Shostakovich – Sonata Cello-piano Op.40 II. mov. avec Gastinel

Com Anne Gastinel e Roger Muraro. E, após o movimento da Sonata de Shosta, alguns comentários de Gastinel sobre sua gravação das Suítes para Violoncelo Solo de Bach. Num postzinho simples, duas ou três de minhas paixões.

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Ando meio sem cabeça para postar

Muita correria, muita loucura. Estou atrasado com minhas coisas e está complicado de postar aqui. Bem, nem imagino de onde tirei esta foto, mas é bastante representativa do dia de hoje. Semana com feriado no meio é legal, mas depois tem o rebote.

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Cornos contribuem para a herança cultural da sociedade moderna

O maravilhoso Concerto Duplo para Violino, Violoncelo e Orquestra de Brahms, só existe porque uma mulher corneou seu marido. Em 1884, o grande violinista Joseph Joachim e sua mulher se separaram depois que ele se convenceu que ela mantinha uma relação com o editor de Brahms, Fritz Simrock. Brahms, certo de que as suposições do violinista eram reles paranoia, escreveu uma carta de apoio a Amalie, que mais adiante ela usará como prova no processo de divórcio que Joseph movia contra ela. Este fato motivou um esfriamento das relações de amizade entre Joachim e Brahms, que depois foram restabelecidas quando Brahms escreveu o Concerto Duplo e o enviou a Joachim para fazer as pazes. Em suma, o Concerto só existe em função do belo par de cornos que Amalie pôs em Joseph Joachim.

Joseph Joachim e Amalie Weiss: obrigado por cornear, Amalie

P.S.- O título foi sugerido por minha fiel amiga Gabriela Franco.

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Amy Winehouse nunca terá substituta, nem Janis Joplin

Eu realmente me divirto com essas coisas. Há alguns artigos musicais ingleses e americanos que falam, cada vez com maior seriedade e veemência, na possibilidade e na necessidade do surgimento “da próxima Amy Winehouse”. Li também dois sítios brasileiros falando “na substituta”. Não duvido sobre a necessidade de uma nova Amy para a indústria ou para os fãs, porém as conversas que me intrigam são sobre a formação, a criação e a escolha de nomes, acompanhadas de clipes no YouTube. Mas antes podemos recuar um pouco no tempo?

Em 2007, Gilliam Reagan e James Salon escreveram no New York Observer: Amy Winehouse vai morrer jovem. Parece inevitável, dada a combinação de juventude, ousadia, abuso de drogas, talento e má escolha de homens. Parece que vai ficar em boa companhia no céu do rock ‘n’ roll. Ficará com Janis Joplin, Jimi Hendrix, etc.

Ah, as previsões irresponsáveis da imprensa… Bem, OK, digamos que o cenário já estava pronto e as coisas encaminhadas, apesar da maldade de expor a cantora para a observação e decomposição pública, mas o que me interessa é o lado B dos fatos. Sim, pois tal prognóstico desnuda o enorme apetite de autodestruição de Amy, como também uma postura de entrega absoluta, que é bastante rara nos artistas que são o resultado da maquiagem, do recondicionamento e da hidratação de produtores atrás de grana. Pouco sei de Hendrix, Cobain ou Jim Morrison, mas a existência de Joplin — sabiam que o nome da mãe de Amy é Janis? — também me parece ter sido a de alguém que acelerava em direção ao muro sem procurar vicinais. A tragédia pessoal e a decisão de ir fundo estava plasmada nos rostos e na trajetória das duas cantoras. Por isso, quando leio alguém escrever que esta ou aquela cantora irá substituir uma das duas, procuro logo saber qual é o grau de desvio de comportamento que apresenta.

Se a candidata é bem comportada, esqueça. Pois pensar que alguém possa ter uma carreira semelhante sem um anormal grau de entrega é uma bobagem. Se tiver comportamento convencional pode ser melhor ou pior, mas não será a lenda de que tanto precisa a combalida indústria fonográfica. Winehouse e Joplin foram como foram porque colocaram sua paixão e vida em tudo. Ambas faziam altos investimentos de angústia na música, nos homens, nas drogas, na escolha do vestido, do penteado e também no momento de passar a faca na manteiga e a manteiga no pão. Para que renasçam é necessária uma nova tragédia. Mas isso fica escondido nos textos.

Pois ambas eram um comportamento inteiro, pacotes distintos de uma só sinceridade. Ninguém vai compor boas músicas sobre reabilitação se não estiver envolvido, ninguém vai cantar com aquela garra e franqueza se estiver preocupado com o contrato, com o carro ou o próximo show. Para o gênero de artistas que elas foram, esta inteireza pode ou deve ser autocentrada e em faixa própria. Eram pessoas cujos conceitos e posturas estavam sempre presentes em apoio ao descontrole.

Pois Amy Winehouse não subia ao palco apenas para mostrar seu trabalho. Ela usava a arte para gritar, vivia o que cantava. E seus admiradores sabiam claramente ou intuíam que aquilo sim era unir arte e vida. Suas composições e a expressiva voz de contralto persuadiam que ali não havia apenas o “fazer artístico”. Talvez involuntariamente, talvez por personalidade, Winehouse atirou-se em sua Paixão — no sentido mais exacerbado e patológico do termo — baseada num referencial próprio de dor e entrega.

Então, quando aparece uma gordinha normalzinha ou uma magrinha com cara de modelo como novas Joplins ou Winehouses, esqueçam. A nova Joplin virá arrebentando e será facilmente reconhecida, terá nome e luz próprias como Amy tinha e ninguém vai ter tempo para muitas comparações.

Janis Joplin "estragula" Grace Slick em 1967

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Fui expulso de Porto Alegre por José Fortunati

No último sábado, o prefeito de Porto Alegre participou de uma marcha evangélica (Marcha para Jesus) e entregou, de forma definitiva, a chave da cidade para deus. Sim, ele disse que entregava, de forma definitiva, o comando da cidade à divindade. Ignoramos se, na marcha para Jesus, este foi encontrado, mas certamente, em seu logo caminho, os comungantes foram obrigados a desviar de vários buracos e talvez, ao passarem por algumas de nossas ruas prenhes de escuridão, tenham ansiado fortemente pela luz do salvador.

Analisando a fala de nosso prefeito, constante nesta matéria do mui leal e valeroso Felipe Prestes, podemos depreender que Fortunati acha que foi colocado na prefeitura não pela descompatibilização do cargo feita por José Fogaça a fim de concorrer a governador, mas pelas mãos de deus. E, já que deus o havia colocado lá, Fortunati concluiu que deve servir de intermediário entre o ente imaginário e seu povo. O novo jeito de governar de Fortunati é super medieval e temo que a prefeitura se mude para um castelo com fosso.

José Fortunati tem 1,98m de altura e, portanto — o que sabemos nós? — , pode estar efetivamente privando da companhia de deus quando está em pé. Porém, quando põe a bunda em sua cadeira de prefeito fica da nossa altura. Nestes momentos, deve ver ateus, católicos, espíritas e todas as religiões africanas que pululam na cidade. Não gosto de nenhuma delas, pois sou fã dos ateus, mas afirmo ao prefeito que vi uma procissão por demais africana quando passei na Vila Cruzeiro na semana passada. Parece que havia outro deus na área, prefeito. Eu respeitei, claro. Os ateus têm disso, são gente discreta e educada, que não vende nada nem sabe fazê-lo.

Agora só me resta sair da cidade. Me prometaram um estado laico, mas depois entregaram a chave do lugar onde nasci a deus. Eu juro que a única vez que ataquei uma igreja foi há quase 40 anos atrás, eu era um adolescente de pichei um “Pubis pro nobis” numa igreja lá na praia. E foi só. Minha punição veio agora. Fui proscrito.

Prefiro o "Pubis pro nobis", prefeito | Foto: Ramiro Furquim / Sul21

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Anotação sobre a defesa do politicamente correto

Eu acho que as reações do pessoal de nossa trincheira política à Rafinha Bastos são equivocadas no sentido de defender o politicamente correto. Claro, o cara é um imbecil e não pretendo de forma alguma justificá-lo — nem saberia como. Mas, por exemplo, acho que este elogio ao politicamente correto, que está sendo repassado, copiado e recopiado em muitos blogs de esquerda, ainda vai causar arrependimento. Ali, o politicamente incorreto aparece limitado a gente que ataca líderes LGBTs, defende homofóbicos e racistas, aplica bullying, ri dos outros por seus defeitos e defende a criminalização do aborto e a Igreja Católica (???). Sei não.

Eu concordo com o artigo quando ele ataca alguém tão desqualificado quanto o “humorista” gaúcho, mas sigo achando o politicamente correto burro. O politicamente correto, se ler atentamente Graciliano Ramos, acabará qualificando-o de alguma coisa qualquer da mesma forma como acusou Monteiro Lobato no Brasil e Mark Twain nos EUA de racistas. Em minha sacrofobia, não livro Lobato de racismo, mas daí a censurá-lo, emendá-lo ou deletá-lo vai alguma distância. Acho legal manter a complexidade das coisas. Os leitores e os professores que interpretem e expliquem Emília, por que não?  O politicamente correto deveria submeter-se à Segunda Lei de Milton: Toda qualidade que possamos ter transforma-se em defeito quando algum fato externo a leva ao paroxismo.

Voltando a Rafinha. Sei que os movimentos sociais usam tais seres — refiro-me a Rafinha — como mote, base e exemplo para suas teses e têm razão nisso, mas, porra, como foi dado espaço para o cara! Eu, nesta anotação quase pessoal, digo que nunca vi o CQC e só conheço o cara de fotos. E não li ainda ninguém falando mal da  TV e de sua indústria de celebridades. Caberia.

Mas as piadas são boas. Ricardo Cabral escreveu ontem no Facebook:

Projeto de lei: A partir do meio-dia de 03-10-2011, aquele que em alguma queixa, comentário, crítica, desabafo e afins mencionar as expressões “politicamente correto” e/ou “politicamente incorreto” terá o seu acesso à internet bloqueado por seis meses e deverá ficar no canto da sala, ajoelhado no milho, durante duas horas seguidas. (Maiores de 65 anos sofrerão penas alternativas.) Ficam excluídos destas medidas penas apenas os que fizerem análises mais aprofundadas sobre o uso dessas expressões.

E a resposta de Fernando Monteiro:

Acho politicamente incorreto exibir assim um tom de tanta autoridade imaginária.


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Lingerie

Copiado do blog Championship Chronicles.

– Querido?

— Hum?

— Posso falar com você?

— Claro.

— Olha para mim?

— Pronto. Desculpe… Ei, nós vamos sair?

— Não, por quê?

— Então porque você está trocando de roupa?

— Não estou me trocando.

— Então porque você está só de calcinha e sutiã?

— Porque eu quero falar com você.

— Mas você precisava estar sem roupa?

— Sim.

— Você não está doente, está?

— Como assim?

— Você aparece aqui quase sem roupa e dizendo que precisa conversar. É sinal que eu vou ter que apalpar algo. Não é câncer de mama, né? Você sentiu algum caroço?

— Não é nada disso!

— Ok, mas você precisa concorda comigo. Eu apareço na cozinha vestindo cuecas e dizendo que preciso conversar com você. Aposto que você ia pensar na mesma hora que era sobre aquele meu joelho bichado.

— Não. Eu iria achar sexy.

— Oi?

— Sim, eu acharia sexy. Você não me acha sexy com esse lingerie?

— Acho. Essa calcinha fica bem em você. Era isso?

— Não. Eu quero contar uma coisa.

— Diga.

— Eu bati o carro hoje.

— Pelo amor de Deus! Quando? Você está bem?

— Mas não foi nada grave… Só arranhou a porta lá na entrada do prédio.

— Quando foi isso? Você se machucou?

— Não, não. Eu estou bem, só me assustei um pouco.

— Mas quando foi isso?

— Foi agora, quando cheguei, faz uma meia hora.

— Mas não está doendo nada? Tem certeza? Quer ir ao hospital?

— Não, estou bem. Pode ficar tranquilo.

— Mas por que você não me avisou? Você entrou em casa, me deu oi, saiu e voltou de novo!

— Então, é porque eu fui até essa loja comprar a lingerie.

— Oi?

— Sim, esta que estou usando.

— Essa calcinha é nova?

— Sim.

— Espere. Deixe eu entender. Você bateu o carro, entrou em casa, e não falou nada. Saiu, foi comprar uma calcinha, voltou, vestiu e decidiu falar sobre o carro?

— Isso.

— Maristela, você está bem?

— Claro. Eu já disse, não machucou.

— Não, não é isso. Você não poderia ter entrado em casa e falado “arranhei a pintura do carro, mas estou indo ali comprar uma calcinha e já volto”?

— É que eu queria estar sexy para você.

— Por causa do carro?

— Sim.

— Mas não tem porque ficar bonita para isso!

— Eu queria.

— Você não bateu a cabeça quando bateu o carro? É normal ficar um pouco desorientada…

— Claro que não! Estou ótima!

— Mas por que você quis ficar sexy para me contar que a porta do carro está amassada?

— Ai, Alfredo… Vem cá para perto…

— Para de esfregar as mãos nos seios! O que você está fazendo?

— Você não gosta?

— Claro que gosto, mas você acabou de bater o carro! Não faz sentido. Bater o carro te excita?

— Claro que não!

— Porque você está estranha.

— Ai Alfredo… Estou apenas seduzindo você.

— Mas e o carro? Você não está nem aí?

— Não, e você?

— Não, eu fiquei aliviado por que você não se machucou. Mas fiquei aliviado, e não morrendo de tesão.

— Ai, Alfredo… Você é tão devagar…

— Tem certeza que isso não te excita? Eu vi um filme uma vez…

— Chega, Alfredo.

— É sério. As pessoas se excitavam com porrada de carros…

— Desisto.

— Você não é assim, é? Teve aquela vez que eu dei ré e enfiei o carro num poste e você não ficou assim. Se ralar a pintura deixou você acesa desse jeito, aquela vez deveria ter deixado você em ponto de bala. Foi uma baita pancada.

— Como você é grosso, Alfredo!

— Não, eu só não entendo a lógica da coisa. Você bate o carro e vem aqui de lingerie me contar. A gente vai comemorar?

— Ai, Alfredo, esquece!

— Não, eu quero saber. É como se fosse um aniversário de casamento? Esta é a nossa primeira porta amassada do casamento, então você coloca uma calcinha nova, vamos abrir uma champagne… É isso?

— Esquece!

— Não, senhora! Quero saber de onde você tirou essa ideia!

— Não. Vou para o quarto colocar uma calça.

— Primeiro, responde. De onde você tirou essa ideia?

— Eu vi na TV, ok?

— Quê?

— Vi uma propaganda que diz que a lingerie sexy ajudar a contar notícias ruins para o marido.

— Oi?

— É. É isso. Pronto, falei! E você cortou o clima!

— Sério, Maristela… Eu não fiquei bravo porque você bateu o carro, eu fiquei preocupado com você. O carro que se foda. Para de alisar a barriga e fazer biquinho!

— Esquece, Alfredo. Você é insensível demais!

— Não tem lógica! Quer dizer que se eu perder o emprego, tudo o que preciso fazer é entrar em casa, tirar a roupa e ficar usando uma cueca nova para te contar a novidade?

— Eu vou para o quarto!

— Isso. Eu vou descer para ver o carro e você vai colocar uma roupa.

— Pode apostar que eu vou! Você nunca mais vai me ver de lingerie!

— Para de gritar, Maristela. O que é isso? Essa nota aqui?

— Que nota?

— Maristela, você pagou oitenta paus nessa calcinha!

— Não é calcinha, é lingerie!

— Oitenta reais? Nisso aí?

— Sim! Porque eu queria que você não se magoasse com o carro!

— Eu não me magoei! Mas oitenta reais!? Com oitenta reais eu compro cuecas para uns dez anos! E ainda pego umas meias!

— Alfredo, você é um insensível mesmo.

— Não importa! Oitenta reais?

— Eu queria que você não ficasse bravo com o carro!

— Não estou bravo com o carro, mas sim com você pagar oitenta reais numa calcinha!

— Não é calcinha! É lingerie!

— Você que vai pagar a funilaria desse carro, Maristela!

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J. S. Bach – Kantate BWV 54 – Widerstehe doch der Sünde – 3 – Aria, Altus

Essa coleção me invoca, me bouleversa, me hipnotiza. Cabe mais uma ária de Bach aí? Claro que sim. Se me perguntassem: Queres ser estrela? queres ser rei? queres uma ilha no Pacífico? um bangalô em Copacabana? Eu responderia: Não quero nada disso, tetrarca. Eu só quero três Cantatas de Bach: O meu reino por três Cantatas do sabon… de Bach!”

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Rimsky-Korsakov: Quinteto para sopros e piano (1º Mvto – Allegro con brio)

Não há muitos filmes do Quinteto de Korsakov por aí. É obra um pouco rara, mas deliciosa. O filminho não tem o som que a música exige, mas dá para ouvir. Curiosamente, foi a primeira postagem do grande blog PQP Bach.

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Francisco Marshall sobre "A Flauta Mágica" de Peter Brook (copiado de seu Facebook):

Eu queria ter um blog como o do Milton Ribeiro para postar minha crítica da versão de Peter Brook para A Flauta Mágica de Mozart e Schikaneder. Como não tenho, vou cortar em fatias e publicar aqui mesmo. Thanks, Zulken, thanks, readers.

E eu, Milton, li e conversei sobre isso na sexta-feira [23] e depois esqueci…

— Eu nem deveria criticar, pois ganhei o ingresso do dileto amigo e genial dramaturgo e empreendedor Luciano Alabarse. Liguei no último minuto e ele me cedeu o último ingresso. “Tem sempre um VIP desgarrado!”, disse ele a um desgarrado muito grato, algo chato e pouco vip.

Milton Ribeiro interrompe no Facebook  — Olha, se quiseres postar no blog do Milton Ribeiro, posso falar com ele.

— Não, lá é lugar de sínteses e ironias sacrossantas, não me atrevo. Deixa eu escrever!

Milton Ribeiro desiste temporariamente — OK, OK, adiante!

— A montagem apresenta-se como “versão de Peter Brook”, ou livre adaptação. Na verdade, é uma versão pocket, com a orquestra reduzida ao piano e com o corte de várias partes.

— Misteriosamente, somem partes belíssimas, o que é compreensível em versão pocket, mas aparece uma inclusão arbitrária. Mesmo que bonita, a fantasia em ré menor está sobrando na economia musical. Sobram músicas na própria flauta, não precisa ir à prateleira.

— Aliás, não tem flauta em momento algum, só piano e mimos.

— Figurinos e cenografia seguem o facílimo e baratésimo esquema minimalista. Pés descalços e túnicas, nada de cenários, apenas umas hastes e um carrinho, que são movimentados de modo simples. Iluminotécnica enxuta, monocromática.

— O pianista é excelente, os cantores ótimos, as performances musicais convencem, animam, são muito bonitas e boas, tecnicamente.

— A acústica do Bourbon é uma catástrofe. Quem projetou aquilo desdenhou mediocremente a grande ciência acústica desenvolvida pelos gregos e fez cacaca. Nós fazemos com a democracia e a filosofia gregas, tá na média. Moral, os músicos cantam para as filas 1 a 3. Os outros pensam que ouvem, sonham, imaginam…

— Peter Brook, um cineasta importante, poderia considerar o que Ingmar Bergman fez ao abordar a Flauta Mágica. Não o fez, logo não cabe a comparação.

— A obra original, de Mozart e Schikaneder, transborda humor e imaginação. Foi composta para um teatro popular, onde todo o tipo de efeito cenográfico e dramatúrgico era aproveitado. A Flauta Mágica é sobeja em possibilidades dramatúrgicas, toda elas desdenhadas por Brook, que joga um manto minimalista arbitrário sobre esta obra prima. Este manto minimalista não é nem “contemporâneo” como linguagem, nem tem a ver com a obra. A que vem, então? Vem para economizar?

— Ao final, todos saem com a alma leve, felizes. Este é o milagre de Mozart. Uma música com tal grau de pureza, com tal poder de comunicação, que resiste a tudo, até mesmo a esta violação narcisista e pobre. Valeu, Mozart e Schikaneder, eternamente!

— O público pôs-se a aplaudir de pé imediatamente. O poder do ícone!

— Eu fui na quarta-feira, 21/09/2011.

Milton Ribeiro, o chato, retorna — Cara, eu vou juntar e roubar esse txt. Fui assitir a uma peça lastimável que foi APLAUDIDÍSSIMA. Estou em estado de choque a uma semana. O ícone era Marco Nanini.

— É, eu li tua crítica. Junta mesmo. Resistência ecológica.

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A religião é como um pênis?

Interessante analogia. Acho que ATEA deveria providenciar já os cartazes!!! Eu que meus sete leitores prescindem de tradução, certo?

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Esse argumento vegetariano da morte e do sofrimento…

… nunca deu para levar muito a sério. Adoro plantas e sou capaz de achar que elas sofrem. Sou um carnívoro médio, contido; almoço todos os dias num reataurante vegetariano pero no mucho (serve peixe); mas como carne vermelha de vez quando, claro. O que não suporto são as elucubrações éticas e tal. Quando vejo minhas cachorras secas por uma carne, só posso pensar que é natural comer uma carninha. Vai ser complicado ensiná-las a comer corretamente. Vou dar rações de cereais para elas… Aqui em casa, ou tudo mundo é ético ou ninguém é!

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A respeito de Moby Dick, Jorge Luis Borges escreveu:

(É que falei tão bem de Huck Finn que me senti em falta com Mody Dick. Então, invoco Borges, que normalmente está disponível para equilibrar as coisas. Além da famosa citação abaixo, Borges também referiu-se a Moby Dick como “um caos não apenas perceptivelmente maligno aos gnósticos, como também irracional”).

Página a página, o relato se agiganta até superar o tamanho do cosmos: a princípio o leitor pode supor que seu tema é a vida miserável dos arpoadores de baleias; em seguida, que o tema é a loucura do capitão Ahab, ávido por acossar e destruir a Baleia Branca; depois, que a Baleia e Ahab e a perseguição que esgota os oceanos do planeta são símbolos e espelhos do Universo.

Pura verdade.

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As Aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain

Toda a literatura americana moderna se origina de um livro escrito por Mark Twain, chamado Huckleberry Finn (…). Não havia nada antes. Não houve nada tão bom desde então.
Ernest Hemingway

(Havia Moby Dick, prezado Hemingway, mas tudo bem. Adiante!)

As pessoas que tentarem encontrar uma razão para esta narrativa serão processadas; as pessoas que tentarem encontrar uma moral serão banidas; as pessoas que tentarem encontrar um enredo serão fuziladas.
Mark Twain, na abertura de Huck Finn

A nova edição do livro, em tradução de Rosaura Eichenberg, é uma joia que torna coisa do passado aquela edição que li anos atrás, quando adolescente, feita de forma muito rebuscada e “literária” por Monteiro Lobato. Nunca contestei a afirmativa ouvida e lida por anos de que Huck Finn seria o romance fundador da literatura americana, mas voltava meu pensamento para outros autores, como meu querido Melville, que escrevera Moby Dick 33 anos antes de Huck Finn, de 1884. Os dois romances são muito diferentes e incomparáveis — até por suas intenções. Moby Dick é todo o mundo, enquanto Huck é uma brilhante, brilhantíssima e realista história de aventuras juvenis. Afirmo a meus sete leitores que o romance de Mark Twain subiu muito em meu conceito após esta leitura e isto se deve às boas soluções encontradas pela tradutora. Tudo porque o narrador é o personagem principal e este fala/escreve sempre errado, como a criança semi-alfabetizada que é. Pior, durante todo o livro ele se relaciona com o negro escravo (e analfabeto) Jim, que fala ainda mais errado. Então, como o autor raramente interrompe seus diálogos para esclarecer quem diz o quê, a inteligência da tradução está em deixar sinais claros através do gênero de erros cometidos. Deve ter sido trabalhoso, mas ficou excelente. A tradutora nos ensina rapidamente a sintaxe de cada um e a leitura logo ganha fluidez. Um belo trabalho de tradução.

Há uma querela envolvendo o livro. Este seria racista pela utilização de certas palavras, como nigger, por Twain. Por Twain? Ora, aqui já temos uma primeira inverdade ficccional, pois quem a usa é Huck, não Twain. O que os moralistas não notaram é que Huck ama Jim, quer vê-lo livre e faz tudo para isso, no que é confusamente auxiliado por Tom Sawyer ao final do livro. Ou seja, minhas irritações com o “politicamente correto” também são fruto de seu desprezo pela mais mínima complexidade.

OK, sem spoilers: como quase todo mundo sabe, Huck Finn era um menino que vivia com duas “tias” numa cidade ao largo do Mississipi. Porém, seu pai, um alcoólatra, queria Huck de volta para usá-lo como serviçal e para tomar surras sistemáticas. O pai acaba por sequestrá-lo, mas ele foge, encontrando Jim na fuga. Jim morava na casa da Srta. Watson, uma das tais tias, com Huck. Ele passam a viajar pelo Mississipi numa balsa em busca de aventuras, de prazer e de liberdade para ambos.

O romance é muito significativo do ponto de vista da formação dos EUA. Huck foge com seu amigo Jim em busca dos estados americanos onde a escravidão já havia sido abolida. No entanto, por total ignorância geográfica, vão para o sul. Ambos vivem uma vida nômade, picaresca, absolutamente sem estratégias a longo prazo que não sejam os delírios de Jim. Pelo caminho, encontram uma farta, divertida e às vezes terrível galeria de personagens. É notável a inexistência de autoridades legais nos EUA daquela época. A lei é feita pelas próprias pessoas, a criminalidade grassa e a cena dos fazendeiros inimigos está muito próxima do que se veria na máfia depois. A segurança (segurança?) é realizada pelas próprias pessoas e suas armas.

Mesmo com Huck mentindo, roubando e enganando desbragadamente, o grande debate moral do livro deflagra-se unicamente em seu cérebro: deveria ele realmente ajudar Jim em sua fuga? A amizade vale infringir a lei? A amizade vale ir para o inferno? O debate é tão franco que Huck pensa todo o gênero de barbaridades racistas. Não toma atitudes que não seja a da solidariedade, mas duvida. Isto também assusta alguma correção moralista sem que esta reflita que trata-se de um menino conjeturando. Tanto que o livro recentemente recebeu uma versão americana limpa das impurezas dos nigger e de centos pensamentos… O leitor apenas perde.

Olha, li feliz. Tremendo livro. Pode ser lido como um infanto-juvenil, mas é muito mais do que isso. E é como se a grande obra de Twain estivesse sendo publicada pela primeira vez em nosso país.

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Pô, Mário Fernandes, foge pro Inter!

OK, Mario Fernandes é um cabeça de vento. Concordo com isso. É mesmo burrinho.

Mas alguém poderia justificar uma IDA à seleção brasileira? É apenas a possibilidade de uma carreira internacional e dinheiro para o clube que o vendeu? É patriotismo? Seria permitido ao jogador não desejar isso? Não é aceitável a ninguém que um jogador ou profissional não queira o sucesso absoluto? A cultura do sucesso é tão açambarcante?

Ou todos acham que jogar na seleção de Ricardo Teixeira e das negociatas seja uma grande honra ou todos acham que o menino está jogando dinheiro pela janela… Gravíssimo! É o que me parece.

Por mim, jogador que não aceita ir para seleção é o ideal. Vem pro Inter, Mário!

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Volver a los 17

Hoje nasceram muitas pessoas e coisas sensacionais. Nasceram meus amados Dmitri Shostakovich, Glenn Gould e Jean-Philippe Rameau, além da Casa de Cultura Mario Quintana e até Catherine Zeta-Jones. E, em 1994, num domingo como hoje, às 19h35, nasceu minha filha. É uma data muito bem frequentada.

Como era
E a débil de hoje, numa festa da escola

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Merval Pereira na ABL: o pesadelo das letras nacionais

O senador José Sarney entrega a espada para o jornalista Merval Pereira, que tomou posse da cadeira 31 da ABL. Merval seguirá esgrimindo — sem livros, nem bom texto — seus absurdos na GloboNews. Viva a Academia Brasileira de Letras!

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Dois corais de abertura de Cantatas de Bach: o da BVW 140 e o da 78 (excelente som)

Divirto-me com tudo deste projeto. Desde com o topete do regente até a verdadeira salada que eles fazem nas publicações no YouTube. Bem, o projeto é gravar tudo em DVD até 2036. Deixemo-los trabalhar.

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Machado. De mulato a negro em poucas horas

Este é foto mais escura de Machado que encontrei, nas outras, dão-lhe um flashaço

Vou dizer uma coisinha para meus sete leitores. Acho realmente que sou indiferente ao fato de alguém ser negro, branco ou mulato. Só registro em meu cérebro algo diferente se a pessoa for uma mulher muito bonita ou se for japonês ou chinês, que ainda acho exóticos. Ontem, em cima da polêmica retirada do ar da propaganda da Caixa Econômica Federal (CEF), que pode ser vista abaixo, na qual Machado de Assis é emulado por um ator branco, os ativistas dos movimentos sociais começaram a qualificar Machado de negro. Ser negro não desqualifica Machado — creio que até que tal fato seria bastante efetivo na luta em prol do lento fim do racismo em nosso país — , mas é uma mentira. As feições do escritor são de as um homem branco e a pele nem parece tão escura nas fotos. Era o filho mulato de Francisco José de Assis (brasileiro, carioca, descendente de negros alforriados, pintor e dourador) e da lavadeira Maria Leopoldina Machado de Assis (portuguesa da ilha de São Miguel, Açores). Não conheço a qualidade das fotos de 1908 e antes. Talvez houvesse flashes que deixassem tudo esbranquiçado, ainda mais que a maioria das fotos são de estúdio, posadas. Para mim é óbvio que ele tinha ascendentes africanos, mas há muito de europeu em suas feições. O rosto e o cabelo são de um caucasiano, como diria o o velho Orkut. Estou muito errado?

Dona Carolina era uma portuguesa (Porto, 1835), muito culta. Foi o grande amor de Machado.

Acho que, para variar, o politicamente correto exagera ao torná-lo agora negro, a não ser que todo afrodescendente seja considerado negro pelos corretos. Porém, a Caixa errou feio. Senti-me mal vendo a propaganda porque também era uma mentira. Se Machado não era um negão, também não era aquele branquela da propaganda. Também não foi um autor “para brancos”. Seus escritos são incondicionalmente abolicionistas, isto está explicíto em seus livros e principalmente nas ácidas ironias das crônicas. Não era um conformado. E, para piorar, o escritor parece ter sido um homem elegante e bonito, que ganhava de dez do “ator da Caixa”. o qual cumpre honradamente seu contrato, mas que talvez… Bem, resolvamos a questão perguntando a opinião de Dona Carolina!

A chamada "Panelinha", que criou a Academia Brasileira de Letras de Merval Pereira (?)

Mas, ontem, enquanto lia as engraçadas tentativas de escurecer Machado à fórceps ou de tornar negro o Bruxo de Cosme Velho, pensava cá com meus botões: se o escritor fosse como desejam os amantes do correto, teria fundado a Academia Brasileira de Letras, seria um funcionário público bem aceito, teria casado com a alva Carolina Augusta — apelidada Carola pelo mestre — sem maior escândalo? Pois o racismo era aberto, havia a escravatura, não era esta coisa envergonhada e insidiosa de hoje. Então, repito a primeira pergunta, estou muito errado?

Abaixo, a propaganda da discórdia:

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Você se masturbaria para mim?

Conto escrito por encomenda em 2007 para a extinta publicação Comendo Carol com Pauzinhos. 

Na última vez que tinha visto Carol, ela estava se masturbando. Estávamos na faculdade e estagiávamos juntos no setor de informática da universidade. Eu ia muitas vezes à noite até o CPD (Centro de Processamento de Dados) da UFRGS, quando havia pouca gente por lá. Às vezes não tinha ninguém além dos seguranças da portaria. No silêncio da noite, sem os colegas matraqueando, aquele era o melhor horário para se concentrar e produzir mais e com rapidez.

Numa dessas noites, vi uma porta entreaberta e a luz azulada de um monitor ligado. Fui desligá-lo, mas parei um passo antes da porta. Havia movimento. Carol estava sentada em uma cadeira em frente a um vídeo. Ela estava recostada e fazia movimentos que me pareceram de masturbação. Jamais esquecerei de que ela vestia uma saia preta — repuxada para cima — e uma camiseta branca. Nunca tinha visto uma mulher se masturbando. Havia uma revista sobre a mesa para a qual ela olhava. As páginas mostravam sapatos de saltos altíssimos. Ela virava as páginas sofregamente com a mão esquerda e apareciam mais sapatos, sempre de grandes saltos e plataformas. Dizer que eu estava excitado seria um eufemismo.

Fiquei olhando. Pensei em entrar e oferecer algo, mas… Acabei ejaculando ali mesmo. Ah, os universitários… Ficou uma grande mancha úmida no azul da calça. E mal tinha me tocado.

Fui ao banheiro. Vergonha, vergonha. Voltei disposto a tentar alguma coisa com Carol, mas ela já tinha ido embora. A cadeira onde se sentara ainda estava quente. Cheirei o assento. Infelizmente, minha única ação naquela noite foi uma ejaculação nas calças e minha própria sessão de masturbação antes de dormir. Eu não tinha uma foto de Carol para usar, mas tinha uma boa imagem na minha cabeça. Nunca mais a vi.

Avancemos dez anos.

Estava em São Paulo a negócios. Na verdade, terminava meu jantar num restaurante. Faltava apenas meio copo de cerveja quando senti um tapinha no ombro.

 — Você lembra de mim?

A voz era inconfundível. Sua presença também. Carol, em versão de cabelos longos e mais claros.  Ergui-me e notei que ela estava mais alta do que eu. Dei uma olhada rápida em suas sandálias — eram altíssimas.

— Carol! Como você está? Há quanto tempo!

Ela estava linda. Elegante em uma calças pretas. Os seios por baixo da blusa cinza pareciam maiores do que eu lembrava.

Eu disse a ela que estava na cidade a negócios. Ela me contou que morava a poucos minutos dali e que podia até sentar comigo um pouco. Perguntei se ela já tinha jantado e ela respondeu que costumava jantar muito tarde.

Depois do tradicional papo nostálgico sobre os tempos de universidade, ela me convidou para tomar o café em sua casa. Enquanto caminhávamos, as memórias de meu gozo voltaram. Que lamentável.

Empurrado pelo álcool, comecei a contar a ela a história de dez anos atrás. Tudo. Como eu a vi se masturbando e o que fiz em minhas calças enquanto assistia. Como fui me limpar e de que quando voltei ela havia sumido.

Ela pareceu envergonhada, mas um sorriso cristalizou-se em seus lábios por um longo tempo. Disse que não tinha ideia de que alguém a tinha visto fazer aquilo. E que fizera algumas vezes. A atmosfera entre nós começou a aquecer.

Quando chegamos a seu apartamento, eu disse que gostaria de lhe pedir um favor. Afirmei que entenderia se ela dissesse não, mas que esse tipo de oportunidade nem sempre se apresenta.

— Você pode se masturbar para mim? Ali. Naquela cadeira. De frente para a parede. Eu gostaria de repetir aquela noite.

E acrescentei:

— Ah, se você tivesse uma camiseta branca…

Ela olhou para mim com um brilho nos olhos:

— Posso usar a sua? — respondeu, apontando para meu colarinho aberto onde ela entreviu minha camiseta.

Tirei a camisa e a camiseta. Ela sorriu, agarrou-a e foi ao banheiro.

Quando saiu, minha camiseta e suas sandálias altíssimas era tudo o que usava. Vê-la com minha roupa amarrotada, com os bicos dos seios marcando o tecido e a mancha escura do púbis mais abaixo foi extremente excitante. Recuei, saindo do quarto, deixando a porta entreaberta. Eu queria recriar o momento de dez anos atrás. Ela ali, de pernas abertas, se masturbando. Mas logo ela se virou.

— André! Eu … estou tão envergonhada.

— Mesmo?

Fui até ela, com meu pau querendo explodir.

Ela abaixou meu zíper. Eu quero comê-la. Eu quero transar com ela. O boquete que ela começou foi um dos melhores que eu já recebi. Com o punho direito na base do pênis e a quantidade certa de saliva. A mão quente tocando minhas bolas conforme o ritmo. Alguns segundos depois, ela colocou a mão livre de volta em sua vagina.

E então sussurrou:

— Primeiro eu gozo.

Ela se afastou de mim, recostou-se na cadeira, brincando com sua boceta cada vez mais rápido. Estava claro o momento em que seu orgasmo a dominaria. Sua respiração acelerou. Ela gemeu.

Assisti tudo, espantado com a beleza de Carol e imaginando seu clitóris…

— Mmmm, sua vez. Venha aqui, André. É hora de engolir seu pau.

Carol voltou ao boquete. Passou a chupar mais rápido. Quando minhas bolas estavam a ponto de explodir, de transbordar, ela afastou seu rosto e mandou eu cobri-la de porra. Um jato desenhou um traço branco sobre seu nariz e sua boca. Depois, vários pingos caíram sobre a camiseta.

Então ela se levantou limpando parcialmente a boca com a língua, abaixou a cabeça e deu-me um profundo beijo. Senti minha porra em seus lábios e língua. Segurei firme a nuca dela.

Depois ela sorriu com o batom manchado. Colocou os dedos fortemente na boceta e os levou até minha boca. Sentir primeiro minha porra e depois sua umidade foi demais. Nos beijamos novamente por longo tempo.

— É assim que você imaginou há dez anos?

Tudo o que pude dizer foi:

— Minha imaginação foi pobre, comparada com isso.

Ela disse que estava com fome e que ia esquentar a comida do dia anterior. Fomos à cozinha e ela jantou, mantendo-se em minha camiseta o tempo todo. Eu apenas bebi vinho e dividi a sobremesa.

Dormi na cama dela. Mas Carol fez o despertador tocar muito cedo, antes do amanhecer. Justificou, tirando finalmente minha camiseta:

— Não pense que vai embora sem me penetrar…

Ela atirou longe minha camiseta e pude finalmente ver seus belos e grandes seios, certamente turbinados.

A camiseta ficou lá. Um dia eu busco.

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