Um (tremendo) concerto secreto em Porto Alegre

Um (tremendo) concerto secreto em Porto Alegre

Porto Alegre é uma cidade curiosa. Parece oferecer pouco, pois as vias de informação em jornal e mesmo na internet passam por uma já longa crise, só que há coisas bem legais para se fazer e que não são descobertas.

O Caderno de Cultura de ZH quase não é lido — tem que ser assinante e muita gente fugiu do jornal por ser de direita e gremista. Na internet, não há um veículo confiável que reúna tudo. A Agenda Lírica ainda está se organizando. Então, os eventos têm de ser meio catados por aí.

Ontem, minha querida Elena avisou: o georgiano Guigla Katsarava vai tocar hoje no Instituto de Artes da Ufrgs, no Auditório Tasso Correa. Sim, sabemos que a Ufrgs não é uma casa de espetáculos. Sabemos também que o organizador do concerto, Ney Fialkow, não trabalha com publicidade. Divulgar algo desse quilate para a cidade seria função para jornalistas, só que… Bem, deixa assim. O que interessa é que fomos.

E vimos o melhor recital do ano na cidade. Katsarava tinha tocado em um concerto com a Ospa em junho do ano passado. Dias depois, apresentou-se na Casa da Música. Ou seja, sabíamos que se tratava de um pianista de impressionante técnica e sonoridade. Presentes na plateia, apenas os especialistas: pianistas, professores e alunos. Imaginem que a pianista Catarina Domenici chegou direto do aeroporto, sabendo que valeria a pena o esforço.

O programa começou com Grieg (Peças Líricas) e seguiu com duas peças de Scriabin. Depois, tivemos a Suíte Nº 2 para dois pianos de Rachmaninov — a partir daqui o excelente Ney Fialkow entrou em cena — e a surpreendente The Garden of Eden: Four Rags for Two Pianos, de William Bolcom. O bis foi talvez a melhor peça da noite: La Valse, de Ravel, em versão para dois pianos.

Ney e Guigla | Foto: Sala Cecília Meirelles
Ney e Guigla | Foto: Sala Cecília Meirelles

O nível esteve sempre lá em cima, foram interpretações de rara sensibilidade, mas gostei menos das obras dos russos Scriabin e Rach do que das outras.

A peça de Grieg é finalizada com a linda Bodas em Troldhaugen. A de Bolcom é puríssimo e fino fun, se posso me expressar assim. E La Valse é a vertiginosa apoteose da valsa vienense. Parece que nunca vai se realizar, mas depois acontece da forma surpreendente e nervosa. Dá a impressão do final de uma época. Ravel aparenta dizer: agora a alegria da valsa tem de lutar para chegar a nossos ouvidos.

Ele mesmo escreveu:

Através de nuvens, são vistos aqui e ali pares que valsam. A névoa se dissipa gradualmente, distinguindo-se um imenso salão povoado por uma multidão que baila. A cena se torna cada vez mais iluminada. As luzes dos candelabros se acendem. Situo este valsa num palácio imperial.

A dupla Katsarava e Fialkow vai se apresentar na Sala Cecília Meirelles amanhã, quinta-feira, no Rio de Janeiro, às 20h. Atenção, cariocas! Eu não perderia por nada. Ah, lá vai ter Bolcom e Ravel!

P.S. — Post escrito às pressas. Peço desculpas.

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Bom dia, Odair (com os lances de Fluminense 0 x 3 Inter)

Bom dia, Odair (com os lances de Fluminense 0 x 3 Inter)

O Inter não fez uma partida de encher os olhos contra o Fluminense e, mesmo assim, fez muito mais do que o suficiente. O placar é claro. Nosso início foi frouxo e com muitos erros de passes, no que era respondido à altura pelo Fluminense. E o primeiro gol saiu justamente num erro de passe do Flu. Rodrigo Dourado interceptou uma saída errada de bola e passou a Nico López, que está numa fase tão boa que simplesmente não perde gols. Depois, ainda no primeiro tempo, fizeram Álvez e novamente Nico. Só gols uruguaios, como veem.

Fotos: Ricardo Duarte
Jonatan Álvez e Iago comemoram o segundo gol, obra deles | Fotos: Ricardo Duarte

E o Fluminense desmanchou, é óbvio. Com 0 x 3, o clima não ficou dos melhores. Então, o Inter tirou o pé do acelerador. Tirou tanto que Marcelo Lomba acabou como uma das maiores figuras da partida. Fez defesas incríveis, deixando certamente Danilo Fernandes preocupado em casa. Aliás, Danilo… Deixa pra lá. Afinal, ontem foi dia de vitória das grandes e não vou criticar ninguém.

A vitória é um bom costume e esta não é apenas uma frase sem noção. A vitória acostuma. Depois daquele retrancão no Gre-Nal, o Inter fez 13 jogos. Venceu 9, empatou 3 e perdeu 1. Foram 30 pontos, 24 gols a favor e 9 contra. A gente vem se habituando às vitórias e achando estranho perder. Sabemos que tudo o que é bom acostuma rápido.

Mas é importante saber porque estamos vencendo. A solidez defensiva é fundamental neste processo. Um time que quase não leva gols acaba conseguindo alguma coisa lá na frente. E, quando falo em nossa defesa, digo que ela começa na marcação dos homens da frente, passa pelo meio de campo e chega até os zagueiros. Todo mundo participa e se diverte, principalmente Dourado e Moledo, que têm sido soberbos.

Estamos em terceiro lugar, a três pontos do primeiro colocado. Nesta 18ª rodada, todos os 5 líderes venceram. Temos 35 pontos, e se vencermos a próxima partida, chegaremos à 66% de aproveitamento nestas primeiras 19 rodadas — todo o primeiro turno. Nosso jogo no domingo, às 11h, no Beira-Rio, é contra o lanterna (e touca) Paraná. Não pensem que acho que será fácil.

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Bom dia, Renato (com os lances da goleada de 4 x 0 do Grêmio sobre o Vitória)

Bom dia, Renato (com os lances da goleada de 4 x 0 do Grêmio sobre o Vitória)

Por Samuel Sganzerla

Renato, confessa: tu não alternas os times titular e reserva conforme a competição. Tu tens dois times MISTOS, montados para terem bastante equilíbrio e tentarem ir com força máxima em todos os torneios que disputamos. Só pode!

Gols de Douglas e de Jaílson foram comemoradíssimos | gremio.net
Gols de Douglas e de Jaílson foram comemoradíssimos | gremio.net

Porque nada explica a intensidade e a facilidade com que os jogadores “reservas” do Grêmio jogaram nas últimas duas partidas. Está certo que o Vitória não anda lá muito bem das pernas ultimamente. Mas no sábado passado a vítima foi o mesmo Flamengo com que nos preocuparemos até quarta-feira.

O início avassalador do Grêmio ontem deixou a impressão de que, com nem 10 minutos, já poderíamos ter construído uma boa vantagem no placar. E ela veio logo mesmo! Nesse ritmo, não precisamos nem chegar na metade do primeiro para já ter feito 2 a 0.

Depois, o time encaminhou com naturalidade a partida, para ampliar o escore. Sabe como é, Renato, goleada nossa na Arena, no Dia dos Pais, já virou tradição. Algumas delas, inesquecíveis – ontem, só faltou o zagueiro deles marcar um gol contra para fecharmos a mão.

A grande vitória de ontem à noite nos deixa a cinco pontos do líder. Sempre ressaltei que o Brasileirão é extremamente difícil de ser disputado quando se está mirando também a Copa do Brasil e a Libertadores. Mas é bom se manter próximo ao topo. Daqui a pouco, VAI QUE…

Enfim, cumprido o nosso compromisso, o foco agora é depois de amanhã, lá no Rio de Janeiro. Queremos todos, Renato, ver o time “titular” com essa mesma intensidade e brilho de ontem. É difícil, mas é possível. Já fizemos o crime mais de uma vez lá no Maraca.

Que já comecem por lá a acender o braseiro, espetar a carne, ferver a água do chimarrão e gelar a ceva: porque a Nação Tricolor está chegando em terras cariocas para copar, sempre no ritmo do trago, alento e amizade. Que voltemos de lá com a classificação!

Saudações Tricolores, Renato!

E segue o baile…

P.s.: Matheus Henrique é diferenciado. Só manda pararem de comparar o guri com o Arthur. O Rei está lá, começando a brilhar no Barcelona; nossa mais nova prata da casa está começando a escrever sua história com o Manto Tricolor agora. Deixa ele seguir o seu tempo!

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Quando aparecerá Haddad?

Será que o PT vai demorar muito a mudar esta estratégia maluca de não nomear Haddad como candidato, deixando-o fora dos debates? Alguém entende esta doidice?

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URSAL

URSAL

Gente, Ursal refere-se à imaginária União das Repúblicas Socialistas da América Latina. Cosa de loco.

URSAL

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Milton Ribeiro e PUM informam ao MBL e ao povo bolsomínion:

Milton Ribeiro e PUM informam ao MBL e ao povo bolsomínion:

– A Globo é comunista;
– O Papa Francisco é comunista;
– O Facebook é comunista;
– O Twitter é comunista;
– George Soros é comunista;
– O UOL é comunista;
– O Estadão é comunista.

PUM - Partido Utopico Moderado

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Das diferentes perspectivas:

Das diferentes perspectivas:

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Bom dia, Renato (com o melhor de Estudiantes 2 x 1 Grêmio)

Bom dia, Renato (com o melhor de Estudiantes 2 x 1 Grêmio)

Por Samuel Sganzerla

Renato, na bacia das almas que se encontra na foz do Rio da Prata, repousam alguns dos espíritos mais fortes do COPEIRISMO continental. Tu, que já cruzaste tanto estes pagos, fardando os mantos tupiniquins que se atreveram a desbravar América a dentro, deverias saber bem disso.

Maicon em ação: com Cícero ao lado, pouca mobilidade para marcar | Foto: gremio.net
Maicon em ação: com Cícero ao lado, pouca mobilidade para marcar | Foto: gremio.net

Porque, Renato, não se encara o Estudiantes de La Plata, mesmo quando condenado pela imprensa desportiva por “não viver seu melhor momento”, sem considerar que o time dará o sangue e a alma para tentar buscar a vitória. Assim como na semana passada, vimos os jogadores jovens fazerem os nossos “velhos” sofrerem, coisa típica destes tempos em que não se respeita mais nada.

A noite fria em Quilmes – e infelizmente não falamos daquela loira gelada que importamos dos hermanos – viu, num primeiro tempo, um adversário que compensava suas deficiências técnicas com muita vitaliciedade e entrega. Quando parecia que o Estudiantes não teria muito mais recursos do que o “vamo que vamo, que se puede”, o jovem Apaolaza emplaca um chute de raríssima felicidade, abrindo o placar para os donos da casa logo no início da partida.

O primeiro gol deles, Renato, saiu de uma bola retomada da nossa defesa, na marcação pressão que eles aplicavam sobre nós. Mesmo tendo muito mais posse de bola já naquele momento, o Grêmio não raro se via apertado na saída, precisando dar chutões para a frente. E, sem o Jael, fica muito difícil ganhar a segunda bola. Pouco conseguíamos criar (a ausência do Everton foi gritante, especialmente porque Pepê pareceu sentir um pouco a pressão do jogo). De outro lado, víamos os contra-ataques impetuosos daquela voraz juventude platense.

Se a coisa já não ia bem, ficou ainda pior, quando, na cobrança de escanteio, Campi cabeceou no canto oposto de Marcelo Grohe, aos 38 do 1º tempo. Gol de manual, mas que contou com a falha da marcação na bola aérea – era daquelas noites em que até os problemas que pareciam estar resolvidos voltam a nos assombrar. O momento seguinte foi horrível: com dois gols à frente no placar, o Estudiantes encaixava contra-ataques perigosos. Parecia que o que era ruim iria piorar. Eu temi pelo pior por alguns instantes, Renato.

Entretanto, eis que a copeira bola aérea que pune também salva, liberta e dá esperanças. No apagar das luzes da primeira etapa, Luan bateu escanteio com precisão, André desviou de cabeça, Andújar fez grande defesa, mas Kannemann, nosso melhor jogador em campo, estava lá para completar para o fundo das redes, também de cabeça. 2 a 1, o alívio e a certeza de que dava para reverter a desvantagem ainda no jogo de ida.

No segundo tempo, contudo, o Grêmio até foi melhor, mas pouco efetivo. Perdemos boas chances e não soubemos aproveitar o fato de ter jogado os 15 minutos finais com um homem a mais, depois que Zuqui levou o segundo amarelo, numa falta infantil que mostrou que, para boa parte da equipe deles, ainda falta maturidade. O jogo terminou com o mesmo placar do primeiro tempo, o gol qualificado faz com que a vantagem deles não seja tão grande; mas ficamos com a sensação de que o Tricolor ficou devendo em campo, Renato.

O que eu gostaria de te dizer é que espero que não seja preciso uma eliminação precoce para que tu aceites que algumas mudanças precisam ser feitas no time. Cícero e Maicon são uma boa dupla de volantes, os dois têm qualidade, claro; porém, não está dando mais para jogarem juntos, porque são veteranos, não têm pernas para correr atrás na marcação (especialmente quando a velocidade do adversário no contra-ataque é uma arma). Mesmo que perca em qualidade técnica na armação, o time ganharia com Jaílson na marcação.

Da mesma forma, Leo Moura é um baita lateral. Mesmo quase beirando os 40 anos, ainda tem muita qualidade. Ontem deu conta de jogar toda a partida e foi bem. Mas sabemos que não será sempre assim, Renato. E, por falar em qualidade, não duvido da capacidade técnica do André, porém já não há mais justificativa para que Jael fique no banco. Toda vez que ele entra, o time ganha em movimentação, bola aérea, e segunda bola. E eu espero que o Bruno Cortês retome logo a posição do Marcelo Oliveira, que ontem foi MUITO mal.

Enfim, não precisamos apelar para clichês como “não tá morto quem peleia” ou discursos motivacionais que invocam a garra do gremismo. A desvantagem no confronto é totalmente reversível, sabendo que precisamos da vitória mínima aqui na Arena, quando tenho certeza que nossa torcida a lotará mais uma vez, para fazer com a bola entre nem que seja pela força do ALENTO. Mas eu gostaria, Renato, que tu abrisses mão de certas convicções – e PARA COM ESSA COISA DE ESCANTEIO CURTO, por favor (nosso único gol ontem saiu de uma bola cruzada, Renato!).

E vamos que vamos, que a busca pelo Tetra da Libertadores começou neste mata-mata com o pé esquerdo, mas a gente nunca para de acreditar. Vamos adiante, agora pensando no jogo em casa que termos contra o Vitória, no domingo. Aliás, como só voltarei a falar contigo na segunda-feira, já deixo aqui meu parabéns pra ti, pelo dia dos pais vindouro. Manda um beijo pra Carolzinha!

Saudações Tricolores!

E segue o baile…

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Há exatos 49 anos…

Há exatos 49 anos…

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No dia 8 de agosto de 1969, esta foi a quarta foto tirada por Iain MacMillan, um amigo de John & Yoko, para a capa de Abbey Road. Eram 11h38 da manhã.

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Bola em Transe #53 — Os Múltiplos Volantes de 2018-19

Bola em Transe #53 — Os Múltiplos Volantes de 2018-19

Francisco Éboli, Milton Ribeiro e Moysés Pinto Neto debatem sobre os volantes e meias da temporada 18-19 no Brasil e na Europa.

Bola em transe

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Caderno de Memórias Coloniais, de Isabela Figueiredo

Caderno de Memórias Coloniais, de Isabela Figueiredo

Caderno de Memórias ColoniaisO impacto deste livro em Portugal foi imenso. Isto deve-se ao fato de que o texto quebrava o mito de certa versão cor-de-rosa que boa parte da sociedade portuguesa seguia cultivando sobre o período colonial africano. Este teria sido muito mais um auxílio ao continente do que violência e opressão… Mas o livro de Isabela Figueiredo vai adiante de meras observações sociológicas, tratando da traição da autora às opiniões e à memória de seu pai, um colonizador daqueles bem típicos. Na verdade, Isabela sempre foi uma loira-negra, permanecendo solidária ao sofrimento dos negros e identificado-se com sua cultura. Seu pai era excelente como pai e a autora o amava, mas havia o lado B do colonizador que podia agredir funcionários e tinha a opinião de que todo e qualquer negro era incapaz de se organizar e era tolo, mesmo que sua pele tivesse sido salva por um deles, seu vizinho.

A autora sabe do que fala. Nasceu em Lourenço Marques, hoje Maputo, e permaneceu no país até alguns dias depois da descolonização. Na verdade, saiu fugida porque os colonizadores estavam sendo perseguidos. É um livro raro porque há pouca informação sobre a vida real nas colônias, mesmo sob a perspectiva dos retornados. e retornadas. Caderno de Memórias Coloniais (Todavia, 180 págs.) nos conta tudo isso em 51 brilhantes textos escritos na primeira pessoa do singular, sem poupar detalhes. O livro reescreve a história oficial, mostrando desde o racismo do dia a dia — nosso íntimo também no Brasil — até às agressões que sofreram os colonos depois do 25 de Abril.

O testemunho de Isabela nos mostra a diferença de tratamento através dos olhos de uma criança que se retirou do país aos 13 anos, também fala da exploração do trabalho — os “pretos do meu pai” — e o medo colonial que gera e justifica a violência.

Há também o sexo. Os colonos gostavam de transar com as negras e as pagavam na frente de seus maridos, humilhando-os. As mulheres dos colonos “compreendiam” tal atração: afinal, as negras estariam mais perto da natureza, teriam a vagina mais aberta (?), fácil e convidativa… Isso era o que elas diziam.

Porém, além de toda a informação, há a excelente escritora que é Isabela Figueiredo. Sua prosa é de primeira qualidade, ao mesmo tempo clara e lírica. Se fosse um livro comum, ficaria como documento. Seu sucesso de crítica e público deveu-se à linguagem de Isabela, que catalisa sentimentos, impulsiona e dá colorido adequado a tudo que é contado.

Recomendo fortemente!

Isabela Figueiredo
Isabela Figueiredo

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Uma boa imitação

Uma boa imitação

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Com um pouco de maldade…

Com um pouco de maldade…

Elena conta que, na União Soviética ou, mais exatamente, na Belarus onde nasceu, os bêbados saíam de madrugada dos bares e gritavam pela rua:

— POVO, DURMA TRANQUILO !

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Lembram daquela exposição de mediocridade quando do impeachment de Dilma?

Lembram daquela exposição de mediocridade quando do impeachment de Dilma?

Gente, as eleições mais importantes são as para Deputado Federal e Senador. Nestes cargos é que fundamental influenciar, votando em quem não será depois Centrão. A palavra Centrão significa o grupo de deputados que apoia a quadrilha que ora ocupa o Planalto e que deverá estar com Alckmin e Ana Amélia.

Importante: o título deste post não defende Dilma, uma de nossas piores presidentes da história. Usei o episódio apenas como exemplo, pois foi ali que todos viram em quem votamos, quem é nosso Congresso. O que sei é que ignoramos o parlamento no período eleitoral e depois nos surpreendemos com sua ruindade, tolice e corrupção. Há que examinar o voto com lupa.

Foto: Portal da Câmara dos Deputados
Foto: Portal da Câmara dos Deputados

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Meu deus, Ana Amélia de vice?

Meu deus, Ana Amélia de vice?

Ana Amélia já confundiu Al Jazeera com Al Quaeda. Resta saber o que ela fará com Alckmin.

Ana Amélia Alckmin

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O Vendedor de Passados, de José Eduardo Agualusa

O Vendedor de Passados, de José Eduardo Agualusa

Já tivemos Ian McEwan no Fronteiras. Ele comentou um livro seu, Enclausurado, cujo narrador era um feto. Pois o narrador de O Vendedor de Passados é uma lagartixa. E esta conta a história de Félix Ventura, um negro albino que vende passados para quem não gosta do seu. Ou seja, ele prepara e vende árvores genealógicas, criando passados mais amenos e bonitos. Seus clientes são prósperos empresários, políticos e militares que têm assegurados belos futuros em Angola. Todavia, falta-lhes um passado digno. A lagartixa Eulálio vive nas paredes da casa de Félix acompanhando seu trabalho de comerciante. Conta-nos sobre a enorme biblioteca de Félix e dos recortes de jornais e revistas de várias épocas que guarda e consulta. Além disso, ele frequenta lojas de antiguidades e sebos, a fim de buscar inspiração. Afinal, o passado tem de ser plausível, se possível colorido e sedutor. E acaba negociando objetos comprobatórios, pois seu trabalho de “romancista” não vai para as páginas de livros, deve ser real, ou quase.

Vendedor de Passados Agualusa

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Bom dia, Renato (com os melhores lances do grande jogo Grêmio 1 x 1 Flamengo de ontem à noite)

Bom dia, Renato (com os melhores lances do grande jogo Grêmio 1 x 1 Flamengo de ontem à noite)

Por Samuel Sganzerla

Eu vou ser bem sincero contigo, Renato: nem sei exatamente o que escrever por aqui hoje. Saí tão p… da cara da Arena ontem, xingando até a oitava geração da família do juiz. No fundo sabemos que jogamos para tomar o merecido empate. Mas o senhor de amarelo, que sujeitinho bem SAFADO, invertendo faltas e adotando duplo critério na marcação.

O gol sofrido faltando 15 segundos deu aquela sensação de que tudo deu errado, Renato. Mas, a bem da verdade, eu te digo e afirmo que, no final, tudo deu certo ontem à noite. Porque a vida do Grêmio é assim mesmo: entre tropeços e erros, vem a superação. Foi o primeiro episódio de uma batalha que só termina daqui a duas semanas.

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O futebol tem dessas coisas: no momento em que o time segue a boa fase e vem fazendo grandes partidas em casa, tem aquele jogo para colocar tudo em dúvida. Levar aquele empate no final é como, nas metáforas que só os românticos como nós entendemos, Renato, quando aquela morena de lábios carnudos que te propicia noites maravilhosas vai embora de manhã, te deixando sem saber muito o que pensar da vida.

Enfim, nem tenho muita coisa para dizer hoje. Poderia descrever cada uma das atuações individuais ruins e das tuas más substituições, mas prefiro focar na ideia de que a classificação lá é bastante possível. No próximo fim de semana jogamos de novo contra o Flamengo na Arena, desta vez pelo Brasileirão. Mas já estou com a cabeça lá no Maracanã, onde mais de uma vez já triunfamos. Que 97, em especial, seja lembrado!

Saudações Tricolores, Renato!

E segue o baile…

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Bom dia, Odair (com o compacto de Inter 3 x 0 Botafogo)

Bom dia, Odair (com o compacto de Inter 3 x 0 Botafogo)

Estou em férias até quinta-feira. Vi o jogo do Inter e escrevo rapidamente entre o café e uma caminhada que farei. O dia está lindo.

Como eu tinha previsto no Facebook, tu não inventarias nenhuma novidade tática contra o Botafogo, Odair. Afinal, tuas últimas criações foram enormes fracassos e pensei que voltarias a teu estado normal. Bingo! Escalaste um time no 4-1-4-1 ou no 4-3-3. No jogo, foi mais o segundo esquema, com Nico e Pottker jogando (bem) pelos lados e Damião centralizado. Entre Pottker e Nico, quem mais recuou foi teu bom menino Pottker. Foi uma exibição de luxo.

Pottker: finalmente uma exibição de luxo | Foto: Ricardo Duarte
Pottker: finalmente uma exibição de luxo | Foto: Ricardo Duarte

Foi assim: no meio-campo, Rodrigo Dourado ficou protegendo a zaga, tendo logo mais à frente o fraquíssimo Edenílson e o bom Patrick. Dos três atacantes, o mais discreto foi Damião.

Lá atrás, Cuesta e Emerson Santos fizeram boa partida. O titular é Rodrigo Moledo, que tem sido um dos melhores zagueiros do Brasileiro. Nas laterais, Zeca (que se machucou e fará falta se não voltar logo) e Iago, dois bons jogadores.

Mas o destaque é Patrick, que finalmente mostra bom futebol e regularidade.

A rodada acabou ontem e, após 16 rodadas, estamos isolados na terceira colocação com 29 pontos. Espero, Odair, que não estejas muito criativo nos próximo dias. É cuidar da ruindade de Edenilson, tentar recuperar Moledo e ir observando Dale e Álvez. De resto, não mexa demais.

O próximo jogo é só no dia 6 de agosto, às 20h, contra o Atlético-MG no Independência. É um adversário direto, e jogo difícil, mas não me invente uma retranca!

Era isso.

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Bom dia, Renato (com os principais lances de Chapecoense 1 x 1 Grêmio)

Bom dia, Renato (com os principais lances de Chapecoense 1 x 1 Grêmio)

Por Samuel Sganzerla

Eis que a segunda-feira amanheceu para nós sinalizando, mais uma vez, que o Campeonato Brasileiro será uma pretensão secundária nesta temporada. O contexto em que se deu a partida, Renato, poderia indicar um bom resultado (empate com o time reserva, fora de casa, contra um mandante que já venceu equipes da parte mais alta da tabela em seu estádio). Não vejo, porém, que isso permita comemoração, acaso se pense mesmo em título.

Foto: gremio.net
Foto: gremio.net

É bem verdade que o time que entrou em campo ontem teve um caráter bastante experimental. Douglas iniciou uma partida como titular pela primeira vez em mais de um ano e meio. Marinho, ainda sem tanto ritmo de jogo, após sua chegada da China, também teve sua estreia como titular. Pepê teve a incumbência de fazer a função de Everton. E por aí vai.

A questão é que o time, apesar de todos esses pesares, começou bem. O gol logo no início parecia que ditaria o ritmo de jogo, Renato. Destaque, aliás, para o bom passe de Hernane para Pepê marcar. Uma coisa rara de se ver nessa temporada é o time de adversário ter mais posse de bola, enquanto exploramos o contra-ataque. O que até funcionou bem na primeira etapa, em que pese termos perdidos boas oportunidades de ampliar o placar. E isso nos custou caro.

No segundo tempo, a Chapecoense melhorou muito, e nós pioramos bastante. Tudo bem, Renato, é de se dar um desconto pelo fato de serem os suplentes. Entretanto, o chamado “efeito vestiário”, que quase sempre pesa a nosso favor no intervalo, ontem jogou contra. Faltou leitura sobre o jogo da Chape, e fomos praticamente dominados no segundo tempo.

Neste ritmo, não tardou para que empatassem o jogo. Paulo Vítor é um bom goleiro, mas voltou a falhar. Sua saída precipitada num lance com a bola quase na linha de fundo permitiu o gol adversário. Para sermos justos, ele faria uma ótima defesa no final da partida, que salvaria o ponto trazido na bagagem. Entretanto, no balanço das suas atuações até agora, ainda faz sentir a ausência de Marcelo Grohe em campo. Precisa melhorar.

Agora, ontem não dá para dizer que foram dois pontos perdidos, como em vários outros confrontos. Porque nosso segundo tempo fez com que o empate fosse até lucrativo. Se a Chapecoense tivesse virado a partida, não seria nenhuma injustiça. Espero que Alisson volte logo, pois já ajudaria muito nestes jogos com os suplentes. E que a lesão do Bressan, reserva imediato da zaga, não tenha sido muito séria.

Ao final, Renato, parece que os deuses do futebol mandam um claro recado: miremos na Copa do Brasil e na Libertadores. Gostaria muito de voltar a ganhar o Brasileirão, mesmo sabendo que é praticamente impossível para um time brasileiro jogar com força total nas três competições. Não deixa de dar uma certa frustração, porém, observar que o Grêmio vê a liderança ficando no distante.

De qualquer forma, todo nosso foco agora é na Copa do Brasil, no confronto do meio desta semana. Que encarnemos mais uma vez o espírito copeiro, para receber o Flamengo com todo nosso futebol, em casa, com a força da torcida e a sede pela hexacampeonato. Todos os caminhos levam ao Humaitá. Nos vemos lá na Arena quarta-feira, Renato!

Saudações Tricolores!

E segue o baile…

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Os 50 maiores livros (uma antologia pessoal): XXIII — Ao Farol, de Virginia Woolf

Os 50 maiores livros (uma antologia pessoal): XXIII — Ao Farol, de Virginia Woolf

ao_farol_virginia_woolfUm crítico escreveu algo assim: “Li Ao Farol da mesma forma como costumo comer chocolate, pretendendo fazê-lo aos poucos entre outros afazeres, só que logo me deu aquela vontade incontrolável de ler tudo sem parar”. Certamente isso não se deveu a uma trama envolvente, nem a casos românticos para os quais ele precisasse saber do desenlace. E realmente, os livros de Virginia Woolf quase deixam de lado a trama e se fixam nas minúcias humanas, mesmo que a seção central de Ao Farol fale de como uma casa se deteriora. O curioso é que sou um sujeito que pede alguma profundidade dos romances, mas a diluição de VW jamais me incomoda, pois há profundidade de observação — mesmo que seja de coisas secundárias –, assim como qualidade narrativa, clareza estrutural e estupenda criação de personagens.

O livro trata da família Ramsay, casal, oito filhos e agregados em férias. A personagem central é a Sra. Ramsay, uma bela mulher que usa seu charme e trato social para manter a harmonia entre todos. Mas ela parece ser sabotada pelo próprio marido, um homem “do contra” e amargo.

O livro é dividido em 3 capítulos. A janela funciona como uma apresentação dos personagens, temperada pela inteligente e sutil dinâmica de Virginia. Tudo se passa em um só dia na casa de veraneio da família, próxima a um farol que James Ramsay, o filho caçula, deseja muito visitar. Só que a previsão do tempo conspira contra os planos. James alimenta ódio pelo pai, por ele ser tão grosseiro em suas colocações sobre o passeio. O tempo passa, além de mostrar a degradação da casa, revela acontecimentos cruciais na família Ramsay. Já O farol é o momento em que realmente acontece o tão esperado passeio, porém de uma forma muito diferente.

Ao Farol poderia ser um livro denso escrito em insistentes “fluxos de consciência”, mas é leve ao acompanhar o vaivém dos pensamentos, dos medos e vacilações de seus personagens. Estes são mostrados em extrema proximidade no microscópio de Woolf e a compreensão das pessoas é o que vale neste extraordinário romance. Que personagem notável é Lily Briscoe! Que descrições maravilhosas temos do que lhe ocorre enquanto pinta! Não são pensamentos extraordinários ou filosóficos — na verdade, pelo contrário, ela e os outros personagens são intelectuais bastante convencionais, do tipo que se encontra em muitos livros. Pode ser dito que eles não oferecem nada novo, mas um mundo interior muito semelhante ao nosso, com pensamentos completos ou incompletos e livres-associações as mais absurdas.

Excelente tradução de Denise Bottmann para a L&PM.

Recomendo fortemente!

Virginia Woolf

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