Concerto em sol maior de Ravel: 2º mvto, Adagio assai

Bem, ficarei fora da cidade e desconectado durante o fim de semana. Deixo com vocês o belo tema do movimento central do Concerto para Piano e Orquestra em Sol Maior, de Maurice Ravel. O tema foi esplendidamente utilizado por Alejandro González Iñárritu em Biutiful, filme que acabo de ver. O filme não é tudo isso.

A interpretação abaixo é de Hélène Grimaud, um dos símbolos sexuais e culturais deste ínclito blog, estrela deste Porque Hoje é Sábado e a maravilhosa pianista deste post dominical. O regente é Vladimir Jurowski e a orquestra deve ser a Chamber Orchestra of Europe, calculo.

Ou clique aqui.

~o~

Futebol (notícia de agora):

Inter acaba de contratar Fernando Cavenaghi. Leia aqui. E, abaixo, alguns de seus gols. É um jogador divertido.

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No Jornalismo B

Hoje, estou com um artigo no Jornalismo B:

A esquerda tem os melhores escritores, os maiores artistas, os mais renomados cientistas sociais, os mais influentes historiadores, enfim, produz os mais importantes bens culturais de nosso tempo, mas não tem um grande jornal gerador de notícias, um daqueles que paute a mídia. Fui muito rápido? Então vamos por partes.

Leia mais.

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A Fita Branca, de Michael Haneke, foi o melhor filme de 2010

OK, eu abandonei a lista de filmes que mantenho no blog. Esqueci dela, assim como esqueci de declarar o melhor filme do ano passado, em minha humilde opinião. Claro, o mundo não mudará se eu não declinar minha lista, mas eu costumo encher o saco dele todos os anos.

Não foi um ano tão fraco quanto os anteriores. A Fita Branca, de Michael Haneke, foi DISPARADO o melhor filme de 2010. Outros bons filmes foram o argentino O Segredo dos seus Olhos, de Juan José Campanella, o italiano Vincere, de Marco Bellocchio — fui convencido por amigos de que se tratava de um bom filme, apesar de não aprovar seu estilo tonitruante — , O Escritor Fantasma, de Roman Polanski, Tudo pode dar certo, de Woody Allen e O que resta do tempo, de Elia Suleiman.

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Temperatura possível

Quem conhece Porto Alegre sabe o quanto ela pode ser quente no verão. É o chamado Forno Alegre. Há locais no interior que é ainda pior, mas vivo aqui e já é ruim o suficiente. Fico desanimado para trabalhar, mas ontem houve algumas horas — entre às 18 e às 24h — de trégua do calor. Estava uns 26-28 graus, acho, e quando cheguei em casa tinha 6 horas pela frente nas quais poderia produzir alguma coisa confortavelmente, sem ficar suando como um louco.

Aquilo — a possibilidade de não precisar correr para o quarto onde tem ar condicionado — me causou uma certa vertigem. Havia imenso e inédito tempo livre pela frente, 6 horas! Fui olhar meus e-mails e havia dois bastante graves. Um erro bobo num conto meu que será publicado e , putz, eu tinha prometido (e esquecido) um artigo para quinta-feira de 4000 caracteres sobre jornalismo eletrônico. Só que a vertigem foi tanta que me deitei na sala e dormi um raro sono fora do ar condicionado e dos sprays de Repelex e Off, meus perfumes desta época. Acordei às 20h, tomei um banho e fui jantar. Depois, fui ver um jogo de tênis na TV e não fiz nada.

Sou um neurótico que fica puto com a perda de tempo. Se é para fazer nada, melhor fazê-lo interagindo com outras pessoas. Mas ontem, não. O alívio era tamanho que gostei de ficar vadiando. Não abri um livro, não escrevi nem corrigi nada, não olhei o twitter, não procurei aquele livro perdido. Nada.

Bom, vou corrigir o conto. Com licença.

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Mistureca dominical: Schubert, Brendel, Vivaldi, Bartoli, Bach, Koopman

Hoje, só gente legal e simpática.

Primeiro, o Impromptu Nº 3 de Schubert, uma das peças mais famosas do homem para qual a vida valia a pena por causa do vinho, das mulheres e da música, nesta ordem. Alfred Brendel, imenso e querido pianista recém aposentado, é o intérprete.

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Aqui, Cecilia Bartoli, que, segundo ela, já nasceu cacarejando, dá um show junto com Il Giardino Armonico de Giovanni Antonini na ária Anch’il mar par che sommerga da ópera Bazajet (1735), de Antonio Vivaldi.

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Como eu disse, hoje é o dia de gente simpática, daquele tipo que dá entrevistas fantásticas para nossa diversão. E eu não poderia deixar de fechar o post senão com o esquisitão e brilhante Ton Koopman, de quem ouvi anteontem a melhor gravação da Sinfonia “A Reforma” de Mendelssohn que se possa imaginar — gravação pirata, roubada de um concerto dado no auditório da Rádio Estatal da Finlândia (Helsinque) e capturada pela Grande Rede. A música é célebre Ária na Corda Sol, segundo movimento da Suíte Nº 3 de J. S. Bach.

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E um bom domingo a todos!

P.S. — Quando Alfred Brendel encerrou sua carreira, eu não publiquei nenhuma notinha aqui no blog. Lamentável. Então, como um pedido de desculpas que ele nunca verá nem entenderia, publico duas de fotos que gosto muito. A primeira, com sua gata, Minnie.

Só Brendel me faria publicar uma foto de gato neste blog cachorreiro e hostil a tais bichanos. E a próxima foto é emocionante. É o pianista no túmulo de Schubert, ou seja, o compositor e seu maior intérprete.

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É proibido gostar de Saramago

Não, ninguém é obrigado a gostar de José Saramago. Nem do escritor, nem do político, nem do homem. Porém, ele ganhou o Nobel e isso tira muita gente de seu prumo. Nosso complexo de vira-latas nos faz pensar que, quando alguém de nossa sociedade se destaca, é porque ou roubou ou foi beneficiado por quem roubou. Muitas vezes alguém que deveria ser alvo de nossa admiração é simplesmente “rebaixado” como gay…  Enfim, o bom mesmo é ser igual a todo mundo, embora a maioria aja de forma diversa, pois paradoxalmente milhares querem se destacar num BBB ou coisa pior.  O nome disso: inveja. Lembro de quantos no passado chamavam Tom Jobim de embuste… Seria apenas um epígono do jazz. Dia desses, um post laudatório sobre Oscar Niemeyer foi capaz de jogar meio mundo contra ele e suas obras. Na boa, fiquei rindo, imaginando quando aquilo ocorreria em outro país que conheça. Nunca, é coisa nossa. Já ouvi também gente dizendo que Chico Buarque é um compositor e letrista apenas regular e que só ele usaria a ridícula palavra “cabrocha”. Dificuldades com os gênios deste país? Ora, certamente.

Com o tempo e o contato com vários amigos portugueses, descobri que isto é uma herança daquele país. Há países que homenageiam seus maiores autores. Nas livrarias de Montevidéu, só dá Benedetti. Nas de Buenos Aires, o autor argentino manda (e merece). Mesmo antes do Nobel, Saramago era combatido por ganhar muitos prêmios, por falar (ser entrevistado) demais, por ser convidado (e aceitar) demais. Ah, a inveja, os ciúmes que nos corroem!

Hoje, o bom intelectual deve duvidar da profundidade e da importância de O Evangelho segundo Jesus Cristo, deve achar mais ou menoso extraordinário O Ano da Morte de Ricardo Reis, tem que ignorar Caim e afirmar que As Intermitências da Morte é um livro de gênero transversal. Gosto muito de todos eles e acrescento ainda o “detestável” Ensaio sobre a Cegueira e o “mal realizado” A Jangada de Pedra, pois seria um livro onde a coisa mais extraordinária e insuperável ocorre nos primeiros minutos de jogo, deixando o autor sem ter o que fazer no restante das páginas… Mas também há os que não gosto mesmo: acho Todos os Nomes, o célebre Levantado do Chão e a tal Viagem do elefante bem fracos. Fazer o quê?

Ou será que o ódio de alguns ao autor têm raízes geopolíticas? O cara era ateu e comunista. Como Niemeyer e Chico. Pode até ser, mas aposto mais no Complexo de Vira-Latas.

Ontem, uma pessoa que não conheço e que não é minha “amiga” no Facebook, publicou em seu perfil esta imagem.

Trata-se de uma alusão ao admirável documentário José e Pilar. O primarismo da montagem não adere a nada que foi mostrado no delicado filme, mas a “autora” cometeu um outro ato bastante desagradável. Resolveu agredir as pessoas que já declararam gostar de Saramago. Ora, todos nós sabemos que a segurança do Facebook inexiste, que a gente entra onde quer e quando quer. Os motivos disso é a vontade dos produtores do aplicativo. Eles que querem ser sedutores e mostrar as grandes qualidades (reais) do Facebook e… Dane-se a segurança. Pois a imagem acima foi marcada em todos os seus cantos como se tivessem fotos de pessoas — quem conhece o programa sabe do que estou falando. Desta forma, a cada comentário feito à imbecil imagem, todos os marcados recebiam um e-mail com o conteúdo. O título do e-mail é assim: Juliana L. comentou uma foto sua. Então eu clico sobre um endereço e encontro a imagem acima. Dã.

É uma forma bem cretina de agressão, pois a autora deve ter me encontrado na internet elogiando seu desafeto póstumo e sabia que eu ia começar a receber e-mails. Por sorte, conheço alguma coisa do Face e me retirei da imagem. Ah, elogiei também o filme! Foi meu erro…

Olha, desconfio muito de quem escolhe Saramago como um importante alvo. Há tantos, mas tantos alvos que merecem chiste que começo a achar que quem o agride com tanta inisistência é católico, direitista e morre de inveja até de quem participa do BBB. Porque nada, na obra ou no homem Saramago justifica tal vulgaridade. Leiam ou releiam o autor, vejam o filme e comparem com a imagem acima. Nada a ver.

Como disse no início é permitido não gostar de Saramago, Paulo Coelho, Shakespeare ou Thomas Mann. Mas, para fazê-lo, é mais honesto usar argumentos.

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Dois meses após o último escândalo, Prates "deixa" a RBS

Sim, nós não somos trouxas e sabemos que ele foi demitido em função da pressão de tantas piadas. que punham a grande ridículo seus empregadores. O radialista, comentarista,  colunista e fascista Luiz Carlos Prates está deixando a RBS para se dedicar a projetos pessoais. É o que dizem. Estava no grupo há 23 anos. Segundo a RBS de Santa Catarina, Prates deixa incontáveis admiradores. Certamente referem-se aos espectadores do YouTube, onde seus vídeos são bastante populares.

Num deles, acusava o governo Lula pelo aumento do número de acidentes nas estradas. Afinal, qualquer miserável compra um carro agora! Mas há mais. Noutro, fez a apologia do período da ditadura militar, afirmando que nele não houvera censura ou repressão e sim segurança. Para o articulista, desde o fim da ditadura, “o Brasil só andou para trás”. Mas há vários disparates mais. Não vou colocá-los aqui. Basta.

R.I.P.

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Os dois maiores filmes recentes sobre o amor?

Sabe-se que as grandes obras costumam girar sobre três temas básicos: o amor, a morte e deus. O cinema adora o amor, até porque é mais leve do que fazer filmes sobre o silêncio de deus e poucos além de Bergman sabem falar da morte. Porém, os dois filmes que escolhi também falam sobre a morte.

As Pontes de Madison é narrado através das cartas de uma mãe recém falecida, Francesca Johnson (Meryl Streep), e esta fala sobre outra morte, a do fotógrafo da National Geographic Robert Kincaid (Clint Eastwood). Em Encontros e Desencontros — incrível tradução de Lost in Translation — fica tão clara a diferença de idade entre os personagens de Scarlett Johansson e Bill Murray, que só podemos pensar: ela é muito jovem e tem a vida pela frente, ele tem muito menos tempo. Bem, de qualquer modo, a morte está em quase toda manifestação humana.

Lost in Translation (2003) é o segundo filme de Sofia Coppola. Bill Murray faz um ator de meia-idade que se encontra em Tóquio para uma campanha publicitária. É casado e desanimado, inclusive com seu casamento. Ele se sente oprimido com a rotina sem sentido de sua vida. No hotel, onde está hospedado sozinho, conhece Charlotte (Scarlett Johansson), uma jovem recém casada que aguarda o marido que está trabalhando por alguns dias noutras cidades do Japão. Há nele enorme entusiasmo profissional, mas quase nenhum por sua jovem mulher que é deixada a esperar. Ambos estão desconectados de seus parceiros e, juntos, começam a repartir horas que não passam enquanto se estabelece uma relação de compreensão mútua. O caso não vai adiante neste excepcional roteiro da própria diretora, filha de Francis Ford Coppola, autor de outro clássico deste cinema de momentos apenas respirados, A Conversação (1974).

As Pontes de Madison (The Bridges of Madison County, 1995) tem origem num livro bastante fraco de Robert James Waller. Eu o li. Alfred Hitchcock já ensinava que não se deveria pegar obras-primas literárias para passá-las ao cinema. Ao natural, dizia o gordo, as obras mas fracas são as que mais se prestam à conversão, talvez porque seja mais simples criar significados onde não há e é inviável imitar ou alterar o significado de obras densas. A história é simplíssima. Conta a história de Francesca (Meryl Streep) uma mulher casada que se envolve com um fotógrafo da revista National Geographic que, numa tarde indolente, chega a Madison, em Iowa, a fim de registrar imagens das famosas pontes cobertas. O marido e filhos de Francesca, que vive num sitio, estão ausentes devido a algum evento rural, como uma exposição de animais. A história é contada em flashbacks. Após a morte de Francesca, seus filhos descobrem um manuscrito que revela esta passagem de sua vida.

São obras de climas com vários pontos em comum, apesar de se passarem em ambientes diversos. A ação de Pontes de Madison ocorre no campo, em Madison County, para onde se dirigiu o fotógrafo Robert Kincaid (Clint Eastwood). Lost in Translation se passa no Japão, num hotel no centro da metrópole. E aqui cessam as grandes diferenças do quarteto ou quinteto: dois homens são fotógrafos, profissão que já pressupõe despojamento e viagens. Três são casados — só Kincaid-Eastwood não é — e três parecem estar decididamente à deriva pelo mundo — só Francesca-Streep está firmemente em casa. Porém, todos eles, casados ou bandoleiros, estão sentimentalmente à deriva e parecem encontrar amor ou o consolo em apenas um encontro efêmero.

Em verdade, sob o amor, há o tema da insatisfação. Nem o bobinho marido  workaholic de Scarlett no filme de Sofia Coppola parece feliz. Estão todos insatisfeitos; se Francesca, Robert e Bob Harris (Bill Murray) passaram e passarão suas vidas neste estado, a Charlotte de Johansson fica paralisada no meio da rua, enquanto Brian Ferry canta More than this, there is nothing.

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Exclusivo! A chegada de Ronaldinho ao Estádio Olímpico!

Ih, fodeu. O dentuço chegou…

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A$$i$ e Ronaldinho

Perdi bastante tempo na tarde de sábado no twitter, incomodando meus amigos gremistas e lendo piadas de colorados sobre a malograda vinda de Ronaldinho Gaúcho para Olímpico. O objeto das piadas era a negociação — notória demais, chata demais, cara demais — entre o Grêmio, o Flamengo, o Palmeiras e, aparentemente, todos os clubes do mundo que tivessem o celular de Roberto de Assis Moreira, irmão e empresário do objeto do desejo, o dentuço Ronaldinho. Eu tinha algum receio da vinda dele. Apesar de achá-lo um ex-jogador, apesar de saber que ele não faz uma partida decente há 5 anos, tinha medo, pois também achava que ele poderia, sob um rígido controle e aconselhamento, voltar a nos ofuscar com suas indiscutíveis luzes. Ou seja, eu sofria de um temor profilático, um pré-cagaço que me dizia “Vai que esse cara volte a jogar bola?”. E via que a transação estava fechada. O mais gremista dos colunistas da cidade, David Coimbra, dava a barrigada do século ao noticiar o fechamento da negociação; o presidente Paulo Odone mandava buscar caixas de som e convidava a torcida para a festa; conselheiros do clube davam o acordo como selado após o brinde feito na casa do dono da Coca-Cola aqui no sul, Ricardo Vontobel; ou seja, todos anunciavam a contratação.

O que sobrou foi um fiasco e muito mais. Ficou demonstrada a moral torta do jogador e de seus representantes e uma inexplicável ingenuidade de Odone, um dirigente experiente e político conhecedor das jogadinhas e tramoias que envolvem qualquer negociação, mas que tomou espetacular drible dos dois irmãos. O que fez com que ele caísse na esparrela dos Assis Moreira? Ficou burro? Havia uma comissão bonita por trás e ele ofuscou-se? Ou foi a mera vaidade míope, transfigurada na forma de um coercível desejo de iniciar sua nova gestão à frente do Grêmio com um grande lance?

Ninguém sabe. Mas vamos por partes.

Os grandes jogadores argentinos e alguns brasileiros, ao final de suas carreiras, retornam a seus clubes de origem ou àqueles clubes onde foram mais felizes. É a garantia de mais algum dinheiro — normalmente menos do que poderiam auferir se encerrassem suas carreiras no exterior — e a liquidação de uma dívida de gratidão. O caso mais notável é o de Verón, que retornou ao Estudiantes de la Plata para encerrar suas atividades e que segue recebendo propostas e mais propostas, pois a cada dia que passa joga ainda mais e melhor. Verón não as aceita, diz que nem as lê. De certa forma, também é o caso de vários colorados — alguns ainda jovens — que decidiram facilitar seu retorno ao Inter: casos de Nilmar, Renan, Tinga, Rafael Sóbis, Bolívar e vários outros. Foi nisso que Odone acreditou? Pois não deveria.

Ronaldinho saiu daqui há dez anos sem deixar um tostão nos cofres do clube por sua formação. É legal? Sim, mas não faz parte da atitude habitual dos jogadores. Eles não costumam deixar seus contratos expirarem para sairem livres. Eles costumam renová-los e sair do clube deixando uma boa multa rescisória. Ofendido em seus direitos, o Grêmio foi à Fifa para buscar os valores relativos à formação do atleta. Recebeu-os, parece-me que foi uma miséria e nunca mais Ronaldinho chegou próximo de seu clube de origem, nem pediu desculpas. Por que Odone pensou que, nesta negociação, haveria a vontade da família Assis Moreira de “limpar a barra”? Ora, as aparências realmente não apontavam para isso. Assis viajava de um lado para outro e tanto o Grêmio quanto Palmeiras e Flamengo anunciavam o acerto. Claramente Assis ouvia uma proposta aqui e a aceitava, mas ia ouvia a próxima que fosse maior e a aceitava também, realizando um estranho e desonesto leilão, pois deixava o anterior a ver navios. Deixando mais claro o leilão, Assis promovia coletivas com o único sentido de atiçar os compradores. Ao interpretar suas declarações, paracia-me que o craque queria jogar no Grêmio, ganhar salários no Palmeiras e curtir o Rio…

E a festa? Após convidar a torcida, para a apresentação de Ronaldinho, soube-se que o Grêmio já tinha instalado caixas de som e outros que tais para uma festa. Talvez tivesse comprado litros e litros de cerveja… Ora, Odone é um sujeito experiente, foi presidente do clube várias vezes, participou do governo Yeda e era o chefe da secretaria da Copa de 2014 em Porto Alegre. O que o fez falar apenas com Assis é um mistério, já que havia 3 pontas no negócio: o Grêmio, Ronaldinho e ainda a  liberação do Milan, com o qual o dentuço tem contrato até junho. Qualquer manual de negociação manda que falemos com os caras decisivos de TODAS AS PARTES ENVOLVIDAS. Assis disse que falaria com o Milan, que era ele o interlocutor com o clube de Berlusconi, e Odone acreditou… Tolo, não? O que terá rolado na conversa? O que convenceu Odone a ficar quietinho no seu quadrado enquanto Assis viajava?

E há, meus amigos, contra Ronaldinho e seu irmão, a questão moral.

Porra, a gente passa anos dando exemplo aos filhos sobre como agir, sobre o valor da palavra dada, sobre o CARÁTER, firmeza e confiabilidade que uma pessoa deve manter e vem um guri de merda sem a menor consciência ética dar um contraexemplo nacional, internacional. E, pior, que será objeto de festa no Flamengo, Palmeiras ou Blackburn ou em algum time dos Emirados. Vai seguir fazendo propaganda e vendido como exemplo de pessoa talentosa e bem-sucedida. O formato da coisa toda me enojou profundamente, ainda mais numa semana em que tive contato com outras pessoas de atitudes repulsivas. Olha, o padrão moral da família Assis Moreira é rasante e não gostaria se traçassem paralelos com sua origem humilde, de modo algum. É coisa lá deles. A família tem diversos imóveis na zona sul de Porto Alegre, é multimilionária e fica por aí fazendo um leilão de última categoria. Não precisava.

A não-vinda de Ronaldinho, patrocinada pela vexaminosa negociação do “Odono do Grêmio”, acabará por ser benéfica para o time da Medianeira. Não obstante minha paranoia, trata-se de um ex-atleta. A única coisa que o irmão de Assis traria ao seu ex-clube, seria dificuldades para impedir a desagragação do grupo, que conveviria com um festeiro de salário estratosférico. Talvez o Grêmio devesse comemorar o melhor futuro que decorrerá deste fracasso verdadeiro. Livraram-se de uma bomba.

A cerejinha podre que faltava: o deputado Gilmar Sossela (PDT) proporá moção que tornaria o jogador persona non grata no Rio Grande do Sul. De qualquer maneira, acho melhor Ronaldinho não vir ao RS nos próximos meses…

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Dirty Harry Potter

Clint está em Porto Alegre através da estreia de seu filme Além da Vida. Quero vê-lo imediatamente. Enquanto isso..

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A Grande Irritação

Lá em casa, estamos todos irritados. Não pretendemos fazer nada com nossa irritação, até porque ainda achamos que não devemos e porque — pessoas sensíveis e centradas e tolas que somos — ela, a irritação, é tão grande que a gente nem consegue raciocinar direito. Se fizéssemos, o natural seria quebrar tudo. Não, nada de brigas de casal. De minha parte, só sei de uma coisa: do jeito que vai eu não aceito continuar. Na verdade, não aceito continuar com a atitude bovina, bondosa e indulgente que me caracteriza. Pois minha atitude favorece a postura passivo-agressiva de outros. Sistematicamente, tomo (tomamos) no rabo. Esta postura nos deixa sempre eticamente tranquilos, mas o fato é que temos que nos tornar culpados por alguma coisa! A santidade tem de ser deposta, a transparência ética não favorece mais meu sono. Pagamos fábulas mensalmente, privamo-nos disso e daquilo, alteramos planos e tudo parece fazer parte de uma obrigação, quando, na verdade, a maioria de nossas prodigalidades são opcionais e raras. A contrapartida? Hum, vocês são legais. E só.

Somos especializados em engolir sapos. Precisamos treinar o arremesso dos bichinhos.

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Um post onde brilho um tanto imodestamente, mas que me deixa feliz

Há nove anos, ocorreu uma história incrível. Uma amiga minha foi acusada por um jornal de ter planejado o sequestro de uma figura pública. O sequestro deveras acontecera, só que… Ela tomou um susto e acabou fugindo para o Chile, onde ficou em casa de amigos. Na hora, não soube defender-se e, talvez assustada, sumiu, perdendo grande parte de suas relações por aqui, que provavelmente acabaram acreditando na notícia. Eu fiquei pasmo e à princípio dei crédito à coisa. Algumas horas depois, pensei melhor e cheguei à conclusão clara de que não era possível, mas que com o passado político de minha amiga, poderia haver alguma má vontade do jornal para com ela. Escrevi-lhe um longo e-mail, aproveitando o fato de seu endereço ser pirandello@xxxx.com, algo que automaticamente faria com que eu não a denunciasse. Começamos a nos comunicar e ela me disse que estava contratando um advogado para processar o jornal. Ganhou o processo, claro. Espero que aquelas duas páginas inteiras, cheias de invenções, tenham recebido a vingan$$a merecida. Hoje, olhando uns e-mais velhos, reli o último que ela me escrevera. Faz tempo.

Querido Milton,

há cinco anos quase exatos recebi um e-mail em que dizias “é bom ter notícias do além…”. Menos de três meses depois, foste a única pessoa com quem pude fazer um desabafo sobre a doença da minha mãe. Eu estava longe. Como em toda aquela troca de “inter-planos”, recebi novamente de volta um consolo nada piegas, apenas fundamental, como foi fundamental cada uma das tuas mensagens daquele período, porque em grande medida foram elas que me permitiram “voltar do além”, servindo como uma espécie de fio condutor para não me perder no limbo. E não há exagero nisso. Gostaria de poder e saber retribuir à altura, mas, como quase sempre, só tenho para dar um abraço apertado e um conta comigo que não é, absolutamente, um cliché.

E pensei que não há retribuição maior do que ler este agradecimento.

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A Espécie Fabuladora, de Nancy Huston

Autran Dourado é um raro caso de escritor em que sua qualidade como cantor é muito superior à música interpretada. A qualidade de sua escritura bate fácil os temas escolhidos. Tal característica talvez seja fatal para a sobrevivência de seus romances. Conheço casos como o de Naipaul, em que o escritor é tão, mas tão inteligente e arguto, que lhe falta texto para organizar a superfetação de temas e interpretações. Posso ser burro demais para ele, claro; tanto que — à exceção de Uma Casa para Sr. Biswas — costumo ficar meio zonzo. O caso de Nancy Huston parece ser outro. Intuo uma grande escritora e uma grande capacidade que é dobrada pela necessidade de ser simples.

É efetivamente complicado comentar este ensaio sobre a Necessidade da Ficção. De forma sintomática, faço uma analogia ao clássico A Necessidade da Arte, de Ernst Fischer, pois o ensaio de Huston trata de forma menos poética e menos geral dos mesmos temas. Porém, se é menos geral, avança muito mais na forma de pensar e de fantasiar do ser humano.

O livro foi escrito a fim de dar uma resposta à pergunta que uma presidiária fez à autora:

— Para que inventar histórias quando a realidade já é tão extraordinária?

Em resposta à pergunta, a canadense Nancy Huston comprova como o fato de acreditar em coisas irreais nos faz suportar a melhor vida real. Ela comprova que a inserção no mundo ficcional começa quando nascemos, com o sentimento de pertencimento a um grupo, com deus, com os primeiros relacionamentos e a gloriosa busca para encontrar um sentido naquilo que estamos vivendo — instinto básico à condição humana, a única espécie que sabe que nasceu e morrerá. Então, já que a realidade humana é tão repleta de ficções pobres e incompletas, é preciso inventar ficções mais ricas, com situações que façam sentido.

Por que disse que era complicado comentar o ensaio sobre um tema tão fundamental e interdisciplinar? Ora, porque, repito, acho que Nancy Huston é maior do que o resultado. Acredito que a autora tenha facilitado seu texto para que este ficasse mais acessível. Não pretendo colocá-la no pelourinho por isto, mas fiquei com a forte impressão de que, por trás daqueles parágrafos encurtados à fórceps, havia o desejo de ser mais e mais simples num assunto que não é nada trivial e que trata de assuntos que partem do atavismo para chegar à arte mais sofitiscada.

Porém, o grande mérito do livro é o da divulgação de verdades complexas de uma forma perfeitamente organizada e simples. E seu problema é exatamente o mesmo; isto é, o de levar ao paroxismo esta característica. Mas vale a leitura, garanto.

Nancy Huston escreve em francês, vive na França e é autora de Marcas de Nascença, vencedor do Prêmio Femina e finalista do Prêmio Goncourt e do recém lançado Dolce Agonia, além de uma dezena de livros. Me deu vontade de conhecê-la melhor.

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Meu filho

Hoje, às 9h40, Bernardo faz 20 anos.

Minha mulher postou no Facebook:

Acho esta foto do meu enteado tão meiga que resolvi postar junto com meu beijo de aniversário. Um momento humano do Batman. Já sei que as gurias vão dizer: “Ahhh, que amor!” No início teve medo de me conhecer, tinha 12/13 anos e um cabelão de dar inveja ao Bode… Hoje é um super amigo e meu provador oficial de quitutes quando está na área. Dado, querido: Feliz Aniversário!

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Chávez e Hillary e Lula

De todas as fotos que vi da posse de Dilma Rousseff, duas me ficaram na memória: a de Hugo Chávez e Hillary Clinton, em raro momento de simpatia, e…

… uma de Lula em seu difícil adeus.

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A Vida Sexual de Robinson Crusoé, de Michel Gall

OK, podem tirar com minha cara. Poucas vezes me enganei tanto com um balaio de Feira do Livro como com este A Vida Sexual de Robinson Crusoé, do francês Michel Gall (Editora Brasiliense, 165 páginas, Coleção Brasiliensex). Uma boa piada, uma engraçadíssima introdução do autor e — pronto! — Milton Ribeiro caiu como um patinho. Ainda bem que custou apenas R$ 5,00.

O livro tinha tudo para ser bom — a introdução é esplêndida — , contando as fantasias do solitário Robinson, assim como os modos como ele, um homem jovem e saudável, fazia justiça pelas próprias mãos ou pela criatividade na inóspita ilha. Mas a coisa degringola de uma forma tão absurda, com tantas cabras e ovelhas passeando satisfeitas que, olha, não dá. O belo Sexta-feira só aparece ao final do livro e nem precisava, tão movimentada já era a vida sexual do involutário eremita.

Gall faz literatura erótica de qualidade média, apenas isso. Quando comprei eu não sabia, mas ele é autor também de A Vida Sexual de Ulisses, de A Vida Sexual de Adão e Eva e de um certo Os Segredos das Mil e Uma Noites.

Penso que possa sugerir: fuja de todos eles.

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A incrível Simone Kermes em árias de Hasse, Händel e Broschi

Nascida em Leipzig, a sensacional soprano de coloratura Simone Kermes dá toda a impressão de ser uma latina bastante doida. Ainda mais cantando em italiano. Muito entusiasmada e com uma relação visivelmente feliz com a música, parece que foi retirada do blog PQP Bach, o qual abriga um bando considerável de malucos. A especialidade da alemã são as óperas clássico-barrocas, principalmente as de Mozart e Händel. Quem me apresentou foi minha mulher. Simone Kermes (seu nome é pronunciado Zimone Kermas) parece, até pela postura e pela forma com que dança e marca o ritmo, estar cantando música popular. Confira abaixo esta tremenda cantora.

No primeiro filme, a ária começa aos 2min20. Nos outros dois, entre direto. Vale a pena assistir.

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Último ato de Lula é um…

Chupa Berlusconi!

Rui Martins, em longo artigo:

Bem-vindo Cesare Battisti ao convívio de nós brasileiros, de todos nós que lutamos contra os diversos tipos de opressão, de controle, de injustiças e de tramas judiciárias contra os lutadores pela liberdade. Ontem, prisioneiro, ameaçado de extradição, hoje Battisti é o atestado de  nossa maioridade política e se torna uma marco na nossa história, no epílogo de uma luta entre um judiciário brasileiro desejoso de satisfazer a injustiça italiana contra um executivo, que não se dobrou e optou pela justiça e pelos direitos humanos. É o fecho de ouro do governo Lula.

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Carol Bensimon vence o 1º Campeonato Gaúcho de Literatura

Carol Bensimon e seu Pó de Parede venceram a 1ª edição do Campeonato Gaúcho de Literatura na final contra Veja se você responde essa pergunta, de Alexandre Rodrigues. Li ambos os livros, assim como alguns outros que foram eliminados pelo caminho. A presença dos dois na partida decisiva e a vitória de Carol foram merecidas. Apenas livros de contos participaram nesta edição. A próxima edição focará romances.

Foi uma boa decisão a de ter ido ao StudioClio anteontem (28/12)  às 18h a fim de assistir o jogo final através da palavra ao vivo e a cores dos três árbitros. O juiz e seus bandeirinhas — não pensem que vou distribuir os cargos entre eles — fizeram um excelente trabalho. Carlos André Moreira, Luiz Gonzaga Lopes e Marcelo Frizon foram bastante competentes nas fundamentações de seus julgamentos,  assim como o foram o quarto e quinto árbitros — Lu Thomé e Rodrigo Rosp (o qual parece não ter um link para chamar de seu) — na organização do imenso torneio de seis meses e 51 jogos.

Foto de Marcelo Ribeiro - Jornal do Comércio
Francisco Marshall - Foto de Marcelo Ribeiro (Jornal do Comércio)

No âmbito de Porto Alegre, o StudioClio firma-se como o local perfeito para o indispensável diálogo culto e a presença da cerveja Coruja serve para como oportuno e delicioso catalisador de debates. Só não entendi o motivo que levava o curador do local, Chico Marshall (acima), a desejar que eu me embriagasse, servindo-me irrecusáveis Corujas uma atrás da outra, como punhaladas de louco.

Mas tergiverso. Se a proposta do projeto era a de provocar o debate sobre a produção local, esta foi alcançada com sobras e só a tímida  divulgação impediu um sucesso maior do Campeonato. Digo isto porque acabo de escrever no Google “Campeonato Gaúcho de Literatura” e a primeira referência encontrada é a deste prestigioso blog de sete leitores, sendo que a segunda é a do árbitro Carlos André Moreira. Se escrever “Gauchão de Literatura”, o primeiro a ser encontrado é o blog de Antônio Xerxenesky e o segundo é novamente a do blog bi-vice de Carlos André. Estranho.

Foto: Revista O Grito!
Foto: Revista O Grito!

Não discordei do julgamento, mas estava com muita vontade de levantar o braço e interromper os votos para fazer perguntas e encher o saco. Sim, pois eles disseram que o livro de Alexandre Rodrigues seria mais experimental e o de Carol mais, assim, convencional, com construção rigorosa de personagens e outros que tais que caracterizariam uma literatura mais “enquadrada”. Se não disseram isto com todas as letras, deram a impressão de terem dito, o que não é a mesma coisa, mas provoca o mesmo efeito. Ora, ora, acho que o livro do Alexandre é mais ousado na formatação dos 14 contos, alguns curtíssimos, outros verdadeiros enigmas, outros efetivamente belos; porém Carol é absolutamente original e desenquandrada na realização de um original e poético trabalho de linguagem que nunca poderá ser chamado de clássico.

Mesmo a construção dos personagens no(s) livro(s) de Carol são feitos na forma mais de mosaicos faulknerianos do que na de um tijolo balzaquiano. O problema é que a Carol é densa e o Alexandre é rarefeito. Quem gosta mais de densidade, de um trabalho voltado para contar a história de forma mais e mais completa, vai com Carol; quem se seduz com formas originais, com histórias cheias de detalhes literários surpreendentes, vai com Alexandre. Ou será que é antiquado ser denso? Nada disso significa que um seja muito melhor do que o outro, significa apenas que, se estamos comparando um com o outro, devemos dar-lhes as devidas qualidades.

Eu evitei escrever sobre o livro do Alexandre porque ainda tenho aquele pingo de bom senso que me dizia estar acima ou abaixo do que eu tinha lido, nunca em sintonia. Ou seja, estava mais ou menos como o juiz Luiz Gonzaga Lopes, que disse num momento que não gostava dos contos de uma página — e os há no livro do Alexandre. São minoria, mas há. Um conto de uma página que não é uma piada ou altamente poético me deixa brocha por dez páginas. Não sei é também o caso do Gonzaga, falo por mim. Fato análogo ocorreu quando li V.S. Naipaul. Eu sabia que era bom, mas que eu não era o leitor ideal. Se me colocarem na parede, direi que que não gosto do trinitário tão mais inteligente e capaz do que eu, mas como aqui posso abrir mão de fazer críticas àquilo que está  afastado de meu gosto pessoal ou que não compreendo, abro, ora.

Porém, o principal a ser destacado é que esta é uma geração que, apesar de demonstrar tremenda educação e imensos cuidados para não ferir suscetibilidades, começa lentamente a desprezar o compadrio e os elogios vazios para substituí-los por algum debate. As sete pessoas que leem meu blog sabem o quanto sou bakhtiniano e amigo de Platão: a natureza e o habitat das ideias, onde elas vivem e se transformam é durante o diálogo, e elas ficam ainda mais vivas e melhores ainda com Corujas e um curador louco para nos embebedar.

Pois a gente só sabe agora o quanto nos fazia falta um StudioClio.

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