Alerta de tsunamis, ou de terremotos, sei lá…

… só sei que são lindos. Estes são os instrumentos, quero dizer, os sismógrafos, de que mais preci… Não, os mais precisos!

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Sono atrasado, Bach e sobre ontem à noite

Em cada um dos quatro dias de carnaval, corri 5 Km pela manhã. Algo leve, para todos os dias, tanto que ganhei um 1 kg. Às vezes, dormia à tarde, perfazendo horas e horas da vida besta que não tinha há meses. Durante a noite, dormia umas 7h. Digamos que dormisse mais 2 à tarde, completando aproximandamente 9 horas diárias de sono. O milagre foi acontecendo aos poucos: a sensação de cansaço que me perseguia há meses foi me abandonando aos poucos. Nunca pensei que essa coisa de “sono atrasado” existisse mesmo. No passado, uma noite normal já me deixava em forma. Agora, nesta sexta década — estou com 53 anos — , preciso de muitas horas de sono para me sentir bem de novo.

Temakeria Japesca

Passar um feriado longo em Porto Alegre com temperatura amena é reencontrar a qualidade de nossa vida junto aos amigos, no cinema à tardinha, na leitura a qualquer hora ou no passeio à Redenção com os cachorros. Com grande parte dos restaurantes fechados em férias coletivas, sobrou de bom a Temakeria e Empório Japesca do Mercado Público, espaço onde a gente pode se empanturrar de temakis de salmão ao preço de R$ 5,00 cada. Esta é uma iniciativa muito boa, espero que ela auxilie a fazer o preço da comida dos japas recuar a valores mais justos. E o temaki dos caras é de primeira categoria. Mesmo num sábado de carnaval, ficamos na fila. Coisa pouca, 15 minutos e olhe lá.

Estou lendo um livro sobre Bach. É tão bom que não quero terminá-lo. Franz Rueb dá uma visão muito realista e documentada da vida de repetidas discordâncias entre o compositor com seus chefes. Em 48 flashes de 5 a 10 páginas cada um, Rueb faz a descrição de todos os problemas, das demissões, das relações com a sociedade, com seus pares e também da educação de Bach desde a infância. Naquela época, a falta de títulos já fazia de alguém um idiota e, bem, Bach era autodidata. O livro faz surgir um ser humano interessantíssimo e muito brigão por trás da obra sobre-humana legada a seus filhos e que chegou a nós muito, mas muito incompleta. Foi tão grande quanto Shakespeare, certamente. É curioso. Livros muito mais analíticos não conseguem fazer surgir o homem que há em Bach, um empregado tão obediente que levava sua mulher para cantar na igreja quando isto era um importante pecado. De santo, o cara não tinha nada.

Urretaviscaya

Vi o jogo do Grêmio ontem. Pobre Caxias, ser time do interior é complicado. Nunca vi tantos e tão injustos descontos. Quando o Grêmio marcou seu gol, aos 53 do segundo tempo, perguntei aos amigos o que o juiz faria em reparação. A responsabilidade pelo resultado passava tanto por Márcio Chagas que ele precisava fazer alguma bobagem para demonstrar que era probo, honesto, ilibado. Bingo!, acertei na mosca: ele expulsou inexplicavelmente um jogador do Grêmio. Havia culpa, claro. Acredito que ele escreverá horrores na súmula. Porém, se houve emoção no Olímpico, o grande futebol apareceu antes, às 19h30, no tremendo jogo entre Peñarol e LDU. Os uruguaios estão renascendo de verdade. O Peñarol tem um atacante chamado Urretaviscaya que é uma verdadeira joia. O incrível é que ele, aos 21 anos, é jogador do Benfica de Portugal, que o empresta há 3 anos para manter jogadores duvidosos em seu elenco. Bem, o futebol não é para ser entendido completamente.

Hoje, o Inter joga contra o Ypiranga. Se não ganhar fácil, o juiz dá uma mão, imagina se não?

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Barbara Strozzi (1619-1677)

Nascida em Veneza, Barbara foi adotada e batizada pela família Strozzi. Provavelmente foi filha “ilegítima” de Giulio Strozzi e Isabella Garzon. Giulio incentivou o talento da filha, até criando uma academia onde Barbara pudesse aprender e apresentar-se. Ele parecia estar interessado em expor seu considerável talento vocal para um público mais amplo. No entanto, a cantora logo substituída pela compositora e seu pai conseguiu que ela estudasse com o compositor Francesco Cavalli.

Por outo lado, é bastante crível que Strozzi possa ter sido uma prostituta. Ou quem sabe era apenas alvo de calúnias por parte de contemporâneos do sexo masculino? Ela nunca casou, mas sua vida amorosa foi movimentada. Há evidências de que pelo menos três de seus quatro filhos tinham por pai o mesmo homem, Giovanni Paolo Vidman, o que seria estranho para uma prostituta. Após a morte de Vidman é provável que Strozzi se sustentasse por meio de seus dotes físicos, por suas composições ou quaisquer expedientes. Ela, aparentemente, não deixou nada para seus filhos.

Strozzi morreu em Pádua em 1677 e há indícios de ter sido enterrada em Eremitani. Quando ela morreu, sem deixar testamento, seu filho Giulio Pietro reivindicou sua inexistente herança.

CDs brilhantes de composições de Barbara Strozzi. E há ao menos um livro traduzido que analisa seus Lamenti: Safo Novella – Uma Poética do Abandono nos Lamentos de Barbara Strozzi., Veneza 1619-1677. Este livro inclui um CD e traz análises das composições de Strozzi, além de um perfil das mulheres da Veneza da época e de reproduzir textos originais e traduzidos.

Quase três quartos das suas obras impressas foram peças vocais escritas para soprano, mas ela também publicou obras para outras vozes. Strozzi efetivamente evoca o espírito de Cavalli, herdeiro de Monteverdi. No entanto, seu estilo é mais lírico e mais dependente dos cantores. Muitos dos textos de suas peças iniciais foram escritos por seu pai, Giulio. Mais tarde, os textos foram escritos por amigos de seu pai.

Neste 8 de março, homenageio a grande Barbara Strozzi, modelo de mulher talentosa e lutadora. Brilhante compositora , cantora, poeta e, talvez, prostituta.


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J. S. Bach – Cantata BWV 80: Ein feste Burg ist unser Gott (completa) e o jazz de Hiromi Uehara

A Cantata BWV 80 de J.S. Bach é daquelas coisas que fazem os dias pararem, os outros compositores se embasbacarem, a gente acreditar na possibilidade de um deus e que justificam os versos finais de Anna Akhmátova que estão inscritos no túmulo de Dmitri Shostakovich:

Música

(…)

Depois que o último amigo tiver desviado o olhar,
ela ainda estará comigo no meu túmulo,
como se fosse o canto do primeiro trovão,
ou como se todas as flores tivessem começado a falar.

Na verdade, a Cantata tem uma estrutura simples e quase simétrica de variações sobre um Coral de Lutero. Um coral, um dueto, uma ária, um coral central, outro dueto e mais um coral. Sim, simples, mas e as variações de Bach?


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~o~

Para terminar, um show de Hiromi Uehara em Choux à la Crème. Ela não precisa de baixo… Vejam o que ela faz aos 5min20. Um Chick Corea alegre e de saias.


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Leve impressão

Carol Bensimon pergunta no Facebook quantos estarão em Porto Alegre no Carnaval. Poucos respondem. Vamos ser uns 26 em Porto Alegre, acho.

A previsão do tempo indica máximas de 29 graus para o sábado, 31 no domingo e 33 e 34 para a segunda e terça. Isto significa que os dois últimos dias do feriadão serão insuportáveis. Estou de plantão na cidade.

Tenho a leve impressão de que estarei entre trabalhadores plantonistas, doentes e carnavalescos irrecuperáveis. Espero que o super e os cinemas abram e alguém telefone.

Nos blogs, só os internacionais estão sendo atualizados decentemente, além da equipe do Nassif, que dá notícias no futuro do pretérito — a China teria… Kadafi estaria… E isso sem parar. O Fernando Guimarães manda eu ler que o Wikileaks tem documentos que garantem o Alckmin como membro do Opus Dei. Curti, mas acho que já sabia.

Tenho que dar um jeito de tornar meu Carnaval produtivo. Tenho que terminar aquele romance, mas penso mesmo é na beira do Lago Guaíba e em correr por ali. Há uns aparelhos novos que queria experimentar…

Ah, chega um post brasileiro! É de Charles Kiefer. Sintam só a animação do moço. Não é contagiante? Aliás, por falar em contagiante, mas agora sem ironia, leia o que o Idelber — que nunca erra em suas indicações — está mandando a gente ler. Há que lhe obedecer? Sim, claro, como não?

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Como fazer cocô em ambientes de trabalho ou em locais muito frequentados

Claro, você não os faz no meio da sala, faz naquele recinto particular, mas mesmo assim é educado tomar certas precauções. Lembro de que uma ex que, quando foi conhecer meus pais, sentiu aquela intransponível e invicta pressão interna. Como não usava a minha técnica, infestou o ambiente e meus pais logo conheceram suas qualidades mais sórdidas. Mas vamos ao que interessa, às lições!

1. Procure o banheiro mais longínquo. Claro, você não vai infestar o ambiente próximo a uma sala lotada se há um banheiro no andar de baixo ou no de cima ou se há aquele recinto impopular que ninguém procura. Use-o.

Nunca faça isso!
Nunca faça isso! (copiado de um blog; sem direitos, espero)

2. Como sentar para cagar. É sempre adequado tirar a roupa antes. Então, após este ato preliminar você deve tentar sentar de forma a tapar com sua bunda todo o buraco disponível. O motivo é simples: fazendo assim você estará vedando sua produção do ambiente externo. Permaneça assim até o final. A posição do amigo da foto ao lado revela que ele não aprendeu com a experiência ou que deseja fazer com que todos participem de suas idas aos pés. Um sacana, claro.

3. Como puxar a descarga. Nada de se limpar antes de puxar a descarga! É óbvio você não precisa ver as proporções de seus dejetos nem abanar para eles em despedida; então, você vira o corpo e puxa a descarga sem abrir o mundo ao bem guardado ar pestilento que seu corpo mantém preso. Ora, basta pensar que você não precisa ver sua vida interior, a menos que desconfie de alguma doença, caso em que você deve observar bem o cagalhão e até tirar fotografias para seu médico analisar.

4. Como se limpar. Não, não levante. Tire ainda mais vantagens da posição. Todo ganho secundário é importante. Afinal, sua posição lhe abre acesso livre ao orifício anal. Realize aquele movimento lateral e, rapidamente, limpe-se sentado. Essa coisa de levantar pode fazer que uma nádega roce na outra, transformando num mingauzinho o cocô que lhe grudou no ânus.

5. Onde colocar o papel. Aqui está uma informação fundamental, talvez a mais importante de todas. Nunca bote o papel naquela caixinha mal cheirosa que há ao lado do vaso e sim dentro dele. Grande parte do trabalho anterior estará perdido se você dispuser suas coisas parcialmente ao ar livre. Em minha casa, por exemplo, o lixinho só serve para abrigar desodorantes velhos e papéis de sabonete. Os higiênicos vão todos para dentro do vaso.

Peça fundamental para a felicidade doméstica
Peça fundamental para a felicidade doméstica

6. Acessório. Nas construções antigas, os canos são mais estreitos e após algumas semanas vamos entupir a saída da privada. A profilaxia sugerida é ter um daqueles desentupidores domésticos ao lado  do vaso. Quando a água não descer, logo na primeira vez,  já deve ser utilizado. Não procrastine! Se você fizer isso, nunca haverá problemas para você ou para o prédio. As construções novas raramente entopem, mas mesmo assim, seguro morreu de velho.

7. Lavar as mãos. Apenas as mulheres devem fazê-lo.

Experimente e depois relate sua experiência! Queremos saber!

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Ferreira Gullar, uma triste figura no Roda Viva

Ferreira Gullar, uma triste figura no Roda Viva

Ferreira Gullar foi o entrevistado de ontem no Roda Viva. O programa, agora capitaneado por Marília Gabriela, é parecido com o Manhattan Connection, ou seja, parece uma sucursal televisiva da Veja. Gullar, aos 80, é ainda uma figura sedutora, fluente, de ar jovial, com a qual é complicado não estabelecer imediatamente empatia.

Além disso, também não sou indiferente a sua poesia. Como tenho 53 anos, pude comprar a primeira edição do Poema Sujo e também a primeira versão do Toda Poesia, onde havia por inteiro toda sua obra poética de antes dos anos 80. Li aquilo com devoção. Gullar era um de meus deuses por suas qualidades de poeta e não pretendo atacar o que considero inatacável. Após Barulhos (1988?, 87?), começou a decadência. O homem ficou cada vez mais crítico de arte e menos poeta.

É óbvio que tenho vontade de ligar seu direitismo tardio à decadência da poesia. Acho que há ligações mesmo, pois quem se une à direita mais truculenta (Augusto Nunes e amigos), dificilmente terá uma produção que faça sombra ao ex-Gullar, atual José Ribamar Ferreira, simplesmente. Porém, também sei que há Pound e Céline com seus Mussolini e Hitler e que Augusto Nunes não poderia comparar-se a estes, pois está abaixo em realizações — não consegue nem obter votos para o Serra, imaginem.

Então, minha afirmativa de ontem no twitter de que “Ferreira Gullar preservou pouca coisa daquilo que o levou a ser Ferreira Gullar” é baseada não apenas numa posição política, mas numa sensilidade de leitor. Principalmente depois de Muitas vozes, mas já clara em O Formigueiro (acho que é este o nome do livro do início dos anos 90), o poeta já tinha abandonado o barco para dar lugar a um bom crítico de arte.

Então, fiquei realmente deprimido ao ouvir a multidão de lugares comuns do programa de ontem. Fui dormir cedo para esquecer.

P.S. — Ah, eu sempre brincava com meus amigos dizendo que eu cantara em casa O Trenzinho do Caipira de Villa-Lobos com a letra de Gullar antes do Edu Lobo gravar a música. E era verdade! A letra está no Poema Sujo com uma ordem mais ou menos assim: leia os versos a seguir cantando sobre a melodia do Trenzinho Caipira das Bachianas Brasileiras Nº 2. Este é um de meus orgulhos mais bobos da juventude…

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I know it`s only rock and roll…

… but I like it, like it. Yes I do. Encontrado no excelente Goodshit que, com seu peculiar humor, faz questão de informar que esta música não tocou no Oscar.

httpv://www.youtube.com/watch?v=JJS8-wWBT8M&feature=player_embedded#at=132

Ou clique aqui para ver.

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Belíssima foto

De uma família de Ihio, EUA, que teve sêxtuplos. Uma bela foto para o álbum dos Columbus! (Roubada do blog de Luis Nassif).

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Moacyr Scliar e eu

Eu pouco li Moacyr Scliar. Não gostei do primeiro romance seu que conheci — não lembro mais qual foi — e depois suas crônicas dominicais acabaram por me afastar totalmente do autor. Lá por 1992, fiquei curioso sobre Sonhos Tropicais, uma espécie de romance biografia (nada de biografia romanceada, é um romance com personagens reais mesmo) sobre Oswaldo Cruz e passei a detestá-lo de vez. A obra ficou completa com seu ingresso na Academia Brasileira de Letras em 2003.

Uma vez, escrevi-lhe um e-mail. Estávamos no início do ano 2000 e Moacyr escrevera uma crônica sobre o filme Jonas, que terá 25 anos no ano 2000, de Alain Tanner. Este filme fizera enorme sucesso ao passar em Porto Alegre lá pelos anos de 1976-77 e muitos cinéfilos pensavam em rever o filme, assim eu fiz com 2001 no ano seguinte e com romance 1984, 16 anos antes. Pois bem, em sua crônica, Scliar errava parcialmente o nome do filme e enganava-se de personagens, assim como de sua procedência. Concluí até que ele talvez estivesse se referindo a outro filme!

Então, preparei um e-mail bem irônico e mandei para o endereço constante no jornal. Achei que ele ia lê-lo, mas que nunca iria respondê-lo. Depois de algumas horas, pam, cai a resposta de Scliar em minha Caixa de Entrada. Com imensa autoironia, ele fazia uma admissão de seus equívocos, acusava a si mesmo e ainda confessava outros erros cometidos em semanas anteriores. Dizia estar feliz por estar em contato com alguém atento, porque ninguém — entre revisores e leitores — tinha coragem de apontar suas muitas mancadas.

Fiquei meio pasmo com aquela falta de vaidade inteiramente estranha aos autores nacionais, sempre tão peremptórios e ágeis para  se defenderem do mais débil ataque. Voltei a escrever-lhe citando sua civilidade e pedindo desculpas por minhas ironias. E Scliar voltou a afirmar que era um idiota em não consultar, fontes, etc.

E aqui termina minha história com ele. Devia ser um sujeito legal e fico autenticamente triste com sua morte ontem.

httpv://www.youtube.com/watch?v=N8fhqHyRj6M&feature=player_embedded

httpv://www.youtube.com/watch?v=n5Vw7OvcOFI&NR=1

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O atropelamento dos ciclistas da Massa Crítica ou Aquilo que alguns policiais chamaram de "acidente"

Prestem atenção sobre o que acontece aos 55 segundos e depois. Do blog do Massa Crítica.

httpv://www.youtube.com/watch?v=6XL3g4vPK30&feature=player_embedded#at=219

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Deve ser uma infeliz coincidência. Porém, em se tratando de Grêmio, não duvido de nada.

Um pessoal que não me conhece parece ter levado este post a sério. Logo eu, que sou casado com uma baita gremista e que tenho mais amigos torcedores do Grêmio do que colorados. Eu, se fosse estas pessoas, estaria mais preocupado com a administração do Odone… A propósito, que gênero de fanáticos se preocupa com acusações flagrante e historicamente falsas como a deste post?

Hum… Quando vi a camiseta do Grêmio ontem à noite, fiquei meio desconfiado daquela cruz. Pensei em algo do Vaticano, depois no Opus dei. O pessoal do grupo do Google Arquibancada Colorada matou a charada. Era pior.

Quem descobriu foi Andreas Müller, que escreveu apenas “Heil!”. A montagem abaixo é do Gonçalves Barun. Para quem tem uma torcida chamada “Super Raça”, está adequado, não? Só falta o Vitor aparecer com um bigodinho de Hitler…

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Quero morar lá

Na livraria The Shakespeare & Co, Paris, França. Sempre sonhei em ter um sebo, sabem? Já pensaram um desses? (Suspiro).

Clique na foto para ampliar. Foto encontrada bem aqui, ó.

Update das 13h35: Contribuição de Giseli Miliozi vinda pelo Facebook: o site da Shakespeare and Company. É de arrasar!

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Falcão e Bolatti

O volante Bolatti, 25 anos, tinha feito 7 gols em sua carreira. Mais ou menos um gol por ano. Em seus dois jogos de estreia no Inter, fez mais 3. Agora, as fotos abaixo são uma sacanagem. Não nos façam sonhar. Mas observem bem.

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O desfile de Páscoa, de Richard Yates (sem spoiler)

O Desfile de Páscoa (Alfaguara, 221 páginas), do estadonidense Richard Yates (1926-1992), é a segunda grande surpresa deste autor tardiamente publicado no Brasil. No ano passado, trazido pelo filme com Kate Winslet e Leonardo di Caprio, já tinha sido lançado o extraordinário Foi apenas um sonho (Revolutionary Road).

O romance começa pela seguinte frase: “Nenhuma das irmãs Grimes teria uma vida feliz e, olhando em retrospecto, sempre pareceu que o problema começou com o divórcio de seus pais”. E é notável a forma como Yates segue este pequeno apontamento durante todo o romance. Ele pontua cada ato importante da vida das irmãs Sarah e Emily em seu caminho rumo à infelicidade — uma casa jovem e logo tem três filhos, a outra busca a realização no trabalho. O desfile de Páscoa trata da condição da mulher na época pré-feminismo dos anos 1950, quando as opções pareciam ser as tomadas pelas irmã: ou o jugo sob um marido ou a solidão interrompida por pequenos casos com homens casados ou desinteressados.

Tanto a forma como as Sarah e Emily se relacionam quanto suas vidas em separado demonstra uma crudelíssima impotência frente a uma sociedade hostil à mulher. O grande destaque do romance é a forma como Yates trata a violência contra a mulher nos anos 50.

Um livro estarrecedor. Um grande livro.

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Voltei do tratamento

Inhotim, Congonhas, São João del-Rei (segundo o site da prefeitura é assim que se escreve…), Tiradentes, Lavras Novas, Ouro Preto. Um belo tratamento com o Dr. Claudio Costa e sua Amélia — ele, psicanalista; ela, psicóloga. Fiquei encantado com os resultados. A foto abaixo registra um momento especialmente difícil. Estávamos na Pousada e Restaurante Pimenta Rosa, em Lavras Novas. Encontro-me entre centenas de fotos repletas de amizade e carinho.

Abaixo, nossos amigos.

E aqui, a reafirmação de que Claudio Costa é mais um atleticano simpático à causa colorada. O que fazer, né?

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Duas coisonas e duas coisinhas

Taí o seu presente, Milton. Espero que você goste. Um abração!

Quando recebi esta mensagem pelo Facebook, pensei que fosse mais uma composição que o Gilberto Agostinho desejava me mostrar. Gosto muito de ouvi-las e, bem, de dar meus pitacos. O Gilberto é um compositor brasileiro que estuda em Praga e suas obras são efetivamente muito boas, tanto que ele acaba de classifcar-se em primeiro lugar na principal Academia de Música de Praga. Ouvi a tal música e gostei muito. (Vocês podem baixá-la aqui, vale a pena). Chamava-se Suite for Cello and Harpsichord, in Old Style. E escrevi-lhe de volta:

Rapaz, consegui ouvir apenas ontem. Gostei muito. Achei ADMIRÁVEL e deixo a palavra em caixa alta para demonstrar que este é um elogio repleto, onde a palavra deve receber significado pleno. É claro que notei a Courant e sua citação. Me diverti com o final perfeitamente bachiano da abertura, e — mesmo com a séria sarabanda — o efeito geral sobre mim foi de felicidade. Ouvi tudo com um sorriso. Achei o final da Giga um tanto inesperado, talvez brusco, mas eu jamais o alteraria, pois aquilo parece uma frase tua dizendo “gente, é bem feito, bem escrito, mas é uma paródia, claro”.

Cara, nós já temos material para outra postagem naquele blog, não? Esse teu sw de agora é melhor do que aquele outro. Até o pizzicato funciona bem. O cravo tem som de cravo, etc. Poderíamos montar uma postagem assim que eu voltar de uma viagem que farei de quinta a terça? Volto em 22/02. Tu poderias ir escrevendo os textos de apresentação, certo?

Inclua o que quiser, mas não retire essa Suíte, pelamor.

Grande abraço!

P.S.– Acredito que estejas passando por um período feliz em Praga. A Suíte, além de excelente, é feliz.

Tudo normal até aqui. Mas então ele escreveu de volta:

Oi Milton,

Muitíssimo obrigado pelos elogios! Já fazia tempo que eu estava querendo dedicar uma obra minha pra você, e eu achei que esta cairia muito bem, já que você é outro fanático pelo período barroco. Você pegou bem o espírito desta peça, e eu fico feliz que o final tenha sido bem entendido. Eu me considero um contrapontista acima de tudo, então eu escrevi esta obra como uma espécie de desafio para mim mesmo. Será que eu ainda conseguiria escrever algo tonal, respeitando todas as regras do período barroco? Pois bem, eis o resultado.

Umas das questões que me ocorreram enquanto eu escrevia esta obra foi sobre liberdade de escrita. Eu tentei escrever algo que fosse “histórico”, mas ao mesmo tempo eu tentei ao máximo me expressar neste idioma. Só que acontece que nós já não temos o direito de “quebrar regras”, como Bach fazia. Quando você ouve uma obra como a minha fuga favorita, aquela em si menor do primeiro livro do cravo, você tem um tema quase dodecafônico, e isto deve ter sido um choque na sua época (ainda hoje muita gente não gosta desta fuga, fazer o quê?). Só que seria incoerente se eu me propusesse escrever algo barroco, e então saísse quebrando as regras. Quebrando para aonde? Para atonalidade? Felizmente perdemos este direito, pois com isto ganhamos outros, mas é uma questão interessante que me apareceu. Então eu ousei mais na forma das composições, não no conteúdo tonal.

E sim, eu tenho muitas composições para postar no blog sim! Eu vou separar algumas delas, e vou escrever o texto e depois te mando. Quando você voltar de viagem, você me diz o que achou. E a maioria das composições que eu gostaria de incluir serão aquelas outras que eu te mandei, mas não sei se você já teve tempo para dar uma ouvida. Depois me diga o que você achou, eu estou bem curioso com suas opiniões (mas sem pressão para ouvir logo). E esta suite será inclusa sim, pódexá!

Sobre Praga, eu estou muitíssimo feliz com a minha vida musical. Eu estou me sentindo bem seguro e produzindo muito, o que é ótimo.

(…)

Um grande abraço, meu caro!
Gilberto Agostinho

Ou seja… Ou seja.. A obra é dedicada a mim, como aliás estava escrito na partitura e eu, boca-aberta, não tinha visto.

Eu realmente não sei como agradecer. Estou explodindo de tão orgulhoso e feliz. Muito obrigado, Gilberto.

~o~

Hoje viajamos em visita ao Dr. Cláudio Costa! Passaremos 4 dias em sua companhia e de sua mulher Amélia. Já estiveram aqui em casa e foi indiscutivelmente maravilhoso, ao menos para nós. Ele ligou várias vezes convidando e já viram, vou ter que fazer meu tratamento psiquiátrico nas cidades históricas de Minas em meio àquela baita gastronomia. (suspiro) Volto terça-feira durante o dia. Mais um motivo para comemorar. Mas nem tudo pode ser perfeito, senão não seria a vida.

~o~

Mônica Leal me processou. Já retirei o post causador da pendenga, se o deixasse teria de pagar um salário mínimo por dia… Não entendo, mas, enfim, é a nossa justiça. Ela insiste numa indenização. Se soubesse de minhas posses e de minha conta bancária, não perderia tempo. Acho que se esqueceu de averiguar. Ela deveria ser incentivada a fazer uma devassa em minha vida. E a vida segue.

~o~

E segue com Celso Roth, que recebeu um timaço e insiste em jogar retrancado dentro de seu esquema chama-derrota. O Mazembe não serviu de lição; acho que a diretoria espera algo mais grave como um enorme fiasco da Libertadores 2011 e um grupo de jogadores descontentes. Deram um carro de Fórmula 1 para um motorista de taxi.

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Fernando Miranda abre blog

Miranda foi um dos dirigentes mais combatidos no Inter. Porém todos no Beira-Rio hoje sabem que ele colocou o clube num patamar de clareza e honestidade jamais alcançados. Ele pagou contas, saneou o clube e disse frases verdadeiras e infelizes, como aquela que respaldou e que rezava: “O Inter ganhará algum título importante em 6 anos”. Ele tinha razão, apesar de um prazo de 6 anos ser uma coisa inaceitável para qualquer torcedor. A frase, dita em 2000 — e mais a postura associada a ela — talvez tenha nos levado à Libertadores em 2006 com outros dirigentes… Todo mundo que trabalhou em projetos sabe o quanto o fundamento, o arcabouço, são importantes. Miranda deve ter comemorado aquele título duplamente, como torcedor que é e como, digamos, profeta.

Eu não admiro 100% Fernando Miranda. Acho que o convite a Jarbas Lima — um estranho ao futebol — para assumir uma presidência que, com a renúncia, depois acabou com o próprio Miranda, foi um lance lastimável. Porém, o ano 2000 marcou uma virada completa no clube. Saiu o bando de negociantes e entrou o pessoal da moralização. O clube, que estava indo no caminho do Atlético-MG, foi devolvido saneado para que o grupo de Fernando Carvalho o levasse adiante.

E Miranda agora abre um blog. Sabemos que ele, com sua honestidade suicida — bem parecida com a minha, aliás — contará tudo. A acompanhar. O último post é uma bela curiosidade. O Inter de 1998 não tinha nem e-mail, nem domínio…

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Carta mais bonita é difícil

O jornalista cultural Anthony Tommasini, do New York Times pediu para que seus leitores escrevessem seus 10 compositores eruditos favoritos. A coisa terminaria no dia 23 de janeiro, mas ele seguiu recebendo “interessantes reações de seus leitores”. Sua reação favorita veio na forma de uma carta escrita à mão por Lucas Amory, um menino de 8 anos. Lucas é um estudante de piano e filho de dois violistas, Misha Amory, do Quarteto de Cordas Brentano e Hsin-Yun Huang. Abaixo as cartas. São muito, mas muito legais.


Quem encontrou foi o @adrianosbr.

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O único filme em que aparece Erik Satie

Raridade total. Um curtíssitimo filme de René Clair de 1924 em que Erik Satie (1866-1925) aparece. Satie, para quem não o reconhece, é o homem de terno e chapéu-coco.

httpv://www.youtube.com/watch?v=G5P03pbThNQ&feature=player_embedded

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