Renato, estou preocupado com o Grêmio! Mais uma vez perdemos pontos em casa, deixando de vencer um time que se mostrou nitidamente inferior no campo a nós! Hehehe!
Cornetas à parte, eu te confesso que imaginei que o jogo seria como foi: Odair lembraria da célebre frase de José Mourinho e estacionaria o ônibus do Inter na pequena área. Um esquema 8-1-1 de fazer inveja aos saudosos do Ferrolho Suíço e do CATENACCIO.
Foto: gremio.net
De nossa parte, não entramos com o mesmo ímpeto do domingo passado, na goleada contra o Santos. Talvez os que tomaram o avião logo depois do clássico já estivessem um pouco com a cabeça na Venezuela.
O fato, porém, é que sabemos que o Grêmio pode produzir mais do que isso. Mesmo que o adversário entre com o objetivo de não deixar ter jogo, que seja daquelas partidas em que o Marcelo Grohe não faz nada além de ser um espectador privilegiado.
Claro, Renato, tivemos o infortúnio de o André perder um gol relativamente fácil. O time inteiro que falhou na pontaria ontem, na verdade. E teve também, em homenagem à data comemorativa do fim de semana, o senhor Wilton Pereira Sampaio sendo uma mãe para o coirmão, deixando de marcar duas penalidades a nosso favor. Mas poderíamos ter vencido independentemente disso.
No final, também não faltaram os elementos tradicionais do clássico Grenal: bate-boca, reclamação, corneta, confusão. Aliás, muita confusão! O imbecil que atirou um sinalizador em campo, podendo prejudicar o clube, fica como meu destaque negativo.
E houve o estranho “desconforto” do argentino há poucas horas antes da partida – o que eu destaco apenas porque me chamou a atenção, domingo passado, que pareceu que ele fez de tudo para cavar sua expulsão contra o Flamengo. Mas isso não é problema nosso. Só comento porque, mesmo não estando em campo, lá estava ele para tumultuar depois do apito final. Normal.
Enfim, Renato, os resultados paralelos nos mantiveram a apenas dois pontos da liderança. Poderia ser nossa já, não deixo de pensar. Agora, contudo, é voltar novamente a cabeça para a Copa Libertadores, quando entraremos em campo lá em Maturín, Venezuela.
Temos uma maratona de jogos neste mês. Serão oito partidas até a parada da Copa, e as duas da Libertadores não podem ser menosprezadas, apesar da liderança no grupo e da fragilidade do próximo adversário.
Renato, queremos a vantagem de trazer as decisões para a Arena. Assim como tu, queremos levantar de novo a Copa este ano, de preferência em boa casa. Até terça-feira, nossa cabeça é apenas “Rumo ao Tetra!”. E vamos que vamos!
Saudações Tricolores!
E segue o baile…
P.S.: “Deixando a rivalidade de lado, foi muito bonita a merecida homenagem das duas equipes e da torcida a Fábio Koff. Momentos de grandeza da história da Dupla, em respeito a um grande homem.”
Um Réquiem Alemão, de Johannes Brahms, existe por um só motivo: a morte da mãe do compositor em fevereiro de 1865. Escrito entre 1865 e 1868, ele tem várias curiosidades: é composto de sete movimentos, que juntos resultam em algo entre 65 a 75 minutos, tornando-o a mais longa composição de Brahms. Há mais: Um Réquiem Alemão é música sacra, mas não é litúrgica e, ao contrário de uma tradição musical de séculos, não é cantado em latim e sim em língua alemã, de onde vem seu título Ein deutsches Requiem ou Um Réquiem Alemão.
A primeira referência ao Réquiem está em uma carta de 1865 que Brahms escreveu para Clara Schumann, pianista, compositora e viúva de Robert. Escreveu que pretendia desenvolver uma peça a ser “uma espécie de Réquiem alemão”. Depois, Brahms teria dito ao diretor de música na Catedral de Bremen que teria de bom grado chamado o trabalho de Um Réquiem Humano. Mais adiante, vocês verão que este sujeito de Bremen era um chato de primeira linha.
Embora as Missas de Réquiem na liturgia católica comecem com orações pelos mortos, o de Brahms centra-se nos vivos, começando com o texto “Bem-aventurados são aqueles que suportam a dor, porque serão consolados”. O tema do conforto aos que ficam repete-se em todos os movimentos seguintes, exceto o final, sobre a morte.
Em seu Réquiem, Brahms omitiu propositalmente qualquer dogma cristão. Até pelo fato da ideia de deus ser visto sempre como fonte de consolo. A simpatia e compaixão pelo humano persiste por todo o tempo, o que não significa dizer que o Réquiem seja ateu — ateu sou eu, mas alguns escreveram este absurdo sobre a obra –, apesar de sua contenção religiosa. De qualquer forma, a enigmática escolha dos textos fica para os musicólogos decifrarem. Quando o diretor da catedral de Bremen expressou sua preocupação com isso, Brahms recusou-se a adicionar o movimento que lhe fora sugerido: “A morte redentora do Senhor, etc.” (João 3 : 16). Mas, por incrível que pareça, o citado diretor obrou finalizar o Réquiem por uma ária do Messias de Handel, — ??? — “I know that my redeemer liveth”. Tudo para satisfazer o clero. Um total abuso.
O Réquiem foi inicialmente contestado. Wagner achou-o ridículo, mas temos que lhe dar o mérito da coerência: ele errava sempre. Na verdade, estava apenas contrariado com o título “Alemão”. “Alemão” seria a ele mesmo, Wagner. O que Brahms estava pensando? A reavaliação do Réquiem veio através de Schoenberg e seu brilhante ensaio Brahms the progressive. Então, a história da percepção a Brahms descreveu 180º: seus trabalhos passaram de “acadêmicos” a “modernos”. Agora, são eternos.
SERVIÇO
A Ospa apresentará Um Réquiem Alemão no próximo sábado (12/05) às 17h, na Casa da Música da Ospa. Estarão no palco o Coro Sinfônico da Ospa, a soprano Raquel Fortes e o barítono Alfonso Mujica. Regência de Manfredo Schmiedt.
Na ocasião, a Ospa presta homenagem à memória de Eva Sopher, falecida neste ano — uma grande incentivadora da cultura porto-alegrense e da orquestra. A Casa da Música da Ospa fica no Centro Administrativo Fernando Ferrari (Caff), na Avenida Borges de Medeiros, 1501, no Centro de Porto Alegre.
Quer dizer, hoje não é um bom dia, na verdade! Agora pela manhã, quando vinha aqui falar sobre a boa vitória do nosso time reserva na Copa do Brasil, recebi a notícia de que o grande Fábio André Koff nos deixou, aos 86 anos.
Koff era um homem de inteligência ímpar, uma personalidade marcante. Foi Juiz de Direito e uma importante figura no cenário social e político gaúcho. Mas será eternamente lembrado como o grande Presidente do Grêmio que foi, carregando as três cores na sua alma e levando nosso clube às suas maiores glórias. Um multicampeão: é assim que qualquer gremista sempre lembrará de Fábio Koff.
Ele presidiu o Imortal Tricolor em três oportunidades. Na primeira vez, em 1982/1983, a conquista que desbravou a América e que permitiu ao Grêmio atingir o topo do mundo – duas glórias que tu lembras muito bem, né, Renato?! Em sua segunda passagem, entre 1993 e 1997, dois mandatos consecutivos que nos remetem às glórias dos anos 90: o Bi da América e do Brasileirão e duas Copas do Brasil.
Koff voltaria à presidência do clube em 2013/2014. Integraria a gestão de seu sucessor, nosso atual Presidente, Romildo Bolzan Júnior, da qual se afastaria para cuidar da sua saúde. Ele também presidiu o Clube dos 13, que foi um importante movimento das grandes agremiações futebolísticas do país em oposição à mão-de-ferro com que a Confederação Brasileira de Futebol gerencia nosso amado esporte.
O mais importante a ser destacado, porém, é que Fábio Koff era um homem de caráter íntegro, uma pessoa correta. Nós gremistas lamentamos muito esta perda, porque sua história se confunde em boa parte com a do próprio Grêmio. Um homem que representou muito bem a Nação Tricolor e que agora repousará no panteão dos eternos campeões.
Para não dizerem que não falei nada do jogo de ontem, gostaria de parabenizar o teu trabalho, Renato, e do clube como um todo. Mesmo o Goiás de hoje não sendo sombra daquele time que fazia boas campanhas no Brasileirão e era sempre uma pedra no nosso sapato, a classificação para as quartas-de-final da Copa do Brasil com uma ótima vitória do time reserva simboliza bem o atual estágio do Grêmio.
Destaque para a grande atuação de Alisson (o melhor em campo e favorito a substituir Ramiro no clássico de sábado), com dois gols e uma assistência, e para Cícero, que jogou muito bem e fez dois lançamentos à lá Gerson no primeiro e no último gol. A equipe foi consistente o bastante para construir a vitória e permitir que tu desses oportunidade a jogadores jovens. Foi bonita também a comoção do Thaciano quando marcou o segundo gol do Grêmio.
Em verdade, eu poderia falar bem mais do jogo – ao qual só não assisti na Arena por causa do infeliz horário e da falta de mobilidade urbana que sacaneiam os trabalhadores. Mas hoje, mais do que qualquer coisa, é dia de luto pelo grande Koff, de modo que seria uma injustiça não dedicar esse texto a ele.
Deixo aqui minhas condolências a todos seus familiares e amigos. Meus pêsames a ti também, Renato, pois sei da amizade e admiração que vocês cultivavam um pelo outro, dessas relações que só são possíveis graças ao amor pelo Grêmio. E me permito aqui falar por toda a Nação Tricolor, deixando meu mais profundo agradecimento a Fábio Koff por ter sido a voz de todos nós e por todas alegrias que nos trouxe.
Koff, descansa em paz! Tua estrela seguirá brilhando, agora nos iluminando e nos abençoando do firmamento eterno. Como o grande Tricolor que és, sais da vida terrena para se tornar Imortal! Muito obrigado por tudo!
— Para escrever romances não é preciso imaginação — disse Bolaño. — Só a memória. Os romances são combinações de lembranças.
— Todas as boas narrativas são narrativas reais, pelo menos para quem lê, que é o único que conta.
Javier Cercas, Soldados de Salamina
Soldados de Salamina, de Javier Cercas, é um grande, excelente livro. Não é bem um romance, é antes uma reportagem, mas a história contada é tão inacreditável que mais parece um romance. Melhor dizendo, pode-se supor algumas poucas liberdades criativas, poucas. O grosso da história é verídica. O que lemos é uma série de surpresas, formando um mosaico de imenso efeito. Quando parece vamos respirar, entra em cena de Roberto Bolaño iluminando o relato de uma forma que só lendo.
A célebre Batalha de Salamina ocorreu entre a frota persa de Xerxes I e a grega, comandada por Temístocles. A vitória foi grega e, de certa forma, decidiu o destino da Europa.
Porém, se o título livro de Javier Cercas faz alusão à batalha, a ação de Soldados de Salamina acontece na Espanha, durante a Guerra Civil. O livro vendeu 300 mil exemplares só no país e recebeu todo um leque de prêmios. A história gira em torno da figura real de Rafael Sánchez Mazas, escritor e ideólogo fascista da Falange Espanhola e de como ele escapou do fuzilamento. A Guerra Civil Espanhola estava acabando e as tropas republicanas se retiravam, destruindo pontes e vias de comunicação para se proteger. Sánchez Mazas, prisioneiro dos republicanos, apesar de alvejado em um fuzilamento coletivo, consegue escapar apenas com alguns furos na roupa. Quando saem em sua busca… (sim, há pessoas que detestam spoilers). A história é muito bem contada, cheia de digressões, poesia e bom humor.
Sánchez Maza não apenas sobreviveu como tornou-se ministro do ditador Francisco Franco. Na primeira parte temos uma pesquisa-reportagem onde conhecemos a história de Sánchez Mazas e na segunda uma reportagem, tudo escrito com grande beleza literária. O texto de Cercas é prazeroso e grudento. Como um repórter gonzo, Cercas se coloca na história. Conhecemos até sua namorada, talvez a única personagem fictícia do livro, mas não podemos afirmar com certeza… Na segunda parte, também entra no relato o escritor Roberto Bolaño, amigo de Cercas. O chileno deu-lhe muitas sugestões e direcionamentos.
Sánchez Mazas era um literato, um escritor nascido em uma família tradicional que, inspirado pelas ideias fascistas que conhecera na Itália, participou da fundação da Falange Espanhola e trabalhou ativamente na divulgação de suas ideias. Cercas conheceu sua história através do próprio filho do falangista. Ficou obcecado, escreveu a reportagem, mas depois Roberto Bolaño lhe diz que talvez conheça um anônimo que participou do fuzilamento como atirador. E nova busca é empreendida.
Talvez aqui tenhamos outro personagem fictício, mas novamente não podemos garantir. O fato é que Miralles, o tal atirador, é absolutamente sedutor e tem uma incrível cara de personagem de Bolaño.
Recomendo fortemente.
Javier Cercas: obra-prima | Foto: Divulgação
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É chato ver o Inter jogar. É sempre a mesma coisa — um time lento, previsível, com dificuldades para atacar –, ingredientes que agora receberam também um mau preparo físico. O time treina pouco, sabemos. Os jovens Damião e Pottker cansam… Sem falar do velho Dale.
Sem ataque, não marcamos gols há três jogos e seguem faltando 41 pontos para não cairmos. A bagunça é deprimente. É claro que a desorganização da instituição invadiu o gramado, isso faz tempo.
Patrick na derrota do último domingo para o Flamengo. Ele é uma das raras boas contratações do clube | Foto: Ricardo Duarte
Os dirigentes dizem que precisam vender 2 ou 3 jogadores na janela de junho, mas talvez nem isso consigam. Hoje, nossos atletas são cavalos cansados e mal alimentados. Não valem nada. Precisaremos da indignação de um Michael Kohlhaas logo após o Gre-Nal que devemos perder no próximo sábado, pois a possibilidade de Série B é real novamente.
Odair Hellmann… Este vai receber uma boa rescisão.
O Inter é um time mal pensado e concebido. A confusão dos dirigentes é clara. Eles queimam técnicos que provavelmente sejam apenas marionetes deles. Vejamos.
Desde o início de 2016 foram escalados 12 laterais direitos: Winck, Alemão, Junio, Dudu, Ruan, Fabiano, Ceará, William, Fabinho (este e os próximos improvisados), Edenilson, Danilo Silva e Gabriel Dias.
Os atacantes foram 17: Damião, Pottker, Roberson, Carlos, Cirino, Nico Lopez, Marcinho, Brenner, Brenner (outro), Sasha, Wellington Silva, Rossi, Lucca, Diego, Joanderson, Roger e Ronald.
São números razoáveis? Pode dar certo? E quanto custou toda essa gente?
Mas o principal problema é o meio de campo. Este é praticamente ignorado. Anotem o número de armadores: D’Alessandro, Juan Alano, Camilo, Richard, Valdívia e Mossoró (apenas 6). E o setor nunca funcionou. Talvez possamos colocar Patrick nesta lista, mas ele é um volante improvisado.
Tudo isso com três treinadores.
Ou seja, Marcelo Medeiros, Roberto Melo e seus homens estão perdidos. Gastam e a coisa não anda. Gastam muito. Gastam mal. O descritério reflete-se em um deficit de 62 milhões só no ano de 2017.
Não sei para onde vamos. O Inter é hoje dominado por empresários que tentam colocar seus “produtos” numa vitrine que está bem feia. Só tal fato explica a loucura nas contratações. Além dos jogadores citados, houve levas de jovens contratados para as divisões inferiores. Nem conseguiria citá-los.
E assim vamos nós. Jogando no lixo ano após ano com o Conselho — cheio de famosos alguéns que desconhecem futebol — apenas observando.
Eu sei, fazia tempo que eu não aparecia por aqui, né?! Ocorre, Renato, que atletas de fim de semana também se lesionam às vezes. No meu caso, uma pelada com uns amigos há umas duas semanas me causou um edema ósseo no cotovelo direito (aquela TRINCADA básica). Como sou destro e fiquei bom o braço engessado por duas semanas, nem conseguia escrever e digitar. Felizmente, nada mais grave e já estamos de volta.
Foto: gremio.net
E que forma de voltar a conversar contigo por aqui, né?! Com uma goleada em casa que seguiu outra. O torcedor que foi à Arena nos dois jogos desta última semana comemorou dez gols (no meu caso, metade deles na arquibancada, ontem, graças à minha lesão). Um número impressionante, tal qual o futebol que o Grêmio vem jogando. 2018, que já começou muito bem, vem prometendo ser mais um ano memorável na história Tricolor.
Se na terça-feira a superioridade sobre o Cerro Porteño, adversário da Libertadores, foi muito evidente, no jogo de ontem não foi diferente. O que surpreende até mais no caso do Santos é que é um forte e tradicional rival nas competições nacionais e internacionais. Neste ano, o time paulista buscou um excelente e promissor técnico para comandar um elenco de qualidade e faz boa campanha na Libertadores. E não tomamos conhecimento de nada disso neste domingo.
Renato, uma goleada de 5 a 1 do Grêmio sobre o Peixe seria histórica em quaisquer circunstâncias. Mas, além de tudo aquilo que eu já disse, a forma com que ocorreu nos empolga inevitavelmente. Foi um baile durante os 90 minutos. Um Tricolor que colocou o adversário na roda, mantendo a posse de bola por dois terços da partida, quase sem errar passes, sempre no campo de ataque, criando oportunidades naturalmente e praticamente sem dar chances de ataque ao time santista. O famoso ARRODIÃO, na definição do dicionário ludopédico gaudério.
Com um pouco de paciência e muito trabalho, o Grêmio furou o bloqueio da defesa do Santos e abriu o placar com um chutaço do Maicon. Golaço do nosso Capita, que vem jogando o FINO da bola. Enquanto ainda comemorávamos, a equipe santista se aproveitou daquele momento de euforia e descuido para empatar o jogo logo em seguida. Um acidente de percurso, que em nada nos abalou.
E foi possível sentir isso forte nas arquibancadas, Renato. Aquele gol contra poderia ser um balde de água fria na torcida, mas a gente seguiu cantando, alentando e comemorando, como se não tivesse sido nada. Porque é isso que esse time fantástico do Grêmio causa na gente! O momento atual nos faz sentir essa vibração intensa, essa coisa que nos faz confiar incondicionalmente no time, acreditar que a vitória logo mais se desenhará.
Foi o que aconteceu, quando Everton nos colocou novamente em vantagem, no apagar das luzes do primeiro tempo. Veio o intervalo, e todos tínhamos expectativas boas para a segunda etapa. Naquele momento, o otimismo pelo futebol jogado trazia nas arquibancadas a certeza da vitória – e de que ali não é a melhor hora nem o lugar para abordar assuntos mais delicados, mas divago, que isso é história para outro dia…
O fato é que o Grêmio voltou com a mesma intensidade e, logo aos 10 minutos do segundo tempo, o Capita mostrou mais um recurso e fez outro golaço, agora de falta. E o ritmo de baile seguiu, em homenagem ao menino dançarino de valsa, que ontem o assistiu em lugar privilegiado – sim, Renato, o Luan tem razão sobre ele. Aliás, nosso Rei da América, em mais uma boa atuação, daria assistência para o gol de André logo mais. E o outro Rei, o magistral Arthur, fecharia a conta, para encher a mão do torcedor. Fim de jogo, goleada convincente e torcida para lá de feliz. Rumo à minha casa, fui travando uma longa reflexão comigo mesmo.
Sabe, Renato, havia um tempo em que eu acreditava que tudo daria certo para o Grêmio, assim como na vida (que são praticamente a mesma coisa, eu sei). Aquele guri que tinha recém saído da casa dos pais e descido a Serra rumo à Capital quebraria muito a cara no decorrer dos anos e também cometeria muitos erros. Felizmente, aprenderia alguma coisa com eles, talvez. Mas algo do qual jamais se arrependeu foi de carregar com orgulho esse sentimento pelo Imortal Tricolor.
Lá em 2016, quando saímos da seca e ganhamos a Copa do Brasil pela quinta vez, muito se falava nos tais “15 anos”. Eu só conseguia pensar na década. Nos 10 anos em que tinha vindo morar em Porto Alegre, justamente num ano que simbolizaria a virada da gangorra Grenal para o lado deles (não que isso me incomode… muito). Ontem, doze anos depois, gangorra de volta para o nosso lado, muito lembrei daquele maio de 2006. Do alto dos meus 18 anos, tinha certeza de que, mesmo perdendo, sendo eliminado e até rebaixado, no final, as coisas dariam certo para o Grêmio (e errado para o coirmão, porque era parte da aura do gremista criado nos anos 90).
Acreditava nisso, Renato, da mesma forma em que acreditava que as escolha de um recém saído da adolescência seriam todas acertadas. Ingenuidade típica do furor da juventude, regada a festas, dramas brevemente intermináveis e pouca responsabilidade. O que se preservou intacto, dentre as coisas daquele tempo, foi aquela palpitação no peito em cada ida às arquibancadas, do Velho Olímpico à nossa nova e atual morada.
Eu já não acho que todas as minhas escolhas serão acertadas, Renato. O que é muito bom, claro, assim como saber reconhecer as próprias falhas. Também já não sou um poço de romantismo e otimismo com a vida e com o mundo que, noutra época, eu queria mudar do meu quarto. Mas, de alguma forma, Renato, hoje, em maio de 2018, boa parte de mim, que vem aqui escrever sempre contra o sentimento de euforia, contraditoriamente voltou a acreditar que, no final, tudo vai dar certo para o Tricolor. Muito obrigado por isso, de coração! É nessas horas que eu relembro o real significado do Grêmio ser chamado de Imortal.
Eu finjo que não tô nem aí, tento minimizar, mas estou aí sim. Fiquei em estado de choque com uma consulta a um oftalmologista. Não consigo pensar em outra coisa. A paciente era a Elena. Ela fez uns óculos. Não deram certo. Foi a um segundo médico. Deu mais certo, mas não totalmente. E retornou ao segundo médico. O diálogo foi curto.
— Doutor, eu não consigo ler partituras com clareza. Vejo muito bem longe, vejo como se estivesse com um binóculo, mas perto não consigo. Normalmente, a partitura fica mais ou menos aqui — disse ela, estendendo o braço e fazendo um ângulo de 90 graus com a mão.
— Olha, acho que a senhora quer me dar um migué — respondeu ele.
Foi uma reação pra lá de inesperada.
Em gauchês, “dar um migué” significa “enganar” ou “levar vantagem”. O que não dá para entender é qual seria a vantagem que a Elena obteria ao vê-lo e em ir à ótica pela terceira vez.
— Não, eu quero apenas conseguir trabalhar com algum conforto. Meu trabalho exige que eu enxergue bem.
— A senhora pediu um receita para longe e eu dei! — respondeu ele taxativo e com a voz mais alta.
Comecei a me mexer na cadeira pensando em como intervir.
— Não, eu pedi uma receita para trabalhar — disse Elena.
Eu estava presente na primeira consulta e foi isso mesmo o que ela solicitou. Assenti ao que ela disse.
— A senhora viu que eu fiz testes para perto e longe, não para visão intermediária! — rebateu ele quase aos gritos.
— Eu não conheço o seu trabalho. Não sei quais são os testes. Sempre fui clara, preciso ver bem as partituras. Elas ficam a certa distância. E lhe disse claramente isso — falou Elena com extrema lentidão e sem mudar o tom de voz calmo.
— EU NÃO ME IMPORTO COM O TEU TRABALHO! PRA MIM TANTO FAZ!
O homem estava histérico. Então, levantou e a chamou para novo exame. Começou a fazê-lo ainda agressivo, mas foi se acalmando aos poucos. Eu estava pasmo, mas tratei de ajudar o dotô no novo exame. Eu segurava as letras que a Elena deveria ler na posição onde ficaria uma partitura. Na receita anterior, ele fez questão de escrever no verso, em letras garrafais: RECEITA OK.
Quando uma mulher se comporta assim, costuma-se dizer que é mal comida.
Bem, recebemos a nova receita. A despedida foi quase cordial.
Eu acho que as pessoas estão ficando loucas. Não vou avançar, mas acho que todo mundo entende o que quero dizer.
A Elena saiu de lá dizendo que precisava chorar um pouco. E eu, ainda pasmo, pensei que tenho que ir ao médico preparado para brigar. Como raramente grito e brigar fisicamente eu não sei, talvez devesse apresentar uma faca, algo assim. Ou será que o Boçalnato tem razão e devo andar com arma de fogo? Costumo acompanhá-la nos médicos apenas para poder conversar a respeito depois. É uma atitude de carinho, consideração, etc. Será que vou ter que me transformar em guarda-costas? Nunca antes tinha visto médicos maltratando clientes. Foi uma novidade destes tempos sombrios.
Em 1989, ao assumir a Secretaria Municipal da Cultura, nomeado pelo prefeito Olívio Dutra, o grande Luiz Paulo Pilla Vares (1940-2008) escreveu um texto intitulado “Por uma Política Cultural Democrática”, que sintetizou em oito pontos o programa de sua gestão. Pilla Vares faleceu há dez anos e, talvez possamos dizer que ao morrer cedo, teve a vantagem de não ver a desmontagem da Cultura via Temer, Sartori e Marchezan. A seguir, os oito itens:
1. Responsabilidade do Estado: “Nunca, como nos dias de hoje, o Estado tem tanta responsabilidades para com a cultura. Vivemos numa época trágica, de sistemática destruição não apenas dos aparelhos e equipamentos culturais, mas da própria cultura (…) Procura-se, num país atrasado como o Brasil, deixar a cultura sujeita às leis do mercado, o que, em nossa caso, significa simplesmente negá-la”
2. Financiamento da Cultura: O Estado tem o dever de se portar como um Mecenas Moderno: “Temos necessidade de um pleno renascimento cultural e os órgãos estatais responsáveis devem criar o clima para isso em todas as áreas, das ciências humanas às artes plásticas”.
3. A cultura não é lazer: “Ela é muito mais do que isso: refere-se à condição humana e capacidade do ser humano de pensar sobre ela, isto é, pensar sobre si mesmo. A indústria cultural faz um movimento contrário. Move-se no sentido de neutralizar o pensamento”.
4. Cultura e cidadania: “cultura é um elemento essencial da cidadania. Chega de considerar a cultura como elemento secundário! (…) O desenvolvimento cultural traz consigo conteúdos críticos e reflexivos. Rompe o senso comum e tem incidência na própria política. Desenvolve a imaginação ativa em detrimento da imaginação passiva”.
5. Cultura e política: “Os órgãos do Estado não podem interferir na criação, concepção e posição dos sujeitos em qualquer nível. Pelo contrário, sua função é precisamente a de garantir a livre manifestação em sentido absoluto”.
6. Diálogo com a comunidade: “Nosso objetivo é criar uma política cultural permanente com a intromissão ousada e aberta da própria comunidade, de tal forma que as retrógradas tentativas de desmonte encontrem uma resistência eficaz na sociedade civil”.
7. Cultura erudita e cultura popular: “Existe apenas uma cultura na qual os elementos populares intervêm e proporcionam conteúdo (…) Uma política de descentralização cultural, como a que estamos começando a pôr em prática, pode derrubar o muro abstrato que foi erguido, inclusive com a ajuda de alguns setores da esquerda”.
8. Modernidade: “A cultura contemporânea é incompreensível sem o cinema, o vídeo, a televisão, o rádio, as ciências humanas (entre elas, a psicanálise), a poesia concreta, a fotografia, o teatro de rua, o rock and roll, as histórias em quadrinhos, que se conjugam às grandes criações várias vezes milenares da história da humanidade”.
Em grande parte, esta política foi implantada e contribuiu para que Porto Alegre se consolidasse como um polo cultural importante por muito tempo.
Hoje, estava indo para um compromisso no Centro Histórico e fotografei (abaixo) o que estavam fazendo na Ponte dos Açorianos. Eram 8h40. O tal lago que foi feito em 1970 terá seu chão cimentado. Dizem que a Ponte de Pedra já está pronta e que faltariam “apenas” as calçadas, passeios e bancos do entorno. A Ponte de Pedra foi tombada pelo município no ano de 1979. A história diz que foi construída por escravos em 1848.
Achei incrível o fato de pessoas estarem trabalhando ali. Há anos aquilo ali estava parado, a não ser pela vegetação desenfreada que tomara conta do local. É uma bela praça da cidade, verdadeiro cartão postal de nossa combalida capital.
Procurei saber se há uma nova data para ser entregue ao público. Tudo o que encontrei na rede diz que ficaria pronta e seria entregue em 2016, 2017 ou em fevereiro de 2018. Eram notícias velhas, claro. Os tapumes estão lá.
Acho que o prefeito Marchezan deveria explicar direitinho os repetidos atrasos, apesar de estes virem desde a época de Fortunati. Há justificativa? Haverá cobrança de multa às empresas? Quanto foi investido? Fala-se em 4,6 milhões.
Para saber: em 1825, no governo do Visconde de São Leopoldo, foi construída uma ponte de madeira para travessia do Arroio Dilúvio, na sua foz junto ao Guaíba. Sim, era ali que o Dilúvio iniciava. Depois de repetidos danos e reconstruções, essa precária ponte inicial foi substituída por uma ponte de pedra, entregue à população em 1848.
Nos anos 1970, com as modificações urbanas, foi feito um lago para ambientar a antiga ponte. Esse projeto, em conjunto com o monumento, recebeu a denominação de Largo dos Açorianos, em homenagem aos fundadores de Porto Alegre. Conhecido como Ponte de Pedra, esse importante monumento foi tombado como Patrimônio Cultural da cidade em 1979.
O Bola em Transe dessa semana já está disponível no SoundCloud. Em debate, a presença cada vez maior da tecnologia nas partidas de futebol. Confere o podcast abaixo. Com Débora Nunes, Francisco Éboli, Milton Ribeiro e Moysés Pinto Neto.
Mario Cardoso é um ator de meia-idade que decide montar uma versão do Rei Lear de Shakespeare. Ele faz o papel principal. O que era para ser uma volta por cima acaba se transformando num tiro no pé e a montagem vira um absoluto fracasso. A plateia ronca, os críticos não. Com o malogro artístico da empreitada e os teatros vazios, Mario reage paradoxalmente e começa a ter ataques de riso em momentos dramáticos da peça. O desastre, que é também financeiro, faz com que Cardoso relembre sua carreira: os sucessos no teatro, a fama gerada pela TV, o cansaço da rotina de gravações, a decadência, a aceitação de papéis periféricos, o garoto-propaganda… Paralelamente, sua mãe está com algum tipo de demência e ele é chamado a intervir.
O romance percorre o histórico recente do teatro e das novas formas de entretenimento no Brasil. A forte presença da política nas peças dos anos 60, o Cinema Novo, as pornochanchadas, a TV com suas novelas e séries, etc. O texto relaciona claramente o contexto histórico e a produção artística brasileiros. E, com Mario caminhando à beira do precipício, as situações tornam-se tragicômicas e inusitadas.
Com a imensa experiência teatral de sua família, a autora narra com firmeza a ascensão e queda de Mario. Faz claras referências a emissoras de TV e a figuras reais do mundo artístico, mas creio que Mario viva apenas na imaginação de Fernanda. O tom é coloquial e jocoso, nada indulgente. Fernanda não se apaixona pelo personagem principal, muito pelo contrário, trata-o de mal a pior.
Sabemos que tudo tem um fim, tudo sucumbe a circunstâncias sempre diversas para cada caso. Deste modo, é normal que as crônicas realistas de decadência resultem em boa literatura e que a queda e a ruína exerçam maior sedução sobre as pessoas do que a ascensão e o sucesso. Thomas Mann, Kafka, Tchékhov e a família Romanov não me deixam mentir. As várias formas da degradação sempre interessaram o público leitor e o “caso” de Mario Cardoso — com pitadas de vaidade, sexo, dinheiro, erros e burrice — faz-nos grudar no livro de Fernanda.
O narrador é o próprio Mario, um sujeito bem brasileiro, um individualista que age de acordo com o mercado e que pode saltar fronteiras ideológicas sem grandes problemas. É uma delícia perseguir as referências culturais utilizadas por Fernanda. De forma enviesada, temos lá a Rede Globo, o SBT, a Record e suas novelas evangélicas, além de alguns bem-conhecidos diretores de cinema, teatro e atores.
A Glória também traça paralelos trágicos entre as loucuras do Rei Lear e de Macbeth. O bobo da corte de Lear parecia saber mais do que o Rei, assim como as bruxas de Macbeth. Sabemos que esses personagens shakespeareanos demonstram maior intuição e sabedoria do que os personagens principais das peças. E suas percepções são ignoradas. No livro de Fernanda, o personagem Jackson parece servir de aviso a Mario mostrando-lhe, como Shakespeare escreveu em Troilus e Créssida, que “o orgulhoso se devora a si mesmo”.
O final do romance é surpreendentemente bonito, mas erra feio quem pensar numa redenção. Fernanda não dá chance.
Recomendo.
Fernanda Torres: força narrativa e certo ódio | Divulgação
Foi entre 1981 e 1983. Um dia, tentei telefonar para o CREA-RS, usando o número que tinha na minha cabeça. Não era aquele. Tinha trocado um 77 por um 07. Mas ouvi uma secretária eletrônica responder e me interessei. Dizia algo assim:
— Aqui é do consultório do Dr. Eduardo Pinheiro (só tenho certeza do primeiro nome), médico psiquiatra. Deixe seu recado após o sinal.
Hesitei um pouco, pensei nos meus ídolos do Monty Python, apresentei-me e comecei a contar ali mesmo, segurando o riso, uma série de problemas pelos quais estava passando. Devo ter ligado umas três vezes, pois a ligação era cortada pela secretária após três minutos. Lembro de logo ter me dado conta do potencial cômico daquilo, lembro do notável esforço para não rir, lembro de certa angústia para encontrar o tom correto durante o improviso. Eu desejava alguém que me ouvisse, alguém especializado e a quem não precisasse pagar. Expliquei ao Dr. Eduardo que, mesmo que pagasse pela sessão, ele não falaria mesmo, então eu usaria a secretária, que ainda tinha a vantagem de eu não precisar me deslocar.
Ainda não existia o Bina, então jamais seria descoberto, só se o Dudu — logo fiquei íntimo — me denunciasse à polícia, caso impossível porque psiquiatras são pessoas que não devem se irritar demais.
Nossa, quantas vezes telefonei! Planejava as inserções de 3 minutos com princípio, meio e fim. Ligava uma ou duas vezes por dia, dependendo de minha necessidade. Uma vez, ele interrompeu meu discurso, ouvi sua voz risonha do outro lado. Preferi desligar o telefone como tinha previamente planejado e passei a ligar após às 22h e nos finais de semana. O conteúdo era absolutamente verdadeiro, mas com doses cavalares de exagero. Como nos consultórios. Não escondia meu nome nem o de ninguém; minha persona tinha meu nome e meus amigos tinham os seus. Fantasiava que ele me ouvia, o que podia não ser verdade. Ninguém sabia de nada, só minha namorada na época. Planejei discurso por discurso durante uns dois ou três meses, quando comecei a cansar da coisa. Afinal, eu aspirava à alta.
Então, durante um almoço na casa de meus pais, contei para eles o que estava fazendo. Rimos um monte e pai me pediu o número do Dr. Dudu: desejava dar um testemunho familiar. Perguntou antes minha situação no tratamento e telefonou na nossa frente.
— Dr. Eduardo, sou o pai daquele rapaz que lhe telefona frequentemente para aliviar sua angústia. Há fatos que deveria relatar ao Sr. a fim de que o tratamento tome a direção correta.
E falou e falou. Não lembro bem do conteúdo, só de sua seriedade. Era sobre fatos preocupantes de minha infância, por aí. Ligou duas vezes enquanto nós dávamos gargalhadas. Achei que era um bom final, até porque o Dudu poderia mudar de postura, pensando que éramos membros de uma seita montada especialmente para lhe atazanar a vida. Eu sabia que, para ouvir os recados na tecnologia da época — duas fitas cassete, uma com a voz de Dudum outra com as ligações –, ele tinha que passar por cada um deles in-tei-ri-nho. Mas ele não mudou o número do telefone, prova de que não estava tão incomodado. Porém, no dia seguinte, deixei na secretária eletrônica do Dr. Dudu a informação de que estava curado. Novamente ele não precisava falar para eu saber. Estava livre.
Nunca mais telefonei. Obrigado, Dudu.
P.S. — Importante: não posso indicar o tratamento porque esqueci o número.
Odair, o Inter entrou em campo com o regulamento debaixo do braço e saiu com ele enfiado no c… Sim, este é o blog da tradicional família gaúcha, mas às vezes ultrapassamos a linha do bom gosto. Tu também, Odair.
Foto de abertura do grupo do Facebook @ComuDoInter
Vou ser curto e grosso, tenho que trabalhar. Nosso time tem péssimo toque de bola. Qualquer coisinha e a bola espirra ou passa tranquilamente sob os pés de nossos jogadores, ignorando nossa angústia. Somos nervosos e ruins, Odair. Então, sendo assim, como vamos controlar o adversário apenas tocando a bola e nos defendendo? Vamos é passar todo o tempo nos defendendo, correto? Isso é da mais pura lógica.
Quantos contra-ataques foram desperdiçados? Quantas bolas foram perdidas bobamente, devolvendo a bola para aquelas débeis tentativas do Vitória? Muitas. Até que eles criaram coragem e começaram a perder gols. Até que fizeram um.
Ou seja, nossa abordagem foi totalmente equivocada. Não nos conhecemos. A única forma de jogarmos é com esforço ou, como dizem, com a corda esticada. Retranca? Retenção de bola? Esqueça. Nosso estilo não pode ser o de apenas manter a bola conosco, pois sucumbimos a qualquer marcação. Mesmo a do Vitória.
Para piorar, tu estavas perdendo o jogo e com a quase certeza de ir para os pênaltis. Então, o que fizeste? Tiras D`Alessandro, um gol quase certo, para colocar Camilo. Camilo é bom chutador e fez o dele, mas porque ele não entrou no lugar de outro, de um menos dotado para a tarefa? É só pensar, coisa que se faz pouco no Beira-Rio.
Bem, agora só temos o Brasileiro até o fim do ano. Faltam 42 pontos para não voltarmos para a Segunda Divisão. Acho que é simples, só que nada é simples para quem não usa o cérebro.
Arthur perdeu o emprego em Porto Alegre. Acontece que plantava maconha em sua casa. No início, a produção tinha fins medicinais — ele apenas desejava diminuir as dores da mãe que sofria de câncer no útero. Porém, após a morte dela, Arthur seguiu produzindo para uso pessoal. Um dia, foi denunciado e a polícia chegou fazendo confusão. O fato foi para os jornais e Arthur, professor de História num colégio particular, acabou demitido. Afinal, não ficaria bem para a instituição manter um professor com esta “mácula” no currículo.
Então, em vez de estudar para fazer concursos ou um doutorado, ele procura recomeçar a vida nos EUA, no condado de Mendocino, norte da Califórnia. Esta região é uma das maiores produtoras de maconha nos EUA. O produto, legalizado para uso recreativo em 2016, movimentara um comércio ilegal de 23,3 bilhões de dólares em 2015. Neste mesmo ano, foram apreendidos quase três milhões de pés de maconha na Califórnia.
Tem na Livraria Bamboletras Rua General Lima e Silva, 776 Lj 3 Aberta diariamente das 10 até às 22h. Encomendas pelo tel. 51 3221 8764 ou pelo e-mail [email protected]
Talvez buscando correspondência com o produto-tema do livro, o texto de Bensimon é descansado e envolvente. O livro parece uma série de crônicas que contam uma história interessantíssima. O cruzamento de temas e a riqueza de detalhes resulta em um bem-realizado e ambicioso projeto, que combina ficção, tese e história. A narrativa está organizada entre a vida californiana e porto-alegrense de Arthur. Também há capítulos dedicados a personagens locais — reais e fictícios — que dão sentido à luta política e cultural que marcou a descriminalização.
Carol, indo e vindo temporalmente, vai construindo a complexa teia de informações e influências que formam o panorama da região. O livro é tanto uma história pessoal, como um retrato muito sedutor do que sobrou da geração hippie, assim como uma inteligente defesa da descriminalização da maconha. Também temos belos retratos do segundo grupo de personagens: o velho Dusk, a solitária Sylvia e Tamara, a namorada norte-americana de Arthur.
Mendocino é um local rural, pouco povoado e nada conservador. Também há um curioso conflito de gerações, onde os velhos são pessoas da contracultura dos anos 60 e 70 que buscaram modos de vida alternativos — Orgulhoso de ser tudo o que a direita odeia, diz um adesivo na lataria de um carro –, e que acabam por sugestionar os mais jovens, mesmo que seja apenas para criar um Airbnb numa antiga comunidade hippie.
Com tantos temas disponíveis e tendo feito vasta pesquisa, Bensimon acerta ao utilizar capítulos curtos, às vezes até intercambiáveis, criando uma bonita estrutura rarefeita, brilhante e original retrato da geração hippie e de seu legado.
Para criar O Clube, Carol pesquisou por três anos e viveu seis meses no Condado de Mendocino, onde alugou uma cabana na zona rural. Seus outros livros de ficção são Pó de Parede (Não Editora, 2008), Sinuca embaixo d’água (Companhia das Letras, 2009) e Todos nós adorávamos caubóis (Companhia das Letras, 2013).
Torcer para o Inter é complicado. Ninguém sabe porque Nico López saiu do time após o Gre-Nal para dar lugar a Roger. Então Roger foi para o Corinthians e Rossi entrou no ataque. OK, ele teve boa atuação contra o Vitória, mas e Nico? O uruguaio não é craque, perde gols às pencas, mas faz outros tantos. Num time tão deficiente como o nosso, deveria jogar sempre. É complicado de entender. Dizem que Nico não é muio “apegado” ao Inter. Acho que se trata apenas de um sujeito tímido. Corre e se esforça muito. Reclamam do quê? Dizem que ele é peladeiro e pouco inteligente. Só que é o melhor que temos para jogar ao lado de Pottker.
Nico López sai do banco para marcar. | Foto: Ricardo Duarte
Pois ontem Rossi saiu machucado aos 10 min de jogo. Entrou Nico López, fez dois gols e vencemos por 2 x 0. É claro que isso não soluciona nada. O time jogou mal. Apenas ganhou pela fraqueza do Bahia. Deste modo, cumprimos nosso papel de ganhar dos muito fracos. Creio que não podemos esperar muito mais deste ano. É ganhar dos — teoricamente — times mais fracos. É ganhar de Bahia, Vitória, Sport, Paraná, Ceará, Chape, América-MG, essas coisas. Ou seja, nosso campeonato é ficar na frente desta turma, a nossa.
O Inter não tem boa dinâmica de jogo, é lento e previsível. Além do mais, a teimosia reina há anos no Beira-Rio.
Tenho que retirar minhas criticas a Moledo. Ele esteve muito bem. Já Edenílson… Ah, Patrick foi a melhor contratação do ano.
O Inter volta a jogar na próxima quinta-feira, às 19h15, pela Copa do Brasil. É o jogo de volta contra o Vitória. Vencemos o de ida por 2 x 1 no Beira-Rio, lembram? No Brasileiro, voltamos domingo, às 16h, contra o Palmeiras em São Paulo. A vida vai ficar difícil no Brasileiro. Depois virão Cruzeiro, Flamengo, Grêmio, Corinthians…
É bom começar a semana (e o campeonato, obviamente) com uma baita vitória! Primeira rodada do Brasileirão, e voltamos de Belo Horizonte com três pontos, graças ao grande resultado do Grêmio contra o Cruzeiro, lá no Mineirão. Placar mínimo, mas fora de casa, contra um dos favoritos ao título.
O goleador André | Foto: gremio.net
Claro, preciso ser sincero contigo, Renato: eu não parei para ver o jogo no sábado. Meus pais estavam de aniversário na semana passada (sim, coincidentemente nasceram no mesmo dia, mas em anos diferentes), então juntamos a família lá em Serafina Corrêa, ao lado da tua terra natal, para passar o fim de semana comemorando.
Entretanto, os anseios de torcedor pseudo-cronista me permitiram analisar o jogo pelos melhores momentos. O time mineiro tem um dos melhores elencos do país, mantendo sua base e comissão técnica já pela terceira temporada. Partida longe da Arena, contra um velho algoz nos mata-matas. Somando a toda essa fórmula, uma péssima arbitragem. E ganhamos, Renato!
Por mais que enraiveça ver a falta de critério na expulsão do Kannemann, anima saber que seguramos um grande ataque com um a menos e com Bressan e Paulo Miranda na zaga. E nada melhor para um atacante do que fazer gol na sua estreia com o sagrado manto Tricolor. Torcemos para que André tenha vindo para reviver suas melhores fases de goleador.
Ao fim e ao cabo, largamos bem! Pelo menos até os jogos de hoje à noite, fomos a única equipe a vencer fora de casa. E, como já dito, contra um adversário muito difícil, ainda com as ausências de Geromel e Luan. Do jeito que tem que ser nos pragmáticos pontos corridos: placar suficiente, pontuação garantida, superação sobre os concorrentes. Baita resultado!
Foi um início alentador! Claro, o Brasileirão é longo, neste ano tem a parada da Copa do Mundo (que tende a quebrar o ritmo das equipes que vêm bem, como vimos nas últimas edições), muitas coisas acontecem no decorrer de uma temporada e ainda temos nossas pretensões focadas na Libertadores e na Copa do Brasil. Mas nos permitimos sonhar!
Renato, sejamos francos: a torcida gremista, como tu bem sabes, gostaria de ganhar tudo. O mesmo sentimento deve pairar no vestiário, não tenho dúvidas. Contudo, o campeonato nacional tem sido um assunto recorrente entre nós, nos últimos dias. Seja porque nossa última conquista foi em 96, seja porque foram diversas boas campanhas que nos permitiram almejar esse título nas últimas décadas. Com o futebol consolidado que o Grêmio vem jogando nos últimos dois anos, a expectativa aumenta, como não poderia ser diferente.
E ainda tem, como sempre, a boa e velha mística. O último Brasileirão veio justamente num ano em que também ganhamos a Recopa, posterior às conquistas em sequência da Copa do Brasil e da Libertadores. Curiosamente, naquela mesma temporada fomos campeões gaúchos em cima de um time do interior, com o placar agregado da final em 7×0 (naquela vez contra o Juventude, igualmente por 3×0 fora e 4×0 em casa).
Quando a gente vê que a racionalidade (traduzida nessa possibilidade de ver claramente um grupo forte, consistente e de futebol bem jogado há mais de ano) e a superstição andam juntas, aí a gente se sente imbatível! Tu, como gremista, sabes bem o que é isso, né, Renato?! Não é à toa que somos o Imortal Tricolor!
Que tenha sido o primeiro passo rumo ao Tri! Que possamos continuar buscando o hexa da Copa e o Tetra continental! E que venha o que vier! Seguimos no alento!
O Marquinhos do Tuim até tirou fotos do programa quando passou na TV dele.
Convidado pela TVE logo após a inauguração da Casa da Música da Ospa, acho que fizemos um programa cheio de conteúdo. Coloco abaixo a íntegra do mesmo.