Nós todos o conhecemos. Todos nós já o utilizamos. Mas alguma vez paramos para pensar de onde vem o nome do local conhecido como lavabo?
A palavra lavabo é o futuro do verbo latino lavare. Literalmente significa “Lavarei”. Até aí tudo bem. Não é sem lógica de que um local usado para lavar as mãos e outras coisas tenha um nome relacionado com o verbo lavar. Mas por que no futuro? É uma promessa? É para lembrar-nos de uma obrigação?
A explicação deve ser procurada nada mais nada menos do que no rito da Missa Tridentina, que é a que vem do Concílio de Trento. Como é sabido, esta é oficiada em latim. Durante a cerimônia, antes de tocar o anfitrião, o padre lava as mãos e recita o Salmo 26, 6, que diz:
Lavabo inter-manus meas Innocentes circumdabo et altare tuum, Domine.
Isto é:
Lavarei minhas mãos entre os inocentes e darei uma voltinha pelo teu altar, Senhor.
Eu sempre me aproximo com receio de obras escritas por acadêmicos. Nelas, às vezes tudo fica muito esquisito, com os rodapés crescendo quase tão altos quanto a parede. Por isso, foi uma surpresa abrir a obra do historiador Éder Silveira e ver-me logo envolvido por temas culturais fundamentais do Brasil, acompanhados de elegância, boa prosa e comentários consistentes. Antes de descerrar esta cortina de elogios, aviso que sim, há os malditos rodapés, mas o autor esforçou-se para integrá-los ao texto. Deste modo e erguendo o nariz para alguns deles, a leitura ioiô ficou reduzida.
Oswald ponta de lança e outros ensaios trata de temas culturais e políticos da primeira metade do século XX, com foco na Semana de Arte Moderna de 22 e suas margens. São textos cheios de informação — e algumas fofocas — sobre figuras como Monteiro Lobato, Anita Malfatti, Mário de Andrade, Di Cavalcanti e Oswald. Para mim, o verdadeiro interesse do livro está no fato de que o autor cuida mais da algaravia geral. Isto é, cuida menos de suas individualidades e mais de suas obras e dos diálogos entre eles e a política da época, vertidas principalmente em artigos publicados em jornais. No início do século passado, não havia tanto compadrio entre os autores brasileiros e muitas vezes uns criticavam aos outros. Também mudavam de opinião, o que é saudável. Ou seja, o ambiente intelectual não estava boiolizado como o que vemos hoje.
(Bem, antes que a patrulha da correção me alcance com seus dedos pegajosos, informo que boiola tem também o significado de indivíduo fraco ou medroso, tá? OK? Certo? Então tá, podem abraçar seus dicionários e dormir tranquilos).
E, além de não haver tanto compadrio, era uma época agitada, com o vanguardismo tentando abrir a golpes de facão as brumas parnasianas e naturalistas. O painel que os textos do livro toca é amplo — vai desde o higienização de Lobato até as lutas de Oswald contra o “desprezo pela inteligência” na direção do PCB, das tendências nacionalistas e conservadoras do modernismo brasileiro até o humor praticado pelo movimento, do encantamento e à frustração dos dois Andrades e, é claro, de muitos e muitos projetos irrealizados.
A pergunta de fundo não é nada fácil: o que é o Brasil, qual é sua identidade? É claro que a resposta não está no livro, mas a discussão é bonita.
Livro fundamental para quem se interessa por cultura no Brasil.
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O historiador Éder Silveira confirma com o indicador: é o único gremista que sabe escrever em Porto Alegre | Foto: Joana Berwanger / Sul21
Obs. final: o que me deixa encafifado é o fato de tão bom autor ser gremista, incidência que ele não declina em seu livro. Por anos, o mítico Impedimento andou procurando bons cronistas gremistas. Os resultados foram claros: eles não sabem escrever direito. Os raríssimos bons ou eram deprimidos ou não se mostravam suficientemente disciplinados para a tarefa. O único azul que escreve bem — além de dançar tango — em Porto Alegre é Sergio Faraco. Ele torce para o Cruzeiro, sim, o cruzeirinho de Erico Verissimo e Moacyr Scliar. O outro é Peninha.
A posição anti-política é política. É tolo pensar que se vota contra a política, vota-se por outra política. E isso ficou claro em muitas e muitas cidades do Brasil neste domingo.
Obs.: “Ninguém” é a soma de abstenções, votos nulos e brancos. Vejam abaixo como como no Rio e em BH, o “Ninguém” foi tão forte que nem teria segundo turno…
Resultado Oficial São Paulo
1. Ninguém: 3.096.186
2. Dória (PSDB): 3.085.181 (Candidato “Eu não sou político”)
3. Haddad (PT): 967.190
_______________________ Resultado Oficial Rio
1. Ninguém: 1.866.621
2. Crivella (PRB): 842.201
3. Freixo (PSOL): 553.424
_______________________ Resultado Oficial Curitiba
1. Ninguém: 360.348
2. Greca (PMN): 356.539
3. Ney L. (PSD): 219.727
_______________________ Resultado Oficial Porto Alegre
1. Ninguém: 382.535
2. Marchezan (PSDB): 213.646 (diz que não é nada — não tem posição política).
3. Melo (PMDB): 185.655
____________________ Resultado Oficial Belém
1. Ninguém: 265.731
2. Zenaldo (PSDB): 241.166
3. Edmilson (PSOL): 229.343
_______________________ Resultado Oficial Belo Horizonte
1 – Ninguém: 741.915
2 – João Leite (PSDB): 395.952
3 – Alexandre Kalil (PHS) 314.845
Multidão comemora a ida de Marcelo Freixo, do PSOL, ao segundo turno das eleições para a prefeitura do Rio de Janeiro
PSDB ganha prefeitura de S. Paulo, que era do PT, com candidato milionário que diz não ser político. PSOL disputa no 2º turno prefeituras do Rio de Janeiro e de Belém. Por Luis Leiria, do Rio de Janeiro.
Um primeiro levantamento do resultado das eleições municipais de domingo no Brasil tem de arrancar de três factos: houve uma importante vitória dos partidos da direita que apoiaram o impeachment da presidente Dilma Rousseff, principalmente PSDB e PMDB; ocorreu o esperado desmoronamento do PT, que perde para o PSDB, já na primeira volta, a mais importante prefeitura do país, a de S. Paulo, cidade com uma população semelhante à de Portugal; e confirmou-se o crescimento do PSOL, que vai disputar no segundo turno (30 de outubro) as prefeituras do Rio de Janeiro e de Belém e se postula assim a ocupar, a médio prazo, o espaço à esquerda que o PT abandonou de armas e bagagens.
Marcelo Freixo, do PSOL, disputará o 2º turno no Rio de Janeiro
Como prevíramos num artigo anterior, Marcelo Freixo, do PSOL, afastou do 2º turno o candidato do PMDB e do atual prefeito e obteve uns sonoros 18,26% dos votos, quando a última sondagem lhe dava apenas 11%. Marcelo Crivella, pastor da igreja Universal e senador do PRB, que ganhou a eleição com um resultado inferior ao que lhe era atribuído pelas sondagens 27,78%, disputará com ele o 2º turno.
Note-se que a eleição do 2º turno, que se realiza a 30 de outubro, é toda uma nova eleição, até porque desta vez os candidatos têm as mesmas condições, nos debates de TV e nos tempos de antena, que agora serão iguais. No primeiro turno, Crivella tinha 1’11” de TV diária, e Freixo apenas 11”. E o candidato do PSOL foi afastado do primeiro debate da TV, só participando nos seguintes com muita pressão nas ruas e nos tribunais.
“Não podemos mais sair das ruas e das praças depois desta vitória histórica”, proclamou Freixo diante da multidão que se reuniu junto aos Arcos da Lapa, no centro do Rio de Janeiro, para comemorar o resultado. “Agora estão em disputa dois projetos muito diferentes para a cidade, o nosso, da esquerda, e o do Crivella. Os outros partidos terão de escolher entre um e o outro, ou se ficam indiferentes”, desafiou o candidato do PSOL, que já recebeu o apoio da candidata do PC do B, Jandira Feghali.
Destaque-se que nenhum dos dois partidos que disputarão a prefeitura do Rio no dia 30 é dos principais do sistema político brasileiro: o PMDB, que perde a Prefeitura, ficou relegado para os 16,12% e o terceiro lugar; e o candidato do PSDB ficou em 6º lugar com 8,62%; a candidata do PC do B, que era apoiada pelo PT e contou com a participação de Lula num evento da sua campanha, ficou em 7º lugar com 3,34%. De registar os preocupantes 14% do candidato de extrema-direita Flávio Bolsonaro, em 4º lugar.
O PSOL disputa também o 2º turno das eleições em Belém: o atual prefeito Zenaldo Coutinho, do PSDB, concorrerá contra Edmilson Rodrigues, do PSOL, que já foi prefeito da cidade quando era do PT. Dois outros candidatos do partido que tinham possibilidades de permanecer na disputa viram-se arredados do 2º turno: em Porto Alegre, Luciana Genro, que chegou a liderar as sondagens, ficou em 4º lugar com 12,06%, e em Cuiabá o Procurador Mauro, do PSOL, que ficou à frente em quase todas as sondagens, acabou em 3º lugar com 24,85%.
PT esvazia-se
O Partido dos Trabalhadores, que já foi o terceiro maior partido do país em número de prefeituras, só garantiu, nas capitais, a vitória no primeiro turno de Rio Branco, capital do estado do Acre. Nas restantes capitais, o partido só disputa o 2º turno em Recife. O seu aliado PC do B disputa o 2º turno em Aracaju.
A maior derrota do PT ocorreu na capital de S. Paulo, onde Fernando Haddad ficou em segundo lugar, com 16,7% mas perdeu a eleição porque João Doria, do PSDB, suplantou os 50% dos votos válidos (teve 53,28%) e por isso foi eleito logo no primeiro turno. O PT perdeu ainda outras duas capitais, Goiânia e João Pessoa.
Na Grande S. Paulo, os candidatos petistas foram derrotados em cidades consideradas berço do partido, como S. Bernardo e Diadema, que eram governadas pelo PT mas onde os candidatos do partido ficaram em 3º lugar. Em Osasco, o prefeito Jorge Lapas fora eleito pelo PT mas transferiu-se para o PDT, e é nesse partido que irá disputar o segundo turno. Noutra cidade da Grande S. Paulo governada pelo PT, Guarulhos, o candidato do partido também ficou fora do segundo turno. Outro caso de prefeito do PT que decidiu mudar de partido foi o de Niterói, no Grande Rio de Janeiro, que abandonou o barco para não afundar com ele, e é como candidato do PV que irá disputar o 2º turno. Das 642 prefeituras conquistada em 2012, o PT já perdera 108, em casos, como o de Niterói, em que o prefeito se mudou para outro partido.
Governo Temer reforça-se com os resultados
O PMDB de Michel Temer deverá continuar a ser o partido com o maior número de prefeituras. E as vitórias do PSDB (que, depois de duas eleições sucessivas a perder espaço municipal, voltou a crescer e conquistou S. Paulo logo de primeira) e do DEM, que viu o seu prefeito reeleito em Salvador diretamente no primeiro turno, além de vitórias de outros partidos que apoiam o governo, também dão um confortável suporte ao governo de Temer.
A grande vitória do PSDB de S. Paulo foi arquitetada pelo governador Geraldo Alckmin, que decidiu lançar um homem de fora do aparelho político, o empresário e apresentador de talkshows João Doria Jr., para a prefeitura da capital paulista, numa candidatura que teve a ascensão de um cometa. Milionário que declarou ao TSE um património de 180 milhões de reais, Doria fez uma campanha em que se apresentava como “não político”, mas sim como administrador, que se propõe desestatizar S. Paulo, para aligeirar a sua máquina que, segundo ele, “é muito pesada e não anda”.
No total, 54 cidades vão a segundo turno no próximo dia 30 (só há 2º turno em cidades com mais de 200 mil eleitores), das quais 18 são capitais de estado.
Mesmo que só a conheça pelo Facebook, é um privilégio ser amigo de Asli Berktay. A Elena certamente concorda. Nunca nos vimos pessoalmente, mas talvez possa escrever algumas linhas mais ou menos objetivas a respeito dela. Ela nasceu na Turquia e é doutora em Estudos Latino-americanos pela Tulane University (EUA). Penso que é historiadora — sim, não tenho certeza — mas é tão multi-facetada que pode ser o que quiser. Escreve sobre antropologia, política, música, literatura, gatos e o escambau, sempre com extremo conhecimento. Como eu, detesta as pessoas que chutam sobre qualquer assunto. (Lembro de uma postagem irritada onde reclamava das pessoas que “podiam se permitir pensar e falar qualquer coisa”). Tem trinta e poucos anos e fala sei lá quantas línguas, mas não de um jeito estropiado, como vocês poderão notar pelo texto abaixo, escrito por ela em português. Diz que é “possuidora desesperada de Wanderlust, existindo entre a África, o Brasil, as costas do Caribe e do Egeu”. É realmente complicado explicar Asli, tal é a amplitude da moça. Ainda mais que creio ter lido que ela aprendeu a ler em francês… E que gostava de jogar futebol… Tenho em meu micro vários de seus textos, pois não quero perdê-los no pântano volátil do Facebook. Mas querem saber porque acho estranho apresentar a Asli? Porque seu currículo não me interessa. Me interessa o que ela compartilha com um monte de gente, incluindo eu e a Elena. Me interessa a poesia do que escreve e a beleza de suas fotos, onde se vê claramente sua inteligência e seu interesse por tudo. Abaixo, ela escreve uma crônica familiar que toca em sua formação, principalmente a literária. Achei interessante porque minha mãe falava em “arte perecível” e mandava eu ler ou ouvir apenas coisas de mais de 30 anos. Isto é, aquelas tivessem sobrevivido a este período. Era uma variação sobre o padrão de qualidade defendido pela avó da Asli. Ah, e minha mãe também jamais diria “merda”.
Ao centro, Asli em uma de suas mais lindas fotos
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Hoje acordei com uma recordação vívida de algo ocorrido há mais de 20 anos. Eu deveria ter 12 ou 13 acho, e estava com a minha avó paterna durante o verão na casa de férias dela em Bodrum. Sim, Bodrum, aquele balneário onde foi encontrado o corpo de Aylan Kurdî. Eu passava umas três semanas com ela cada verão, e o nosso ritmo era quase sempre o mesmo, alternando-se entre o mar, a comida, e longas horas de leitura. Minha avó e o marido dela, o meu avô nunca conheci, eram comunistas ardentes que espalharam uma forte disciplina comunista a todas as partes das suas vidas, e sobretudo na educação dos filhos. Meu pai pegou bastante disso também e eu passei pelas consequências. Já não sobrava muito ao nascimento da minha irmã quando eu já tinha quase 15 anos, e ela só conheceu a nossa avó no final da vida dela, quando ela já estava condenada à cama. Mas eu sim peguei a minha dose dessa disciplina.
Bom. Então, essas longas horas de leitura não eram livres, claro. Eu sempre tinha listas, livros que precisava ler para completar a minha educação. Naquele verão, a necessidade que via a minha avó era mais forte ainda, pois aquela Asli adolescente tinha começado de ler histórias de horror e tal, assim como outras coisas que a minha avó considerava de baixíssima qualidade. Então, ela decidiu que aquele verão ia ser de literatura russa. Com 12 anos, eu já tinha lido os “mais clássicos” para assim dizer: Tolstoy, Dostoyevski, Pushkin, Pasternak. Os textos integrais claro, o oposto teria sido inimaginável. Lembro muito bem que após ter terminado Doutor Jivago, as únicas imagens que ficaram na minha mente eram de frio e um monte de gente tomando vodka. Quando não tinha vodka, eles bebiam álcool isopropílico. Vá entender o sentido que faz de dar um livro desses a uma menina de 11 anos!!
Então naquele verão a minha educação de literatura russa era para ser completada. Começou por Chekhov que eu gostei bastante, e incluiu uma tortura demorada dos quatro volumes de And Quiet Flows The Don (para nós, O Don Silencioso) de Sholokhov. Não faço ideia de como foi traduzido ao português. E uma vez parado o devagar e difícil fluxo do Rio Don, chegou a hora de Lermontov. Naquela hora, a menina de 12 ou 13 anos já estava de saco cheio mesmo. E Lermontov chegou com umas imagens horrorosas de cossacos torturados, um com a orelha cortada por aqui, outro sem língua por ai. Violência por todas partes, sangue correndo em todas as direções. Já era a hora de uma conversa séria com a minha avó. Então me preparei, aperfeiçoei o argumento de “se você não quer que eu leia livros de crime por causa da violência e o horror, o quê será isso” e a enfrentei. Fiz um belo discurso de uns vinte minutos, fiquei satisfeita, achando-me muito convincente.
A minha avó ouviu tudo, me olhou por uns minutos, sorriu e foi procurar um dos meus livros de crime/horror de baixa qualidade. Disse que o tinha trazido com ela para quando esse momento chegar. Ao me passar o livro, ela afirmou que ia chegar o dia em que eu ia saber diferenciar entre horror de alta e de baixa qualidade. Ela queria, pelo menos, ter-me apresentado a essa primeira categoria. Também, ela sabia que eu sempre ia gostar da segunda categoria também, que isso fazia parte da minha natureza. E que eu sempre ia ser uma pessoa diversificada, e muito dividida. Mas a responsabilidade dela era me apresentar o padrão de qualidade, para eu logo poder saber quando lia merda, assistia merda, ou fazia merda, que aquilo era merda mesmo. Claro que para ela, o que era “merda” não estava aberto a discussão, ela sabia o que era merda e o que não. E mulher fina que ela era, ela não disse merda, mas já sabia que a expressão que eu ia usar um dia ia ser essa. Concordou que merecia um descanso, então me deixou ler merda à vontade por um tempo. Lembro que, depois desses dias, voltei para Lermontov e acabei de ler os três livros que tínhamos trazido à praia. As únicas imagens que realmente ficaram comigo são ainda de cossacos torturados e de paisagens de desolação. A saudade que sinto pela minha avó, por outro lado, é enorme, e cheia de imagens cada vez mais vivas…
Sou contra e acho graça. Não quero um país onde mais de um terço da população seja formada por paranaenses. Nem por gaúchos. Populações que elegem Beto Richa e Sartori merecem tsunamis, não um país.
Além do mais, vão querer me tirar o orgulho de ter nascido no mesmo país de Machado de Assis, Guimarães Rosa e Manuel Bandeira?
Ah, e este tipo de campanha é crime, segundo nossa Constituição.
Obrigado, Seijas. Também em campo, dá para notar que tu encaras o problema.
Não queria escrever hoje. Não por tristeza ou algo do gênero, mas porque é repetitivo. O Inter comete sempre os mesmo erros. Então, vamos tentar achar as diferenças do jogo de ontem em relação aos outros. Ontem, quando reagimos, Celso Juarez Roth foi empilhando volantes até chegar ao número de quatro: Dourado, Fabinho, Bob e Eduardo Henrique. Ele ainda não tinha feito isso e nenhum treinador o faz, ainda mais quando perde o jogo, mesmo por um placar aceitável. De onde Argel — pois foi um pedido de nossa Ameba I — tirou este Fabinho, meu deus? O homem está sempre apavorado! E quem explica a contratação de Marquinhos?
Outra novidade? Vitinho entrou bem.
Mais: os dois gols do Santos nasceram de trocas de bolas pelos lados em que o jogador santista ficou livre para olhar, escolher com calma e cruzar. Nossos jogadores são cones que não conseguem marcar os deslocamentos dos adversários. O cara fica livre, olha e olha, cruza e gol sai. Duas vezes.
Por exemplo, na imagem abaixo, os jogadores 4 e 5 foram ultrapassados pelo cara de branco próximo a eles e que vai cruzar depois do passe óbvio do cara que está ao lado do jogador 7 do Inter. O que fazem 8 e 9? Batem um papo, observando os babacas 4 e 5.
Sistema de marcação do Inter: baratas tontas.
OK, já entendi. Carvalho quer ir até o fim com Juarez. Meu grande amigo Roberto Mastrangelo Coelho está em surto pedindo Mário Sérgio. Ele tem razão. Seria uma ótima pedida. Ele sabe escalar, substituir e é um motivador. Juarez não é capaz de nenhum destes três itens. Mário seria o nome ideal para tentar nos salvar. Daqui alguns dias, jogaremos contra Palmeiras, Flamengo, Corinthians, etc. e aí não haverá mais remédio que cure. O louco Lisca poderia ser também interessante.
O que me desespera não é o impossível. Não me desespero por Romy Schneider ter cometido suicídio antes de me conhecer. O que me desespera é o possível não alcançado. Ah, nossa direção… Cometeu erros sobre erros. Piffero e Carvalho obinaram e ainda estão obinando. De minha parte, estou em tranquilo desespero, rindo do Inter, ou seja, rindo de mim.
Uma coisa que me surpreende é nossa impotência. Quem não tem mais nada a perder costuma ser perigoso — mesmo quem cai para a segunda divisão vence aqui e ali, comete seus crimes — , mas o Inter não é capaz nem disso. Uma vitória em 21 jogos — 19 destes no Brasileiro. Estamos indo para o matadouro sem ousar, com Juarez e suas soluções anos 90.
Para completar, Seijas está mais indignado do que Carvalho e Roth, que riem da “incompreensão” dos repórteres durantes suas lamentáveis entrevistas. Melhor não escalar o venezuelano, né?
Tão boa a noite de ontem. Aproveitamos bem uma das últimas noites frias de 2016. Lá vem o longo período de canícula. Fomos ao concerto da Ospa com Beatriz Gossweiler, ex-clarinetista da orquestra, hoje aposentada. Tiramos a moça de casa para que ela revisse seus colegas tocarem. O programa era o Concierto Levantino de Manuel Palau e o Concerto para Orquestra de Béla Bártok, obra que ela adora.
Sobre o concerto para violão de Palau. O Salão de Atos da Ufrgs não tem boa acústica e, no caso de concertos para instrumentos menos potentes, a coisa ainda piora. Se o violão de Fabio Zanon era audível, também estava claro que perdíamos muita coisa. Quando a orquestra entrava junto, era complicado de ouvir. E a peça era daquelas que só interessam aos violonistas. Durante a música, sentado na nossa tradicional fila P, olhei para o lado esquerdo, duas pessoas dormiam; olhei para o direito, uma. Muito melhor foi o bis, quando Zanon tocou a Dança Espanhola nº 5 – “Andaluza”, de Granados. Aí sim, em versão solo, apareceu o grande e sofisticado solista que já conhecia. Quem não sabe que precisamos de uma Sala Sinfônica em nossa cidade? Aliás, no jantar após o concerto, lembramos daquelas pessoas que rejeitaram o atual Shopping Total como local para a Ospa. Lembramos que o democratismo de resultados nulos do então prefeito José Fogaça deu enorme espaço àqueles imbecis dos “Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho” que gritavam que “resistir é preciso”. Resistir à Cultura é preciso.
Abaixo, coloco para vocês o que ouvimos no bis. Vale muito a pena clicar.
O Concerto para Orquestra foi composto num período difícil da vida de Bartók. Ele estava desde 1940 exilado nos EUA, após assumir corajosamente posições públicas de condenação à políticas nazistas. O húngaro experimentava sérias dificuldades econômicas, de adaptação e também de saúde — sofria com a leucemia que o levaria à morte em 1945. Doente e muito pobre, sobrevivia graças à ajuda de amigos, que lhe faziam encomendas. E ele só respondia com obras-primas. Uma destas encomendas foi do regente russo Serge Koussevitzky, que dirigiu a Sinfônica de Boston por 25 anos. Este encomendou uma obra para orquestra, “do jeito que você quiser”.
Bartók compôs a peça em um curto período de trabalho intensivo, de agosto a outubro de 1943. Fazia dois anos que não escrevia nada. Estreada no ano seguinte – em 1º de Dezembro de 1944, no Carnegie Hall de Nova Iorque, com Serge Koussevitzki regendo a Orquestra Sinfônica de Boston –, a obra foi um enorme sucesso de público. Calculando bem para evitar um confronto com Mahler e com a Sagração, Koussevitzki descreveu o Concerto para Orquestra como a melhor obra orquestral dos últimos 30 anos.
“O surpreendente título deste trabalho — Concerto para Orquestra — indica a intenção de tratar os instrumentos individualmente ou em grupos de forma concertante ou solista. O tratamento “virtuose” aparece em vários momentos”, escreveu Bartók, que esteve presente à estreia. Bartók utilizava a proporção áurea em suas composições, na forma da Sequência de Fibonacci. Como leigo, não sei localizá-la, mas é fato que ouço em suas obras extrema lógica e proporção. A estrutura do Concerto para orquestra é semelhante à da 7ª Sinfonia de Mahler. Ambas têm cinco movimentos simétricos. Em Bartók, o movimento central é lento (Elegia), em Mahler é um scherzo. Em Bartók, o segundo e o quarto movimentos são scherzi, em Mahler são “músicas da noite”. E ambos iniciam suas obras com movimentos lentos e as finalizam na maior festa.
Os dois scherzi de Bartók são dignos do nome. São brincadeiras de verdade. No primeiro, Giuoco delle coppie (Jogo das Duplas), os instrumentos entram em duplas, claro. Se ouvir é ótimo, ver ao vivo é muito melhor. A música passa de uma dupla à outra de modo muito cênico. E como estiveram bem a dupla de oboístas — Javier Balbinder e Rômulo Chimeli — e de flautistas — Artur Elias Carneiro e Ana Carolina Bueno! No outro scherzo, há uma curiosidade. Bartók tinha ouvido a 7ª Sinfonia, “Leningrado”, de Shostakovich no rádio, quando estava no hospital. Esta é uma sinfonia sobre a guerra que tanto estava fazendo sofrer Bartók. Pois sabem que ele roubou o tema da Marcha de Shosta, transformando-o em algo quase irreconhecível é cômico? Pois é.
Animado com o resultado de seu Concerto, Bartók reviveu, voltando a compor. Apressou-se para completar sua Sonata para Violino Solo — outra obra-prima — encomendada por Yehudi Menuhin e o último dos seus notáveis três Concertos para Piano, além de aceitar uma nova encomenda para escrever um Concerto para Viola para William Primrose, o qual ficou incompleto em poucos compassos. A leucemia venceu-o em 1945.
A imensa repercussão do Concerto para Orquestra levou o público a ser menos, digamos, hostil para com os trabalhos anteriores de Bartók. E eles passaram a integrar o repertório das salas de concerto. Lembro que quando li Solo de Clarineta — revejo de memória a fonte do livro e penso que talvez tivesse sido em O Senhor Embaixador — , de Erico Verissimo, ele citava os Quartetos de Bartók como as maiores obras musicais do século XX. Não sei, mas podem ser sim.
Falarei pouco sobre a execução de ontem. O resultado seria melhor se o excelente maestro Nicolas Rauss tivesse recebido mais tempo para trabalhar. É impossível preparar de quinta para terça uma peça difícil como o Concerto. Só que Rauss obteve um resultado excepcional, juntamente com a Ospa. Ainda que um pouco estropiada, a música e o espírito de Bartók estavam lá. Rauss é um mestre. Putz, deve ter se esforçado muito,
Depois do concerto, rimos muito durante o jantar — não, não rimos do concerto –, mas esta é outra história.
Penso que, dentre os compositores mortos recentemente e os que já têm carreira bem divulgada, Alfred Schnittke (1934-1998) seja o melhor deles. Eclético e provocador, fazia tanto música moderna como buscava referências no passado, além de usar e abusar como poucos da paródia e do humor. O assustador Rondó final de seu Concerto Grosso Nº 1 traz a uma instrumentação barroca uma música que… Bem, aos 2min41 começa um tango! A Far Cry, grupo que interpreta o movimento, é um interessante conjunto de cordas de Boston que atua sem regente.
O vídeo acima me foi apresentado pelo Gilberto Agostinho.
Abaixo, outro exemplo da qualidade de sua música: o sétimo movimento da Cantata Fausto, Es geschah.
Um teto todo seu (A Room of One`s Own, 1929) é um dos mais surpreendentes livros da célebre ficcionista inglesa Virginia Woolf. A primeira surpresa é o fato de não ser ficção; a segunda é a absoluta ousadia no trato do assunto abordado: o feminismo. Mas há mais.
O livro nasceu a partir de duas palestras chamadas “As mulheres e a ficção”, proferidas por Virginia para a plateia essencialmente feminina da Sociedade das Artes, na Londres de outubro de 1928. O texto de Virginia tem a qualidade estupenda de seus livros da época. Mrs. Dalloway (1925), Passeio ao Farol (1927) e Orlando (1928) foram seus predecessores; As Ondas (1931) deu continuidade à série de obras-primas. Encrustado na sequência principal de romances de Virginia, o ensaio Um teto todo seu não decepciona de modo algum. O livro tem cerca de 140 páginas. Não pensem que ela o leu por inteiro em duas noites – algo como 70 páginas por dia – , na verdade o texto foi bastante ampliado para publicação logo após as palestras.
Intermezzo: é notável a sorte de Virginia Woolf no Brasil. Seus tradutores foram extraordinários: Orlando foi traduzido por Cecília Meireles; Mrs. Dalloway, por Mario Quintana; As Ondas e Entre os Atos, por Lya Luft em fase pré-Veja e pré-Yeda; Passeio ao Farol, por Luiza Lobo e Um teto todo seu, recebeu tratamento impecável de Vera Ribeiro. Muita, muita sorte. Fim do intermezzo.
Dotado da mesma prosa alegre e saltitante de Mrs. Dalloway e Orlando, Um teto todo seu trata do feminismo de forma levíssima, mesmo que afirme as coisas mais terríveis sobre a vida da mulher. Alegre, feliz e livre de todo rancor, como na foto abaixo, à esquerda, Virginia Woolf cria algumas imagens fortíssimas que ficaram célebres. A primeira é a da irmã de Shakespeare, Judith. Tão talentosa quanto o irmão, ela teria vivido subjugada por tarefas domésticas e todos os seus esforços para demonstrar seu talento teriam sido esmagados pela família. Então, desesperada, ela foge, apresenta-se num teatro de onde é sem mais nem menos enxotada, para depois prostituir-se e suicidar-se. A outra é da escritora fictícia Mary Carmichael. Ela não é muito boa, sua frase é dura e seu romance, que Virginia finge ler, é mais ou menos chato. Só que lá pelo meio há uma frase: “Chloe gosta de Olivia”. E então, finalmente, naquele livro bem ruinzinho, apareceu a Grande Mudança, pois às vezes mulheres gostam de mulheres, não?
Seu raciocínio, até desembocar na tese do Teto e das 500 libras anuais, é brilhante. Virginia Woolf parte das precursoras da literatura inglesa até chegar na grande explosão do século XIX, com o aparecimento de Jane Austen, das irmãs Brontë, Emily e Charlotte, além da grande George Eliot que, em verdade, chamava-se Mary Ann Evans. Suas obras-primas não nascem de gênios isolados, mas após anos e anos de labuta conjunta. A experiência apresentada por estas escritoras dá forma perfeita ao que veio antes, à tradição. Então, escreve Woolf, Jane Austen deveria ter depositado uma coroa de flores no túmulo de Fanny Burney e George Eliot deveria ter rendido homenagem à resoluta Eliza Carter, a bravíssima escritora que amarrava uma sineta na armação da cama de forma a não dormir muito e poder estudar grego. E todas elas deveriam derramar flores sobre o túmulo de Aphra Behn, que está enterrada – surpresa! – na Abadia de Westminster, pois foi ela quem começou a assegurar a todas o direito de dizerem o que pensam. Trata-se de parafrasear o velho e bom Newton, físico presente em quase todas as opiniões literárias da tradição inglesa que costuma sempre dizer que “Se vemos mais longe, é por estarmos em pé sobre ombros de gigantes”.
Woolf faz questão de deixar claro que, casualmente ou não, as escritoras que foram melhor sucedidas são aquelas que guardaram para si seu justo rancor. Se Austen ressentia-se contra sua sociedade e família – e ressentia-se, basta lê-la com profundidade – , tratou de passar ao largo das longas tardes em que escrevia seus livros na sala sob as constantes interrupções das “coisas que são tarefas de mulher”. (Pois as mulheres do século XIX nasciam e morriam trabalhando para os homens). De George Eliot nunca se ouviu nada, pois ela se fingia de homem… Porém, em Jane Eyre, Charlotte Brontë teve seu pior momento ao escrever claramente um trecho rancoroso, o que não fez Emily, de coração de poeta e maior talento. Ah, as questões seculares! García Márquez e Saramago e todos os que podem aspirar à imortalidade preteriram-nas em suas grandes obras em favor das parábolas.
O livro, escrito nove anos após as mulheres obterem direito de voto na Inglaterra, é uma ampla análise da situação da mulher e de sua relação com o dinheiro. Virginia Woolf insiste em que as mulheres precisam de duas coisas para criarem uma nova literatura: um teto todo seu, ou seja, um quarto que pudesse ser trancado à chave para escrever, e uma renda de aproximadamente 500 libras anuais. Para tanto, a mulher deveria trabalhar (Virginia fazia parte da Liga do Trabalho Feminino) a fim de obter alguma independência.
Sim, as teses estão bem amarradas – por exemplo, Virginia demonstra que todos os bons poetas de sua época são abastados… – , mas o milagre do livro é o que subjaz às teses. É o tremendo talento da autora para fazer nascer seus argumentos e frases num texto vertiginoso, agradável e sem lugar para gritos ou deselegância. É um feminismo dócil? De modo nenhum. É um feminismo culto, fino, esclarecido, isso sim. E duríssimo e de resultados.
Larguei o Inter de mão. Assisto os jogos — pela TV — apenas para conferir a queda. Toda decadência é muito literária, interessante do ponto de vista estético. E a insistência com Celso Juarez Roth faz parte disso. As bisonhas declarações ensaiadas de Juarez e Carvalho, a exaltação mentirosa do bom futebol apresentado em mais uma derrota, as substituições desastradas no meio do segundo tempo e que pioraram muito o time, a manutenção de Seijas e Nico no banco, tudo é muito burro. Parece que as pessoas que “comandam” o clube têm pressa para que o Internacional caia logo, tal é a falta de reflexão. São tentativas tão mágicas quanto as entrevistas.
Pois há tanto nervosismo que a incapacidade natural de Roth e Carvalho fica amplificada e a impressão é a de que eles estão empurrando o clube para a queda, como fazia Flávio Obino na última queda do Grêmio. As entrevistas são perfeitas para irritar o mais calmo dos colorados. Ontem, desliguei o rádio quando Roth deu sua primeira risada “tranquilizadora”. É a típica risadinha que me fode.
Quem quiser ir ao estádio para apoiar incondicionalmente o clube que vá. Eu estou fora, pois iria só para vaiar, mesmo em caso de eventual vitória.
Caímos e, sinceramente, estou mais curioso com a movimentação eleitoral que já deve estar rolando silenciosamente para que ninguém diga que “estão atrapalhando a tentativa de recuperação do time”. O Inter é o pior time do segundo turno, venceu uma partida das últimas 19 no Brasileiro. Ou seja, a tendência é que se afaste ainda mais do 16º lugar, aspiração suprema do time montado por Piffero e (má) companhia.
Os números dos estatísticos só crescem. Agora já temos 70% de chances de rebaixamento e não esqueçam destes nomes:
Vitório Piffero, Argel Fucks, Carlos Pellegrino, Fernando Carvalho e Celso Roth.
Eles são os principais artífices de nossa queda. Enquanto um desses caras estiver por lá, eu estou fora. A desgraça já está feita, mas é sempre pior ver a incompetência gesticulando ao lado do campo.
Era um grande muro branco – nu, nu, nu,
Posta no muro uma escada – alta, alta, alta,
No chão, um arenque defumado – seco, seco, seco.
Ele chega, trazendo nas mãos – porcas, porcas, porcas,
Um martelo pesado, um prego – bicudo, bicudo, bicudo,
Um novelo de fio – grosso, grosso, grosso.
Subindo então à escada – alta, alta, alta,
Espeta o prego bicudo – toque, toque, toque,
Ao alto do muro branco – nu, nu, nu.
Deixa fugir o martelo – que cai, que cai, que cai,
ao prego amarra a corda – longa, longa, longa,
E à ponta o arenque defumado – seco, seco, seco.
Volta a descer a escada – alta, alta, alta,
Leva-a, e ao martelo – pesado, pesado, pesado,
E lá se afasta para – longe, longe, longe.
Então o arenque defumado – seco, seco, seco,
Na ponta da corda – longa, longa, longa,
Balança devagarinho – sempre, sempre, sempre.
E eu inventei esta história – banal, banal, banal,
Para enfurecer as pessoas – graves, graves, graves,
E divertir as criancinhas – pequenas, pequenas, pequenas.
Celso Juarez Roth, o coisa ruim: Tudo em volta está deserto, tudo certo, tudo certo como dois e dois são cinco
Eu digo:
— Que nojo esse meu time!
E Elena pergunta, curiosa:
— Você tem nojo do próprio time? — Claro! — Milton, você tem que se tratar.
Este foi o gênero das piadas de ontem à noite. Pois o Inter realmente dá certo asco. Quando está jogando é como se tivéssemos um cocô na sala. E, se os titulares são lastimáveis, o que dizer dos reservas? A única coisa positiva que posso dizer é que Alex é melhor lateral esquerdo que Artur e Géferson, mas o problema é que gosta de dar entrevistas justificando as derrotas. Vai acabar como porta-voz de algum governo, tal é seu talento para tentar explicar o que não tem remédio.
De resto, há um deserto cujos grãos de areia são os passes errados, as falhas defensivas, o desperdício, as faltas desnecessárias, a ausências de cobertura, nem sei mais o que dizer. Fico abobado que tenhamos ganho a Libertadores e o Mundial de 2006 com Fernando Carvalho como presidente. Realmente, Abel, Fernandão, Iarley e Clemer seguravam as pontas, porque não há inteligência ou bom senso em FC. Nem vou falar do principal culpado, Vitorio Piffero.
E… Falar em Celso Juarez Roth novamente? Para quê? Acho vai ser demitido após a derrota de domingo contra o Atlético-MG. Nenhum time sobrevive a Argel e Roth num período tão curto. Falam em Lisca. Bem, este ao menos é louco. Burro não é.
O jogo de ontem foi uma formalidade. Só ficaríamos fora se tomássemos uma goleada. Perdemos de 1 x 0, mas apenas porque o Fortaleza perdeu muitos gols no primeiro tempo. O segundo foi sensacional com o Inter tentando ganhar tempo enquanto eu pensava no bolo da D. Lourdes que estava me chamando na cozinha. Estou gordo, nossa.
Galo, por favor, faça o serviço bem feito! Goleie-nos!
Li em algum lugar — perdi o site norte-americano — uma lista de livros que foram proibidos em um momento ou outro de suas histórias (principalmente nos EUA), e busquei lembrar os casos mais hipócritas, ignorantes e absurdos. Sorri quando revisei a listinha. É simplesinha, mas achei irônica. Então não deve ser tão ruim. Confiram aí!
Cena de Fahrenheit 451
1. Fahrenheit 451, de Ray Bradbury.
Foi proibido na Alabama porque um dos livros carbonizados na trama é a Bíblia…
2. Huckleberry Finn, de Mark Twain.
Quem não leu o livro e toma contato apenas com citações fora do contexto, pensa que a obra é racista e não anti-racista e anti-escravatura.
3. O Apanhador no Campo de Centeio, de J.D. Salinger.
Simplesmente porque Holden Caulfield diz muitas vezes “Fuck off”.
4. Os Versos Satânicos, de Salman Rushdie.
Rushdie escreveu um romance que satirizava alguns dos mais tacanhos e antiquados aspectos do Islã. O aiatolá Khomeini baniu o livro e decretou uma fatwa, pedindo que “todos os bons muçulmanos” dessem uma forcinha e fossem matar Rushdie.
5. 1984, de George Orwell.
Durante o período da Guerra Fria, alguns governos do leste europeu mantinham olhos atentos sobre o que as pessoas estavam lendo. Eles não tinham tolerância para algo como a sociedade distópica de “1984”, onde o Grande Irmão também via tudo.
6. O Diário de Anne Frank.
É incrível, mas o livro, que ilustra a fé imortal de uma vítima do Holocausto na bondade humana, foi proibido pelo estado de Alabama em 1983 por retratar “uma verdadeira desgraça.” Seria um caso de excesso de verossimilhança?
7. Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley.
Mesmo motivo de 1984.
8. A série Harry Potter, de J.K. Rowling.
O livro que iniciou toda uma nova geração na mundo dos livros foi proibido pelo fato do personagem principal fazer mágicas. A proibição ocorreu na Coreia do Norte e em países árabes fundamentalistas.
9. Ulysses, de James Joyce.
Eu poderia escrever páginas e páginas sobre estas várias proibições ocorridas dos anos 20 aos 50, mas vou apenas dizer que ele foi banido na Inglaterra, na França e na maioria dos estados dos EUA por ser pornográfico, coisa que também é. E daí?
10. Feliz Ano Novo, de Rubem Fonseca
Não estava na lista original, mas coloco na minha lista Feliz Ano Novo, um dos muitos livros brasileiros que foram publicados, distribuídos, comercializados e, algum tempo depois, examinados pela censura brasileira (DCDP). O parecer era sempre o mesmo: “exteriorizava matéria contrária à moral e aos bons costumes”.
Quando chegar o último dia de 2016, a Cosac Naify não deverá ter mais nenhum livro em seus estoques. Os que sobrarem até lá serão transformados em aparas. A informação foi confirmada por Dione Oliveira, diretor financeiro da editora que teve seu fim anunciado em dezembro de 2015. “Me parte o coração mandar os livros para picotar, mas não posso deixar de atender às necessidades da empresa para a qual eu trabalho. Em alguns momentos, você acaba sendo impopular com algumas medidas”, disse Dione ao PublishNews. Desde o fim de janeiro deste ano, a Amazon passou a comercializar, com exclusividade, os livros da Cosac. Dione informou que os livros que já foram vendidos à varejista não serão recolhidos. “Seria fantástico se a Amazon tivesse comprado todo o nosso estoque, como dizem por aí, mas isso não foi verdade, infelizmente”, comentou o diretor. Dione não revelou quantos livros a editora ainda mantém em seu estoque.
Dione ponderou que os custos para manutenção do estoque e dos contratos com o operador logístico ficaram muito caros para a Cosac. “Infelizmente, temos obras que ainda têm um volume muito grande em nossos estoques, mas esses mesmos livros não têm giro. Não dá para ficar guardando esses livros que não têm giro. É muito caro”, alegou. Por outro lado, muitas das obras que fizeram parte do catálogo da editora já migraram para outras casas editoriais. “A Cosac tem negociado os seus títulos com outras casas editoriais. Alguns dos títulos que fizeram parte do nosso catálogo até já foram publicados por outras editoras. De certa forma, fica complicado eu jogar uma quantidade excessiva desses livros no mercado. Se eu inundo o mercado com uma grande oferta desses livros, os novos detentores dos direitos terão dificuldade em vender seus livros. Nós temos ponderado isso”, disse descartando a possibilidade de se fazer um grande saldão dos estoques da Cosac.
Doações
Autores ouvidos pelo PublishNews, mas que preferiram não ser identificados, questionam o destino que a editora quer dar aos livros. Por que não doá-los a bibliotecas ou mesmo a eles, os autores. Dione disse que não está nos planos da Cosac fazer nenhum tipo de doações. “Tem um problema que muitas pessoas desconhecem. Doações geram um transtorno contábil na empresa. Se faço uma doação de um livro, tenho que reconhecer o custo disso. Se eu faço a doação de um volume considerável de livros, eu gero um resultado financeiro negativo absurdo, fora da curva”, disse. Além disso, Dione apontou que falta tempo e pessoal para fazer essas doações. Ele disse ainda que os livros não poderão ser doados aos seus autores, mas que eles têm prioridade na aquisição dos volumes. “Os autores que entrarem em contato conosco para comprar os estoques – na sua totalidade ou parte deles – de seus livros terão dos descontos conforme está previsto em contrato. Podemos até fazer uma condição um pouco melhor. Mas, desde o anúncio do fim da Cosac, foram poucos os autores que nos procuraram com essa intenção”, concluiu Dione.
Ateu assumido, Mark Zuckerberg informou que vai doar mais de US$ 3 bilhões a pesquisas para curar, prevenir ou tratar doenças. Ele é o homem mais rico do mundo. Ele também garantiu que deverá doar 99% de sua fortuna para entidades científicas.
O presidente-executivo do Facebook fez o anúncio ao lado de sua mulher, Priscilla Chan.
A doação ocorrerá por intermédio da fundação Iniciativa Chan Zuckerberg.
Nesta item, Zuckerberg imita Bill Gates, que também doa carradas de dinheiro para entidades filantrópicas e científicas. Imaginem isso na Brasil… O dinheiro ficaria em algum paraíso fiscal, hábito comum de nossas elites, tão pobres do ponto de vista mental. Ou, talvez fossem para uma igreja… Aqui, nem as artes se beneficiam da grana que enche seus bolsos.
Os primeiros US$ 3 bilhões de Zuckerberg se destinarão a um centro de pesquisas de biociências e a planos de um chip para diagnosticar doenças, monitoramento contínuo da pressão sanguínea e um mapa de tipos de células do corpo.
Zuckerberg também tem feito doações de incentivo à educação, como a de US$ 500 milhões em 2012.
Pelo ranking da Bloomberg, Zuckerberg tem uma fortuna estimada em US$ 56,8 bilhões.
Nos Estados Unidos, ele também lidera a lista dos filantropos.
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior
E quem há de negar que esta lhe é superior
LÍNGUA — Caetano Veloso
Amigos, tudo é o nome de uma das principais categorias deste blog. Ela deveria ser mais atualizada, pois acho que Caetano Veloso tem muita razão nos versos acima que cantam a amizade como superior ao amor. Não leia a frase seguinte, Elena, ela é apenas filosófica, uma tese, entende? O fato é que no amor podemos substituir uma pessoa por outra, mas na amizade cada amigo tem um lugar sob medida em nosso cérebro. Até porque a amizade prescinde da tolerância. A pessoa chega, vê se lhe agrada, vê se cabe na vida do potencial amigo e se acomoda ou não. Amizades onde a gente tem de ser muito tolerante não são amizades. O amor, por ser mais constante, não prescinde de adaptações. Aliás, vale muito a pena se adaptar, dependendo do outro. No meu caso, valeu e nem me deu trabalho.
E um dos formatos mais curiosos de amizade é o daqueles amigos que se reúnem sem proximidade física, pela Internet, porque têm algo em comum que, no caso do Congresso anunciado acima, é o gosto pela música e o notório blog que formaram.
Então, há pouco mais de três semanas, em um restaurante peruano do centro de São Paulo, encontraram-se Avicenna, Bisnaga, Luke e PQP. Havia helicópteros nos ares, houve muito nervosismo e tivemos que andar disfarçados pela rua, de forma a despistar o policiamento. Eu fui disfarçado de André Rieu; Avicenna, de Richard Clayderman; Luke fez um Keith Jarrett perfeito e Bisnaga estava com um barba de Antoni Gaudí. Ele não entendeu que era para se disfarçar de músico e entrou no restaurante falando na Sagrada Família de Barcelona em espanhol. Deixamos nossos disfarces com o garçom e dirigimo-nos a nossa mesa.
Éramos seis, o quarteto já descrito mais Elena e Branca, que vieram respectivamente fantasiadas de Anne-Sophie Mutter e de Khatia Buniatishvili, fato que atraiu grande atenção sobre nosso grupo, que só queria discrição.
A pauta era rarefeita, na verdade era nenhuma. A crise do blog acabara, íamos continuar polinizando beleza pelo mundo e falamos principalmente sobre música, algo fundamental mas desimportante naquele momento. Posso dar uma ideia do espírito do encontro relatando que, quando Elena chegou, quase uma hora depois da hora marcada para o encontro, foi cumprimentada por Avicenna da seguinte maneira:
— Já li tanto sobre você que parece que te conheço faz muito tempo. Obrigado por fazer este meu amigo feliz. Acompanhei algumas fases piores dele, mas depois de ti…
Tudo isso foi dito em particular, a Elena me contou depois. O Avicenna é um gentleman, sabe dizer as palavras certas na hora correta e ela ficou encantada com aquele cidadão de cabelos brancos como o nome de sua mulher, certamente em razão de sua fantasia de Clayderman que, como todos sabem, é um pianista loiro que despeja mel enjoativo nas teclas de seu instrumento.
Da mesa, PQP não conhecia apenas Luke, que o assustou com o paradoxo de sua extrema juventude e voz de baixo profundo. Bem, creio que na verdade não há paradoxo nisso, pois quem terá voz grave já a adquire na adolescência, certo, Leporello?
E assim aquele blog seguirá despejando maravilhas sobre vocês.
Bem, abaixo vão algumas fotos que demonstra que os caras não são produtos virtuais.
Richard Clayderman e Khatia BuniatishviliAntoni Gaudí esconde seus projetos de Keith JarrettGaudí e Jarrett, apaziguadosA rixa entre Gaudí e Jarrett prossegue. Jarrett boicota a foto.E é respondido por uma imitação de foca.O sexteto. Notem como PQP esqueceu de encolher a barriga
Foi uma derrota merecida, meu caro. Teu time entrou com medo de perder para o último colocado do campeonato, o risível América-MG, pior ataque do Brasileiro e equipe que menos venceu até aqui. Digo assim porque eles não são o pior time do Brasileiro, o pior time é o teu. O Inter entrou com três volantes, não quis jogar e o América-MG foi um bando de pernas de pau muito mais organizado que o teu. Três volantes, nenhum armador. O diretor Fernando Carvalho disse, antes do jogo, que o futebol moderno prescinde deles… Que idiotice, Celso, nem vou comentar.
Quando tu resolveste colocar armadores, já era 30 min do segundo tempo. Desculpe, mas isso se chama mau caratismo. Acontece que, por algum motivo — provavelmente pelo fato do diretor Fernando Carvalho não ter participação em seus passes –, alguns jogadores do Inter estão sofrendo um rápido processo de fritura. Dizer, aos 30 min, “Nico e Seijas, vão lá e façam nosso gol” é queimar os jogadores frente à torcida. O investidor de Nico deve estar perdendo espaço no clube.
E, ao final do jogo, tu e Carvalho tiveram uma atitude típica de sacanas, de patifes. Para não serem apontados como culpados, vocês disseram que perderam o jogo quando o volante Anselmo sentiu câimbras, dando lugar a Seijas. Quem foi o culpado? Ora, Seijas, que entrara como um louco, super interessado, tentando criar todas as jogadas de ataque que seus companheiros não tinham criado até ali.
Aliás, no seio da torcida está sendo formado um consenso sobre as atitudes meramente políticas do departamento de futebol. As palavras trocadas nas Redes Sociais são especialmente violentas, irrepetíveis aqui. E olha, cair contigo, Celso Juarez Roth, vendo tu obedeceres a Ibsen Pinheiro e Fernando Carvalho, sob o olhar arrogante e indiferente de Piffero, é uma desonra completa para nós, é como fazer um pós-doutorado em masoquismo. Eu, por exemplo, ainda vou ter uma convulsão de ódio ouvindo tuas entrevistas cheias de risadinhas impotentes.
Agora o Inter não temos mais salvação. Cairemos e com justiça, bem caídos.
Com teus três volantes, o centroavante Aylon não tocou na bola. Não tivemos criação. E tomamos uma bola na trave. O América jogava melhor. Mas a culpa foi de Seijas. Paulão marcou mal várias bolas altas, inclusive a do gol do América. Mas a culpa foi de Seijas. Estamos com o mesmo grupo dirigente da outra maior vergonha do clube, o mazembaço: Vitorio Piffero, Fernando Carvalho e Celso Juarez Roth. Mas a culpa foi de Seijas. (Aliás, os sócios votaram em Piffero e têm participação…)
Culpar Seijas é apenas uma atitude baixa de vocês. Mais uma. Jamais vou esquecer o que os dois, tu e Carvalho, disseram após o jogo, como se recitassem o pior dos poemas: “Enquanto tivemos 3 volantes, não sofremos gols e controlamos o jogo. Quando avançamos, sofremos o gol”. E completaram o absurdo nomeando os bois.
Pediria apenas que, em nome o Internacional, vocês se assumam como culpados e, prezado torcedor colorado, por favor, no fim do ano vamos votar para varrer esses caras PARA SEMPRE.
Obs.: a expressão “pós-doc em masoquismo” é de Norberto Flach.
.oOo.
Estamos com 27 pontos. Precisaríamos de 45 para permanecer na Série A. Faltam 12 jogos e 18 pontos. Isto é, necessitaríamos de um aproveitamento de 50%, valor bem alto, valor do sétimo colocado neste momento. Olhando o time em campo, deprimido, destreinado e sacaneado por ti, Juarez (não esqueçamos de Argel), adivinhamos facilmente nosso futuro. É Série B em 2017.
Os estatíticos falam que temos 62% de chances de cair. Será que às vezes eles olham para o campo?
Uma pergunta: adianta te demitir agora ou é melhor deixar, te marcando definitivamente como um de nossos piores técnicos de todos os tempos?