Uma lista preciosa: a dos livros para rir

Uma lista preciosa: a dos livros para rir

Nestes anos de 2020 e 2021, apareceram muitas pessoas na Livraria Bamboletras pedindo livros para rir. Sim, a coisa foi complicada e vários leitores foram bem explícitos ao me pedirem livros para segurar quem está sucumbindo.

Aqui na livraria, muitas vezes a gente é também divã. Por exemplo, no dia em que Bolsonaro foi eleito, tivemos clientes que choraram em nosso balcão. Como consolar alguém que está triste porque elegemos um idiota, sabendo que o eleito é uma besta pior do que o tio do churrasco após 3 cervejas?

Mas volto ao tema inicial. Preparei uma lista de livros cômicos. Mas não basta ser cômico, tem que ser MUITO BOM. Nada tenho contra as palhaçadas, mas acho que rir de nervoso também é rir.

Fiz uma lista de improviso:

— Oblómov, de Ivan Gontcharóv
— Enclausurado, de Ian McEwan
— As Intermitências da Morte, de José Saramago
— O Mestre e Margarida, de Mikhail Bulgákov
— Complexo de Portnoy, de Philip Roth
— Os livros de Claudia Tajes
— Uma Confraria de Tolos, de John Kennedy Toole
— A Guerra das Salamandras, de Karel Čapek
— Matadouro Nº 5, de Kurt Vonnegut
— Lucky Jim, de Kingsley Amis
— A Gargalhada de Sócrates, de Nelson Moraes
— Ingresia, de Franciel Cruz
— Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift

Perguntei, no meu perfil do Facebook, que livros deveria acrescentar à lista e a resposta foi uma chuva de excelentes sugestões. Confiram abaixo:

— Incidente em Antares, Érico Veríssimo;
— O Nariz, Gogol;
— Casos do Romualdo, Simões Lopes Neto;
— Escola de Mulheres, Molière;
— O Burguês Fidalgo, Molière;
— A Megera Domada, Shakespeare;
— A Comédia sos Erros, Shakespeare;
— As Alegres Comadres de Windsor, Shakespeare;
— Lisístrata, Aristófanes;
— As Rãs, Aristófanes;
— As Nuvens, Aristófanes;
— Dez Quase Amores, Cláudia Tajes;
— A Casa dos Budas Ditosos, João Ubaldo Ribeiro;
— Um, nenhum, cem mil, de Pirandello
— Contos do Tchekov. “Um sobrenome cavalar” alegra o dia do mais amargo dos turrões.
— A ironia do Machado não seria um tipo de humor? Se sim, Memórias Póstumas!
— Histórias da Vida Privada, do Verissimo
— LFV é minha leitura para tempos difíceis
— As cosmicômicas – Italo Calvino
— Auto da compadecida ☺️
— Anotações de um jovem médico.
— A morte de um estranho
— Instruções para os criados
— Bartleby
— Contos da Cantuária. Chaucer. Penguin Companhia.
— O Complexo de Portnoy, do Roth; Meus Prêmios, do Bernhard; Minha Mocidade, do Churchill; Memórias do Subsolo
— O Homem Nu do Fernando Sabino
— Tia Julia e o Escrevinhador, do Vargas Llosa
— O autor mais engraçado que existe é o P. G. Wodehouse. Qualquer livro seu é prazer garantido e muita risada. Só não sei como andam seus livros em catálogo no Brasil.
— A mulher que escreveu a Bíblia, Moacyr Scliar
— A peregrina de araque
— Faltou o Paul Beatty, especialmente em “O Vendido” e todos os livros do Pynchon
— A Consciência de Zeno e Tristram Shandy.
— O Compromisso e O Ofício, ambos de Serguei Dovlátov, são muitíssimo engraçados. E o recém lançado no Brasil, Tchevengur, do Andrei Platônov, tem a mesma hilaridade ácida e absurda do Dom Quixote.
— A esposa de Gogol do italiano Landolfi.
— “As nuvens” , Aristófanes.
— “Esperando Godot ” do Becket e “Muito Barulho por Nada” do Shakespeare.
— “Uma Proposta Modesta e Outros Ensaios” do Jonathan Swift.
— E o Henfil ? Nenhum livro com os Fradins, o bode Orellana e a Grauna?
— Qualquer coisa do Verissimo, mas acho que A velhinha de Taubaté seria meio agridoce demais…
— O remorso de Baltazar Serapião – Walter Hugo Mãe
— Comédias da vida privada. A autobiografia do Billy Wilder. Qualquer treco do Reinaldo Moraes. — A trilogia de Bridget Jones.
— As rãs – Mo Yan
— Eu amava os contos da coleção “Para gostar de ler” – eram excelentes, muita leveza.
— O Analista de Bagé
— Suas histórias da Bamboletras renderiam um ótimo livro, meu caro.
— As melhores tiradas de PQP Bach” tb…
— O Senhor da Foice, de Terry Pratchett
— Tomar um café com papo com Milton Ribeiro é o melhor!
— Todos do Olavo de Carvalho.
— Veríssimo (LF) e Antonio Prata.
— Recomendo também o pai, Mário Prata.
— Woody Allen
— “Cuca Fundida” e “Sem Plumas” são ótimos, bem lembrado!!!
— Barão de Itararé
— Dom Quixote.
— Biografia do Deltan Dallagnol. Parei nas primeiras 20 páginas, porque não conseguia parar de rir.
— É interessante como Dostoievksi é engraçadíssimo. O jogador, por exemplo, tem partes maravilhosas para o riso. Assim como Os demônios e O idiota. Mas as páginas a que me referi de Memórias entraria em qualquer antologia das mais hilárias da literatura
— Já leu “O Eterno Marido”? Muito engraçado.
— Olha o livro que me fez gargalhar esse ano foi A vida pela frente do Roman Gary, mesmo não estando na minha forma olímpica
— “O Homem ao Quadrado”, de Leon Eliachar. Piadas ótimas e outras não tanto, mas o conceito dos capítulos do livro é genial (capítulos pra ler no banheiro q tem papel hig… Ver mais
— O apocalipse dos trabalhadores, do Valter Hugo Mãe, tem cenas engraçadíssimas, apesar de toda a tragédia.
— Também qualquer Woody Allen
— Quase Memória do Cony
— Ainda não está em livro, mas está no Facebook, “As Corônicas”, do Fernando Corona
— Ouvi dizer que A Gargalhada de Sócrates arranca algumas risadas. 🙂
— Os livros de crônicas do Aldir Blanc.
— Millôr Fernandes
— A dica que me ocorre primeiro já está na lista, As intermitências do morte. Talvez Incidente em Antares caiba aí. Nu de botas, do Antonio Prata, mesmo sem ser ficção, é uma ótima pedida pra quem cresceu nos anos 80. Eu me divirto com Emma, da Jane Austen
— Millor Fernandes e o Luiz Fernando Veríssimo!
— Reacionarismo católico inglês: qualquer um do Evelyn Waugh e O Homem que era Terça Feira, do CK Chesteron.
— Os contos do Mark Twain, são autêntica literatura de emergência para tempos sombrios.
— Asno de Ouro; D.Quixote; Gargantua e Pantagruel; Gil Blas; O Sofá
— As aventuras de Huckleberry Finn
— Lembro de ter rido bastante com o Digam a satã que o recado foi entendido. Do Daniel Pellizzari. — — Encontro muito humor tb nos livros da Veronica Stigger. ❤❤ A Veronica Stigger tem uma preciosidades de humor cruel
— Milton, se você não leu ainda o Estacao Atocha, do Ben Lerner, leia. É hilário e excelente.
— Asco, de Castellanos Moya, e O Inspetor Geral, de Gogol.
— O Tirza é um romance que te choca ao mesmo tempo que te faz rir bastante. Recomendo.
— Jô Soares, romances e autobiografias; Beckett, Stanislaw e Ricardo Araújo Pereira
— Livros dos chargistas… Santiago Neltair Abreu,
— A Gargalhada de Sócrates, do Nelson Moraes;
— Qualquer um do Alasdair Gray;
— Tristram Shandy.
— Sempre uns 80 por cento dos autores que você cita eu só nunca ouvi falar, como acho que na verdade nem existem. 😃
— Lembra de “Porcos com Asas”? Eu rio até hoje só de lembrar uma parte. E “Patty Diphusa” também é de matar de rir.
— Ri muito com Resposta certa, do David Nichols. Não sei se está à altura da bamboletras, mas foi o terceiro livro que mais me fez rir nos últimos tempos. O segundo foi A gargalhada de Sócrates. O primeiro foi o programa do evento do Brasil paralelo.
— Eu ia sugerir “Cágada”, do Gladstone O. Mársico, mas deve estar esgotado… infelizmente.
— Ia indicar A Gargalhada de Sócrates, mas seu radar não o deixou escapar…
— Os do L.F. Verissimo em primeiro lugar.
— O conto “Comportamento nos velórios”, do Cortázar. Está no livro Histórias de cronópios e de famas e na antologia Autoestrada do sul, da L&PM.
— Bah, os da Cláudia Tajes são hilários, dá para rir muito!
— Acrescente ‘Bilac vê estrelas’, de Ruy Castro. Classicamente falando, O Asno de Ouro de Apuleio e Satiricon.
— Candido Urbano Urubu.
— O livro de crônicas do Nelson Rodrigues, A Cabra Vadia, é para rir demais.
— A Auto da Compadecida de Ariano Suassuna
— Novela de Eduardo Mendoza Garriga
— Caviar é uma ova do Gregório Duvivier
— Luis Fernando Verissimo
— Mais um, maravilhosamente engraçado: Uma casa para o sr Biswas.
— “Quem matou Roland Barthes?”
— Os velhos marinheiros, de Jorge Amado
— Cuca Fundida, do Woody Allen
— Qualquer um do Gabo
— A Importância de Ser Prudente, Oscar Wilde.
— Nao digo rir, mas sorri muito lendo o barão das arvores, do ítalo calvino.
— “Macaco preso pra interrogatório” e “O riso dos torturados”…
— “A uruguaia” e “As desventuras de Arthur Less” – engraçados e boa literatura
— Fábulas fabulosas, do Millor. Cabaret Demenzial, da Veronica Stigger. Esse último é humor cruel, mas ri muito com algumas das histórias, como a do casal que vai se mudando pra lugares cada vez mais minusculos por falta de grana.
— Lembrei dum conto dos cervantes, acho que se chamava os faladores. Era dos de gargalhar. E as comédias de Shakespeare ou Moliére. 🤣
— “A morte e a morte de Quincas Berro D´água”
— Podes colocar um sub-título: Livraria Bamboletras, uma Farmácia Literária. Que tal?
— “manual prático de bons modos em livrarias”. pequenino e engraçadíssimo.
— Cândido de Voltaire; O Inspetor Geral de Gógol; O Santo e a Porca, Auto da Compadecida, de Suassuna.
Diego Michel GÓGOL!!!!!
— eu citaria o Pornopopeia de Reinaldo Moraes.
— “Os amores difíceis”, livro de contos do Ítalo Calvino apresenta alguns contos muito hilários
— Autobiografia da Rita Lee. Os subterrâneos do Vaticano de André Gide.
— FEBEAPÁ -Festival de besteiras que assolam o país. Sérgio Porto -Stanislaw Ponte Preta.
— O Livro dos Seres Imaginários, de Jorge Luis Borges.
— Comédias da Vida Privada, do Veríssimo.
— Efraim (ou Ephraim) Kishon, vários titulos…lembro agora de Como Aborrecer um Guarda e outras…, Trad. Luis Fernando Verissimo. Muito bom.
— Ephrain Kishon húngaro israelense’ tb dramaturgo. Millôr Fernandes traduziu uma peça dele, “Pô, Romeu!”, muito engraçada.
— O Mundo é Pequeno, do David Lodge. É o mais engraçado dos romances dele, mas Invertendo os Papéis (mesmos personagens, alguns anos antes), e Terapia também são divertidos.
— E tem os João Ubaldos, além de tudo, engraçados.
— Bah, os do Verissimo sempre são hilários. Incluiria na lista o 10:04 do Ben Lerner e o Ninguém precisa acreditar em mim, do Juan Pablo Villalobos.
— Os livros do mochileiro das galaxias
— “Anedotário da Rua da Praia”. Um clássico! Indico também “O Imortal”, do Maurício Lyrio.
— Procurem Tom Cardoso ele manda muito bem cronista jornalista se é pra rir, ele manda pelo correio ! De chorar!
— Eu ri muito lendo “o grande mentecapto”, do fernando sabino
— Dementia 21 de shintaro kago, adoro o nu de botas do Antônio Prata.
— Tristram Shandy!
— KD o LVF?? São tão bons! E o Gregório Duvivier também! (Put some farofa) e também o “Nu de botas” do Antônio Prata. Livros muito engraçados e bons
— Alain de Botton. Esqueci o título, mas tem um ensaio sobre o amor que é hilário
— A Aldeia de Stiepantikov e seus habitantes, um adoravel livro pequeno e cômico do velho Fiodor Dostoiévski
— Se quiserem livro pra rir, cujos personagens são cachorros, recomendo Sítio Caipora, de uma certa Núbia Bento Rodrigues, né, bispo Franciel
— Cem anos de Solidão, de Gabriel García Márquez. A parte do tapete voador é impagável!
— Pantaleao e as Visitadoras
— O furo, Evelyn Vaughn. Antigo. Será que tem?
— Eu ia indicar o Dom Quixote, mas já foi citado. É o meu livro favorito e tem trechos MUITO engraçados. Em uma de minhas internações hospitalares mais recentes, levei o Dom Quixote para (re)ler, mas tive que interromper a leitura porque ria muito…
— Luís Fernando Veríssimo na veia!
— O Auto da Compadecida!! Me diverti muito lendo
— A biografia da Rita Lee tinha cenas hilárias q eu não conseguia parar de rir
— “Porque almocei meu pai” de roy lewis, um clássico…..kkkk
— Matadouro 5 é de rir? Eita eu li errado então 🤦🏻‍♀️ Vou ter que reler 😅
— Melhor ler tudo sobre os irmãos Marx agora, nunca se sabe né?
— Woody Allen. Eu tinha que parar de traduzir pra rir.
— Mario Prata, hilário
— Claudia Tajes é de passar mal de rir
— Todos do Douglas Adams, mas principalmente O Guia do Mochileiro das Galáxias!
— Luís Fernando Verissimo TODOS
— Eu colocaria também Cama de gato do Vonnegut
— Confraria de tolos eu devo te agradecer, eu chorei de rir com esse livro
— Ri bem com o último do Kundera, A festa da insignificância
— Malícia negra, de Evelyn Waugh. Impagável…
— Livros do L F Verissimo, tens?
— “A gargalhada de Sócrates” – Nelson Moraes
— Todos de P.G. Wodehouse, principalmente, “Obrigado, Jeeves”.… Ver mais
— Rua dos Artistas e Arredores do Aldir Blanc
— Dois do KV Jr.: “Destinos Piores que a Morte” e “Um Homem sem Pátria”. Adequados, realistas, modernos.
— Ter meu humilde Ingresia nesta lista é motivo pra choro, digo, pra riso. Bom, não sei mais…Só sei que minhas 18 pontes de safenas quase estouraram agora.
— Pra rir … Luís Fernando
— O Proscrito, Ruy Tapioca
— Cântico pra Leibowitz
— Exército de um homem só

Illustration: A comedy mask reads a book.

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Ainda sobre os 80 anos de Maurizio Pollini, comemorados anteontem

Ainda sobre os 80 anos de Maurizio Pollini, comemorados anteontem

Após anos ouvindo seus discos, vi Pollini em ação logo após a morte de Claudio Abbado, em 2014. Comprei o ingresso antecipadamente pela internet e, uns dois meses antes do concerto, com Abbado ainda vivo, recebi um e-mail informando que o longo programa tinha sido reduzido. Pollini pedia para retirar a Sonata de Chopin que contém a Marcha Fúnebre. Se eu quisesse poderia pedir de volta o $ do ingresso, etc. Fiquei quieto. Quando aconteceu o concerto, Abbado já tinha falecido. Na hora de Pollini entrar no palco, o locutor do Southbank Center de Londres disse que a Sonata de Chopin tinha sido recolocada no programa e que, de forma pessoal, Pollini dedicaria aquele recital à memória de seu amigo Abbado. O auditório pareceu tremer silenciosamente. Pollini entrou e tocou por 2h30. Sua Marcha Fúnebre foi linda, inspirada como jamais ouvi novamente. No final, deu vários bis e, no último deles, parece ter errado de forma proposital para que parássemos de aplaudir e o deixássemos ir para o hotel. Acho que aquele foi o recital mais emocionante, o momento máximo que tive dentro de uma sala de concertos.

(A Elena estava junto. Depois, fomos gastar o que não tínhamos num restaurante caro. Culpa do Pollini).

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Como falar sobre cinema, de Ann Hornaday

Este livro tem como subtítulo Um guia para apreciar a sétima arte, o qual me parece mais adequado. Aliás, melhor mesmo é o original Talking Pictures: how to watch movies.

De forma didática, bem organizada e compartimentada, Ann Hornaday nos conduz pelos aspectos da produção de um filme – do roteiro e elenco à edição de som – e explica como avaliar cada etapa do processo. Como saber se um filme foi bem escrito, para além da qualidade dos diálogos? O que constitui uma ótima atuação? O que torna uma fotografia, edição e edição de som notáveis? E o que realmente faz um diretor? A autora — que é jornalista e importante crítica de cinema no Washington Post — nos oferece essas respostas e nos mostra como a experiência de assistir a um filme pode ser muito mais rica do que imaginamos. Os itens avaliados são roteiro, atuação, design de produção, fotografia, edição, som e música e direção. Para cada item, a autora dá boas dicas para avaliação, além de outras observações interessantes, tanto de sua lavra como das entrevistas realizadas por ela.

O problema do livro é que quase todo o referencial cinéfilo da autora é norte-americano, principalmente de filmes lançados entre 1990 e 2015 e sei que haveria exemplos até melhores fora daquela filmografia. Pois é, eu sei mais a respeito e prefiro o cinema europeu e boiei em boa parte dos “cânones”. Acho que deveriam ser utilizados apenas clássicos ou Hornaday deveria ter ampliado os exemplos.

Mas o livro tem curiosidades interessantes e observações preciosas sobre o que faz um filme ser bom ou funcionar e valeu a leitura.

Hornaday: por demais estadunidense para este que vos escreve | Foto: Divulgação

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O entusiasmo fundamentado (para o 80º aniversário de Maurizio Pollini)

O entusiasmo fundamentado (para o 80º aniversário de Maurizio Pollini)

Stefano Russomanno

Quando Maurizio Pollini venceu o Concurso Chopin de Varsóvia em 1960, fê-lo com uma maturidade musical que surpreendeu o júri. “Esse garoto toca melhor do que qualquer um de nós”, comentou Arthur Rubinstein na época. O controle técnico e intelectual que esse jovem pianista de 18 anos exibia em cada canto da partitura revelava uma capacidade de análise muito superior não apenas à média de seus contemporâneos, mas à de muitos talentosos intérpretes. Pollini aprofundou-se na essência do texto musical para revelar a lógica de sua construção, a coerência de sua estrutura e a precisão de seu ditado. Ainda assim, a música não era para ele um terreno governado pelas leis do determinismo impassível. Suas versões transmitiam um vigor na expressão de frases e ritmos que despertavam o entusiasmo do ouvinte.

Há algo de didático no estilo pianístico de Pollini no mais alto sentido da palavra. Interpretar, para o pianista italiano, implica ao mesmo tempo em esclarecer, explicar, fornecer ao público um fio condutor que lhe permite compreender os motivos pelos quais a música flui de uma determinada forma. O componente emocional, sempre essencial, deve vir acompanhado do elemento analítico e racional para alcançar a plenitude da mensagem na consciência auditiva.

Uma das marcas de Pollini é sua maneira de estabelecer seus programas de recitais. Neles, o pianista italiano tem-se caracterizado por misturar frequentemente peças do repertório clássico e romântico com obras do século XX (ou seja, de todo o século XX, não apenas das primeiras décadas). Para Pollini, a criação musical é um continuum que não conhece fraturas, uma forma de pensar os sons e, portanto, é errado isolar certas linguagens como se fossem compartimentos estanques. Seus esforços foram na direção oposta: mostrar o que é clássico nas páginas contemporâneas e o que é contemporâneo no repertório clássico. Assim surgem os chamados “Projetos Pollini”, nos quais o diálogo entre o passado e o presente ocorre da forma mais natural. Pode acontecer, por exemplo, que o público tenha ouvido na mesma noite o Hammerklavier de Beethoven e a Sonata para piano nº 2 de Boulez (uma obra que Pollini tocava de cor em sua época de ouro).

Precisamente o Hammerklavier, gravado em 1976, é uma amostra ideal das abordagens de Pollini. Principalmente a fuga final, que talvez seja o momento culminante de sua versão. Para além do espantoso controle técnico, à disposição de poucos pianistas, Pollini conduz o ouvinte pelos meandros do contraponto e revela toda a modernidade do pensamento beethoveniano, a forma revolucionária como o compositor molda os materiais (sublinhando, por exemplo, o carácter quase estrutural dos trinados) e seu revolucionário conceito sonoro, onde o discurso musical parece às vezes transfigurado em termos de pura energia.

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Bamboletras recomenda a “autobiografia” de Saramago e mais

Bamboletras recomenda a “autobiografia” de Saramago e mais

A newsletter desta quarta-feira da Bamboletras.

Olá!

Retomamos a nossa newsletter recomendando três excelentes livros para começar 2022. Uma autobiografia de Saramago escrita por José Luís Peixoto — sim, isto mesmo, é um romance baseado na vida de Saramago e Peixoto –, um livro sobre uma pediatra, digamos, pouco adequada a seu ofício e, agora sim, uma biografia de Roland Barthes.

Difícil começar melhor o ano de 2022, o ano de tirar o cara de lá.

Boa semana com boas leituras!

Corre para garantir seu exemplar aqui na Bamboletras!
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📍 De segunda à sábado, das 10h às 21h. Domingos, das 15h às 21h.
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.oOo.

Autobiografia, de José Luís Peixoto (Cia. das Letras, 272 páginas, R$ 69,90)

Neste romance, José Luís Peixoto tem a ousadia de transformar em personagem ninguém menos que José Saramago. Na Lisboa dos anos 1990, o jovem escritor José vê seu caminho se cruzar inúmeras vezes com o de outro autor, Saramago, depois de ser contratado para escrever sua biografia. Seja em feiras de livros ou reuniões com o próprio biografado, esses encontros são o início de uma história surpreendente. José Luís Peixoto, considerado pelo autor de Ensaio sobre a cegueira “uma das revelações mais surpreendentes da literatura portuguesa”, acompanha nesta Autobiografia tanto José quanto Saramago, dois personagens distintos mas complementares. Ao explorar os limites entre a vida e a literatura com uma prosa carregada de detalhes e lirismo, e ao mesmo tempo mergulhar fundo nas obsessões, Peixoto constrói uma narrativa que leva os leitores a um final inesperado.

A Pediatra, de Andréa Del Fuego (Cia. das Letras, 160 páginas, R$ 54,90)

Com humor mordaz, o novo romance de Andréa del Fuego apresenta a história de uma personagem muito peculiar: Cecília, uma pediatra nada afeita a crianças. Cecília é o oposto do que se imagina de uma pediatra – uma mulher sem espírito maternal, pouco apreço por crianças e zero paciência para os pais e mães que as acompanham. Porém a medicina era um caminho natural para ela, que seguiu os passos do pai. Apesar de sua frieza com os pacientes, ela tem um consultório bem-sucedido, mas aos poucos se vê perdendo lugar para um pediatra humanista, que trabalha com doulas, parteiras e acompanha até partos domiciliares. Mesmo a obstetra cesarista com quem Cecília sempre colaborou agora parece preferi-lo. Ela fará, então, um mergulho investigativo na vida das mulheres que seguem o caminho do parto natural e da medicina alternativa, práticas que despreza profundamente. Em paralelo, vive uma relação com um homem casado, de cujo filho ela acompanhou o nascimento como neonatologista. E é esse menino que irá despertar sentimentos nunca antes experimentados pela pediatra.

Roland Barthes: Biografia, de Tiphaine Samoyault (Ed. 34, 616 páginas, R$ 98,00)

Figura central do pensamento francês no século XX, Roland Barthes (1915-1980) foi também um ser à margem. O pai morto na Primeira Guerra Mundial, a mãe adorada durante toda a vida, a descoberta precoce da homossexualidade logo lhe incutiram o sentimento da própria diferença. Viveu à distância os grandes acontecimentos da história contemporânea, mas nem por isso sua vida foi menos marcada pelos ímpetos violentos e intensos do século que ele ajudou a tornar inteligível. Com base em materiais inéditos (arquivos, diários, documentos pessoais), esta biografia de Barthes lança nova luz sobre suas ideias, suas recusas, seus desejos. Percorrendo os temas de eleição do autor — obras, criadores, linguagens, teorias, mitos —, Tiphaine Samoyault confere coerência e substância à figura de Barthes. Homem de sua época, ele segue falando à nossa, seja por sua prontidão perspicaz à aventura intelectual e literária, seja ainda por sua reticência íntima e irônica diante de todo discurso de autoridade.

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O Museu Darbot, de Victor Giudice

O Museu Darbot, de Victor Giudice

Este é um livro de 1994 que ganhou o Jabuti do ano seguinte e que recebi de presente do leitor e cliente da Bamboletras Helion Povoa Neto — ele encontrou ecos deste Darbot em meu livro Abra e Leia… Só que eu não conhecia o livro e nem Giudice.

O Museu Darbot está há anos fora de catálogo. Sua editora, a Leviatã… Nem sei se ainda existe. Porém, após a leitura do livro, só posso me sentir lisonjeado, pois o livro de contos de Giudice é excelente!

Victor Giudice foi escritor, crítico, músico e professor que viveu de 1934 até 1997. Talvez Helion tenha visto pontos em comum em duas coisas: (1) o amor e as citações de música erudita e (2) as viradas nas histórias dos contos. O multifacetado Giudice dava aulas sobre música erudita e foi diretor da Sala Cecília Meirelles no Rio de Janeiro, mas também foi um respeitado compositor de sambas que chegou a ser convidado para integrar a ala de compositores da Escola de Samba Unidos de Vila Isabel. E ganhava a vida como bancário.

No mais, trata-se de um escritor altamente sofisticado. O melhor de todos os contos é o que dá título ao livro.  Num livro marcado pela música, este conto fala do mundo das artes plásticas, com seus enganos e enganadores. Também fala de autorias. Os texto é fluido, muito grudento e a verdade vai sendo apresentada em várias camadas que alteram as impressões anteriores. Coisa de mestre mesmo. Cavalos, a original crítica social de Jurisprudência e o censurado pela ditadura O hotel também não são nada esquecíveis.

São nove excelentes contos. Um bem diferente do outro em tema e estilo. Há sátiras e idílios, delírios e lógica, música e pintura, densidade e fluidez, conforme cada conto exige.

Agora, sempre fico triste quando vejo um escritor desta qualidade ser esquecido. Há um site sobre Victor Giudice na internet e pouca coisa mais. Quem fala nele hoje?

 

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O Walking Football

O Walking Football

Lembrando Santiago Ortiz Monsalve

Eu não conhecia o walking football. Quem primeiro conversou a respeito comigo — pois o praticava no País de Gales — foi o Santiago citado acima. Ele, apesar de jovem, jogava o walking football com pessoas idosas em Swansea e dizia que era complicado porque em hipótese alguma podia-se correr atrás da bola. Só se pode caminhar, sempre com um pé no chão, como a marcha atlética das Olimpíadas, por exemplo. Como driblar, como evitar que a bola nos fuja? Como se calcula o chamado ponto futuro? Como se bate uma falta?

Bem, nunca joguei, mas o walking deve ser ótimo. Imagine seguir jogando futebol, mesmo depois dos 60 anos? Imagine um futebol inclusivo e preparado para ter menor impacto físico e que ao mesmo tempo favorece uma longevidade ativa?

O esporte pode ser praticado tanto em ambientes internos quanto externos e existem milhares de times em todo o Reino Unido, com jogadores com mais de 50, 60 e 70 anos. O esporte também se tornou popular entre mulheres.

Embora baseado no futebol, o walking tem cerca de 50 diferenças em relação ao futebol padrão. Por exemplo, se um jogador corre, é marcado um tiro livre para o adversário. Essa restrição, juntamente com a proibição de carrinhos, tem como objetivo evitar lesões e facilitar a prática do esporte por aqueles que são fisicamente desfavorecidos. O jogo era originalmente jogado sem goleiros — embora haja variações — e a bola nunca deve ser chutada acima da altura da cabeça. Diferentes bolas são usadas nas variações indoor e outdoor do esporte. E o tamanho do campo pode variar para se adequar a diferentes locais.

E mais não sei, mas gostaria de tentar.

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Os livros mais vendidos na Livraria Bamboletras em 2021

Os livros mais vendidos na Livraria Bamboletras em 2021

Sorry, Chico Buarque.

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A Mulher Amaldiçoada, de Tassaert x A Origem do Mundo, de Courbet

Os desejos e a liberdade sexual da mulher sempre assustaram os homens — e isso ocorre até os dias de hoje, não? O que o Santander acharia dos quadros abaixo, cujo mais novo completará 156 anos em 2022?

“A Mulher Amaldiçoada” (1859), de François Octave Tassaert.

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Mas em que mundo tu vive?, de José Falero

Mas em que mundo tu vive?, de José Falero

Não tenho o hábito de ler crônicas, apesar de escrever algumas. Por isso, não fiquei muito satisfeito quando vi que o segundo livro de José Falero pela Todavia seria do gênero. Claro, queria outro romance após o esplêndido Os Supridores. Mas minha contrariedade foi vencida rapidamente por Falero. Li Mas em que mundo tu vive? com grande prazer. Sim, com grande prazer, apesar dos temas abordados não serem exatamente luminosos. Acontece que o humor do autor, a habilidade para contar seus causos e a indiscutível inteligência de suas argumentações dão enorme contentamento ao leitor. Falero fala do que sabe. E ele sabe coisas que a maioria do público leitor brasileiro ignora.

Por experiência própria, Falero conhece as diferenças entre morar na periferia e no centro de uma grande cidade brasileira, sabe como os pobres são afastados dos bairros centrais, sabe o que sentem nos ônibus lotados quando vão servir aqueles têm posses e, bem, a alegria do leitor não vem destes tristes fatos — vem de ler um baita contador de histórias, vem da qualidade da prosa, do ato artístico e da revelação de coisas que ficam invisíveis ou mudas, pois os pobres parecem se comunicar por mímica com os privilegiados, jamais sendo efetivamente ouvidos, apenas limpando banheiros, atendendo em restaurantes, construindo edifícios, vendendo coisas nas ruas, permanecendo atirados nas calçadas ou vivendo a violência de seus bairros.

Neste sentido de narrar coisas tristes com humor e graça, Falero tem algo de Lucia Berlin. Ele muitas vezes faz a gente rir das desgraças, o que não as torna cor-de-rosa, pelo contrário. É que o tom geral é o de uma conversa muito peculiar, algo entre o coloquial e o culto que nos coloca na mesa de bar, louco por uma cerveja. Muitas das crônicas também são autobiográficas, onde ficamos sabendo muito do autor, do (bom) jogador de futebol, do aluno, do aprendiz de músico, do filho, irmão e amigo. Especialmente nestas crônicas, o humor de Falero reina com tudo.

Mas o cerne do livro é a exploração do trabalho, o racismo, a separação em castas e a falta de empatia de quem é privilegiado por uma melhor educação, alimentação, trabalho, transporte, tudo. (As minhas frases de muitas vírgulas vão por conta da variedade de temas…) E o bom do livro é que passamos a olhar de um modo diferente o que acontece a nosso redor. É um livro de graça e luta, de uma luta justa.

RECOMENDO FORTEMENTE.

José Falero | Foto: Flávio Dutra / JU

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Nelson Rego, sobre Abra e Leia

Nelson Rego, sobre Abra e Leia

Olá, Milton. Antes de abrir e começar a ler, eu estava achando que o título do livro era brincalhão. Bom, e é isso mesmo, mas também é, ao seu modo, apocalíptico, por que não? “Tudo é movimento irregular e contínuo, sem direção e sem meta”, a epígrafe de Montaigne ficou perfeita aplicada não apenas ao conto Breve relato da aniquilação, mas ao livro todo. Há comédia nas histórias e é exatamente por aí, no breve riso, que o irregular sem pausa, sem direção e sem meta, se infiltra por rachaduras abertas a todo instante. Li na ordem em que os contos se apresentam, do primeiro ao último. Perto do fim, estava com sensação de feira do burlesco, com atores mambembes fazendo alegorias da morte. E então encontrei a tua nota final sobre O Sétimo Selo. O bom é que os teus apocalipses insinuados se fazem sem grandiloquência, coerentes com as pequenas comédias do cotidiano cheias de fraturas. Não é um apocalipse de uma só vez, hollywoodiano. A abertura do derradeiro selo acontece em conta-gotas e, por vezes, é de uma graça que desvia o drama de resvalar em direção à desgraça. O teu apocalipse deixa a dúvida, irá mesmo acontecer? E aí está o melhor. Meus contos preferidos foram Adaptações, Para não falar de todas as mulheres (uma pausa no fim dos tempos, um doce com cafezinho), Breve relato da aniquilação, Luciana e o hedonismo, Daqueles que não se denunciam e Vicentina.

Abraço. Espero que 2021 não se torne para o Inter o que 2003 foi para o Grêmio: a prévia da queda mais do que anunciada para o ano seguinte.

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A Mão de Deus, de Paolo Sorrentino

A Mão de Deus, de Paolo Sorrentino

Eu e Elena vimos ontem o novo Sorrentino, A Mão de Deus. É um filme diferente dos outros do cineasta, é menos feérico, quase sem música e muito mais melancólico. É também autobiográfico, o que talvez explique a falta das belas cenas aleatórias dos outros filmes.

Nas entrevistas, o assunto de Sorrentino foi Maradona e Fellini. O gênio argentino teria salvo sua vida. Explico: o jovem Paolo ficou em casa no fim de semana para poder ver Maradona num Napoli x Empoli, livrando-se de morrer junto com os pais. Quanto á Fellini, pô, os jornalistas querem um novo Amarcord e A Mão de Deus é 100% outra coisa… Não é um filme-delícia!

Claro que recomendo, apesar de preferir Juventude e A Grande Beleza.

Sorrentino é grande!

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Por mais e melhores canções de Natal

Ontem, eu estava falando com um pessoal da música erudita de Porto Alegre. Nesta época de Natal, é normal que se interpretem músicas natalinas que vão desde O Messias de Handel e o Oratório de Natal de Bach, até as várias canções populares de Natal brasileiras e estrangeiras que recentemente passaram a incluir a, desculpem, muito xaroposa Hallelujah, de Leonard Cohen. (Sim, gosto de Cohen, não gosto é desta canção).

Mas, nos últimos anos, eu noto a ausência da mais laica Happy Xmas (War Is Over), de John Lennon, que é excelente para corais — por favor, esqueçam Simone, esqueçam Simone… Por que deixam esta música de fora?

E, sonho impossível, temos a desconhecida e divertida Merry Xmas Everybody, do Slade, que tem a letra mais engraçada de todas e que jamais será tocada, creio, pois é demasiadamente rock and roll.

Mas, dentre horrores religiosos, cantam Anoiteceu — na verdade o título da canção é Boas Festas — , que também é laica e que tem uma letra-verdade bem dura, apesar da muito alegre melodia. Seus autor, Assis Valente, suicidou-se após várias tentativas e a letra é de cortar os pulsos.

Já faz tempo que eu pedi
Mas o meu Papai Noel
Não vem
Com certeza já morreu
Ou, então felicidade
É brinquedo que não tem
(Laiá laiá, laiá lalaiá, laiá lalaiá, laiá lalaiá)

Merry Xmas Everybody
Slade

Are you hanging up a stocking on your wall?
It’s the time that every Santa has a ball
Does he ride a red nosed reindeer?
Does he turn up on his sleigh
Do the fairies keep him sober for a day?

So here it is merry Christmas
Everybody’s having fun
Look to the future now
It’s only just begun

Are you waiting for the family to arrive?
Are you sure you got the room to spare inside?
Does your granny always tell ya that the old songs are the best?
Then she’s up and rock ‘n’ rollin’ with the rest

So here it is merry Christmas
Everybody’s having fun
Look to the future now
It’s only just begun

What will your daddy do
When he sees your Mama kissin’ Santa Claus?
Ah ah

Are you hanging up a stocking on your wall?
Are you hoping that the snow will start to fall?
Do you ride on down the hillside in a buggy you have made?
When you land upon your head then you’ve been Slade

So here it is merry Christmas
Everybody’s having fun
Look to the future now
It’s only just begun

So here it is merry Christmas
Everybody’s having fun
Look to the future now
It’s only just begun

So here it is merry Christmas
Everybody’s having fun
Look to the future now
It’s only just begun

So here it is merry Christmas
Everybody’s having fun
Look to the future now
It’s only just begun

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Debaixo do boné do Falero

Debaixo do boné do Falero

Ler para o outro é um ato de puro amor. Eu acho. E ler para a pessoa amada é mais ainda, claro.

Não sei se leio bem ou se a Elena é boa ouvinte, mas a coisa funciona e hoje eu estava terminando o livro do José Falero com a Elena deitada a meu lado quando vi que, em uma das crônicas finais de “Mas em que mundo tu vive?”, ele cita a Livraria Bamboletras.

Fiquei muito comovido por duas razões: pela livraria que tento fazer sobreviver e por Falero falar de seu pai, morto há 20 anos, tal como o meu. Sim, esta crônica foi uma das que me atingiram com força.

E a Elena acaba de perguntar:

— O Falero é aquele cara que a gente encontrou com a mãe dele no Café Cantante?

— Sim.

— Quanto talento debaixo daquele boné, hein?

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Belfast, de Kenneth Branagh e A Crônica Francesa, de Wes Anderson

Acabamos de ver o magnífico Belfast (2021), de Kenneth Branagh. Às vezes, quando um grande artista volta-se para a própria infância, dá nisso. E fica claro que a infância de Branagh — passada na Irlanda do Norte das guerras religiosas dos anos 60-70 — estava pedindo atenção. Baita filme! Atenção para a linda fotografia.

.oOo.

Por outro lado, não consigo gostar de Wes Anderson. Invariavelmente, me dá um tremendo sono. Este A Crônica Francesa… Tudo muito bonitinho e bem escrito, mas não me envolve nem um pouco. Ou envolve tanto que durmo…

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São coisas não tão lindas que eu tenho pra te dar

São coisas não tão lindas que eu tenho pra te dar

É inacreditável, mas eu cantei algo como MPB e bossa nova por umas 3h no aniversário do Francisco Marshall e todos sobreviveram.

Eu e Pedro Pereira mandando bala — sendo claro, muito mais ele do que eu…

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Livros à mancheia!

Livros à mancheia!

Livros, há presente melhor? Eles duram muito, passam muito tempo com a pessoa presenteada, costumam vir encharcados em humanidade, ajudam a entender melhor a vida ampliando nossa visão de mundo com entretenimento, imaginação, informação e reflexão. São bons de dar e receber.

Como diz Neil Gaiman, os livros são grandes presentes porque eles têm mundos inteiros dentro deles. E é muito mais barato comprar um livro para alguém do que comprar o mundo inteiro.

Melhor ainda se você comprá-los numa pequena livraria como a Livraria Bamboletras. A forma mais gostosa de receber algo querido é pelas mãos de quem realmente precisa.

Estamos combalidos, recém saindo da pandemia e, como diria Drummond, precisamos de todos. Compre livros neste Natal! E nas independentes!

📝 Faz teu pedido na Bambô:
📍 De segunda à sábado, das 10h às 21h. Domingos, das 14h às 21h.
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Foto de Ricardo Stricher

Foto de Ricardo Stricher

Vejam a beleza desta foto tirada no Parque da Redenção (Porto Alegre).

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Bom final de domingo!

Bom final de domingo!

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Shakespeare: o discurso do Dia de São Crispim em Henrique V

Shakespeare: o discurso do Dia de São Crispim em Henrique V

Eu não sei quem é o autor para o português da tradução que copio abaixo. E é claro que o significado deste famoso discurso ultrapassa em muito o filme de Branagh, Henrique V, pois, afinal, o Discurso do Dia de São Crispim faz parte da peça histórica de William Shakespeare, Henrique V, Ato IV, Cena III.

Na véspera da Batalha de Azincourt (parte da Guerra dos 100 Anos), que caiu num dia de São Crispim — para ser mais exato, em 25 de outubro de 1415 –, Henrique V exorta seus homens, que estavam em número muito menor do que os franceses, a imaginar a glória e a imortalidade que teriam se fossem vitoriosos. O discurso foi repetido por Laurence Olivier para elevar o espírito britânico durante a Segunda Guerra Mundial, e por Kenneth Branagh no filme Henry V, de 1989. Nele, está a famosa expressão band of brothers. A peça foi escrita por volta de 1600, e vários escritores posteriores usaram partes dela em seus próprios textos.

Explicando melhor: o exército britânico estava em solo francês. Depois de uma campanha malsucedida, estavam procurando voltar para a Inglaterra, doentes e exaustos. Porém, foram alcançados pelos franceses. Logo antes de começar a batalha, os nobres ingleses discutiam entre si, comentando que o inimigo estava descansado, inteiro e, bem, em esmagadora superioridade numérica. Os ingleses tinham aproximadamente 7 mil homens, os franceses por volta de 20 mil. E o primo do rei suspirou, dizendo que gostaria de ter os homens que ficaram na Inglaterra fazendo nada.

A seguir, o vídeo do filme — Branagh faz alguns cortes –, o que diz Westmoreland e a resposta de Henrique V, em português e o original de Shakespeare:

O conde de Westmoreland, primo do rei, lamenta a falta de mais homens para pelo menos tentar equilibrar um pouco a enorme diferença dos efetivos de combatentes. O rei toma a palavra então:

Quem expressa esse desejo? Meu primo Westmoreland? Não, meu simpático primo; se estamos destinados a morrer, nosso país não tem necessidade de perder mais homens do que nós temos aqui; e , se devemos viver, quanto menor é o nosso número, maior será para cada um de nós a parte da honra. Pela vontade de Deus! Não desejes nenhum um homem a mais, te rogo! Por Júpiter! Não sou avaro de ouro, e pouco me importo se vivem às minhas expensas: sinto pouco que outros usem minhas roupas: essa coisas externas não encontram abrigo entre as minhas preocupações; mas se ambicionar a honra é pecado, sou a alma mais pecadora que existe.

Não, por fé, não desejeis nenhum homem mais da Inglaterra. Paz de Deus! Não quereria, pela melhor das esperanças, expor-me a perder uma honra tão grande, que um homem a mais poderia quiçá compartir comigo. Oh! Não ansieis por nenhum homem a mais! Proclama antes, através do meu exército, Westmoreland, que aquele que não for com coração à luta poderá se retirar: lhe daremos um passaporte e poremos na sua mochila uns escudos para a viagem; não queremos morrer na companhia de um homem que teme morrer como companheiro nosso.

Este dia é o da festa de São Crispim; aquele que sobreviver esse dia voltará são e salvo ao seu lar e se colocará na ponta dos pés quando se mencionará esta data, ele crescerá sobre si mesmo ante o nome de São Crispim. Aquele que sobrevier esse dia e chegar a velhice, a cada ano, na véspera desta festa, convidará os amigos e lhes dirá: “Amanhã é São Crispim”. E então, arregaçando as mangas, ao mostrar-lhes as cicatrizes, dirá: “Recebi estas feridas no dia de São Crispim.”

Os velhos esquecerão; mas, aqueles que não esquecem de tudo, se lembrarão todavia com satisfação das proezas que levaram a cabo naquele dia. E então nossos nomes serão tão familiares nas suas bocas com os nomes dos seus parentes: o rei Harry, Bedford, Exeter, Warwick e Talbot, Salisbury e Gloucester serão ressuscitados pela recordação viva e saudados com o estalar dos copos.

O bom homem ensinará esta história ao seu filho, e desde este dia até o fim do mundo a festa de São Crispim e Crispiano nunca chegará sem que venha associada a nossa recordação, à lembrança do nosso pequeno exército, do nosso bando de irmãos; porque aquele que verter hoje seu sangue comigo, por muito vil que seja, será meu irmão, esta jornada enobrecerá sua condição e os cavaleiros que permanecem agora no leito da Inglaterra irão se considerar como malditos por não estarem aqui, e sentirão sua nobreza diminuída quando escutarem falar daqueles que combateram conosco no dia de São Crispim.

(A vida do rei Henrique V, ato IV, cena III)

.oOo.

O original sem cortes:

What’s he that wishes so?
My cousin, Westmorland? No, my fair cousin;
If we are mark’d to die, we are enough
To do our country loss; and if to live,
The fewer men, the greater share of honour.
God’s will! I pray thee, wish not one man more.

By Jove, I am not covetous for gold,
Nor care I who doth feed upon my cost;
It yearns me not if men my garments wear;
Such outward things dwell not in my desires.
But if it be a sin to covet honour,
I am the most offending soul alive.
No, faith, my coz, wish not a man from England.
God’s peace! I would not lose so great an honour
As one man more methinks would share from me
For the best hope I have. O, do not wish one more!
Rather proclaim it, Westmorland, through my host,
That he which hath no stomach to this fight,
Let him depart; his passport shall be made,
And crowns for convoy put into his purse;
We would not die in that man’s company
That fears his fellowship to die with us.

This day is call’d the feast of Crispian.
He that outlives this day, and comes safe home,
Will stand a tip-toe when this day is nam’d,
And rouse him at the name of Crispian.
He that shall live this day, and see old age,
Will yearly on the vigil feast his neighbours,
And say “To-morrow is Saint Crispian.”
Then will he strip his sleeve and show his scars,
And say “These wounds I had on Crispin’s day.”

Old men forget; yet all shall be forgot,
But he’ll remember, with advantages,
What feats he did that day. Then shall our names,
Familiar in his mouth as household words—
Harry the King, Bedford and Exeter,
Warwick and Talbot, Salisbury and Gloucester—
Be in their flowing cups freshly rememb’red.

This story shall the good man teach his son;
And Crispin Crispian shall ne’er go by,
From this day to the ending of the world,
But we in it shall be rememberèd—
We few, we happy few, we band of brothers;
For he to-day that sheds his blood with me
Shall be my brother; be he ne’er so vile,
This day shall gentle his condition;
And gentlemen in England now a-bed
Shall think themselves accurs’d they were not here,
And hold their manhoods cheap whiles any speaks
That fought with us upon Saint Crispin’s day.

Batalha de Azincourt em miniatura do século XV | Autoria de Thomas_Walsingham

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