São compilações, claro. Tudo o que eles fazem dá certo. Mas mesmo assim é impressionante.
http://youtu.be/45kYoqweV4Q
http://youtu.be/Ah9xV13QB_s
Esta é a 259ª edição do PHES e, pela primeira vez,
nossa única homenageada será uma atriz pornô.
Não é nossa especialidade, mas também não estamos falando de
uma pornstar comum — estamos falando da aposentada Jenna Jameson.
Uma mulher efetivamente bonita,
que talvez fizesse sucesso em outra carreira
menos explícita de modelo.

A piada ontem no Sul21 era a de que eu faria a cobertura da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) entre os dias 23 e 28 de julho. Sim, aquele mesmo que promoverá o encontro de jovens de todo o mundo com o Papa Francisco. Seria um repórter gonzo, participando intensamente e até dividiria o quarto com um bispo. Mas não correria risco nenhum porque não sou mais garotinho. Como sou um coroa pra lá dos 50 anos e não sou muito alto, seria chamado de O Repórter Coroinha. Quero tanto conviver com os peregrinos, participar das vigílias, conhecer as católicas mais fervorosas…
Existem diversos pacotes disponíveis, mas o que eu quero mesmo é um kit peregrino “com diversos acessórios inéditos e exclusivos que auxiliarão em sua peregrinação e ficarão de recordação”. Como posso seguir vivendo sem um? No link acima, há também propostas de hospedagem até o dia 30 de JUNHO. Esses católicos são perturbados, né? Tanta fidelidade, casamento e virgindade confunde até o passar do tempo.
O que me interessa é fazer a reportagem gonzo deste verdadeiro sonho do coração de Deus. Na boa, estou preparado e de coração aberto para as maravilhas que Deus tem reservadas para cada um de nós. Para mim, principalmente.
Mas também vou protestar. Afinal, querem canonizar Pio XII ao arrepio da Lei Divina. Este Papa só fez um (1) milagre — um tumorzinho que sumiu numa beata — , não dois (2) dos grandes como manda a lei. Até aceitaria a canonização se o Grêmio ganhasse um campeonato em 2013, mas para sabermos teríamos que esperar até o fim do ano. Se bem que até setembro já saberemos, creio.
Um outro milagre de Pio XII pode ter sido realizado ao final da 2ª Guerra Mundial. Instado pelos aliados a fazê-lo, o Papa Pio XII negou-se a condenar as atrocidades praticadas pelos nazistas contra judeus, acentuando o número de mortes. É um milagre! Vou propor. Quero ir!

A vereadora Mônica Leal (PP) ficou irritada ao verificar que seu quadro não estava no mural das vereadoras e acusou os manifestantes de o terem roubado. No entanto, um funcionário da Câmara de Vereadores de Porto Alegre a avisou que o retrato havia sido guardado por seus assessores pois estava com o vidro quebrado. A vereadora, então, solicitou ao presidente da Casa, Thiago Duarte (PDT), que fosse aberta uma queixa-crime por conta do vidro danificado.

Não houve sofrimento ontem, né, Dunga? Não jogamos bem, mas foi uma classificação controlada, quase uma formalidade para um ato antecipadamente decidido. Quando fizemos o gol do América-MG (por favor, Dunga, Jackson dá de dez em Ronaldo Alves), foi só trabalhar um pouquinho para empatar e repor as coisas em seus lugares. Sim, claro, suamos, mas agora é que virão os maiores adversários da Copa do Brasil. Quer saber? Estou mais preocupado é que contratemos logo este excelente Ignacio Scocco, que viria em boa idade (28 anos) e que é um baita jogador.
Scocco tem aquelas características simpáticas: marca gols e é criativo. Precisamos de gente assim, que saiba colocar as bolas nas redes adversárias, que tenha intimidade com o fato, que ache anormal aquele faniquito que dá em alguns na hora do chute final, da alegria. Sempre digo, Dunga, os artilheiros não valem mais por acaso, valem mais porque são raros e poupam trabalho. Os times que têm de parir uma bigorna para fazer um golzinho são deprimentes.
Agora é preparar o time para o jogo contra o Flamengo. Precisamos ganhar e nos despedir definitivamente de Caxias, Dunga. É muito longe, frio e os gringos nos veem com reservas. Vamos para NH, onde fica mais fácil pra gente ir. Estou com saudades de ir aos jogos, Dunga.
Posso te dizer um segredo? Não vi nenhum jogo do Inter de Fernandão, nem do de Dorival. Não eram treinadores de futebol como tu. Detesto times bagunçados. Faz dois anos que só vejo meu time pela TV. Não dá mais, chega.
Perdi 8 kg desde o último dia 13 de junho. Não que eu tenha planejado. Crescentes fatores enervantes tiveram preponderância e não os indico ao pior de meus inimigos. Com boa dose de ironia, minha filha elogia o resultado. Os chineses também, pois… Não, antes dos chineses, mais uma coisinha. Fui fazer uma corrida domingo. Os 11% a menos de peso fizeram enorme diferença. Fiz 8 km em tempo recorde, mas falemos dos chineses. A matéria é do publico.pt.
Restringir a quantidade de alimentos ingeridos pode ser a chave para uma vida prolongada, segundo dados de uma equipa de cientistas chineses que acabam de publicar um estudo na revista científica Nature Communications.
A equipa da Universidade de Jiao Tong, em Xangai, explica que fez uma série de experiências em 150 ratos ao longo de três anos e que foi possível estabelecer uma relação entre comer pouco e viver mais tempo nos ratinhos que foram sujeitos a uma restrição das calorias ingeridas por dia.
Zhao Liping, coordenador do estudo e investigador da Escola de Biotecnologia e Ciências da Vida da universidade chinesa, em declarações ao jornal Shanghai Daily, citado pela Lusa, adiantou que as conclusões se podem aplicar a outros animais e também a humanos – ainda que sejam necessárias investigações adicionais já que os resultados em pessoas devem ser personalizados. Além disso as experiências decorreram apenas em ratinhos machos, já que o sexo poderia ser um fator que poderia influenciar os resultados.
De acordo com o cientista, a restrição calórica favorece a expansão da flora bacteriana saudável presente no sistema digestivo, nomeadamente os lactobacilos, o que ajuda a combater e a reduzir o número de bactérias nocivas para o organismo. Zhao assegura que estas bactérias “boas” são um elemento determinante na saúde e tempo de vida.

Minha sexta-feira à noite foi em casa, tranquila, preguiçosa, com gente um pouco cansada, mas com muito carinho envolvido. Meu filho Bernardo fez o jantar para mim, sua namorada Natália e sua irmã Bárbara. Um bom vazio numa panela de pressão com uma garrafa e meia de cerveja preta Kalena, mais cebola e alho. 60 minutos depois, abriu-se a panela, desfiou-se a carne, que voltou para a panela e esta para o fogo, recebendo o restante da segunda garrafa de ceva, mais creme de leite, sal e nhoque. Tudo saiu no ponto, perfeitíssimo. A melhor refeição, a mais querida.
No dia seguinte, nós e os vizinhos do andar de cima seguimos comendo. Eles faziam hums e ohs a cada garfada. Não, não é exagero de pai. O afeto espraiava-se naturalmente.
Foram momentos especiais. Muito obrigado.
Parabéns pela grande vitória. São três pontos que poucos times obterão ao longo do campeonato. Fazem a diferença e, de certa forma, compensam aquela inexplicável derrota para o Bahia lá em Caxias. Aliás, espero que nossos jogos logo possam ocorrer aqui em Novo Hamburgo, muito mais perto.
Meus parabéns se estendem ao fato de que hoje houve volantes na frente de nossa zaga, hoje tu deste proteção para nossos velhinhos. Dunga, gostei muito da providência. Josimar e Fabrício ficaram ali. Está correto.
Esta vitória foi tua. O time estava todo esbodegado, cheio de improvisações. Eram 8 desfalques: Willians, Caio, Leandro Damião, Maurides, Otávio, Ygor, Airton e Mike. O lateral Fabrício de volante, o atacante-armador Jorge Henrique — como jogou este baixinho! — como terceiro homem, etc. E só tínhamos seis caras no banco e, olha…
Dunga, não te estressa com o Luigi. Nosso presidente é um banana e é claro que mais problemas do tipo do que sucedeu com o Willians acontecerão novamente. O Luigi é lento e meio desatento, mas é bom para segurar jogadores. De resto, nós sabemos que o melhor é blindar o vestiário — deixemos o Luigi lá no escritório pensando que entende de futebol.
O Abel está reclamando da cera do nosso goleiro Muriel. O Abel é muito cômico. Se ele não quisesse ver cera, era só pedir a seus jogadores pararem de levantar a bola pro Fred ganhar as jogadas no corpo-a-corpo, né? “Ele atrapalhou nossa reação”. E tu estavas lá para quê? Ele também não viu justiça no resultado. Esse troço de justiça é algo curioso. Parece que concluir bem em gol não é uma qualidade. Mais: o Flu não pressionou, não houve bolas na trave nem grande defesas de Muriel. Ou seja, o merecimento do Flu teria sido o de ter maior posse de bola. Bem, isso o Barcelona também teve contra o Bayern e o resultado foi o que se viu…
A imprensa é chata, né, Dunga? Estão falando que a gente toma muitos gols. Até tomamos, mas isso é uma decorrência de um time ofensivo. O que a imprensa não pensa é sobre a efetividade de Forlán, D`Alessandro e companhia. O Forlán é todo confuso e atrapalhado, mas algo acontece na hora de chutar a gol. O cara tem o DNA do gol. Ele faz, e de qualquer distância. Ponto. Com este efetividade, retirar alguém lá da frente seria loucura. Claro que a defesa tem problemas na bola alta, etc. Mas acho que tu não deves acumular defensores para fazer esta correção, tens que seguir apostando no punch, na potência do pessoal lá da frente. Se tomarmos muitos gols, que sigamos enfiando ainda mais lá na frente. E acho super legal torcer para o time que mais faz gols no campeonato e também para um dos que mais toma. Os jogos são divertidos — vai dizer? — e os paulistas ficam doidos com um time ofensivo vindo de ti. Eles não te conhecem mesmo, deixam-se levar pelo preconceito do Dunga turrão.
Eu sempre disse que tu eras técnico de futebol. Sabia desde a Seleção e espero que a gente possa seguir trocando ideias por muito tempo, meu amigo.
Quando as mulheres se arrumam, se preparam,
costuma ser demorado.
Elas se observam,
testam variações,
combinações,
Publicado em 30 de dezembro de 2012 no Sul21

A ensaísta Flora Süssekind, num livro sobre literatura brasileira, criou o belo título Tal Brasil, qual romance? É com este espírito — apenas com o espírito, pois nossa pobre capacidade nos afasta inexoravelmente de Flora — que pautamos para este domingo o que representou (ou pesou) a União Soviética em termos culturais. Sua origem, a Rússia czarista, foi um estado que mudou o mundo não apenas por ter se tornado o primeiro país socialista do planeta, mas por ter sido o berço de uma das maiores literaturas de todos os tempos. Quem lê a literatura russa do século XIX, não imagina que aqueles imensos autores — Dostoiévski, Tolstói, Tchékhov, Turguênev, Leskov e outros — viviam numa sociedade com resquícios de feudalismo. Através de seus escritos, nota-se claramente a pobreza e a base puramente agrária do país, mas há poucas referências ao czar, monarca absolutista que não admitia oposição e que tinha a seu serviço uma eficiente censura. Na verdade, falar pouco no czar era uma atitude que revelava a dignidade daqueles autores.
No início do século XX, Nicolau II, o último czar da dinastia Romanov, facilitou a entrada de capitais estrangeiros para promover a industrialização do país, o que já ocorrera em outros países da Europa. Os investimentos para a criação de uma indústria russa ficaram concentrados nos principais centros urbanos, como Moscou, São Petersburgo, Odessa e Kiev. Nessas cidades, formou-se um operariado de aproximadamente 3 milhões de pessoas, que recebiam salários miseráveis e eram submetidos a jornadas de até 16 horas diárias de trabalho, sem receber alimentação e trabalhando em locais imundos. Ali, havia um ambiente propício às revoltas e ao caos social, situação que antecedeu o nascimento da União Soviética, país formado há 90 anos atrás, em 30 de dezembro de 1922.

Primeiro, houve a revolta de 1905. No dia 9 de janeiro daquele ano, um domingo, tropas czaristas massacraram um grupo de trabalhadores que viera fazer um protesto pacífico e desarmado em frente ao Palácio de Inverno do czar, em São Petersburgo. O protesto, marcado para depois da missa e com a presença de muitas crianças, tinha a intenção de entregar uma petição — sim, um papel — ao soberano, solicitando coisas como redução do horário de trabalho para oito horas diárias, assistência médica, melhor tratamento, liberdade de religião, etc. A resposta foi dada pela artilharia, que matou mais de cem trabalhadores e feriu outros trezentos. Lênin diria que aquele dia, também conhecido como Domingo Sangrento, foi o primeiro ensaio para a Revolução. O fato detonou uma série de revoltas internas, envolvendo operários, camponeses, marinheiros (como a revolta no Encouraçado Potemkin) e soldados do exército.
Se internamente havia problemas, também vinham péssimas notícias do exterior. A Guerra Russo-Japonesa fora um fiasco militar para a Rússia, que foi obrigada a abrir mão, em 1905, de suas pretensões sobre a Manchúria e na península de Liaodong. Pouco tempo depois, já sofrendo grande oposição interna, a Rússia envolveu-se em um outro grande conflito, a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), onde também sofreu pesadas derrotas em combates contra os alemães. A nova Guerra provocou enorme crise no abastecimento das cidades, desencadeando uma série de greves, revoltas populares e fome de boa parte da população. Incapaz de conter a onda de insatisfações, o regime czarista mostrava-se intensamente debilitado até que, em 1917, o conjunto de forças políticas de oposição (liberais e socialistas) depuseram o czar Nicolau II, dando início à Revolução Russa.

A revolução teve duas fases: (1) a Revolução de Fevereiro, que derrubou a autocracia do czar Nicolau II e procurou estabelecer em seu lugar uma república de cunho liberal e (2) a Revolução de Outubro, na qual o Partido Bolchevique derrubou o governo provisório. A Revolução Bolchevique começou com um golpe de estado liderado por Vladimir Lênin e foi a primeira revolução comunista marxista do século XX. A Revolução de Outubro foi seguida pela Guerra Civil Russa (1918-1922) e pela criação da URSS em 1922. A Guerra Civil teve como único vencedor o Exército Vermelho (bolchevique) e foi sob sua liderança que foi criado o Estado Soviético. Lênin tornou-se, assim, o homem forte da Rússia, acompanhado por Trotsky e Stálin. Seu governo foi marcado pela tentativa de superar a crise econômica e social que se abatia sobre a nação, realizando reformas de caráter sócio-econômico. Contra a adoção do socialismo na Rússia ergueu-se uma violenta reação apoiada pelo mundo capitalista, opondo o Exército Vermelho aos russos brancos (liberais).

O país que emergiu da Guerra Civil estava em frangalhos. Para piorar, em 1921, ocorreu a Grande Fome Russa que matou aproximadamente 5 milhões de pessoas. A fome resultou do efeito conjugado da interrupção da produção agrícola, que já começara durante a Primeira Guerra Mundial, e continuou com os distúrbios da Revolução Russa de 1917 e a Guerra Civil. Para completar, houve uma grande seca em 1921, o que agravou a situação para a de uma catástrofe nacional. A fome era tão severa que a população comia as sementes em vez de plantá-las. Muitos recorreram às ervas e até ao canibalismo, tentando guardar sementes para o plantio. (Não terá saído daí a fama dos comunistas serem comedores de criancinhas? Num documentário da BBC sobre o século XX, uma mulher, ao lembrar-se da fome, conta que sua mãe tentou morder sua filha pequena e que ela precisou trancar a mãe e fugir da casa. Bem, continuemos).

Caríssimo!
Sabe, Dunga, sou colorado roxo, mas ontem vi mais o jogo do Atlético-MG pelas semifinais da Libertadores do que o nosso. Mesmo assim, deu para rever um defeito muito grande no nosso time. Um escândalo. Olha Dunga, domingo passado tu, que foste volante dos bons, deixaste o Rafael Vaz do Vasco correr 30 metros em direção à nossa zaga sem ser incomodado para disparar um torpedo no segundo gol do Vasco. Onde estava este Airton — de que tanto gostas — naquele lance?
E ontem? Viste como sofremos com o terrível Rodriguinho do América-MG? O cara vinha sempre livre com a bola. Quando o Índio vinha, ele dava na esquerda para aquele Tiago Alves perder o gol. Foram três gols perdidos só pelo Tiago, fora os outros. Onde estava nosso volante Jackson (ou o Josimar) naquelas bolas?
Será que tu consegues arrumar essa bosta até o jogo contra o Fluminense? Nós vamos tomar muitos gols desse jeito. É claro que, se qualquer zaga recebe proteção, imagina do que precisa a nossa, de 72 anos. Ô, Dunga, tu que tens um belo projeto social lá na Restinga, dando um lar e educação às crianças carentes, poderias dar uma força pros velhinhos, né? Coloca uns cães de guarda ali na frente, pelamor.
Era isso. Tchau.

O concerto é um gênero de composição que tem por uma de suas características principais a oposição entre a orquestra e um ou diversos solistas. O solista não necessita ser um virtuose absoluto, mas é bom que esteja à altura da música e do “enfrentamento” com a orquestra. Ontem à noite, nas brumas da acústica e no barulho do ar condicionado do Auditório Dante Barone da Assembleia Legislativa, tivemos dois concertos mais do que clássicos: o Concerto Nº 1 para piano e orquestra, Op. 15, de Beethoven, e o Concerto para violino e orquestra, Op. 35, de Tchaikovsky. À frente da orquestra, o casal russo — são mesmo casados — formado por Galina Petrova (piano) e Maxim Fedotov (violino). Vamos abrir e ver o que nos trazia a arca russa.
Se Beethoven tivesse parado no Op. 15, sua imortalidade não estaria garantida. Este concerto para piano de Beethoven é bem mais ou menos — uma assimilação meio confusa de Haydn e Mozart com uma voz própria nascente — e Galina Petrova obteve empurrá-lo mais para baixo. A pianista levou o concerto sem nenhuma sutileza e de forma bastante errática. O Allegro com Brio é solene e chato, mas a música melhora muito no belo e lírico Largo e no zombeteiro Allegro scherzando. Este é um tipo de música cheia de repetições, onde os temas apresentados pela orquestra são muitas vezes revisitados pelo piano e vice-versa. Petrova deixava claras suas limitações ao não conseguindo realizar as denunciadoras repetições ou ver-se repetida pela orquestra de forma ligeiramente diferente. Ela também não se salvava pela interpretação… Então, a primeira surpresa da arca russa foi decepcionante, mas…
“Tudo que pensamos ser verdade um dia muda”, diz uma voz em off na abertura de Dossiê Jango. Talvez para as pessoas de minha geração — nascidas ali pelo final dos anos 50, início dos 60 — , a estranha morte de João Goulart e as repetidas acusações de Brizola de que Jango fora assassinado fossem há muito conhecidas, mas nunca é tarde para fundamentar tais suspeitas, ainda mais em época de Comissão da Verdade, mesmo que de mentirinha.
O excelente filme de Fontenelle inicia com uma contextualização de uns 40 minutos. Claro que ela é necessária, considerando-se o nível heterogêneo de informação dos espectadores. Ela não incomoda em nada, é elegante e interessante. Depois o filme entra de forma consistente na questão da morte de Jango. Não vou contar aqui o desfecho porque também Fontenelle faz uma espécie de suspense até revelar o motivo e o calibre das suspeitas. Mas, olha, é chumbo grosso, não são palavras ao vento. Os milicos viam três figuras como muito ameaçadoras nos anos 70: o rei posto João Goulart, o ex-presidente Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda. Não foi por acaso que o trio morreu em datas tão próximas, assim como mais 15 importantes políticos argentinos e uruguaios. Como morriam? Vejam o filme.
O filme não somente confirma o talento do cinema brasileiro para o gênero documentário, como deveria ser obrigatório para estudantes secundaristas. Afinal, tenho visto muita gente que parece não saber bem o que é uma ditadura.
O Philip Gastal Mayer escreveu o que segue em seu Facebook. E me mandou ler, escrevendo apenas Milton Ribeiro. Maiores detalhes sobre o filme aqui. O Philip, além de bom amigo e excelente violoncelista da Ospa, é um grande leitor de Nietzsche e chega matando a pau.
Elena Romanov, esse é o trecho que te falei do eterno retorno de Nietzsche, é do livro “A Gaia Ciência”, foi o que me veio à cabeça quando assisti o filme:
“E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: “Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência – e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez, e tu com ela, poeirinha da poeira!”. Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: “Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!” Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: “Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?” pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?” – F. Nietzsche
Eu amo crianças. Adorei ter meus dois filhos, adorava brincar com eles quando pequenos e hoje adoro conviver com eles, educando-os (aprendendo muito, também) e ajudando-os do jeito que posso. Se soubesse antes que tinha tanto talento, gana e amor para ser pai, teria mais uns cinco. Então, fiquei comovido com as fotos desta mulher desde o início da gravidez até ver sua criança. Uma coisa simples e emocionante.
“Para Fortunati, Porto Alegre não está preparada para combater grandes incêndios”. OK. E a Prefeitura de Porto Alegre está preparada para fiscalizar obras a 30 metros de distância da prefeitura em um prédio, sob sua responsabilidade e sem PPCI há seis anos? Roto falando do esfarrapado?
Fernando Guimarães, no Facebook
Ontem, o Mercado Público de Porto Alegre foi atingido por um incêndio. Desde a minha infância, época em que ele estava mais para um pardieiro, sou usuário do local. A Banca 40, a salada de fruta com nata, o Gambrinus, o Sayuri que eu e minha filha adoramos, as iguarias daquela banca dos vinhos que sempre esqueço o nome — mas nunca de ir lá –, o Café do Mercado, a Tainha na Telha, mais um monte de cafés no lado de fora, as rações para animais, os peixes, a Japesca, sua temaqueria, as casas de religiões africanas, os chás, as ervas, tudo está lá reunido. Difícil sair do Mercado de mãos vazias ou sem algo no bucho.
Também é um local popular, cercado de terminais de ônibus, bem no centro de Porto Alegre. E bem ao lado da prefeitura. Então, bem ao lado da prefeitura, repito, no Centro Histórico de Porto Alegre, tínhamos um prédio histórico e útil, querido da cidade e muito frequentado. Só que o Plano de Prevenção Contra Incêndios (PPCI) do Mercado Público estava vencido há seis anos, há uma gestão e meia. E muita gente devia saber. Faz um mês a Band avisou que os extintores de incêndio, por exemplo, estavam sem vistoria de segurança há pelo menos dez meses e que a prefeitura voltava a prometer uma inspeção. Ontem, pouco adiantariam os extintores internos, mas e o PPCI? Será que a Kiss não funcionou como lição?
Comprei o romance A Vida Financeira dos Poetas (Benvirá, 352 páginas) em razão do bom título. Bem, foi uma tentativa… A história sem spoilers: Matt larga seu emprego no minguante jornalismo impresso norte-americano para investir num negócio próprio na internet: um portal de notícias econômicas escritas em forma de poesia. Não dá nada certo, claro. Agora, desempregado, sem grana, corre o risco de perder a casa e a mulher, cada vez mais irritada com as dificuldades financeiras em casa e interessada em flertar com um ex-namorado.
O livro tem inegáveis bons momentos, como nos trechos em que Matt procura entrar no negócio das drogas, mas sua trama acaba esbarrando em atitudes que adocicam a situação final. É como se o autor Jess Walter estivesse dando uma volta para tornar seu livro palatável para o cinema dos EUA.
A escolha da linguagem é perfeita e podemos dar boas risadas com o livro, mas Walter acaba por destruir os bem armados conflitos do livro através do uso de soluções convencionais. Uma pena.
Publicado em 22 de dezembro de 2012 no Sul21

Esta matéria foi escrita na tarde de 21 de dezembro e programada para ser publicada na madrugada do dia 22. Evidentemente, quando foi escrita, o mundo ainda existia e, se você a está lendo neste momento, temos outra evidência de que o mundo, mais uma vez, não acabou e que você pode preparar-se com tranquilidade para as festividades natalinas. Este é o motivo de nosso título altamente confiante.
A sigla Nasa significa National Aeronautics and Space Administration. Ignoramos como os EUA obtêm administrar o espaço sideral, mas estivemos de olho em seus informes. Estes garantiam que nada estava sendo ocultado e que nenhum fenômeno celeste rondava nosso planeta. O tal Niburi, planeta quatro vezes maior que a Terra e que estaria em rota de colisão conosco — em exata analogia com o filme Melancolia, de Lars von Trier — , nem passou perto. Se o Niburi viesse de encontro à Terra, seria uma catástrofe muito maior do que aquela que teve como resultado a extinção dos dinossauros há 65 milhões de anos. Na época, um asteroide de 10 a 15 km de diâmetro caiu sobre a atual península de Yucatán, no México. Don Yeomans, cientista do Laboratório de Propulsão de Jatos da Nasa, acrescenta que, se o Nibiru estivesse chegando, ele seria visível, muito visível, mesmo a olho nu, como o foi no filme de von Trier.

Nada visível foi outra ameaça prevista e que também foi afastada pela Nasa: a de uma grande tempestade solar. Segundo a Nasa, a previsão do tempo no Sol é a seguinte para os próximos meses: as tempestades solares se acentuarão e seu máximo deverá ser no mês de maio. Mas, garante Yeomans, trata-se de ciclos normais. A cada 11 anos, o sol passa por uma fase chamada de “máxima solar”. Durante esta fase ou qualquer outra, a Terra é muito pouco afetada. Diz a Nasa que um “apagão solar” está previsto apenas para daqui a 5 bilhões de anos, quando Sol se tornará um gigante vermelho. Antes disso, o calor galopante provocará a evaporação dos oceanos e o desaparecimento de nossa atmosfera. Depois, o astro-rei se resfriará até a extinção. Então, em nota tranquilizadora emitida dias antes do suposto fim do mundo, a Nasa negou também o fim do Sol, ao menos nos próximos dias.

O jornalismo gonzo é um estilo onde o autor abandona a objetividade ou o distanciamento, misturando-se à ação, argumentação ou enredo. Então você dirá que tudo o que escrevo no blog é gonzo e eu vou concordar, mas hoje serei ainda mais gonzo que o normal.
E, ainda por cima, vou escrever sobre o concerto de ontem a partir do Concerto Duplo de Brahms, desconhecendo a ordem de apresentação das obras. Bem, sou filho de uma família onde não faltava nada e tampouco sobrava. Meus pais garantiam que eu tivesse acesso a tudo o que fosse necessário a uma boa formação, porém, até os 20 anos de idade, eu dormia num sofá de uma sala que se transformava em quarto à noite. Não, não começarei uma narrativa dickensiana de tormentos infantis — não seria sincero, tive uma infância nojenta de tão feliz –, mas direi que na sala estava o toca-discos e meu pai costumava ouvir música até 2, 3 ou 4 horas da madrugada, enquanto eu dormia. Minha formação musical tem a mão dele. Antes de eu dormir, ele me mostrava coisas de que gostava ou detestava. Tal fato rendeu alguns subprodutos: tenho sono pesado, difícil de perturbar e conheço muitas músicas absolutamente de cor, sem saber de onde vieram. Então, quando começou a execução do Concerto Duplo para Violino e Violoncelo de Brahms, eu logo constatei: esta é uma daquelas músicas que vieram pré-instaladas no meu cérebro desde os tempos imemoriais. Ou seja, meu pai devia ouvi-la muito.
Eu não me acho nada legal. Sou irônico, muitas vezes debochado e faço piadas fora de hora — normalmente de forma voluntária, só para ver o resultado. Também sou opiniático, crítico a um nível bastante chato e, de forma quase inevitável, reviro os olhos abertamente quando julgo ouvir absurdos. Também nunca tive o mel da beleza e já perdi o da juventude. Mas, por alguma razão que desconheço, sou um agregador. Tenho grande facilidade para arranjar amigos e agora vai o diferencial mais importante: meus amigos são os melhores. Não posso mudar a verdade, são os melhores. Tanto que eles invadem as vidas de quem se relaciona comigo, tanto que os apresento uns aos outros e todos se encantam. E são, contrariamente a mim, pessoas qualificadas e reconhecidas em suas áreas. Eles me usam como vetor de elogios que muitas vezes não são repassados, pois sou esquecido e indigno deles. Hoje NÃO tive comprovações disso — afinal, não apresentei ninguém a ninguém — , mas nesta manhã rolou uma estranha vontade nas pessoas de saberem como eu estava. Dentro de um período de relativo isolamento e tristeza, de um período em que este blog está uma bosta, recebi telefonemas e e-mails. E eu, muito ensaboado, pouco falei, quase não deixando minhas escamas no carinho dos amigos, apesar de louco para deixá-las. Peço desculpas.
Depois desta manhã original, tivemos o almoço do um milhão de acessos mensais do Sul21. Sim, um novo almoço, porque desta vez é para sempre, já estamos batendo lá no 1,2 milhão. (Meus sete leitores participam disto garantindo quase 3000 acessos diários aqui neste blog — não sei MESMO o que tanto leem em mim).
Então, vou misturar os dois fatos agradecendo a todos. E vou usar como exemplo alguém que mal falou comigo hoje, mas que é quem divide a editoria do site comigo: Igor Natusch. Ele figura entre meus amigos, claro. Somos ambos editores — ele muito melhor do que eu — e nunca, jamais tivemos uma discussão ríspida. Não somos íntimos, apenas trabalhamos juntos, mas nunca brigamos, o que não quer dizer que sempre concordemos. É difícil existir alguém mais polido do que ele, uma pessoa bem diferente de mim, que sou muito mais deselegante e grosseiro. E vi que o Igor era assim logo quando o entrevistei para o Sul21. Briguei para que ele fosse contratado. Deu certo. Voltando ao primeiro tema deste texto, acho que tenho a qualidade feminina (ui!) de avaliar corretamente pessoas em segundos. Ignoro onde aprendi isso e, assim como alguém me convence rapidamente, posso sentir asco e me afastar correndo. O resultado é conhecido: tenho o melhor grupo de amigos do mundo ocidental. E ponto.