libertadores com Emelec-EQU, Universidad-CHI e o vencedor de Morelia-MEX e The Strongest-BOL. O outro caminho — o que ficou para o Corinthians — é terrível: São Paulo, San Lorenzo do Papa, atual campeão da Lib, e Defensor-URU. E os corintianos ainda terão que vencer um time colombiano antes.

Acabamos bem o ano. Fizemos um check-up cardíaco e ainda ganhamos uma boa vaga.

E viva o Inter!!!

Aqui, os gols e melhores lances:

Aqui, a fuga do árbitro, protegido por Rafa Moura:

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Sobre o caso Idelber Avelar, o recado de um escaldado

Sobre o caso Idelber Avelar, o recado de um escaldado
Fazer o quê? Não resisti à imagem de um pinto triste
Fazer o quê? Não resisti à imagem de um pinto triste

Quando, avisado por um amigo, li o post de Lola Aronovich, fiquei estupefato e estupefato. Estupefato pelo conteúdo que é, no mínimo, altamente privado, e estupefato pela tolice de Lola. Pensei imediatamente nos malefícios da vaidade e no amor aos cliques da paladina. Pois aquilo, na minha opinião, foi um impulso bobo em busca de uma fama que apenas a levará ao pagamento de uma bela indenização. E o pior é que ela, desculpando-se e lamentando falsamente o desassossego que causava a seus leitores, ainda escreveu mais dois ou três posts a respeito do caso. E ainda não os deletou…

Tenho certa experiência nesta coisa de blogs x justiça. Certa vez, ofendi a escritora Letícia Wierzchowski em uma crítica a uma coluna que ela publicou em ZH. Fui processado por ela. Nos primeiros dias, cheio de razão, fiquei indignado, mas logo depois meu travesseiro começou a me dizer umas coisas estranhas e convenci-me de que, bem, ela tinha toda razão em ofender-se. Por um milagre, semanas depois, ela propôs retirar a ação, desde que eu sumisse com os textos. Aceitei imediatamente. Pura sorte, porque iria bailar muitíssimas canções polonesas na justa.

Depois fui processado pela atual vereadora Mônica Leal e, não obstante tivesse boa dose de razão, fui condenado. Paguei a ela um valor bem alto para um pelado como eu. Não pretendia pagar, mas até o inventário da minha mãe estava embargado…

Fico pasmo que Lola, as(os) autora(es) daquele blog O estranho caso do prof. e outros que se manifestaram em termos definitivos de condenação de um “poderoso machista manipulador” — prevendo até mesmo o final da carreira acadêmica de Idelber — não tenham se dado conta de que uma pessoa que não tenha agredido nem forçado fisicamente suas parceiras, não é um criminoso, segundo nossa lei.

Eles terão que provar ou que houve crime em enviar privadamente mensagens e imagens pornográficas ou que Idelber manteve casos com menores. Se não comprovarem isso, melhor prepararem uma boa poupança. Sugiro que passem seus bens para amigos ou parentes. Essas pessoas necessitarão desfazer esta afirmativa do Idelber, feita hoje em seu perfil do Facebook — Sim, gosto de sexo. Sim, falo muito de e faço muito sexo. Com quatro regrinhas claras: consensualmente, com adultas, jamais com chefes ou subordinadas e em privacidade.

Algo me diz que não conseguirão. Várias(os) já estão chamando o professor de arrogante. Mas nenhum juiz condenará a possível arrogância de Idelber.

Finalizando, acho que o Idelber não tem nada a comemorar, nada mesmo, ele só perdeu; mas quem o ataca não tem noção das leis sob as quais vive. Na justiça, há que produzir provas, provas incontestáveis. Vejamos se aparecerão. Acreditem, aqueles prints não valem nada para efeito de justiça.

P.S. — A maioria de meus sete leitores sabem que sou amigo do Idelber. Ele esteve hospedado em minha casa com seus dois filhos e ninguém de minha família foi assediado. Foram três ou quatro excelentes dias. Nada de pintos.

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Pequenas férias

Pequenas férias

Encomendei umas pequenas férias até o dia 7 de dezembro. Na verdade, era obrigado a tirar esses 10 dias, pois neste mês já tenho direito a mais 30. Programei ficar em Porto Alegre para resolver uma coleção de pentelharias pendentes. O problema é que faltam só dois dias úteis e as pequenas obrigações são muito maiores do que o tempo disponível. Fracassei fácil fácil. O dia de amanhã, por exemplo, já está inteiramente tomado. Tenho pequenos compromissos de manhã à noite e, se quiser, morro na sexta ainda correndo atrás da máquina.

Tenho a impressão de que se houvesse um turno livre da semana destinado a que resolvêssemos o problema com a Net, com o novo telefone, com o marceneiro ou com o diabo, a vida toda seria vivida sob um algoritmo menos pesado. O bom é que as filas fizeram com que eu lesse mais o excelente e verboso O homem que amava os cachorros, do cubano Leonardo Padura. Com 600 páginas, não é um livro adequado para filas — é quase musculação –, mas a trágica e triste história de Trotski e de seu algoz Mercader é realmente fascinante e, às vezes, chego a desejar maior lentidão. Sim, lentidão nas filas. Como dizia um amigo, não me cobrem coerência.

Além das coisas burocráticas, também tenho me sentido um verdadeiro homem ao resolver coisas mínimas em casa. Também, quando a gente vê que em casa de músicos as mangueiras dos gases estão com os prazos de validade vencidos há 13 anos, aí alguém tem que tomar alguma iniciativa, né? Gosto de avião, não de voar pelos ares, se me entendem.

É o momento de fazer aflorar o homem que há em nós!
Este é  o momento de fazer aflorar o homem que há em nós!

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Em Pelotas, numa noite que deveria ter sido mais longa

Em Pelotas, numa noite que deveria ter sido mais longa

Isso ocorreu na quinta-feira, 27, mas só agora deu tempo de escrever a respeito.

Eu gosto muito de Pelotas. É uma cidade mais viva e cheia de personalidade do que o normal do interior do RS. Empobreceu nas últimas décadas, mas permanece com uma vida cultural muito mais ativa do que, por exemplo, os endinheirados da serra gaúcha. O comportamento dos pelotenses também é diferente. Exemplos: lá eles não torcem prioritariamente para Inter e Grêmio e sim para Brasil e Pelotas, tendo ainda o contraponto do Farroupilha. Mais um exemplo: a vida musical da cidade é ativa, com um alto número de espetáculos e festivais — proporcionalmente ao tamanho da população e ao estado em que vivem. Como o de Festival de Jazz, recém finalizado com a presença de Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti e Naná Vasconcelos. É mole?

Só por isso já seria uma honra ser convidado para falar com os alunos de Jornalismo da UFPEL, mas havia mais. Quando cheguei à cidade, me aguardavam os professores Eduardo Silveira de Menezes acompanhado de outro professor, Ricardo Fiegenbaum, e de um cara que conhecia há quase 40 anos, e com o qual falara talvez uma vez, lá nos meus curtos e confusos tempos da Fabico. Naquela época, o Prof. Jairo Ferreira era um aluno incomum, pois era uma importante figura do DCE (presidente, senão me engano…), militando no partido com o qual eu mais simpatizava na época e em cujo candidato Lauro Hagemann votava: o PCB. Jairo era o segundo mais votado na rarefeita lista de candidatos comunistas. O reconhecimento de Jairo e o tratamento recebido na chegada à cidade foram muito estimulantes, porque vou contar uma coisa a vocês.

Eu sou um péssimo palestrante. Atrapalhado, sem técnica, às vezes nervoso, muito preocupado com o conteúdo e sempre surpreso por estarem me ouvindo, acabo por fazer resumos do que penso terem sido, horas antes, gloriosos ensaios. Mas, de vez em quando, a coisa funciona. Creio que funcionou no StudioClio com a Joana Bosak e funcionou novamente em Pelotas com o Prof. Jairo Ferreira. Ou talvez tenha sido a gentileza com que fui tratado pelo Prof. Eduardo Silveira de Menezes antes, durante e depois da palestra, ou o fato de falar para jovens, ou a proximidade do Bento Freitas. Não sei. Só sei que pela segunda vez na minha vida fiquei satisfeito com minha participação em uma palestra.

Mas sei que os méritos foram do Jairo, que sistematizava a torrente de argumentos e fatos que eu vomitava. O cara é tão bom e inteligente que tratou seguir os dados e informações que eu divulgava, buscando argumentos em sua erudição e num estudo de um aluno seu sobre a Lei de Meios, que apareceu coerente e inesperadamente na palestra improvisada. Ah, pois é: não disse o tema da palestra: era A função social do jornalismo. As possibilidades de se fazer um jornalismo comprometido com o interesse público. A ênfase era no Sul21, claro.

Depois do encontro, fomos a um espetacular restaurante. A conversa também era excelente. Comi a entrada e… Bem, quase morri lamentando para o Prof. e GPS Fábio Cruz o fato de ter que retornar a Porto Alegre no ônibus das 23h30. O prato principal foi apenas “provado” por mim, pois chegara á mesa ás 23h10… Pecado grave, deixei um copo de Patricia pela metade, imaginem! Mas o fato é que fiquei muito feliz de ter conhecido aquele grupo de pessoas e, na próxima oportunidade, se eles tiverem a coragem de me reconvidar, vou dar um jeito de comer e beber decentemente com eles.

Um idiota com o olhar perdido e o Prof. Jairo Ferreira
Um idiota com o olhar perdido e o Prof. Jairo Ferreira
Jairo Ferreira despeja coerência ao lado de um cidadão que não se encontra.
Jairo Ferreira despeja coerência ao lado de um cidadão que não se encontra.
Ele fala enquanto olha para o nada, provavelmente
Ele fala enquanto olha para o nada, provavelmente

Jairo Ferreira respondeu no Facebook:

Um belíssimo encontro com o Milton RibeiroRicardo FiegenbaumEduardo Silveira de MenezesGilmar Hermes, na faculdade de jornalismo na UFPEL.

Relatos de experiências. Para mim, discussão da lei dos meios articulada com a midiatização da sociedade. Coisa que comecei a pensar estimulado pela pesquisa do Eduardo Covalesky Dias, na UFPR, sobre as leis dos meios na Argentina. Coincidências. Estava na Argentina quando da mobilização pela lei dos meios. Isso ajudou na conversa.

Quem continua jovem é o Milton. Ideias jovens.

Inquietações juvenis. Ouvidos que não envelheceram. Olhar que não necessita de lentes para ver. Um jornalista. Seu rico relato me permitiu fazer inferências sobre a conjuntura dos meios que não tinha ainda feito.

De sobra, a novidade foi encontrar Milton falando como observador de minha adolescência militante. Não era presidente do DCE da UFRGS. Era da diretoria, responsável pela atividades culturais. Promovemos o primeiro festival da arte universitária, período da abertura. Fui presidente do DABICO, onde participei e liderei, com muitos colegas, a primeira greve por melhores condições de ensino na faculdade de jornalismo. Era do PCB, mas militava, no começo, com tendência do PC do B.

Eu, um cara que tento “botar a lógica” nisso que chamamos de comunicação, aprendi muito com o relato sobre o Sul21. Me senti envelhecido ao lado de suas preocupações típicas de um jovem jornalista.

Mas tudo rejuvenesce, sim, como bem diz o Milton, em Pelotas. Pelotas é uma cidade. Cidade maior. Cidade que lembra a minha infância, seis anos depois de ter nascido em Porto Alegre, com longas pescarias na Lagoa, no Canal e até na barra dos molhes em Rio Grande. Lembra meu avô negro, o Otacílio, filho de escrava alforriada, casado com minha avó Maria José, filha de um português pouco simpático. Anos depois, minha primeira esposa, minha primeira grande paixão, descendente de alemães. Dos casarios, com suas telhas portuguesas, à ditadura endurecendo em 68, com repressões aos movimentos estudantis. Lembra o sangue dos estudantes reprimidos.

Enfim, viva. Não só porque tem muitos restaurantes de qualidade, sempre ativados pelos olhares e escutas.

Mas, principalmente, porque Pelotas é onde também se vê estudantes em campanha defendendo a derrubada dos muros. Das fronteiras. Adeptos da osmose absoluta. Românticos e utópicos que me fizeram voltar feliz, mesmo que esteja, tanto tempo depois, sempre tentando entender porque somente alguns muros caíram e outros ficaram mais fortes.

Voltei mais militante pelo sucesso da experiência do Sul21. Prometi ao Milton que vou pensar nisso, tão logo minha intensa agenda acadêmica me permita fazê-lo.

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Boa noite, Abel Braga (veja os gols de Inter 3 x 1 Palmeiras)

Boa noite, Abel Braga (veja os gols de Inter 3 x 1 Palmeiras)
Taiberson comemora o primeiro gol do Inter sobre o Palmeiras
Taiberson comemora o primeiro gol do Inter sobre o Palmeiras

Foi uma vitória justa, apesar do sofrimento que houve com a apatia do time desde o gol de empate do Palmeiras até o gol de Fabrício, o qual tem um apelido, nome e sobrenome: Valdívia ou Wanderson Ferreira de Oliveira. Após o empate do Verdão — que está mais para Verdinho –, nós estávamos caindo em depressão, o Palmeiras tomava incompreensivelmente o controle da partida e a gente se enrolava nas próprias pernas.

O time do Palmeiras é realmente fraco e merece estar entre os quase rebaixados. Bruno César, jogador que entrou no segundo tempo, mostrava uma barriga de grávido. Parecia uma piada, sei lá. Foi só colocar um pouco de velocidade e acertar os passes, qualidades trazidas magicamente por Valdívia, que os gols recomeçaram a sair.

Agora com 66 pontos, o Inter chega ao domingo em terceiro, mas volta ao quarto lugar se o Corinthians vencer ou empatar com o Fluminense amanhã. Entrando em quarto, teremos que jogar a Pré-Libertadores em fevereiro. Puro estresse. Não acredito que acabemos em terceiro, mas seria excelente. Esse jogo extra para entrar na Libertadores é daquelas coisas são usadas pelos preparadores físicos para justificar todo um ano de lesões musculares. Ah, nós tivemos que acelerar a preparação para aquele jogo no início de fevereiro… Lamentável.

Mas estamos na Lib-2015. Isso é o que interessa!

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Fotógrafo usa drone e faz vídeo de Chernobyl hoje

Fotógrafo usa drone e faz vídeo de Chernobyl hoje

O filme Postcards from Pripyat, Chernobyl, de Danny Cooke, pode ser conferido abaixo.

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Seis drops ou citações para meus sete leitores

Seis drops ou citações para meus sete leitores

1. Virginia Woolf:

As mulheres, durante séculos, serviram de espelho aos homens por possuírem o poder mágico e delicioso de refletirem uma imagem do homem duas vezes maior que o natural.

Não é isso mesmo? É assim que me sinto quando Elena me observa, me dá atenção ou revela alguma admiração. Um gigante. Os homens são BOBOS.

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2. A estátua de Davi foi levada a diversos museus norte-americanos por um período de três meses, mas agora está de volta à Florença.

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3. Mia Couto:

O tempo é, como diz um provérbio de minha terra, um ovo: se não se segura bem, cai; se se aperta com força, quebra.

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4. Pablo Picasso:

Eu estou sempre trabalhando. Assim, quando a inspiração chegar, vou estar trabalhando.

Bach disse quase o mesmo. Comprovadamente, ambos trabalharam muito.

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5. Ontem, num restaurante onde sempre vou, o garçom me ofereceu a cerveja Coruja de sempre. Rejeitei-a, pois estava dirigindo. Ele respondeu que é o fim do mundo.

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6. Orhan Pamuk:

A pergunta que, com maior frequência, é dirigida a nós, escritores, a pergunta favorita, é: por que vocês escrevem? Escrevo porque tenho uma necessidade inata de escrever. Escrevo porque não posso ter um trabalho normal como as outras pessoas. Escrevo porque quero ler livros iguais aos que eu escrevo. Escrevo porque estou irritado com todo mundo. Escrevo porque adoro ficar sentado numa sala, escrevendo o dia todo. Escrevo porque só consigo tomar parte da vida real transformando-a. Escrevo porque quero que os outros, o mundo inteiro saiba que tipo de vida nós vivíamos e continuamos a viver, em Istambul, na Turquia. Escrevo porque amo o cheiro de papel, caneta e tinta. Escrevo porque acredito na literatura, na arte do romance, mais do que em qualquer outra coisa. Escrevo porque é um hábito, uma paixão. Escrevo porque tenho medo de ser esquecido. Escrevo porque gosto da glória e do interesse gerados pelo ato de escrever. Escrevo para ficar sozinho. Talvez eu escreva porque espero entender porque estou tão, tão irritado com todo mundo. Escrevo porque gosto de ser lido. Escrevo porque, tendo começado um romance, um ensaio, uma página, eu quero terminar. Escrevo porque todo mundo espera que eu escreva. Escrevo porque tenho uma crença pueril na imortalidade das bibliotecas e na maneira como meus livros ficam na estante. Escrevo porque é instigante transformar todas as belezas e riquezas da vida em palavras. Escrevo, não para contar uma estória, mas para compor uma estória. Escrevo porque desejo escapar do mau presságio de que há um lugar aonde eu devo ir, mas aonde – como num sonho – não posso chegar por completo. Escrevo porque nunca consegui ser feliz. Escrevo para ser feliz.

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Meu médico pediu 8 Kg a menos

Meu médico pediu 8 Kg a menos

Meu médico me disse que preciso perder 8 Kg. Meus exames estão impecáveis, mas o peso tem que chegar aos 74. Desde ontem estou tendo terríveis fantasias com as iguarias que poderei comer. A felicidade é uma coisa muito boa, só que engorda pacas.

8 Kg

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Onde começa e termina a ideologia (um divertido esboço, ao menos para mim)

Onde começa e termina a ideologia (um divertido esboço, ao menos para mim)

Para descobrirmos a ideologia de uma pessoa, basta saber como ela trata seu dinheiro.

IVAN OSÓRIO (1)

Para identificarmos um mau caráter, basta observar como ele trata as crianças. Se ele as despreza ou humilha, não é incontestável, mas o cara tem boas possibilidades de ser um deles.

N. F. (1)

Caso 1. Meu primo J.R. é engenheiro e não sei se é de esquerda, centro ou direita. Ele gosta de dormir, mas tem que chegar ao trabalho às 8h da manhã. Então, calculou a forma mais otimizada de fazê-lo. Sabe como deve fazer para dar o menor número de passos dentro de sua casa e o algoritmo ideal para não precisar entrar duas vezes no banheiro. Sabe igualmente as melhores ruas para trafegar e que, acordando às 7h10, pode ficar 3 minutos rolando na cama. Nem mais, nem menos. É organizado, confiável, correto, bem humorado. Parece viver feliz. Ele é inteiro. (2)

Caso 2. Meu amigo A. é matemático e comuna. Ele gosta do trabalho de sua empregada, a Nenê, que vai a sua casa há trinta anos, três vezes por semana. Eu soube que um dia A. chegou em casa fora do horário habitual e Nenê estava lá, sentada, olhando pela janela. Não era dia de faxina e ele perguntou o que ela estava fazendo. Ela respondeu constrangida que estava com problemas em casa e achou que podia passar alguns momentos de tranquilidade no apartamento dele. Ele arranjou uma desculpa, pegou qualquer coisa sobre a mesa e disse-lhe que ficasse à vontade. A propósito, ele é inteiro. (2)

Caso 3. Meu amigo T. é ecologista e pensa ser um liberal de esquerda. Gosta de criar belas metáforas e analogias para ornamentar seus discursos, mas nem todos as entendem. Sabe como criá-las utilizando suas idéias. São bonitas. Quando estava por se separar, pensou se não seria ecológico para sua alma tentar fazer renascer o amor entre ele e sua mulher. Deu certo. É adorado por ela. Hoje estão juntos. Sob outros acordos. Ele é inteiro. (2)

Caso 4. Minha amiga P. é violinista, budista e de direita. Ela gosta de Bach e tatuou aqueles dois esses que furam o tampo frontal dos violinos e violoncelos, ladeando as cordas. Ela os têm ladeando sua espinha dorsal, pouco abaixo da nuca, como se ela toda fosse um violino. Ficou sexy, sabe? Que som terá? Como budista, ela tenta aprimorar-se e evoluir em tudo. Em dez anos, tornou-se excelente musicista e a mulher mais agradável, interessada e gentil que conheço. É impressionante como nos sentimos bem com ela por perto. Ela é inteira. (2)

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Caso 5. Minha amiga X. é a socióloga e intelectual de esquerda mais culta que conheço. Gosta de pontificar brilhantemente durante horas, mas não tem tempo para tornar-se militante de nada, só do instituto de beleza. Sabe como poucos amassar adversários em discussões. Era casada com meu amigo I. que é de centro. Quando se separaram, ele entrou em depressão, parou de trabalhar e perdeu muito dinheiro. Orientada pelo pai, ela fez com que ele assinasse a passagem de todos os bens para ela, além de ter negociado um acordo que, a rigor, o arruinaria. Ela é… Os cacos do espelho espalharam-se pelo mundo. (3)

Caso 6. Minha amiga A. é blogueira, provavelmente historiadora, de esquerda e relaciona-se com o mundo através da ironia. Gosta de ridicularizar aquilo que acha vulgar. Escreve posts semelhantes às notícias de Caras ao lado de outros com interessantes análises políticas. Sabe ser engraçada e parece inteligente, mas L. sempre desconfiou de quem zomba e conhece tanto sobre a vulgaridade alheia. L. fez um comentário no estilo de A., tendo como mote um erro cometido por ela. Ela teve um chilique ao ver-se alvejada. Deletou o post inteiro. Ofendeu-se e ofendeu. Ela é… Os cacos do espelho espalharam-se pelo mundo. (3)

Caso 7. X. é petista e quer ajudar todo mundo. Mas ocorreram problemas em seu terceiro ou quarto casamento e ela não apenas trocou as chaves de casa, deixando seu ex-marido na rua, como mentiu a amigos sobre ele. Ele usava o dinheiro dela, queria roubar sua casa numa partilha, detestou-a pelo fato de ela não poder ter filhos, era desinteressado sexualmente, etc. Ela também repete o padrão de odiar a ex-mulher do atual marido e de tentar cooptar os filhos no ex-casal para sua área de influência. Ela é… Os cacos do espelho espalharam-se pelo mundo. (3)

Pergunto: Onde começa a ideologia? Ela vem do íntimo e sobe para a vida social ou é o contrário? Por que nem sempre ela invade o comportamento? Como alguém pode isolar as ideias que professa de sua práxis íntima? E o contrário faz alguém feliz?

(1) Afirmações reais de amigos reais, falsa e idealmente ouvidas à noite, em torno de uma mesa, com boa bebida, comida idem.

(2) Pessoa inteira: do jargão psi. Trata-se de uma pessoa centrada, mas não auto-centrada ou em faixa própria. Alguém que possui uma trajetória com um conceito, com uma essência que o apóia. Pessoa de ética inabalável, não casuísta. Simplificando, o “inteiro” é o mesmo em qualquer circunstância, não diz uma coisa e faz outra, nem tem duas caras.

(3) Em A Rainha da Neve (1845), de Hans Christian Andersen (1805-1875), o diabo fabrica um espelho que exagera os menores defeitos dos objetos refletidos. Ao elevá-lo ao céu, com o objetivo de lá refletir os anjos, o espelho escapa das mãos do demônio, partindo-se em milhões de pedaços. Estes penetram nos olhos e nos corações dos homens, que passam a ver apenas o mal e a fealdade a seu redor. Neste conto, há a frase Os cacos do espelho espalharam-se pelo mundo.

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Boa noite, Abel Braga (veja os gols da odisseia de sábado à noite)

Boa noite, Abel Braga (veja os gols da odisseia de sábado à noite)
Fabrício corre para comemorar contigo o gol salvador | Foto: Autor: Alexandre Lops
Fabrício corre para comemorar contigo o gol salvador | Foto: Autor: Alexandre Lops

O teu, o nosso Internacional jogou muito mal, Abel Braga, mas obteve os três pontos. Neste momento do campeonato, faltando duas rodadas para o fim do Sofredão 2014, pouco importa se jogamos bem ou mal. Aliás, jogar bem é algo que não vemos o Inter fazer desde o Gre-Nal. Este final do ano mostra que teu trabalho de campo foi rigorosamente péssimo, Abel, e que não temos preparo físico para 90 minutos. Atenção: lembro que os preparadores físicos vieram junto contigo, são tua equipe! A coisa só não é uma tragédia porque nossos jogadores se garantem sei lá como. E também porque… Que sorte a nossa! O gol de Fabrício, aos 49 minutos do segundo tempo, feito com um improvável pé direito e garantindo o 2 x 1 a nosso favor, demonstra que os Deuses do Futebol querem nos ver na Bolivariana 2015.

Foi um jogo todo irregular. O juiz errou para todos os lados e, se o que dá merecimento à vitória são as chances de gol perdidas, todos podem comprovar abaixo que a vitória do Inter não foi tão absurda assim. Rafael Moura e D`Alessandro perderam gols incríveis. Não sei se o Atlético-MG B é um time muito bom ou se nós somos ruins. Inclino-me pela segunda hipótese. Mas não interessa, é tarde para saber, apesar de que sei que o jogo foi um ocioso investimento de angústia, pois deveríamos tê-lo ganho facilmente, Abel. Agora temos mais dois jogos: Palmeiras em casa e o Figueirense fora.

Se o Inter vencer o Palmeiras, não poderá mais ser ultrapassado pelo Grêmio. Segundo o Infobola, as chances do Inter ir para a Libertadores são de 91%, as do Grêmio, de 15%. Segundo o Chance de Gol, temos 71 contra 3,5% de chances do tricolor. Mas acho que o Palmeiras será um adversário duríssimo. Eles estão na beirada do rebaixamento, um pontinho acima da degola. Mas há o Atlético-MG e até o Fluminense, que podem incomodar se nossa ruindade nos levar a perder a maioria dos 6 pontos que temos a disputar.

Falar sobre tática, reclamar de teus erros? Olha, é tarde para isso.

Se era noivo, se era virgem,
se era alegre, se era bom,
não sei,
é tarde para saber.

DRUMMOND, fragmento do lindíssimo poema Morte do Leiteiro

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Desaparecimento de Luísa Porto

Desaparecimento de Luísa Porto

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10 (pequenas) coisas (histórias) que (talvez) você não conheça sobre Bach

10 (pequenas) coisas (histórias) que (talvez) você não conheça sobre Bach

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Quando dizemos Johann Sebastian Bach, pensamos imediatamente nas Variações Goldberg, nas Cantatas e Paixões, nos Brandemburgo e naqueles retratos austeros do Kantor de Leipzig segurando na mão direita uma partitura. A imagem de um bon vivant e do prisioneiro é rara.

1. Ele esteve na prisão

É certo que Johann Sebastian Bach esteve quase um mês na prisão — entre 6 de novembro a 2 de dezembro de 1717 — durante seu período em Weimar. O crime era o de traição a seu patrão. Fora-lhe recusado o cargo de Kapellmeister na cidade, então ele decidiu tentar a sorte em outro lugar. Queria o posto de maestro em Köthen. Bach insistiu e insistiu para ser demitido. Acabou preso. De acordo com o relatório do tribunal, o motivo foi o de “forçar a sua demissão”. Não havia CLT por lá.

2. Ele foi (infelizmente) operado pelo mesmo médico que Handel

O grande doutor John Taylor (1703-1772) operou duas vezes a catarata de Johann Sebastian Bach em 1750. Fez o mesmo com Handel em 1753. Fracassou com ambos. Pior, matou Bach, enfraquecido após as cirurgias, e deixou Handel inteiramente cego.

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3. Ele causava medo na concorrência

Durante uma viagem a Dresden em 1717, houve uma brincadeira idiota entre aristocratas. Foi organizada uma competição para decidir quem tinha mais habilidades para a improvisação: se Johann Sebastian Bach ou Louis Marchand, famoso organista francês. Na véspera da grande luta, Marchand deu de cara com Bach ensaiando. Resultado: alegou uma doença súbita e fugiu.

4. O trabalho não era fácil

Ser Kappellmeister não era simples. Regente do coro da igreja, da orquestra, compositor, ensaios e mais ensaios, além de professor de música e catecismo. Em relatório de 1706, quando tinha 21 anos, Bach dizia mais: que as crianças “já não temem seus professores, elas até mesmo lutam em suas presenças, ( … ) só não carregam espadas e pedras pela rua, mas também na sala de aula.”

5. Ele não era muito amado em Leipzig

Se Bach é apelidado de “O Kantor de Leipzig”, não podemos dizer que a cidade dava-lhe afetuosa contrapartida. Seus chefes eram rápidos para lembrá-lo de sua incompetência. Alguns chefes são assim mesmo, eu já convivi com isso. Em 1723, um assessor disse que Bach não compusera nada durante todo o ano. Hoje, sabemos que ele, como sempre, trabalhou louca e produtivamente naquele ano. Em 1730, ele foi repreendido e advertido pelo mesmo motivo. Quando de sua morte, um jornal da cidade publicou uma notinha onde dizia que “um homem de 67 anos (ele tinha 65), o Sr. Johann Sebastian Bach, maestro e Kantor na Escola St. Thomas”, morrera. Nada mais.

6. Faltava muito às aulas

O maestro John Eliot Gardiner Bach enfatiza a violência do ambiente em que o compositor passou a infância. Eram comuns as rivalidades entre gangues, as brigas entre estudantes e as maldades sádicas. O menino Johann Sebastian esteve ausente por 258 dias em seus três primeiros anos de escola. O motivo mais comum para tais ausências era a violência.

7. Ele apanhou de um fagotista

O episódio demonstra a violência que enfrentou o compositor até depois da adolescência. Em 1705, ocorreu uma briga com um estagiário fagotista chamado Geyersbah: voltando para casa ontem à noite, Bach viu seis músicos estudantes sentados em bancos de pedra e, quando passou por eles, Geyersbach foi atrás e o provocou, perguntando por que ele tinha sido insultado. Bach respondeu que não o tinha insultado, mas foi agredido mesmo assim.

8. Ele adorava café

O gosto de Johann Sebastian Bach para o café vem de sua participação na instituição de Gottlieb Zimmermann, o Café Zimmermann, onde o compositor apresentava-se regularmente durante a década de 1730. O café era uma novidade recente e sucesso absoluto naquele início de século XVIII. Na época, era encarado como uma moda passageira e um luxo. O compositor dedicou uma Cantata ao produto (BWV 211, a Cantata do Café) em que uma moça casadoura diz preferir a bebida a mais de mil beijos e afirma que só aceita casar com um marido que lhe dê café. No inventário de Bach, há menção a dois potes de café (um grande e um pequeno) e um açucareiro.

9. Ele bebia e bebia

Se o conselho da cidade de Leipzig tratava-o com dureza, deve-se notar que Bach gozou de relativa liberdade na cidade luterana. Ele fazia sua própria cerveja e pagava mais imposto sobre a produção desta do que gastava com habitação. As notas examinadas por seus biógrafos indicam que a família Bach consumia toneladas de cerveja. Um relatório de gastos com impostos do compositor em 1725 (tinha 40 anos) dá conta de um consumo espetacular, mesmo considerando família e alunos.

10. Tudo sobrava, sobretudo talento

A perfeição daquilo que criava e que era rápida e desatentamente fruída pelos habitantes das cidades onde viveu, era pura necessidade individual de fazer as coisas bem feitas. Como era pouco compreendido, brincava sozinho criando dificuldades adicionais em seus trabalhos. Muitas vezes o número de compassos de uma cantata corresponde ao capítulo e versículo da Bíblia daquilo que está sendo cantado. Em seus temas aparecem palavras — pois a notação alemã (não apenas a alemã) é feita com letras — , e suas fugas envolvem complexidades que só podiam ser apreendidas por especialistas. Então Bach era não apenas um fantástico melodista capaz amolecer as pernas de quaisquer ditadores — sei do que falo — , como um sólido teórico capaz de brincar com seu conhecimento. Em poucas palavras, pode-se dizer que o velho sobrava… Sua obra, mesmo com a perda de mais de 100 Cantatas e de outras obras por seu filho mais velho, o preferido de Bach, o maldito Wilhelm Friedemann, corresponde a 153 CDs da mais perfeita música. Grosso modo, 153 CDs são 153 horas ou mais de 6 dias ininterruptos de música.

Obs.: Um pouco traduzido, um pouco baseado em 10 (petites) choses que vous ne savez (peut-être) pas sur Jean-Sébastien Bach.

via Helen Osório

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Série de fotos de Joseph Szabo mostra como era ser jovem nos anos 70

Série de fotos de Joseph Szabo mostra como era ser jovem nos anos 70

Nasci em 1957. Então estas fotos me parecem muitos íntimas e conhecidas. São fotos norte-americanas, mas poderiam ter sido tiradas aqui.

todas as fotos © Joseph Szabo
via hypeness

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Boa noite, Abel Braga (veja os melhores lances e a obra-prima de Paulão em Inter 1 x 0 Goiás)

Boa noite, Abel Braga (veja os melhores lances e a obra-prima de Paulão em Inter 1 x 0 Goiás)

Abel, parabéns pela vitória choradíssima. Teu time não foi nada brilhante, mas fez o que tinha que fazer jogando sem Aránguiz, Alex, Nilmar, Fabrício, Cláudio Winck, Juan, Wellington Martins e Sacha. São oito jogadores. O futebol apresentado hoje deu para o gasto, mas, se quisermos a vaga para a Libertadores, há que melhorar. Ah, e voltaremos à questão dos machucados.

Não sei por quê, eu e meu filho Bernardo chegamos ao Beira-Rio às 16h. Uma hora antes do jogo. Digo-te, Abel, que a atmosfera era do mais profundo ceticismo quanto a teu time. Não sei se cético ou não, tinha um fisioculturista sentado com sua filha na minha frente. Usava uma camiseta sem mangas a fim de impressionar quem se impressionasse. Na camiseta, estavam estampadas uma propagandas de suplementos alimentares. Fiquei pensando em como aquele cara faz para coçar a cabeça com tanto músculo sobrando. Mas enfim, cada um com seus dramas e obstinações.

Nosso primeiro tempo foi até bom. Perdemos gols. O goleiro do Goiás praticou uma defesa milagrosa e Ernando acertou o poste após driblar o mesmo Renan. No segundo tempo, começou aquele dramalhão. O time, meu caro Abel, novamente cansou. Enquanto isso, o Goiás só se defendia, sem a mínima pretensão de atacar. Até que, quando as coisas estavam dirigindo-se para um melancólico 0 x 0, eis que Paulão comete uma obra-prima, marcando um gol de bicicleta após um escanteio.

Paulão: saiu da reserva para marcar este golaço.
Paulão: saiu da reserva para marcar este golaço.

Ah, pois é. Paulão saiu da reserva para marcar um golaço. Acho que tens razão, Abel, Paulão é banco mesmo. Porém, o que apavora o torcedor é que o time está estropiado fisicamente mesmo tendo desistido da Copa Sul-Americana e da Copa do Brasil. E hoje, mantendo a tendência de morte física, tu fizeste duas substituições por lesões musculares. Ou seja, o que sobrava para o meu vizinho de arquibancada — se aquilo no Beira-Rio ainda pode ser chamado assim — faltava para os nossos jogadores. Que preparo físico de merda é esse, Abel? Alan Patrick e o excelente Alan Costa saíram de campo com problemas musculares a fim de darem lugar a Valdívia e Paulão. E Bertotto saiu por estar TONTO devido ao esforço. Repito: que preparo físico de merda é esse, Abel? Pois o preparador físico é teu contratado, da tua equipe.

Como acabaremos o Brasileiro? Com todos no Departamento Médico?

Espero que o time esteja um pouquinho mais inteiro no próximo sábado, 22. O adversário não será o Goiás, Abel, será o Atlético-MG no Beira-Rio. Será que eles virão com os reservas, preservando os titulares para a final da Copa do Brasil, dia 26, contra o Cruzeiro? Rezemos que sim.

P.S. — Devo dizer que Rafael Moura jogou bem, assim como Willians, D`Alessandro, Ernando e, ainda mais incrível, Jorge Henrique. Os laterais, ambos, tu deves mandá-los embora amanhã.

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Na ativa, Chico Buarque chega aos 70 anos de vida e a quase 50 de carreira

Na ativa, Chico Buarque chega aos 70 anos de vida e a quase 50 de carreira

Publicado em 19 de junho de 2014 no Sul21

Provavelmente, poucas pessoas conseguirão falar com Chico Buarque no dia de hoje, em que ele completa 70 anos. Ele é um sujeito muito reservado. Quando fez 60 anos, mentiu que viajaria para Paris a fim de ficar tranquilo. Porém, na tarde daquele dia, fez alongamentos e correu no Leblon. Para aqueles que o questionavam, respondia “Viajando nada!”. E ria. É que este verdadeiro patrimônio da cultura nacional, compositor, cantor e escritor, esta figura pública que não evita falar em política, que é ao mesmo tempo lírico, nostálgico e porta-voz das mulheres, é um cidadão mais afeito à tranquilidade do que a inevitável notoriedade que alcançou sua obra. Aliás, a notoriedade veio rápida, alçando-o em menos de um ano do anonimato ao posto de unanimidade nacional, concedido informalmente pelo amigo Millôr Fernandes.

Chico-Buarque

Cedendo ao pecado da primeira pessoa do singular, digo que certa vez estava em Parati e, após alguns dias de contenção, resolvi gastar algum dinheiro. Fui jantar em um dos melhores restaurantes da cidade. Logo que sentamos na mesa escolhida do restaurante quase vazio, dois garçons vieram falar conosco. “Na mesa ao lado, o Chico Buarque jantará com uma de suas filhas e amigos. Ele não tolera fãs. Espero que o senhor não o incomode”. Um tanto contrariado pela observação, respondi que saberia me comportar. Minutos depois, muito sorridente, Chico chegou, fazendo questão de cumprimentar a todos antes de sentar-se com seus amigos.

Conto esta história porque o restaurante está “prenhe de razão”, como diria Julinho da Adelaide. Chico Buarque é um homem especialmente talentoso e bonito. As pessoas têm curiosidade sobre ele, principalmente as mulheres. Algumas das moças que nos acompanhavam talvez ficassem atrapalhadas ao vê-lo adentrar o restaurante com seus olhos verdes para sentar na mesa logo ao lado. Era melhor avisar mesmo.

Chico-Buarque-crianca

Francisco Buarque de Holanda nasceu em 19 de junho de 1944, no Rio de Janeiro, filho do historiador Sérgio Buarque de Holanda e de Maria Amélia Cesário Alvim Buarque de Holanda. Aos dois anos, mudou-se com a família para São Paulo. A primeira vez que apareceu na imprensa foi nas páginas policiais da Última Hora em razão de um ilícito: com um amigo, ele roubara um carro para passear. Acabou preso. A foto da delegacia foi parar na capa do disco Paratodos.

Chico Buarque paratodos

Quando trocou a editoria de Polícia pela de Cultura, havia um impasse na música brasileira. De um lado, estavam os defensores do samba tradicional e, de outro, o pessoal da bossa nova,com suas harmonias mais elaboradas. Chico nunca escolheu um dos lados pelo simples motivo de que tinha os dois em seu coração. Se suas letras revelavam um jovem nostálgico — ele parece reviver seu ídolo Noel Rosa (Chico diz que a maior canção brasileira de todos os tempos é Último Desejo) –, as harmonias não são mais as de Noel. É que em 1959, quando Chico tinha 15 anos, fora lançado o LP Chega de Saudade, de João Gilberto, e ele não passara incólume. Nem os vizinhos. Chico ouvia este disco tão repetidamente que a família Buarque de Holanda era alvo de reclamações.

sonho de un carnaval chico buarqueMúsica

Lançado há 49 anos, em 1965, seu primeiro compacto simples trazia duas canções: de um lado Pedro Pedreiro e do outro Sonho de um Carnaval. Pedro Pedreiro é uma canção com letra de conteúdo social, agregada a uma harmonia complexa que incorpora ao estilo tradicional o que lhe interessava da bossa nova. Chico nunca foi um revolucionário da arte, utiliza-se das formas disponíveis para elevá-las a um nível talvez inalcançável por nenhum outro artista popular. Suas combinações de letra e música deram tanto uma feição literária à MPB, como alçaram a música popular ao status de poesia.

Nos anos 60, Chico foi um estranho e talentoso jovem. Era um jovem nostálgico. Realejo e A Televisão mostram uma saudade esquisita em alguém de menos de 25 anos. Mas um de seus temas mais caros já se fazia presente: a preocupação com a condição feminina fazia-o criar personagens e ele convidava mulheres para cantar Com açúcar, com afeto e o dueto de Noite dos Mascarados. Ao lado destas, apareciam a malandragem de Noel em Logo eu? e o lirismo de Morena dos Olhos d´água, Januária e Olê Olá, por exemplo.

chico buarque de hollanda a bandaQuando foi lançada, A banda tornou-se um divisor de águas na carreira de Chico. Interpretada por ele e Nara Leão, dividiu o 1º lugar com Disparada, de Geraldo Vandré e Théo de Barros, no 2º Festival de Música Popular Brasileira, em 1966. Vendeu mais de 100 mil cópias em uma semana.

Por falar em 100 mil, Chico participou da passeata dos 100 mil, em 1968. Ele militou contra a ditadura militar compondo canções e peças que criticavam o regime, às vezes de forma explícita, e em outras buscando driblar a censura de maneira alegórica. Não chegou a ser preso, mas foi interrogado no Dops e no 1º Exército. Também em 1968, Chico venceu o 3º Festival Internacional da Canção, em parceria com Tom Jobim, com a canção Sabiá. O público vaiou Chico, Tom e o Quarteto em Cy. Preferia Pra não dizer que não falei de flores, de Geraldo Vandré. Em 1969, Chico recebeu convite para gravar um disco na Itália e cantar na França. Seguiu para Roma com Marieta, grávida da primeira filha. Ao saber da prisão de Gil e Caetano, decidiu não voltar. O casal passou 14 meses na Europa.

Construção_chico_buarqueA maturidade como compositor

Na volta, Chico lançou Construção (1971), um disco absurdamente bom e completamente distinto dos anteriores. Chico se modernizara em tudo: as letras não são mais nostálgicas, as citações ao samba não estão mais em toda canção e os arranjos de Magro (MPB-4) e Rogério Duprat deram a roupagem que as canções já mereciam mas não tinham. O disco tem de tudo: sambas de exílio, canções intimistas, acalantos e a grandiosidade de Construção e Deus lhe pague. As letras estão carregadas de críticas ao regime militar e às condições sociais do país. Além da preciosidade técnica da letra de Construção — 41 versos, todos terminando com um proparoxítono de três sílabas –, a canção revela o engajamento social de seu autor. Foi uma redefinição e tanto. É seu primeiro disco adulto. Na época, ele disse que xingou o Sabiá, abandonou a Rita e empurrou a Carolina da janela para fazer esse disco.

No âmbito da canção, era a maturidade chegando aos 27 anos. Nos anos seguintes, ele abriu mais frentes. Sem açúcar, que está em Chico Buarque e Maria Bethânia ao Vivo, trazia um amargor nunca antes ouvido em seus discos. Por outro lado, a censura incomodava. “Eles me encheram o saco, mas também enchi muito o saco deles”. O compositor teve dezenas de canções proibidas ou “tesouradas”, mas algumas escapavam. As principais foram Apesar de você e Cálice. Quando se deram conta do vacilo, os censores já não podiam impedir as ruas de cantá-las. A fim de burlar a censura prévia, o compositor inventou o sambista Julinho da Adelaide, que “escreveu” a notável Acorda amor. A identidade de Julinho foi revelada em 1975, numa reportagem sobre a censura publicada no Jornal do Brasil.

Em 1974, Chico estreou na literatura com Fazenda modelo, definida por seu autor como uma “novela pecuária”. No mesmo ano, ele lançou Sinal Fechado só com canções de outros compositores, além de Acorda Amor. O disco é excelente, mas demonstra as dificuldades com a censura. Mas a fileira de discos de obras próprias aparecia lotada de obras-primas.

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Meus caros amigos (1976), Chico Buarque (1978), Ópera do Malandro (1979), Vida (1980), Almanaque (1981) e Chico Buarque (1984), mais parecem antologias de melhores músicas do que discos regulares. Não há nada que seja de segunda linha, fato que obrigou a Almir Chediak, por exemplo, a lotar de canções os oito CDs de seu Songbook de Chico Buarque. (Songbook é um livro impresso com partituras, letras e CDs, de uma ou mais bandas ou músicos).

Musicalmente liberado, Chico tanto se valeu da eletrificação — Jorge Maravilha, Hino de Duran, A Voz do Dono e o Dono da voz –, quanto de ritmos estrangeiros — Fado Tropical, Tanto amar, Tango do Covil, Bancarrora Blues –, do charleston — Ai, se eles me pegam –, das marchinhas sacanas — Não existe pecado no lado debaixo do Equador e a sensacional Boi voador não pode, etc. Ele ainda explorava preferencialmente o samba e as delicadas valsas — Terezinha, Eu te amo, João e Maria — e revelava auto-ironia em Corrente — “Pra confessar que andei sambando errado / Talvez até precisa tomar na cara”) e Até o fim, além do drama nos versos de Olhos nos Olhos, Folhetim ,Mil Perdões e Bastidores.

Após 1984, a produção de Chico Buarque diminuiu em número, mas não em qualidade. Chico também desenvolveu discos em parcerias com Caetano Veloso e, principalmente com outro gênio da MPB, Edu Lobo. De Francisco (1987) a Carioca (2006) e Chico (2011), seus últimos trabalhos na música nada ficam a dever ao Chico dos anos jovens ou ao Chico maduro.

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Meu tempo é curto, o tempo dela sobra / Meu cabelo é cinza, o dela é cor de abóbora, canta Chico em Essa pequena, do disco Chico, certamente referindo-se a seu envolvimento com a cantora Thaís Gulin. Seu último disco é um esplêndido trabalho de canções de amor. Talvez a melhor música seja Nina, uma bela e imaginativa valsa de sabor russo e internético. Nina diz que tem a pele cor de neve / E dois olhos negros como o breu, canta.

A discussão sobre a relação entre a música, a letra de canção e a poesia é antiga. O Chico letrista escreve com profundo conhecimento das técnicas literárias, mas nunca perdem a comunicação e são embaladas por uma musicalidade interna quase natural. Herdeiro da linguagem urbana de Noel, estas incorporam elementos da poesia modernista de Manuel Bandeira, Drummond e Vinícius. A força da poesia das canções de Chico por muito tempo obscureceu a arte do melodista. Ainda mais que, mais recentemente, suas composições foram ganhando os elementos eruditos que lhe chegaram filtradas pela arte de Tom Jobim.

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Fazenda Modelo (1974) era quase uma brincadeira com A Revolução dos Bichos, de George Orwell. Estorvo (1991) não é um bom romance, mas revela que o romancista não é somente uma extensão do cancionista. Em Benjamin (1995) já havia uma voz própria, mas tudo mudou com o extraordinário Budapeste (2003). Não obstante as críticas geralmente negativas a Estorvo e Benjamim, estes e Budapeste foram adaptados para o cinema. Seu mais recente romance é Leite derramado (2009). É o mais reconhecido deles, tendo recebido o Jabuti de melhor ficção do ano. Na época da premiação, houve grande debate pelo fato de que muitos acharam o livro inferior ao segundo colocado Se eu fechar os olhos agora, do repórter da Globo Edney Silvestre. Leite é a biografia de um homem em meio aos tormentos da memória, que simboliza a formação do país e suas feridas sociais. Seus dois últimos livros apresentam boa variação temática — a questão dos duplos, a velhice, a geopolítica brasileira — e protagonistas em que a fronteira entre a realidade e a imaginação está pouco definida, o que torna seus relatos muito pouco confiáveis.

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Fontes consultadas:
— Fascículo dedicado a Chico Buarque da História da Música Popular Brasileira
Conheça 70 fatos marcantes da vida de Chico Buarque

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