País das Neves, de Yasunari Kawabata

País das Neves, de Yasunari Kawabata

País das Neves KawabataSó hoje soube que a editora Estação Liberdade fez nova tradução deste País das Neves. A nova tradução deve ser ótima, conheço a autora, Neide Hissae Nagae. Li outras traduções de Kawabata pela Estação e elas foram totalmente satisfatórias. Infelizmente, o mesmo não se pode dizer desta tradução (capa ao lado) de Marina Colasanti, feita lá pelos anos 70 para a Nova Fronteira. É a que acabo de ler… Cheia de erros de pontuação e concordância, a tradução não é direta do japonês, tendo vindo do alemão… Foi uma luta não apenas chegar ao final, mas tentar espreitar o Kawabata que estava por trás de tanta confusão. Não obstante, o livro por trás parece ser bom.

Este pequeno romance de Kawabata foi publicado primeiramente em 1937, depois passou por diversas revisões até chegar a seu formato definitivo em 1948. Tantos cuidados… Bem, vou tentar esquecer a tradução.

Shimamura é um homem de Tóquio, casado e com filhos, que viaja repetidamente ao “país das neves” região alta e fria do Japão, cuja neve muitas vezes isola povoados inteiros. É um intelectual observador e tranquilo, mas com enorme fascinação pelo feminino. Já no trem que o leva, fica apaixonado pela voz da jovem Yoko. Depois, tendo se fixado em uma hospedaria de águas termais, Shimamura é apresentado a Komako, uma das gueixas mais requisitadas no povoado. Ele retorna anualmente, sempre na estação fria, ao local e lá forma um estranho triângulo amoroso com Yoko e Komako.

Kawabata é um escritor poético, provocativo e delicadamente indecente. Este livro é o que dá maior liberdade ao leitor. As cenas são jogadas e interrompidas de tal forma que nunca são conclusivas. É um anti-naturalista que causa estranheza e prazer. Como sempre, Kawabata não descreve nenhuma cena de sexo, mas só um louco não veria o enorme erotismo da história.

Kawabata é sempre bom, mas, por favor, fujam desta edição da Nova Fronteira. Busquem a da Estação Liberdade, feita direto do japonês por quem sabe traduzir.

Yasunari Kawabata
Yasunari Kawabata

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Tchaikovsky teria cometido suicídio a pedido do czar em razão de um ‘desonroso’ caso homossexual

Tchaikovsky teria cometido suicídio a pedido do czar em razão de um ‘desonroso’ caso homossexual

O filho do embaixador ficou tão perturbado e emocionalmente abalado pela experiência que seu pai não teve outra escolha senão expressar sua indignação moral no mais forte dos termos…

Do Russia Insider

Tchaikovsky

Existem inúmeras teorias relacionadas com a causa da morte do compositor russo Pyotr Ilyich Tchaikovsky. Talvez o melhor texto sobre este assunto tenha sido produzido para a BBC pela Dra. Marina Frolova-Walker. A autora é uma musicóloga, historiadora da música russa e professora da Universidade de Cambridge. Lógica e direta, ela tenta uma análise através de uma névoa confusa de conjeturas, rumores e alegações. Após ter examinado todas as teorias, a Dra. Frolova-Walker nos apresenta quatro cenários ou versões possíveis e, em seguida, aborda a plausibilidade de cada uma.

A Versão #1 é a clássica. O compositor morreu de morte natural, como resultado de uma infecção de cólera. Houvera um surto da doença na época da morte de Tchaikovsky e de alguma forma ele se infectou, morrendo de insuficiência renal. Isto teria ocorrido após um jantar com amigos em um restaurante. Nenhum outro do grupo contraiu a doença.

A Versão #2 é que o compositor cometeu suicídio bebendo conscientemente água não fervida, o que levou à morte por infecção de cólera. Seu irmão Modest insistiu em dizer que Pyotr bebeu água contaminada em casa, também de uma torneira. A autora considera que ambas as alegações são altamente improváveis porque Tchaikovsky e seus empregados sempre foram meticulosos sobre toda a água de casa. O fato da mãe do compositor ter morrido de cólera só acentuou sua extrema vigilância sobre o assunto.

A Versão #3 tem a ver com um caso amoroso que Tchaikovsky teve com um membro da Corte Imperial. Tendo recebido uma carta de protesto de um tio indignado, o czar dera-lhe um ultimato: ou enfrentava um julgamento público humilhante ou cometia suicídio. Tchaikovsky teria escolhido o último e, com a ajuda de seu médico, teria se envenenado, provavelmente com arsênico.

A Versão #3a vem da musicóloga russa Alexandra Orlova. Ela sustenta que a morte do compositor foi o resultado de um veredicto de uma corte secreta de Honra. Um certo Nikolai Jacobi supostamente tinha em sua posse uma carta de um conde cujo sobrinho tinha sido seduzido por Tchaikovsky. A carta era para ser entregue ao czar, mas não foi. Este Tribunal de Honra consistia de antigos colegas da Faculdade de Direito e, depois de cinco horas de deliberação, “sugeriram-lhe que cometesse suicídio para evitar a desonra da escola”.

A Versão #4 diz respeito a um assassinato conspiratório em que Tchaikovsky é envenenado por seu próprio médico, Dr. Bertenson, por ordem do czar. O médico, em seguida, teria encoberto o crime.

A Dra. Frolova-Walker, rejeita as versões #2 e #4 como especulações baseadas em rumores. E duvida da #1.

Mas há um toque final para esta história de mistério …

Svetlana Gorbacheva — pianista clássica por formação — foi diretora do “Bolshoi Zal”, sala de concerto no Conservatório de Moscou. Durante sua gestão, Svetlana e sua equipe descobriram uma carta que tinha sido enviada para Tchaikovsky por ninguém menos que o próprio czar russo. Em linguagem inequívoca, o chefe de Estado russo advertia claramente Tchaikovsky por trazer vergonha ao país devido a um caso com o filho do embaixador espanhol em Moscou. O jovem ficou tão perturbado e emocionalmente abalado pela experiência que seu pai não teve outra escolha senão expressar sua indignação moral no mais forte dos termos.

Grave e solenemente, o czar declara que Tchaikovsky — como cavalheiro e aristocrata — saberia o que fazer.

E assim, ninguém sabe exatamente do que morreu Tchai. O que se sabe é que, hoje, poucos acreditam na versão oficial, a #1. Sobram as duas versões da terceira e o incentivo do bondoso czar.

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Desculpem os norte-americanos, mas o avião é mesmo uma invenção brasileira

Desculpem os norte-americanos, mas o avião é mesmo uma invenção brasileira

14-bis-olimpiadasUma parte da cerimônia de abertura das Olimpíadas irritou os norte-americanos e provocou um debate: o avião foi inventado por Santos Dumont ou pelos irmãos Wright?

Pergunte a qualquer brasileiro quem foi o inventor o avião e você obterá sempre a mesma resposta: Alberto Santos Dumont. Em 23 de outubro de 1906, o inventor brasileiro levantou voo com seu 14-bis em Paris e foi reconhecido como o fundador e pai da aviação pela Federação Aeronáutica Internacional (FAI), coisa que os Wright jamais conseguiram.

Porém, quando a Cerimônia de Abertura da Rio 2016 comemorou a invenção de Santos Dumont, foi iniciado um grande debate, especialmente nos EUA. Afinal, os americanos também são unânimes em dizer que, três anos antes, Orville e Wilbur Wright foram os primeiros homens a voar. Os narradores da rede NBC chegaram a sugerir a seus espectadores norte-americanos que os brasileiros estavam fazendo uma piada…

Porém, desculpem, os irmãos Wright não inventaram o avião. O que eles construíram foi um planador.

Assim, até eu
O primeiro voo dos Wright: com rampa e vento, até eu

De acordo com especialistas em aviação, eles não somente utilizaram um trilho de lançamento para impulsionar o avião, como realizaram seu “primeiro voo” com ventos fortes e num declive. Ou seja, não há realmente nenhuma prova de que o “Kitty Hawk” (acima) tenha sido capaz de decolar por conta própria.

Por outro lado, o avião de Santos Dumont, o 14-bis, não precisou nem de ventos, nem de qualquer ajuda externa. Sua aeronave voou por cerca de 61 metros completamente por conta própria. Graças ao voo, o brasileiro ganhou um prêmio de 1.500 francos do Aéro-Club de France. De acordo com a Federação Aeronáutica Internacional (FAI), o 14-bis foi o primeiro do avião do mundo. Depois, quando os Wright reivindicaram a invenção para si, a FAI convidou a dupla para contestar a primazia, mas eles nunca apareceram.

Entre as muitas condições para reconhecer o primeiro voo, a FAI havia estabelecido condições meteorológicas sem ventos e a necessidade de a aeronave decolar por seus próprios meios.

14-bis-flight

Os norte-americanos que defendem os irmãos Wright cometem 3 grandes erros nacionalistas. O primeiro é o de confundir avião com “planador”. O segundo seria atribuir a invenção do planador aos irmãos Wright quando foi Leonardo da Vinci quem o inventou. E o terceiro, é que avião é aquilo que “se levanta do chão por seus próprios meios”, ou seja: tem motor.

.oOo.

14-bis — Especificações
Fabricante Alberto Santos Dumont
Primeiro voo em 23 de outubro de 1906
Tripulação 1 – piloto
Dimensões
Comprimento 10 m
Envergadura 12 m
Altura 4,8 m
Peso(s)
Peso vazio 160 kg
Propulsão
Potência (por motor) 50 hp
Performance
Velocidade máxima 30,8 km/h

14 bis

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E um dos posts de férias saiu no jornal impresso

E um dos posts de férias saiu no jornal impresso

Saiu daqui e foi parar no jornal Qtal, de Salvador do Sul. Clique sobre a imagem para ampliar. As fotos são minhas, à exceção da aérea. Não sobrevoei o hotel nem brinco com drones.

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Zygmunt Bauman: ‘Três décadas de orgia consumista resultaram em uma sensação de urgência sem fim’

Zygmunt Bauman: ‘Três décadas de orgia consumista resultaram em uma sensação de urgência sem fim’

Do caderno Aliás, do Estadão

A frouxidão de nossa era está novamente sob escrutínio do sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Criador do conceito de modernidade líquida, que acusa a fragilidade das relações atuais, ele se volta às angústias destes “dias de interregno”: quando os velhos jeitos de agir já não servem, mas os novos não foram inventados. “Trinta anos de orgia consumista resultaram em um estado de emergência sem fim”, diz – e indica uma saída: “O que pensávamos ser o futuro está em débito conosco. Para superar a crise, temos de ‘voltar ao passado’, a um modo de vida imprudentemente abandonado”

Zygmunt Bauman
Zygmunt Bauman

Zygmunt Bauman presenciou os principais acontecimentos do século 20 e na virada do milênio criou uma teoria que levaria seu nome para além do campo da sociologia e o tornaria um escritor best-seller – sobre a liquidez da sociedade, das relações, do nosso tempo. Um dos principais pensadores da modernidade, este polonês prestes a completar 91 anos não perde um debate, e tudo que o inquieta é transformado em livro. Fecundo autor, já escreveu cerca de 70 títulos – entre os mais de 30 publicados no Brasil, todos pela Zahar, estão Modernidade Líquida, Amor Líquido e o mais recente A Riqueza de Poucos Beneficia Todos Nós? Ele está lançando agora Babel – Entre a Incerteza e a Esperança, mas, nesta entrevista concedida ao Aliás, já anuncia uma nova obra para 2017, Retrotopia, e comenta sobre Strangers at Our Door, de 2016 e ainda inédito aqui.

Babel fala do interregno – termo usado por Bauman e pelo jornalista Ezio Mauro, seu interlocutor na obra – em que estamos vivendo. Um tempo entre o que não existe mais e o que não existe ainda. De incertezas e instabilidade. Para eles, não há, no momento, movimento político que ajude a minar o velho mundo e esteja preparado para herdá-lo. Um período em que testemunhamos uma guinada conservadora geral, a instalação do medo devido a ameaças terroristas constantes – a ponto de um grupo de espanhóis confundir uma flashmob com um ataque e entrar em pânico – e as crises diversas – econômica, política, migratória, e, sobretudo da democracia que, depois de muito esforço para derrotar ditaduras, ainda precisa lutar diariamente por sua supremacia e para provar sua legitimidade, como apontam os autores. A seguir, trechos da entrevista de Bauman, professor emérito das universidades de Varsóvia e de Leeds.

Quando o sr. criou o conceito de modernidade líquida, vivíamos tempos melhores ou piores? O conceito ainda se aplica hoje ou já caminhamos para um outro tempo? Que interregno é esse que estamos vivendo e o que acontece depois?

Como medir a relativa excelência do nosso estilo de vida? Em que aspectos, por quais critérios? E quem são os “nós” cuja vida queremos analisar? Entre os diferentes setores da sociedade nem o ritmo e nem as direções tomadas são coordenadas (pense no fabuloso crescimento da renda e da riqueza dos 1% que estão no topo da hierarquia social frente à estagnação ou mesmo piora do nível de vida dos restantes 99%, e a outrora confiante classe média se juntando ao ‘proletariado’ ortodoxo para formar uma nova categoria, do ‘precariado’ – notória pela posição social frágil e suas perspectivas indefinidas). No geral, podemos dizer que 15 anos depois da publicação de Modernidade Líquida, a nova era, ainda incipiente e pouco percebida em meio a 30 anos de orgia consumista, de gastar dinheiro não ganho e de viver o pouco tempo que resta em novos bairros já moribundos está chegando à sua total fruição: estamos vivendo à sombra de suas consequências. E isso significa incerteza existencial, medo do futuro, uma perpétua ansiedade e uma sensação de urgência sem fim, com a primeira geração do pós-guerra sentindo a queda do nível de bem-estar social conseguido por seus pais e, na vida pública, a perda total de confiança na capacidade dos governos cumprirem suas promessas e o dever de proteger os direitos dos cidadãos e atender aos seus interesses. O fim desta confiança engendra, por outro lado, um ambiente em que ‘ninguém assume o controle’, em que os assuntos do estado e seus sujeitos estão em queda livre, e prever com alguma certeza que caminho seguir, sem falar em controlar o curso dos acontecimentos, transcende a capacidade humana individual e coletiva. O ‘interregno’ significa que velhas maneiras de agir não dão mais resultado, contudo, as novas ainda precisam ser encontradas ou inventadas. Ou: tudo pode acontecer, mas nada pode ser feito e visto com certeza.

De repente, parece que o mundo virou de ponta-cabeça: ameaças terroristas, crises econômicas, sociais e migratórias – e uma guinada conservadora está em curso. Como chegamos até aqui? Isso foi uma surpresa? 

A probabilidade dos fenômenos que você mencionou foi sugerida – na verdade, inferida – pelos sintomas que se acumulam da cada vez mais ampla separação, beirando o divórcio, do poder (ou seja, a capacidade de realizar as coisas) e da política (a capacidade de decidir quais coisas necessitam ser feitas). Essas duas condições indispensáveis para uma ação efetiva até mais ou menos 50 anos atrás caminhavam de mãos dadas no Estado-nação, mas se separaram e seguiram destinos diferentes: enquanto o poder em grande medida ficou ‘globalizado’ – e se tornou ‘extraterritorial’, livre de controles, direção e orientação por instituições políticas – a política permaneceu como antes, local, confinada ao território do Estado e impotente diante da influência importante dos poderes que não se submetem a controles e que são os que importam na escala global. Hoje, os poderes emancipados do monitoramento e da supervisão política enfrentam políticos pé no chão e sofrendo o contínuo, e até agora incurável, déficit de poder. Vivemos uma crise institucional permanente. Os instrumentos de ação coletiva herdados dos nossos ancestrais e cujo fim foi servir à causa da independência de estados territorialmente soberanos não são mais adequados nesta situação de interdependência mundial criada pela globalização do poder.

A atual crise da democracia, e, portanto, a crise das instituições democráticas, como o sr. coloca, são importantes tópicos de ‘Babel’. O senhor diz que os governos democráticos são instáveis porque tudo está fora de controle, e que a democracia não é autossuficiente. Qual é a real ameaça que enfrentamos? E qual é a origem desta crise?

Uma advertência: ‘crise de democracia’ é uma abreviação, uma noção limitada. Em países com constituições democráticas, a crise de um Estado-nação territorialmente confinado é culpa (afirmação fácil, mas não muito competente) de seus órgãos e características definidos constitucionalmente, com a divisão de poderes, liberdade de expressão, equilíbrio de poderes, direitos das minorias, para citar alguns. Mas se a democracia está ‘em crise’ é porque o Estado-nação territorialmente soberano (concebido em 1648 pelo Tratado de Westfalia e cuja fórmula é cuius regio eius religio – os súditos obedecem ao governante) está em crise, incapaz de atacar e enfrentar, sem falar em solucionar, problemas gerados pela nova interdependência da humanidade. Houvesse um governo autoritário ou ditatorial substituindo um regime democrático, os órgãos políticos resultantes não estariam livres da fragilidade dos órgãos de governos democráticos que ele substituiu e pela qual a democracia hoje é acusada. Quero acrescentar que o veredicto atribuído a Winston Churchill (“democracia é o pior dos sistemas políticos, à exceção de todos os outros”) continua verdadeiro até hoje. Para não dar confusão, acho que é aconselhável evitar atribuir responsabilidades pela impotência observada hoje dos Estados territorialmente soberanos e, em vez disso, analisar a incongruência fundamental do nosso tempo ansiando por uma revisão radical das ideias e uma reformulação das formas de coabitação da humanidade na Terra. Segundo Ulrich Beck, essa incongruência deriva do fato de que nós todos, gostemos ou não, já estamos inseridos numa situação cosmopolita, mas não nos preparamos seriamente para a tarefa extremamente urgente de desenvolver e assimilar a consciência cosmopolita.

No Brasil existe um grupo pedindo a volta dos militares ao poder e outro dizendo que o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff é golpe político. Na Turquia, os militares tentaram tomar o poder. De onde vem essa vontade de “ordem”? O quão prejudicial isso pode ser para o atual estado das coisas? Enquanto isso, Trump conquista legitimamente mais e mais eleitores. O que sua vitória pode representar para o mundo? E o que sua ascensão nos diz sobre os EUA de hoje?

O problema não é o número crescente, em vários países, de pretendentes a regimes autoritários, mas do ainda mais rápido crescimento de seus devotados apoiadores. Não é uma questão sobre os que querem o poder (eles sempre serão muitos, já que a demanda popular por eles é abundante), mas sobre a ampliação da demanda pelos serviços que eles falsamente prometem que constitui indiscutivelmente o mais perigoso dos desafios futuros que enfrentaremos. Aproveito para citar, neste aspecto, um fragmento do meu recente livro Strangers At Our Doors: “Numa flagrante violação da intenção e das promessas modernas de substituir as incertezas do destino por uma ordem coerente das coisas, sem ambiguidades, orientada por princípios morais de justiça e responsabilidade – assegurando assim uma correspondência estrita entre as aflições dos humanos e suas opções comportamentais –, os humanos hoje veem-se expostos a uma sociedade repleta de riscos, mas vazia de certezas e garantias. A primeira causa é a transcendental ‘individualização’, codinome dos que representam para a imaginada insistência da ‘sociedade’ em subsidiar a tarefa de resolver os problemas gerados pela incerteza existencial com recursos eminentemente inadequados exigidos dos próprios indivíduos. (…) Como Byung-Chul Han sugere, nossa ‘sociedade de desempenho’ se especializou numa mudança no campo da manufatura e no expurgo de ‘depressivos e desajustados’. Eles são simultaneamente vítimas e cúmplices do seu fracasso e da depressão que ao mesmo tempo é causa e consequência. (…) Com os poderes do alto lavando as mãos e rejeitando seu dever de tornar a vida das pessoas suportável, as incertezas da existência humana são privatizadas, a responsabilidade para enfrentá-las tem de ser arcada pelo frágil indivíduo, enquanto as opressões e calamidades existenciais são descartadas como tarefas tipo ‘faça você mesmo’ a serem executadas pelo indivíduo que padece. (…) Para o indivíduo que se vê abandonado e desalojado com a retirada do Estado, a ‘individualização’ pressagia uma nova precariedade da condição existencial: uma situação ruim que se torna cada vez pior.” Agora este é um contexto psicossocial em que a ânsia de um homem forte (ou mulher) que proponha ‘me deem o poder absoluto e eu o libertarei das tormentas de riscos que você não consegue enfrentar e das decisões que não consegue tomar’, só se expande.

Onde estão nossas utopias? Estamos perdendo nossa capacidade de sonhar?

Acho que uma mudança transcendental é provável. Ao sonharmos com uma sociedade mais acolhedora e uma vida decente e significativa, avançamos gradativamente da utopia (lugar ainda inexistente, mas à espera no futuro) para o que chamo de ‘retrotopia’ (‘volta ao passado’, ao modo de vida que foi exageradamente, irrefletidamente e imprudentemente abandonado). Trato disso no meu novo livro, Retrotopia, a ser publicado pela Polity Books em 2017. Podemos concluir que passado e futuro estão nesse quadro intercambiando suas respectivas virtudes e vícios. Agora é o futuro que parece ter chegado ao tempo de ser ridicularizado, sendo primeiro condenado pela falta de confiança e dificuldade de manejar e que está em débito. E agora o passado é o credor – um crédito merecido porque neste caso a escolha ainda é livre e o investimento é na esperança na qual ainda se acredita.

O senhor é otimista com relação ao futuro próximo do mundo? A esperança é mesmo imortal, como o senhor afirma em ‘Babel’?

Procuro seguir o preceito de Antonio Gramsci: ser pessimista a curto prazo e otimista a longo prazo. Afinal, esta não é a primeira crise na história da humanidade. De alguma maneira, as pessoas encontraram meios para superá-las no passado. Eles podem (e é essa capacidade que nos torna humanos) repetir a façanha mais uma vez. A única preocupação é: quantas pessoas pagarão com suas vidas desperdiçadas e oportunidades perdidas até que isto ocorra?

(TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO)

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Bom, dia, Paulo Roberto Falcão

Bom, dia, Paulo Roberto Falcão
Seijas pede um melhor time aos céus
Seijas pede um melhor time aos céus

Falcão, estava em férias e tive a sorte de não ver o jogo de ontem. Mas vi os melhores lances. É pouco e é suficiente, pois trata-se de repetições cansativas dos últimos jogos. Quando o time se anima, o sistema defensivo entrega. Ontem, Fabinho errou uma bola fácil e ofereceu o contra-ataque ao Fluminense. Com a defesa desguarnecida e ruim de nascença, gol do Flu.

Sabe, precisamos resolver a questão defensiva. Estamos muito mal lá atrás. Se fizermos mais um grupo de 11 jogos com 3 pontos conquistados em 33, seremos brindados com uma bela segundona em 2017. Culpa tua? Não, absolutamente não. A culpa vai para para o destreinador Argélico Fucks e para seus avalistas, Vitorio Piffero e Carlos Pellegrini. O time está péssimo e tem sérios problemas de formação. Não temos lateral esquerdo, não reserva para o outro lado e os volantes são deficientes, para começar…

Então, Falcão, pense em três zagueiros. Pense em algo como Paulão, Ernando e Eduardo contra a Chapecoense, com dois volantes, sendo um deles Anderson, pois ao menos ele não erra em bola (e tem melhor passe). Chega de ser surpreendido por contra-ataques. É o momento de sermos pragmáticos. Nosso objetivo deve ser apenas um: evitar a degola. Não somos o Grêmio.

No mais, vamos seguir fingindo que não estamos em pânico.

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Sobre Temer e a Abertura das Olimpíadas

Sobre Temer e a Abertura das Olimpíadas

José Henrique Alcântara de Meireles disse tudo:

Foi bonita a festa, pá. Fiquei contente. A única nota destoante foi uma fortuita cena em que mostraram o mordomo de filme de terror na tribuna. Há um círculo no inferno exclusivamente dedicado aos conspiradores, traidores e golpistas. Ver a cara do Michel Temer, naquele lugar, foi magnífico, pois restou evidente o quanto ele não tem nada a ver com festa, o quanto ele é visceralmente anti-Brasil, o quanto ele está empenhado em destruir as mais modestas aspirações de cidadania do Brasil que pretende surgir para o mundo a partir de seus genuínos talentos. Michel Temer é a morte.

Temer-vampiro

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Hoje, uma importantíssima data na história recente da música: Revolver completa 50 anos

Hoje, uma importantíssima data na história recente da música: Revolver completa 50 anos
A capa de Revolver
A capa de Revolver

É uma escolha que pode variar. Meus discos preferidos dos Beatles são Rubber Soul, O Álbum Branco e Abbey Road, mas Revolver é, sem dúvida, o mais importante do ponto de vista da história do rock. Eu tinha 9 anos e lembro que minha irmã tinha comprado Rubber Soul e que pegara Revolver emprestado de uma amiga. Ambos eram objeto de culto absoluto em minha casa, na Av. João Pessoa, em Porto Alegre. Ignoro como não furaram, de tanto que ouvimos.

Revolver é um divisor de águas na história dos Beatles e do rock. A partir dele, o grupo deixou de se apresentar em público porque as canções não poderiam ser reproduzidas no palco, uma aparente necessidade da época. Era um álbum criado em um estúdio muito bem equipado, com recursos que poderiam ser buscados onde estivessem e o grupo — para nossa sorte — passou a ser escravo da casa de Abbey Road onde gravava, tanto que só fez mais uma apresentação pública até sua dissolução. As gravações envolveram fitas tocadas de trás para diante — como no solo de guitarra de Tomorrow never knows, arrancado de Taxman — orquestra, quarteto de cordas, o extraordinário trompista Alan Civil, etc. Para Revolver, os Beatles alteraram totalmente a forma de compor e George Martin foi atrás. Eu disse atrás, não na frente. Muito da inovação sonora e de estilo das músicas do álbum deve-se ao engenheiro de som Geoff Emerick. Foi dele a ideia de aproximar os microfones aos instrumentos e amplificadores, em especial, à bateria de Ringo, o que produziu um som mais pesado e impactante. A EMI detestou a novidade. A direção da gravadora se reuniu com os músicos, querendo vetar o novo estilo, mais agressivo, porém Paul, falando em nome do grupo, deu um ultimato aos executivos: “De agora em diante, esse é o nosso som. Ou será assim ou simplesmente não será”.

O ecletismo tornou-se uma marca do rock. Vejam o que foi feito depois de Revolver e o que tínhamos antes. O LP lançado na Inglaterra em 5 de agosto de 1966, abriu muitas portas. As letras abandonam o garoto-encontra-garota e falam de impostos, de vidas desperdiçadas, do vazio diário, do sono, da tristeza dos finais das relações e de um certo e altamente lisérgico submarino amarelo. Os arranjos ganharam inédita complexidade, mostrando quem era George Martin, um irreverente erudito.

Como se não bastasse, o álbum mostra a cara de cada um. George ganhou espaço. Colocou três composições suas das quatorze do disco. É sua a obra-prima chamada I want to tell you, canção sobre a frustração de querer dizer algo e não conseguir. Taxman é uma crítica aos impostos cobrados e Love you too traz pela primeira vez as cítaras para o rock. Ele estava cada vez mais envolvido com a cultura indiana e Ravi Shankar. E todos estavam mergulhados nas drogas.

Lennon torna-se o irônico que foi até a morte. Em Tomorrow never knows, exige que sua voz soe como a do dalai lama cantando na montanha, seja lá isso o que for. É uma viagem drogadíssima de três minutos. George Martin que se virasse. Em Tomorrow há as fitas tocadas de trás para diante, oboés dando risadas, uma bateria violentíssima — Ringo parecia alucinado — e uma letra sensacional. E o que dizer das deliciosas Dr. Robert e She said she said? A primeira era uma alusão ao fornecedor de drogas do grupo, ali chamado de doutor Robert. E diz:

Ring my friend, I said you call Doctor Robert
Day or night he’ll be there any time at all, Doctor Robert
Doctor Robert, you’re a new and better man
He helps you to understand
He does everything he can, Doctor Robert

(…)

Well, well, well, you’re feeling fine
Well, well, well, he’ll make you… Doctor Robert

Ainda de John, há I´m only sleeping, que fala sobre como John amava dormir e odiava ter seu sono interrompido. O arranjo é bastante onírico com a voz de John sendo sutilmente distorcida por um gravador em velocidade pouca coisa mais alta que a correta.

Mas as canções de Paul talvez sejam o ponto alto de Revolver. Eleanor Rigby é um clássico sobre a solidão. O arranjo para cordas de Martin é uma pérola irrepetível. “Onde estão os outros Beatles nesta música?”  — perguntava a criança que eu era na época. “Onde ficaram as guitarras de John e George?” For no one é, em minha opinião, uma das melhores canções já compostas. De repente, surge a trompa de Alan Civil para dar ornamento fundamental a uma melodia lindíssima. Há também a canção favorita de McCartney, Here there and everywhere, e a inacreditável soul music by Paul de Got to get you into my life que nos faz perguntar novamente onde diabo estão os Beatles, pois o acompanhamento é quase só de metais.

Yellow Submarine, escrita por Paul e cantada por Ringo, tem em sua letra um tema infantil que depois seria aproveitado para dar título a um desenho animado. Traz sons de bolhas, barulho de água e outros sons gravados em estúdio. A letra sugere mais drogas, não? “Vamos vivendo uma bela vida / Achamos para tudo uma saída / Céu azul, mar verde e belo / Em nosso submarino amarelo”.

Revolver foi uma viagem sem volta na estética do grupo. Ouçam outros discos de 66 e a maioria parecerá vir de um passado remoto se comparados com este LP.

Mas por que Revolver? As sugestões eram as seguintes: Many years from now, Magic circles, Beatles on safari, Four sides of the eternal triangle, Pendulum e After Geography, uma brincadeira de Ringo com Aftermath, álbum dos Rolling Stones. Mas Revolver venceu porque se referia tanto à arma quanto ao movimento de revolução de um disco de vinil no prato giratório de um toca-discos.

Se você nunca ouviu Revolver, sua vida não mudará em nada, mas ele foi uma pedra fundamental para o rock para chegar à época de ouro setentista. Sem este degrau, tudo seria menor.

Relação de canções de Revolver.

Taxman (Harrison) 2:39
Eleanor Rigby (McCartney) 2:07
I’m Only Sleeping (Lennon) 3:01
Love You To (Harrison) 3:01
Here, There and Everywhere (McCartney)2:25
Yellow Submarine (McCartney)2:40
She Said She Said (Lennon) 2:37
Good Day Sunshine (McCartney)2:09
And Your Bird Can Sing (Lennon) 2:01
For No One  (McCartney) 2:01
Doctor Robert (Lennon) 2:15
I Want to Tell You (Harrison) 2:29
Got to Get You into My Life (McCartney)2:30
Tomorrow Never Knows (Lennon) 2:57

A contracapa de Revolver, dos Beatles
A contracapa de Revolver, dos Beatles

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Elena aplica a Lei Maria da Lenha neste blogueiro

Elena aplica a Lei Maria da Lenha neste blogueiro

Fotos de Milton Ribeiro

Estava tudo muito tranquilo. Tirávamos fotos. A de baixo era para aparecer depois deitada como se fosse uma gravura de Chagall com a Elena voando. Mas achei-a muito bonita em pé e deixei assim.Elena RomanovMas era para aparecer assim, ó:

Elena RomanovDepois tiramos outras fotos. Sou um chato e acho minha mulher linda, fazer o quê? Fiquei pedindo poses até que ela achou tudo um abuso e

Elena Romanov
Elena Romanov

resolveu aplicar a Lei Maria da Lenha em mim.

DSCN0310Brincadeira, claro.

Elena RomanovMas Salvador do Sul é linda, né?

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Pequenas férias na pequena e aprazível Salvador do Sul

Pequenas férias na pequena e aprazível Salvador do Sul

No final de junho, fiz uma consulta aos meus “amigos” do Facebook. Queria saber onde poderia ir um casal em dez dias de férias no inverno. Desejávamos um local bonito, tranquilo, onde pudéssemos dar longas caminhadas, ler bastante e estudar um pouco. Porque, falando apenas de mim, a primeira metade deste 2016 foi uma loucura para quem trabalha nesse negócio de jornalismo. Outro de meus pedidos era que não fosse muito caro, pois pretendo visitar meu filho na Alemanha em janeiro e duas férias dispendiosas seria uma demasia.

Recebi mais de 90 sugestões nos comentários e inbox. Algumas delas sensacionais, principalmente uma do interior paulista, mas a opinião do Marcos Abreu logo me deixou encasquetado. Ele disse que o local perfeito seria Salvador do Sul, e deu o nome do hotel que eu deveria procurar, um certo Candeeiro da Serra. Conheço mais ou menos o Marcos. Engenheiro de som — uma referência na área –, ele é uma pessoa de fino trato e bom gosto musical, e… sei que também ama o silêncio em circunstâncias não musicais. A indicação tinha tudo para ser quente. Sem perguntar muito, procurei fotos do hotel na rede.

Lá em cima, bem no alto, o Candeeiro da Serra | Foto: Milton Ribeiro
Lá em cima, bem no alto, o Candeeiro da Serra | Foto: Milton Ribeiro

O Candeeiro fica no ponto mais alto da cidade, os escritores do passado diriam que ele “domina a cidade”. Liguei para o hotel e a diária ficou dentro do orçamento. O local ofereceria café da manhã, o qual mostrou-se excelente, além de garantir respeito à alergia ao leite da Elena. As outras refeições faríamos lá embaixo, na cidade. Às vezes, o Candeeiro oferece jantar. Salvador tem apenas 7 mil habitantes, então não há uma vasta oferta de restaurantes. Mas nos apaixonamos pela “comida da vovó” oferecida pelo tradicional Apolo XII. Só pelo nome já dá para ver que é  um local aberto há de mais de 45 anos. Mas estou escrevendo muito desorganizadamente.

Quando liguei de Porto Alegre para o Alex Steffen, responsável pelo Candeeiro, ele me ofereceu quarto com ou sem vista. Os últimos são um pouco mais baratos. Se um de meus sete leitores vier para cá, deixo um recado bem claro: peça com vista! Desta forma, você terá a melhor paisagem de Salvador do Sul, com a cidade abaixo e o belo Colégio Santo Inácio encravado no morro à esquerda.

O Colégio Santo Inácio visto da janela de nosso hotel | Foto: Milton Ribeiro
O Colégio Santo Inácio visto da janela de nosso hotel | Foto: Milton Ribeiro

Ao chegarmos, logo lembrei dos corredores do hotel de O Iluminado. Não são em curva, mas são longos e adequados a triciclos infantis. Assim como o hotel onde Jack Nicholson enlouqueceu, o Candeeiro estava quase vazio. Coisas da crise.

Todos os quartos têm dois ambientes. Uma salinha de entrada e um quarto de dormir bastante amplo, mais o banheiro e, no nosso caso, uma sacadinha. Eu e a Elena somos assim: no primeiro dia achamos tudo mais ou menos, no segundo paramos de reclamar e no terceiro nos apaixonamos. Estamos aqui desde quinta-feira (28/7). Ganhamos alguns quilos e estamos perfeitamente felizes, cumprindo todo o planejado. Não é que não esteja preocupado com a paralisação da segurança pública no estado, mas aqui em Salvador não há crimes. É um outro mundo a 100 Km de Porto Alegre.

Salvador é toda bonitinha, as pessoas tratam os forasteiros com cortesia logo no primeiro diálogo, cumprimentando-nos efusivamente como se fôssemos um milagre brotado da terra. Assim, nosso estresse vai desaparecendo até virar uma vaga lembrança.

Nosso quarto é é o do segundo andar, no final do prédio. | Foto: Milton Ribeiro
Nosso quarto é o do segundo andar, no final do prédio. | Foto: Milton Ribeiro

Como não usamos carro, nosso meio de transporte são os tênis que nos levam para cima e para baixo nas íngremes ladeiras da cidade. É um exercício físico considerável. Numa noite, vi o único carro de polícia de Salvador subir o morro que leva ao hotel. Com receio de algum rolo qualquer, não quis subir a pé e chamei um táxi. Quando cheguei na recepção, todos riram de minha porto-alegrice, pois a cidade é praticamente livre de crimes e o homem devia estar pegando reforço em razão de uma briga de bar, o fato mais grave que costuma acontecer por aqui. Os policiais moram na subida do morro…

Curiosamente, Alex Steffen, responsável pelo hotel, também é jornalista, proprietário do jornal Qtal e marido da prefeita Carla Specht. O cara é muito atencioso e super bom papo. Creio que, pela primeira vez em minha vida, comi um jantar preparado por uma prefeita em exercício.

Hoje, o programa foi tentar ir até o Colégio Santo Inácio por uma trilha, mas não deu muito certo. Depois de cruzar várias cercas de arame farpado, decidimos pelo asfalto. É mais normal.

Elena entusiasmada com a trilha. Doce ilusão | Foto: Milton Ribeiro
Elena entusiasmada com a trilha. Doce ilusão | Foto: Milton Ribeiro

Para finalizar, uma curiosidade. A cidade não tem uma rodoviária, apenas uma parada. Aliás, tinha uma, mas fechou em razão de não satisfazer as exigências mínimas do DAER. Este quer que as rodoviárias tenham seis banheiros — dois femininos, dois masculinos e dois especiais –, praça de alimentação, funcionamento 24h, etc. Digam-me para que uma cidade de 7 mil habitantes teria toda esta estrutura? Então a gente chega na cidade e é despejado no meio da rua. Ah, DAER…

Um bairro da cidade, visto do nosso quarto | Foto: Milton Ribeiro
Um bairro da cidade, visto do nosso quarto | Foto: Milton Ribeiro

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Bom dia, Paulo Roberto Falcão

Bom dia, Paulo Roberto Falcão
Artur, um dos que não suporta a pressão e erra tudo | Foto: Ricardo Duarte
Artur, um dos que não suporta a pressão e erra tudo | Foto: Ricardo Duarte

Observação inicial: é claro que eu compreendo as manifestações de ódio e repúdio à situação do clube, mas a violência contra pessoas e o quebra-quebra devem ser evitados. Porém, discordo daquelas pessoas que querem impedir que o time seja vaiado e acho ABSOLUTAMENTE RIDÍCULO que os alto-falantes do estádio enfiem o hino do Inter sobre as vaias. Isto também é uma violência, pois torna mudo um estádio que está justamente indignado. A vaia é direito sim. Sou sócio em dia do Inter há mais de 30 anos, pago aquilo lá e sinto-me com pleno direito (e dever) de vaiar quem eu quiser, mas nunca de agredir ou quebrar.

Teu trabalho, Falcão, vai ser foda. Hoje soubemos que Valdívia e Vitinho foram substituídos no intervalo após uma discussão em que o primeiro pediu mais empenho do segundo. E Paulão entrou na discussão com seus punhos contra Vitinho, segundo fontes bem informadas do que acontece no vestiário. Ontem, a primeira reunião do dia foi entre tu, Falcão, e Valdívia. Ou seja, o ambiente é péssimo, beirando o incontrolável, e Ceará, um cara bom de grupo, foi contratado as 36 anos para ficar como substituto das duas laterais e para trabalhar pela paz. Me disseram que merecerá um Nobel se conseguir.

Há muito empenho e preocupação de uns e indiferença de outros.

Sabemos também os motivos de tudo estar assim. O presidente Derrotório Piffero, manteve Argel quando o prazo de validade do técnico já estava pra lá de vencido e, agora, o time precisa de pontos e bom futebol. Só que a coisa simplesmente não aparece. O destreinamento de 11 meses pesa de forma insustentável. Todos jogam nervosos, erram  passes, não se encontram e os adversários se esbaldam. Se seguirmos a tendência — hoje, olhando a tabela, temos 2 pontos nos últimos 9 jogos –, vamos entrar logo no Z-4 e o nervosismo de jogadores, comissão e torcida deverá chegar ao máximo.

Aliás, se é pra entrar no Z-4, que entremos logo a fim de que a indireção de Piffero tenha tempo de tomar um rumo. Há que ser decidido qual o grupo que tirará o time da desgraça. Existem jogadores que devem ser afastados por falta de empenho e outros por absoluta ruindade. Temos que fechar um núcleo duro para tentar buscar os 25 pontos que faltam, os que nos deixarão fora da degola. Pois — comparando nosso grupo de jogadores com os de outras equipes — só cairemos com muita desorganização e má administração da crise. E, por favor, sabemos que a repugnante segunda divisão não é para nós.

Obs. final: o Cruzeiro, que hoje está no Z-4, vai sair de lá. As contratações está estrearam e o time já joga bem. O placar de Santos 2 x 0 Cruzeiro foi criminoso. E contra quem é nossa próxima partida? Contra o Cruzeiro em BH. Acho que nenhum dos dois cai, mas é um jogo perigosíssimo, para o qual não somos favoritos. Provavelmente, o clima será péssimo na sexta-feira lá pros lados do Beira-Rio.

Em férias em local paradisíaco na Serra Gaúcha, farei minha melhor e inexistente minha oração ateia pelo milagre…

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Eles eram muitos cavalos, de Luiz Ruffato

Eles eram muitos cavalos, de Luiz Ruffato

eles eram muitos cavalos RuffatoJames Joyce / Luiz Ruffato

Ulysses / Eles eram muitos cavalos

Dublin / São Paulo

16 de junho de 1904 / 9 de maio de 2000

18 capítulos organizados cronologicamente / 70 capítulos organizados cronologicamente

Capítulos escritos em estilos variados / Capítulos escritos em estilos variados

Com personagens principais / Sem personagens principais

Vamos fazer este blog voltar ao gonzo. Então, começo dizendo que gosto muito do ser humano Luiz Ruffato, dos livros que tinha lido dele, de suas posições e artigos. Porém este Eles eram muitos cavalos, que é tão bem avaliado por aí…

Ora, nada impede que um escritor de nosso tempo vá ao menu que Joyce disponibilizou para dele fazer uso, mas a sombra do irlandês é tão imensa que fiquei na expectativa da luminosidade e dos momentos extraordinariamente belos que se repetem como superfetações em Ulysses. E eles não pintaram. Talvez, se eu não tivesse o livro de Joyce tão presente na memória, pudesse apreciar melhor Eles eram muitos cavalos.

O livro me pareceu trancado pela falta de capítulos mais extensos, pela troca constante de personagens — rápida e desconcertante entre tantas divisões –, pela formatação algo exagerada — quase escandalosa entre tantos negritos, itálicos e mudanças de fonte –, pela falta de caracterizações mais fortes, pelo especialmente tolo início do capítulo 28, enfim…

O que deu errado? Não sei. Sei que talvez, se fosse paulistano, pudesse entender melhor a teia de citações e referências do romance e me entusiasmar por ele. Sabe quando tu lês algo que parece bom, mas que tu não gosta? É o caso.

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Corvos na Chuva, de Ernani Ssó

Corvos na Chuva, de Ernani Ssó

Corvos na Chuva Ernani SsóQuando falei com Ernani, ele me disse que Corvos na chuva era uma coletânea de contos escritos nos últimos, sei lá, 25 ou 30 anos. Logo fui torcendo o nariz, achei que leria uma série contos desiguais em suas perspectivas, temas ou em qualidade, mas errei. O saldo foi muito, muito positivo. Acho que Ernani passou um bom filtro na coleção e, dos 15 contos do livro, deliciei-me verdadeiramente com uns 12, mas quando não gostei, a coisa foi realmente séria. Cheguei a reler Nana, nenê, O anjo exterminador e Safáris. Estava desconfiado de mim, queria conferir se não estava sonolento ou cansado demais para entender a intenção do autor. Porque o resto é excelente, a começar pelo conto que dá título ao livro e fecha o volume.

Corvos na chuva é uma realização extraordinária. Tem história clara e bem contada — onde todas as revelações vêm na hora certa — sob uma furiosa e sofisticada metalinguagem. Coisa rara. Olha, é arrebatador mesmo. Outros excelentes contos são Primeira comunhão, O rei da sanfona e o curtíssimo As férias do coveiro. Os dois primeiros são interessantes e diferentes abordagens ao amor adolescente. Já o terceiro é para se dobrar de rir. Deve ser da fase inicial e mais humorística de Ssó. Puro humor negro.

Os outros contos revelam um autor com pleno domínio de seus meios. Seu virtuosismo e ritmo dobra-se facilmente às necessidades de cada história. Ou seja, nenhum dos oito contos não citados são esquecíveis e um deles… Bem, vamos escrever algumas frases sobre o ousado Outra missa.

Outra missa é uma nova versão de Missa do galo, obra-prima de Machado de Assis. Ssó passa a narração em primeira pessoa para Conceição. Meus sete leitores são cultos e sabem que, no original, o narrador é o estudante Nogueira. A nova versão é respeitosa e nela as intenções da moça ficam, obviamente, mais claras para o leitor. Afinal, Conceição é o “polo ativo”, por assim dizer, da rarefeita história. Mas a sutileza de mostrar ao leitor o crescendo no qual a sedução ainda é possível (e até provável) e a demonstração de que o momento de decisão tinha passado e não seria mais possível recuperar, só estão no conto de Machado e no de Ssó. Lembro de um antigo livro em que vários autores — Autran Dourado, Lygia Fagundes Telles, Antônio Callado, Osman Lins, Nélia Piñon… mais alguém? — recriaram o conto de Machado e nenhum deles chegou perto desta pequena joia criada por Ernani Ssó.

Recomendo muito.

P.S. — Ernani me esclarece por e-mail: “As férias do coveiro é o penúltimo conto escrito. O último foi o Outra missa“.

Ernani Ssó | Foto: Ramiro Furquim/Sul21.com.br
Ernani Ssó | Foto: Ramiro Furquim/Sul21.com.br

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Do curioso linguajar dos pampas

Do curioso linguajar dos pampas

Gauchos chimarrãoCom a consultoria de Milton Saad

Vocês lembram do Analista de Bagé do Luís Fernando Verissimo? Pois a mãe de um amigo meu — crasso bageense — diz coisas muito parecidas. Conheci-o há uns 5 anos. É provavelmente a pessoa mais engraçada que conheço. Não faz aquele humor palhaço, seu humor é verbal e raramente usa o recurso da imitação. Acho que todos nós concordamos que todo humor é precedido por inteligência e capacidade de observação especiais. Ele as possui em doses cavalares. Um dia ainda farei uma antologia dele, porém hoje prefiro ir a Bagé tomar um mate com sua mãe, ainda moradora da cidade do analista. Enquanto a chaleira não chia, começamos a entrar no clima recordando o imortal Analista da cidade.

Luís Fernando Veríssimo:

Certas cidades não conseguem se livrar da reputação injusta que, por alguma razão, possuem. Algumas das pessoas mais sensíveis e menos grossas que eu conheço vem de Bagé, assim como algumas das menos afetadas são de Pelotas. Mas não adianta. Estas histórias do psicanalista de Bagé são provavelmente apócrifas (como diria o próprio analista de Bagé, história apócrifa é mentira bem educada) mas, pensando bem, ele não poderia vir de outro lugar.

Pues, diz que o divã no consultório do analista de Bagé é forrado com um pelego. Ele recebe os pacientes de bombacha e pé no chão.

— Buenas. Vá entrando e se abanque, índio velho.

— O senhor quer que eu deite logo no divã?

— Bom, se o amigo quiser dançar uma marca, antes, esteja a gosto. Mas eu prefiro ver o vivente estendido e charlando que nem china da fronteira, pra não perder tempo nem dinheiro.

— Certo, certo. Eu…

— Aceita um mate?

— Um quê? Ah, não. Obrigado.

— Pos desembucha.

— Antes, eu queria saber. O senhor é freudiano?

— Sou e sustento. Mais ortodoxo que reclame de xarope.

— Certo. Bem, acho que o meu problema é com a minha mãe.

— Outro.

— Outro?

— Complexo de Édipo. Dá mais que pereba em moleque.

— E o senhor acha…

— Eu acho uma pôca vergonha.

— Mas…

— Vai te metê na zona e deixa a velha em paz, tchê!

Agora, comparem as expressões de nosso analista com as da mãe de meu amigo. Entre parênteses, algumas observações minhas e dele.

— Para quem está se afogando jacaré é tronco (Sensacional! Fico imaginando o sujeito se afogando, passa um jacaré…).
— Tranquilo como sono de surdo!
— Calmo como cozinheiro de hospício! (Aqui há controvérsias, uns acham que é preciso ser muito calmo para aguentar aqueles loucos, outros – eu entre estes – acham que os loucos estão noutra e não dão importância à fome ou à pontualidade; daí, a calma).
— Mais pesado que pastel de batata-doce.
— Curto como coice de porco.
— Dei-lhe uma atrás da outra, como punhalada de louco (Esta é maravilhosa!).
— Perdido como cusco em procissão (Um clássico).
— Frio de renguear cusco (Parando para analisar, esta é sensacional. Renguear é mancar).
— Mais enfeitado que bidê de china (Em Bagé, bidê é o mesmo que cômoda. Chinas são originariamente todas as mulheres que não são sinhás, que são as donas de fazendas, mulheres dos senhores).
— Mais assanhado que bolicheiro de campanha (Bolicho é um bar que vende de tudo um pouco, mas principalmente bebidas. Dizem que quando não tem freguês, o bolicheiro vai para a calçada assobiar para todas as mulheres que passam; afinal, macho que é macho come qualquer uma).
— Isso é manotaço de afogado! (Perfeito! Resposta que se deve dar quando alguém não tem mais argumentos numa discussão e passa dizer quaisquer absurdos ou a ofender seus oponentes).

E o mais usado:
— Não tá morto quem peleia, já dizia uma ovelha no meio de quarenta cachorros. (Que macheza!)

Para terminar, vamos a duas do pai do meu amigo. Notem como o estilo torna-se sensivelmente mais grosso e anal…:

— Pomba que come pedra, sabe o cu que tem.
— Não sou lagoa para refrescar cu de pato. (Quando pediam dinheiro para ele).
— Mais perdido que peido em bombacha (Outro clássico).

Eu sou um gaúcho 100% urbano e portoalegrense, que nunca montou num cavalo ou morou no interior e que não gosta de chimarrão. O que faço escrevendo isso, meu caro Analista de Bagé? Seria um ato falho? Mereço um joelhaço?

Colaboraçães de Henrique Bente:

— Cavalo de pinguço sabe onde bolicho dá sombra (se não me engano, é uma das anotações do velho Adão, o pai do Analista de Bagé).
— Más assustado que véia em canoa.
— Más perfumado que mão de barbeiro.

E minha expressão favorita de êxtase:
— Feliz que nem pinto no lixo.

Colaboração de Gustavo Uriartt:

— Mais ligado que rádio de preso.

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Edições perigosas, de John Dunning

Edições perigosas, de John Dunning

edicoes-perigosas-john-dunningJohn Dunning parece fazer questão de rigor. Em seu romance policial Edições Perigosas, há uma morte na primeira frase e a conclusão só será inteiramente fechada na última. Para quem, como eu, desejava descansar de leituras mais árduas, Edições Perigosas foi perfeito. É muito bem escrito, tem história envolvente e os personagens são bem construídos, com cada (boa) trama disparando numa direção, de forma a nos enganar. O tema de fundo é a paixão pelos livros. Quem me emprestou este Dunning foi o livreiro Mauro Messina, da célebre Ladeira Livros. Dias depois, por ter falado muito bem do que estava lendo, tive que comprar o volume, pois minha mulher disse que também queria lê-lo. Mauro me cobrou tão pouco que parece não ter entendido muito bem o romance…

Os romances policiais costumam explorar detetives excêntricos que deslindam tramas complicadas. Cliff Janeway não chega a ser uma figura peculiar. Trata-se de um policial algo violento que é tarado por literatura e livros raros. Em Edições, ele investiga a morte de um alfarrabista. Alfarrabista é pessoa que garimpa livros para os sebos, seja comprando-os muito barato na origem, seja simplesmente recebendo de quem queira livrar-se deles. Eles os vendem um pouco mais caro para os livreiros que, por sua vez, exploram gente preguiçosa como nós. O livro nos dá uma ideia clara do que é o trabalho nos sebos e é óbvio que o Mauro foi seduzido pela questão da busca e compra de novos volumes, atividade da qual ele me confessou gostar especialmente.

John Dunning domina o gênero com sobras. Tem estilo fácil e viciante. Na área dos clichês, temos uma incerta mulher fatal e só. Os outros ficam de fora. Para nosso prazer, durante as discussões sobre livros e seus preços, esbarramos em Salinger, Bellow, Golding, Faulkner, Hemingway, Rex Stout, etc.

Recomendo.

(Livro comprado na Ladeira Livros).

John Dunning
John Dunning

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Da série Minha Infância (11 fotos com famosos)

Da série Minha Infância  (11 fotos com famosos)
Tolstói, eu e minha irmã Iracema em 1906.
Tolstói, eu e minha irmã Iracema em 1906.
Em 1931, anos depois de nosso encontro com Tolstói, eu e minha irmã conhecemos Stálin.
Em 1931, anos depois de nosso encontro com Tolstói, eu e minha irmã conhecemos Stálin.
Eu e minha irmã no Adriático, nos anos 50, brincando com Ingrid Bergman.
Eu e minha irmã no Adriático, nos anos 50, brincando com Ingrid Bergman.
Nosso muito concorrido encontro com Einstein
Nosso muito concorrido encontro com Einstein
Nós dois com Charles Chaplin
Nós dois com Charles Chaplin
Eu e minha irmã Iracema jogando cartas com Shostakovich em 1937.
Eu e minha irmã Iracema jogando cartas com Shostakovich em 1937.
Já adolescentes, eu e minha irmã Iracema durante uma masterclass com William Faulkner no início dos anos 50.
Já adolescentes, eu e minha irmã Iracema durante uma masterclass com William Faulkner no início dos anos 50.
Eu e minha irmã Iracema visitando Erico Verissimo.
Eu e minha irmã Iracema visitando Erico Verissimo.
Olha só, Iracema, nós com a Rainha da Inglaterra! Lembra?
Olha só, Iracema, nós com a Rainha da Inglaterra! Lembra?
Uma luta entre eu e minha irmã Iracema em 1921.
Uma luta entre eu e minha irmã Iracema em 1921.
Eu e minha irmã Iracema em 1961 com Yuri Gagarin. Um amor de pessoa.
Eu e minha irmã Iracema em 1961 com Yuri Gagarin. Um amor de pessoa.

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Bom dia, Falcão (com os lances do horror de ontem)

Ariel salvou o Inter no final. Paulão não repetiu as boas atuações de 2016.
Ariel salvou o Inter no final. Paulão não repetiu as boas atuações de 2016.

Beneficiados pelo árbitro e pela sorte, conseguimos um pobre empate contra a Ponte Preta em Campinas. Fomos salvos por nosso goleiro Marcelo Lomba e pelos erros dos homens de preto. O bandeira não viu uma bola que entrou e Paulão cometeu um pênalti claro, não marcado.

Após 11 meses de Argélico, o Inter ainda tenta estancar a hemorragia causada pelo destreinamento a que foi submetido. Jogamos 11 meses fora e estamos pagando um alto preço. Culpa do presidente Derrotório Piffero e do Departamento de Futebol. É um time viciado em mau futebol, que apela para a simplificação extrema se pressionado.

Por exemplo, Falcão — e ele está certo nisso — quer que o Inter saia jogando com a bola no chão, só que isto é uma novidade para quem só deu chutões e mais chutões nos últimos meses. E o time erra passes e mais passes.

Desta forma, Fernando Bob entrega a bola para o adversário e, pior, a defesa congela, como no gol de empate da Ponte. A Ponte é um time simples e sem grandes expressões técnicas, mas bem treinado por Eduardo Batista. E nós tomamos um banho de bola deles. O empate foi milagroso.

Além dos graves problemas causados por Argélico — falta de bola no chão, dinâmica, padrão, sincronia, jogadas ensaiadas, etc. –, temos alguns valores individuais que mereceriam o patíbulo. Géferson é especialmente inexplicável. O cara está nos fodendo desde a Libertadores de 2015 e está ali, em campo. Ou não, pois o que ele deixou de fazer no segundo gol da Ponte foi uma demonstração de que está com a cabeça ocupada com outras coisas. Ferrareis é outro. Conseguiu errar tudo o que fez.

Olha, eu acompanho o Inter deste 1967, quando completei 10 anos de idade. Sou sócio há mais de trinta anos e jamais vi uma situação tão pobre do ponto de vista futebolístico quanto a que vivemos hoje. Temos o pior departamento de futebol dos últimos 50 anos. Perdemos 5 seguidas e, como já disse, não fomos goleados pelo time médio da Ponte Preta em razão da ajuda do juiz.

Por culpa do incompetente Argélico, temos um time sem armação. Sasha por ali mais parece uma piada.

E, já que Bob foi expulso, os volantes contra o Corinthians deverão ser Fabinho e Anselmo. E quem será o lateral direito? E o esquerdo? Volta o apenas aceitável Arthur ou vamos com Alex? Pois Géferson tem que ser retirado do time, do banco e do Beira-Rio.

Hoje, nossa perspectiva é a mais repugnante de todas: a segunda divisão. Quem nos fez vislumbrar tal horizonte que trate impedir que o pior aconteça. Digo isso aos Srs. Piffero e Pellegrini. Eu e parte boa da torcida fizemos a nossa parte: avisamos desde o ano passado sem parar.

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Tradutora de Svetlana Aleksiévitch, Sonia Branco vira ‘sócia’ da bielorrussa

Tradutora de Svetlana Aleksiévitch, Sonia Branco vira ‘sócia’ da bielorrussa
Sonia Branco e Svetlana Aleksiêvitch: "Nosso livro"
Sonia Branco e Svetlana Aleksiévitch: “Nosso livro”

Encontro entre autora e tradutora durante a Flip rendeu agradecimentos e dedicatória especial. Escolhida para verter obras da bielorrussa, Sonia Branco relata experiência de noites debruçadas sobre obras “densas e envolventes”.

Da Gazeta Russa

A Nobel de Literatura Svetlana Aleksiévitch, que esteve na recente edição da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), é uma escritora de muitas vozes. E, se uma delas fala português, isso se deve a Sonia Branco. No evento, além de terem a oportunidade de trocar algumas palavras, o encontro rendeu uma “parceria” inesperada: em sua dedicatória, a bielorrussa agradece pelo que chama de “agora nosso livro”.

“Foi uma emoção muito grande. Jamais imaginaria que isso fosse acontecer”, conta Sonia. A voz brasileira da Nobel de Literatura, aliás, também é uma mulher de muitas faces.

Com nome de heroína de Dostoiévski – aliás, uma paixão de ambas –, Sonia Branco não para por aí. É professora de Língua e Literatura da Universidade Federal do Rio de Janeiro, doutora e mestra em Teoria Literária, tradutora com vasta experiência, e um dos maiores nomes em estudos eslavos do Brasil.

O contato com Svetlana aconteceu por acaso. Após o anúncio de que a bielorrussa seria a Nobel de Literatura de 2015, iniciou-se uma corrida para lançar seus livros no Brasil. E isso passava pela escolha de tradutores para sua obra – densa, humana, mas contemporânea e de fácil acesso.

Logo, Sonia Branco foi contatada e, durante alguns meses, abriu mão de finais de semana, noites e feriados para dar corpo à versão brasileira de “Vozes de Tchernóbil”, um dos livros mais importantes de Svetlana Aleksiévitch. A obra sobre a catástrofe nuclear foi uma das três escolhidas para apresentar a bielorrussa ao Brasil, juntamente com “A Guerra não tem rosto de mulher” e “Tempo de segunda mão”.

“Passei meu Natal com a tradução. Chorei muitas vezes com o texto, me envolvi demais. É um livro denso e que precisa de um cuidado especial”, diz Sonia. O trabalho evoluiu e, enfim, a tradução pronta, e livro já está nas prateleiras. Mas a glória maior da brasileira ainda estaria por vir.

A participação de Svetlana na Flip era uma grande oportunidade para Sonia Branco conhecê-la. Mas, sem ingressos garantidos, restou comprar os bilhetes – como qualquer mortal – e aguardar uma brecha na agenda da bielorrussa. A chance aconteceu logo após a participação de Svetlana na Tenda dos Autores – evento principal da feira. Mesmo com a enorme fila para autógrafos, Sonia conseguiu trocar algumas palavras com a escritora.

E, ainda mais importante do que um “convite” para Minsk, foi a dedicatória singela e generosa feita por Svetlana Aleksiévitch, que escreveu no exemplar de Sonia “obrigado pelo, agora, NOSSO livro”. Assim, a brasileira se tornou “sócia” de um Nobel de Literatura. E, paralelamente, Svetlana Aleksiévitch ganhou uma nova voz feminina e bem brasileira.

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Noruega faz o melhor comercial das Olimpíadas no Rio de Janeiro

Noruega faz o melhor comercial das Olimpíadas no Rio de Janeiro

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Entre centenas de campanhas publicitárias sobre os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, foi a Noruega que criou o comercial mais brasileiro. A peça mostra um Rio de Janeiro mais “realista” e é uma campanha da marca esportiva XXL Sport & Villmark. Tudo se passa em uma favela e mostra a história de um garoto que persegue um misterioso homem para devolver a carteira que ele deixou cair. Ao mesmo tempo, o próprio garoto é perseguido por policiais que acreditam que o acessório tenha sido roubado por ele.

Vejam abaixo.

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Só a ficção arranha a realidade

Só a ficção arranha a realidade

Faulkner

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