Orquestra Sinfônica da Rádio de Baviera (Munique)
Orquestra Filarmônica de Berlim
Orquestra do Festival de Budapest
Orquestra Hallé (Manchester)
Orquestra do Gewandhaus de Leipzig
Orquestra Sinfônica de Londres
Orquestra Filarmônica de Los Angeles
Orquestra da Academia Nacional de Santa Cecilia (Roma)
Orquestra do Concertgebouw de Amsterdam
Orquestra Filarmônica de Viena
Assisti 4 delas — Berlim, Londres, Concertgebouw — e a de Santa Cecilia este ano em Roma, tocando a 5ª de Mahler e outras cositas. Para quem, como eu, é apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco, nem parentes importantes, está bom.
Orquestra da Academia Nacional de Santa Cecilia | Fonte: Wikipedia
Lançado na França em 1975, A vida pela frente é um romance ácido sobre temas contemporâneos e ainda necessários, como eutanásia e a disputa entre judeus e árabes. Escrito por Romain Gary sob o pseudônimo Émile Ajar, a história de um garoto muçulmano criado por uma senhora judia é um espelho partido da Paris pós-1968.
Vivendo em um prédio sem muitos franceses, rodeado de africanos, Mohammed precisa cuidar de Madame Rosa, a prostituta que o criou junto a outros meninos. Sobrevivente dos campos de concentração, ela tem pavor de ser diagnosticada com câncer. Entretanto, está com uma doença misteriosa que vai lhe deixando cada vez mais prostrada. Mas não é câncer, isso o doutor Katz, preocupadíssimo, garante. Sempre aplicando pequenos golpes e se refugiando nas zonas cinzentas da cidade, que chama de “aquilo ali” como se coubesse na palma da mão, o garoto não gosta de “causar pena nas pessoas”, já que é “um filósofo”, mas ainda assim nos conta suas misérias. E se a linguagem de Ajar/Gary é límpida, o mesmo não pode ser dito sobre as peripécias enfrentadas por seus personagens. Tipos verdadeiramente autênticos, quase saltando diante do leitor, eles parecem lutar para não serem apagados e sucumbir diante do pão que os diabos de todas as religiões amassaram.
É dessa fragilidade social, que transforma todos os homens em bichos e os obriga a se tornarem o que precisam ser, não o que estão destinados a ser, que nasce o nervo principal deste romance singular. Ao conseguirmos, concomitantemente, embarcar nos delírios de Madame Rosa e entender a interpretação absurda que Momo faz da realidade, cumpre-se o objetivo do livro: indagar no que a espécie humana se transformou.
Escrevo esse texto minutos depois de Internacional e Flamengo fazerem o jogo do ano. E faço isso sem olhar as estatísticas. Não importa posse de bola, finalizações, etc. Elas podem até traduzir o que aconteceu no Beira Rio (ou não).
Mas o que importa é a aula de futebol que dois técnicos estrangeiros deram para seus colegas brasileiros.
O VT do empate de 2 a 2 deveria ser aula obrigatória para todos os treinadores nacionais. Se pelo menos um terço de todos os jogos realizados no Brasil fossem como este muito mais gente gostaria de futebol.
E não é por que foi um jogo em que todo mundo atacou. Coudet, com um elenco muito mais modesto, mostrou que é muito mais completo que Jorge Sampaoli. Seu Internacional sabe atacar, e defender (nesse ponto o Atlético-MG é bem fraco).
O espanhol Domènec Torrent mostrou de novo que tem personalidade. Não faz mal que ele herdou a máquina mais azeitada do futebol brasileiro. Seu Flamengo promete ser tão bom quanto o de Jorge Jesus.
Que sonho se todo domingo de futebol brasileiro fosse assim.
.oOo.
Pois é. E a gente reclama das entradas de Pottker, Musto e Moisés… E talvez tenhamos razão, pois são umas nabas. Só que Rodrigo Caetano afirmou ontem, com ar de defunto, que é quase certo que o Inter atrasará os salários de outubro. Nas trocas, tínhamos que colocar Johnny, Leo Borges, Praxedes, Nonato, Peglow… Nunca os coitados que entraram ontem. E mais, hoje não era jogo para D’Alessandro entrar. A partida necessitava de força e nosso velhinho não conseguiu acompanhar.
Bem, quanto mais leio críticas a jogadores do Inter mais valorizo o trabalho de Coudet. Quase no final do 1º turno (18 jogos), ainda somos líderes.
Foi um mesmo um jogão. O time titular do Inter realmente sabe o que faz, mas quando entram os reservas escolhidos por Coudet parece o fim do mundo. Jogamos bem e deveríamos contratar, mas não há como. Os jogos da semana são fora de casa e viáveis de vencer. Resta saber como reduzir os danos de tantos jogos com um grupo tão reduzido.
Importante dizer que — além das habituais boas atuações dos conformados — Heitor, Abel e Marcos Guilherme jogaram muito bem, com destaque para o primeiro.
Sempre às 19h e fora de casa, pegaremos o Atlético-GO e o Corinthians — nunca esqueçamos dos árbitros que amam o Coringão — na quarta e sábado. É semana de jogar fora e de ver como Coudet irá usar o pequeno grupo do qual dispõe. Mas o homem é um baita técnico.
“Fizemos um grande primeiro tempo. Eles tiveram melhor a bola no segundo. Muitas situações pelos dois lados. Com um rival desta hierarquia, necessitava concretizar as chances. É um rival com muito talento, é um timaço. Tivemos que mudar à medida do jogo. Trocamos a estratégia. Repito: não temos a sorte de contar com jogadores das mesmas características de quem inicia. Sabemos nossas limitações, mas que podemos dar um pouco mais. Temos feito um grande torneio. Não é fácil somar 35 pontos. É difícil falar agora. Estamos com a dor de escapar dois pontos no final, mas reconhecer que o Flamengo tem um grande time, com jogadores de muita qualidade. Quando troca, segue entrando jogadores muito bons. Os dois queriam os três pontos“.
Após uma classificação sem brilho, jogando fora bisonhamente a possibilidade de um primeiro lugar e com os entregadores Musto e Cuesta mexendo no placar contra nós, pegamos o Boca Juniors nas oitavas. O sorteio foi horrível para nós e muito bom para o Grêmio. Nossa única chance de chegar às quartas-de-final era o sorteio nos brindar com o Nacional de Montevideo, o equatoriano Delfim ou o Guaraní do Paraguai nas oitavas. Veio o Boca, com o segundo jogo em La Bombonera. O Guaraní foi para o Grêmio. Parabéns, Inter. Parabéns, Coudet. Deu tudo errado.
Musto preparando um contra-ataque, contra nós, certamente | Foto: Ricardo Duarte / SC Internacional
Ou seja, entrar com Pottker e Musto custou-nos muito caro. Caríssimo. E com isso falo sobre valores financeiros e de continuidade na Covidadores 2020. Se tivéssemos ganho o jogo de ontem, estaríamos no confortável lugar do Grêmio. Mas o Inter é assim mesmo: administra suas coisas burramente e mereceu a derrota de ontem para a fraca La U.
Desta forma, vamos sair logo da Covidadores. Espero que possamos dar uma atenção decente ao Covidão 2020 e a Copa do Brasil. E que Pottker vá para o Cruzeiro. Felipão gosta, nós não.
Encontrei este diálogo por aí. É antigo, claro. Nem imagino de quando. Mas foi nos tempos do MSN, que era um ascendente do WhatsApp.
Eu e Milton Saad somos grandes amigos e às vezes tínhamos — digo no passado pois não nos vemos há muito tempo — conversas realmente malucas…
Saad – Apex diz:
MR
M i l t o n R i b e i r o [] diz:
MS
Saad – Apex diz:
hoje à noite, como sempre, sonhei e adivinha só quem era o protagonista?
M i l t o n R i b e i r o [] diz:
eu
Saad – Apex diz:
hehehe
Saad – Apex diz:
sim
M i l t o n R i b e i r o [] diz:
O que fazia? Comia teu cu?
Saad – Apex diz:
não
Saad – Apex diz:
isso seria um pesadelo terrível
Saad – Apex diz:
te tornaste um escritor mundialmente famoso
M i l t o n R i b e i r o [] diz:
Hã?
Saad – Apex diz:
uma celebridade internacional
M i l t o n R i b e i r o [] diz:
que bom, agora só falta a obra
Saad – Apex diz:
estavas em todos os canais
Saad – Apex diz:
e eu dizia, “é meu amigo”
Saad – Apex diz:
eu te ligava, para confirmar, mas tu não atendia
Saad – Apex diz:
ninguém acreditava
M i l t o n R i b e i r o [] diz:
hahahaha Pensando o quê?
M i l t o n R i b e i r o [] diz:
nem te conheço, meu chapa
Saad – Apex diz:
estavas no programa do Jô. Eu liguei, o telefone tocou no ar, tu olhou e desligou o celular, eu disse: “viram, era eu”. Todos, até minha mãe, disseram: “não era nada, foi acaso”.
M i l t o n R i b e i r o [] diz:
muito bom, hein? Que sonho.
Saad – Apex diz:
o meu pai dizia: “Não me lembro se algum dia tu falou sobre o Milton Ribeiro, acho que não!”. Bah, eu ficava furioso!
M i l t o n R i b e i r o [] diz:
Que loucura. E que sacana era eu. Pô, mas eu te ligaria depois do Jô!
Saad – Apex diz:
pois é, sei lá. Liguei várias vezes, tu não retornava, porra
Saad – Apex diz:
tem que retornar
Saad – Apex diz:
é foda mesmo
M i l t o n R i b e i r o [] diz:
Fiquei famoso, sacumé. Devia estar ocupado com a Maria Fernanda Cândido, quem sabe.
Ela vai com sua mãe e o irmão para uma realidade paralela. À princípio, ficam deslumbrados com a perfeição e beleza daquele mundo; mas logo notam que tudo ali é falso. O leite é de tinta, as bolachas são de borracha, o telefone é caramelado e comestível. Logo ficam entediados e querem sair.
Só que é complicado. É necessário entrar por um buraco, dar uma cambalhota, entrar por um segundo buraco para afinal cair na cartola que os levará ao mundo real. Eles decidem ir e o irmão gentilmente dá-lhe a chance de ir na frente. Ela vai; porém, no segundo buraco, depois que a cabeça e o tronco já passaram, ela é presa pelas pernas. O buraco fecha mais e mais. Dói. Ela acorda.
Sonho 2
Ela está numa competição de hipismo e dirige-se a um obstáculo. O cavalo salta e, quando cai do outro lado, não há chão. Eles caem longamente e, não suportando mais a angústia, ela solta-se do animal. Então ela vê o chão aproximar-se. Acorda.
A gravura acima chama-se singelamente Guitar Lesson (1934) e causou certo escândalo ao mostrar uma púbere sendo molestada sexualmente por sua professora. A produção de Balthasar Klossowski de Rola, Balthus, não era nada bissexta, era antes copiosa, cheia de meninas em poses lânguidas. Porém, não se enganem, foi um imenso pintor.
No último domingo, vencemos o Vasco por 2 x 0. Vencemos um time que não ganhava há sete rodadas e que nem tinha treinador efetivado. Vencemos podendo assumir a liderança e estreávamos um novo uniforme. Foi deste modo que Coudet rasgou o Estatuto do clube. E, vajem bem, somos líderes jogando com as nabas Rodinei, Uendel, Lindoso e Marcos Guilherme. Uma coisa de louco, considerando-se nosso histórico.
“Não faço intencionalmente, é minha maneira de sentir o futebol, fazer parte do grupo, tirar o melhor de cada jogador. Infelizmente, eles (jogadores) têm que me aguentar, como aguentaram os outros grupos que dirigi. Sou intenso, insuportável, mas quero o melhor para eles”, disse Coudet na coletiva pós-jogo.
Galhardo parece não saber errar pênaltis | Foto: Ricardo Duarte / SC Internacional
Fizemos um belo primeiro tempo, abrimos 2 x 0 e tivemos um segundo tempo “de Minelli” — só para garantir o resultado, mas sem dar chances ao adversário. Não apertamos o ritmo pensando no jogo de quinta-feira, quando precisamos de um empate para nos classificarmos na segunda colocação do Grupo E da Libertadores. O adversário é a Universidade Católica, em Santiago do Chile. E domingo teremos o jogo contra o vice-líder e favorito para levar o Covidão 2020, o atual campeão Flamengo. Não vai ser fácil.
Mas estamos bem e alcançamos tudo isso tendo o fraquíssimo Marcelo Medeiros na presidência e um departamento de futebol desestruturado pela recente saída do diretor Alessandro Barcellos.
Tomara que os candidatos à presidência do clube — haverá eleições em dezembro — tenham a lucidez de dar continuidade ao trabalho do Coudet.
Aliás, teremos dez dias agitados pela frente.
Na quinta-feira, como disse, definiremos a classificação à próxima fase da Libertadores contra o já eliminado Universidad. A vaga está praticamente garantida. O desastre teria que passar por derrota no Chile, combinada com uma goleada do América sobre o Grêmio em Canoas. Sempre esperamos o pior do tricolor e raramente nos decepcionamos.
Na volta, o time nem terá tempo de treinar. Enfrentaremos o Flamengo em um confronto que vale a liderança do Brasileirão.
Para completar, passados os dias de Libertadores e Brasileirão, o Inter tem um terceiro campeonato. Vai na quarta-feira seguinte a Goiânia para o início dos jogos em mata-mata contra o Atlético Goianiense, pelas oitavas da Copa do Brasil. É jogo para seguir seguir sonhando e mais: há uma cota generosa envolvida. Pensem na crise…
Há um capítulo muito famoso, mais exatamente o oitavo, no Doutor Fausto de Thomas Mann, em que o imaginário professor Kretzschmar dá uma aula sobre o tema “Porque Beethoven não escreveu o terceiro movimento da Sonata Op. 111“.
Talvez não haja verdades absolutas sobre algo tão aberto, criado numa arte que é intangível ar sonoro, mas o resultado é que, relendo o espetacular capítulo, resolvi pensar um pouco sobre uma questão que, se é significativa no romance de Mann, é apenas curiosa fora dele. Houve um corajoso Schindler (jornalista ou músico) que perguntou a Beethoven sobre a razão da inexistência do terceiro movimento. A resposta do compositor foi típica de seu mau humor: “Não tive tempo de escrever um!”. Mann explorou habilmente a história e só quem leu o Dr. Fausto sabe da profunda impressão que a aula de Kretzschmar causou a Adrian Leverkühn, o personagem principal do livro.
Pois o incrível é que li que havia a intenção de um terceiro movimento para esta sonata e que Beethoven parece ter desistido dele. Inclusive no manuscrito onde está o primeiro movimento há uma anotação: segundo movimento – Arietta; terceiro movimento – Presto. Também não encontrei referências de que a Arietta (segundo movimento) fosse algum tipo de adeus, conforme disse o Kretzschmar de Mann. Claro que a invenção dessa despedida foi uma das muitas liberdades poéticas tomadas pelo ultra entusiasmado professor. Está bem, foi a última sonata para piano de Beethoven, porém ao Op. 111 seguiram-se obras até o Op. 137 e dentre estas há todos os últimos quartetos, a Nona Sinfonia (Op. 125), as Variações Diabelli (Op.120) , as Bagatelas (Op. 126), a Missa Solemnis (Op. 123), etc. Ou seja, quando Beethoven escreveu o Op. 111, ele era um compositor em plena atividade e com vários projetos diferentes a desenvolver, não obstante a doença.
Porém, o mais interessante é tentar explicar porque esta obra provoca tanto e a tantas pessoas. A linguagem altamente abstrata que Beethoven alcançou em suas últimas obras nos perturba tanto aqui como nos últimos quartetos. A imaginação de quem criou a Arietta é arrebatadora. O professor Kretzschmar tem toda a razão ao proclamar que tudo aquilo vem de um simples dim-dada, ou seja, de três notas que não despertariam a atenção de nenhum artista comum, e é sobre este quase nada que Beethoven cria uma imensa construção, onde há lugar para a delicadeza, a simplicidade, o sublime e até para a explosão de uma desenfreada dança semelhante ao jazz que os negros inventariam 100 anos depois. Ele sempre foi dado à utilização de temas curtos e afirmativos, mas convenhamos, aquele dim-dada está mais para um balbucio de criança… Não seria isto o que nos surpreende tanto? A música se inicia como um balbucio, depois cresce mui modernamente, quase que por livre associação e depois retorna ao início. Será esta a despedida a que Kretzschmar se refere? Nascimento, vida e morte?
Não reli a aula de Kretzschmar antes de escrever este post. Fazendo rápida e severa autoanálise penso que talvez tenha entrado neste assunto apenas como pretexto para pensar em músicas que não são somente belas, mas demonstrativas de inteligência e engenhosidade. Outras do mesmo gênero seriam os quartetos de Béla Bártok, alguns dos últimos quartetos de Beethoven (principalmente o Op. 132), as Variações Goldberg, a Oferenda Musical de J.S. Bach e outras raríssimas. Não sei se me faço entender, mas acredito que o espírito mozartiano — que adentra muito no campo emocional — não poderia entrar aqui. São obras por demais cerebrais. São as minhas preferidas.
A Elena diz que é uma artesã cansada, que não busca ouvir novas músicas, só as do trabalho. Só que ela casou com PQP Bach e o cara está sempre ouvindo coisas novas.
Hoje, preparei tudo direitinho. Quando ela chegou em casa, coloquei uma gravação das Sinfonias Nros. 38 e 41 de Mozart que sabia ser espetacular, mas não sabia por quê. É isso, eu sei quando é bom, sei que tenho sensibilidade, mas nem imagino os motivos de minhas admirações. E então ela me explica o que tem lá de diferente.
E ela ouviu, pediu pra repetir, ELOGIOU MUITO, destacou e detalhou o último movimento da Júpiter, com suas respirações diferentes, as puxadas de freio do maestro, as variações no andamento, etc.
Quando acabou, eu tirei o CD e coloquei um vinil com um contratenor cantando Purcell. Ela me olhou com estranheza. O que teria a ver? Será que a pequena cirurgia que fiz hoje teria afetado meu cérebro?
Expliquei que o contratenor que cantara Purcell nos anos 70 era o regente do Mozart de agora — um cara que se especializara na regência de óperas barrocas e clássicas.
E vieram considerações e pedidos para que eu ficasse mais tempo em casa. Passamos um bom dia. Eu com alguma dor pelo dente que morreu, mas com o resto ainda bem vivo.
Gravações citadas:
— W. A. Mozart (1756-1791): Sinfonias Nº 38 e 41
Freiburger Barockorchester
Reg.: René Jacobs
— Henry Purcell (1659-1695): “Tis Nature Voice” and other songs and elegies
Contratenor: René Jacobs
Nesta semana, quando a Amazon realizou o seu “Prime Day”, campanha de altos descontos para os clientes que pagam pelo serviço de fidelidade da gigante de Seattle, seis livrarias independentes nos EUA surgiram vestidas para a guerra como parte da campanha #BoxedOut, encabeçada pela American Booksellers Association (ABA).
As vitrines das livrarias foram adesivadas com dizeres como “Books curated by real people not a creepy algorithm” (“Livros curados por pessoas reais e não por algoritmos assustadores”); “Buy books from people who want to sell books, not colonize the moon” (“Compre livros de pessoas que querem vender livros, não colonizar a lua”) ou, indo mais direto ao ponto, “Amazon, please, leave the dystopia to Orwell” (Amazon, por favor, deixe a distopia para Orwell”).
Em comunicado, Allisson K Hill, CEO da ABA, disse que as pessoas podem não entender os custos e as consequências das conveniências da Amazon, mas “Mais de uma livraria independente foi fechada por semana desde o início da crise provocada pela pandemia do covid-19, ao mesmo tempo, um relatório prevê que a Amazon vai gerar US$ 10 bilhões em receitas durante o ‘Prime Day’”. “Ligando os pontos, está claro que essa ‘conveniência’ tem um custo e uma consequência. O fechamento de livrarias independentes representa perda de empregos, de impostos locais e de oportunidades para que leitores descubram livros e se conectem com outros leitores”, completou.
As seis livrarias que serviram de piloto da campanha estão localizadas em Washington, Nova York e Los Angeles, mas a ideia é que mais associados usem as peças publicitárias em suas lojas e redes sociais.
Hoje é Dia do Professor. Sei que é a mais importante das profissões e um dos ofícios mais mal pagos e desconsiderados de nosso país.
Este dia me afeta, fico sempre triste nos dias 15 de outubro. Sim, porque quase todo mundo que tem meu grau de escolaridade tem um professor universitário para homenagear e eu não. Nenhum ficou como modelo. A maioria ficava entre o insuportável e o indiferente.
Os meus grandes professores foram três do Ensino Médio — do Colégio Júlio de Castilhos — e vou tratar de lembrá-los, pois tenho boas lembranças deles, além de gratidão.
1. Moacyr Flores (que ainda anda por aí, ativo aos 85 anos): esse cara não ensinava apenas história como mostrava a formação das versões e dos mitos históricos. Foi um professor genial. Falava rindo, sempre com uma ironia que jamais atingia seus alunos. Quase 50 anos depois, ainda lembro de algumas aulas.
2. Sara: eu tinha 15 anos e só estudava, jogava futebol e me masturbava. A Sarinha enfiou a literatura de forma definitiva na minha cabeça. Ela indicava um livro para cada aluno, com frequência diferentes para cada um. A minha frequência era um livro por semana. Depois, ela comentava as obras com cada um.
3. Serjão: esse era sósia do Muhammad Ali. Fui primeiramente para as exatas por causa dele. Era o melhor professor de Física do mundo. No dia das provas, ele chegava de óculos escuros e sentava imóvel com seu corpanzil na mesa do professor. Ninguém sabia para onde ele olhava, ninguém colava.
Esses são os meus ídolos. Eles vêm lá de longe, da primeira metade dos anos 70.
Compartilhamos o curto e claro manifesto com o qual acadêmicos holandeses propõem uma mudança do paradigma econômico mundial depois da crise da pandemia.
A nota é publicada por El Clarín, Chile, 27-04-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.
Aparentemente a Holanda é o país que com mais força está tomando o desafio de reestruturar sua economia a partir do que nos vivemos no presente. Nesse contexto, 170 acadêmicos holandeses escreveram um manifesto em cinco pontos para a mudança econômica pós-crise da covid-19, baseado nos princípios do decrescimento:
1. Passar de uma economia focada no crescimento do PIB, a diferenciar entre setores que podem crescer e requerem investimentos (setores públicos críticos, energias limpas, educação, saúde) e setores que devem decrescer radicalmente (petróleo, gás, mineração, publicidade, etc.).
2. Construir uma estrutura econômica baseada na redistribuição. Que estabelece uma renda básica universal, um sistema universal de serviços públicos, um forte imposto sobre a renda, ao lucro e à riqueza, horários de trabalho reduzidos e trabalhos compartilhados, e que reconhece os trabalhos de cuidado.
3. Transformar a agricultura em um sistema regenerativo. Baseado na conservação da biodiversidade, sustentável e baseada em produção local e vegetariana, ademais de condições de emprego e salário justas.
4. Reduzir o consumo e as viagens. Com uma drástica mudança de viagens luxuosas e de consumo desenfreado, a um consumo e viagens básicas, necessárias, sustentáveis e satisfatórios.
5. Cancelamento da dívida. Especialmente de trabalhadores e donos de pequenos negócios, assim como de países do Sul Global (tanto a dívida a países como a instituições financeiras internacionais).
O jogo de ontem do Inter foi um sufoco. Saímos de um primeiro tempo fácil a um dramalhão no final. O fraco Athlético-PR nos deu a maior pressão no fim. Teve travessão e milagres.
Parabéns ao Lomba, nosso goleiro, que garantiu a vitória à base de grandes defesas nos descontos e antes. Parabéns ao Heitor, que está mostrando futebol para substituir Saravia e para impedir que Rodinei nos torture em campo. Espero que a lesão que o tirou do time no intervalo não seja grave. E parabéns ao ultra efetivo Thiago Galhardo.
Entramos com os poucos jogadores que tínhamos disponíveis e, quando fomos obrigamos a mexer, vejam só, Coudet chamou do banco o pior jogador da América Latina, William Pottker. Mas quais eram as alternativas?
Com Peglow, Johnny, Nonato, Edenílson e Dourado fora de jogo, quem poderia entrar?
Inacreditavelmente, vencemos um jogo que terminamos com Rodinei, Moisés, Lindoso, Musto, Pottker e Marcos Guilherme em campo. 6 indiscutíveis nabas!
Faltam dois aí.
Musto é um capítulo à parte. Além dos cartões, errou todas ontem. Na primeira participação, fez falta na entrada da área… Coudet poderia ter colocado Zé Gabriel mais à frente e colocado Moledo, não? Mas Musto é, inexplicavelmente, bruxo do homem.
Já Yuri voltou a mostrar qualidades. Ele e Peglow poderiam deixar Pottker mais longe das quatro linhas, não?
O próximo jogo é na quarta-feira, às 21h30min, na Ilha do Retiro, contra o Sport.
Apenas para controle, deixo aqui a escalação do Inter de ontem: Lomba, Heitor (Rodinei), Zé Gabriel, Cuesta e Moisés: Lindoso, Praxedes (Musto), Marcos Guilherme e Patrick (Yuri Alberto); Thiago Galhardo (Pottker) e Abel Hernández (D’Alessandro).
O Inter é terceiro por aproveitamento no Covidão 2020 e o Grêmio de Renato, o qual prometia estar entre os primeiros colocados na 15ª rodada, está em 12º pelo mesmo critério. Lembram de sua declaração após a 5ª rodada?
Renato: o bolsomínion bom de previsão…
Muita gente fala mal do Coudet e tem saudades do Odair, mas…
Inter 2019 vs Inter 2020
15 rodadas de Brasileirão:
(2019 – 2020)
Aproveitamento: 53.3% – 62.2%
Gols pró: 17 – 21
Gols sofridos: 12 – 10
Chances de gol criadas: 19 – 29
Conversão de chances: 42% – 52%
Chutes p/ marcar: 9,0 – 5,7
Chutes sofridos: 137 – 101
Chances de gol cedidas: 23 – 13
Pedro Paulo Pereira Pinto, pequeno pintor português, pintava portas, paredes, portais. Porém, pediu para parar porque preferiu pintar panfletos. Partindo para Piracicaba, pintou prateleiras para poder progredir. Posteriormente, partiu para Pirapora. Pernoitando, prosseguiu para Paranavaí, pois pretendia praticar pinturas para pessoas pobres. Porém, pouco praticou, porque Padre Paulo pediu para pintar panelas, porém posteriormente pintou pratos para poder pagar promessas.
Pálido, porém perseverante, preferiu partir para Portugal para pedir permissão para papai para permanecer praticando pinturas, preferindo, portanto, Paris. Partindo para Paris, passou pelos Pirineus, pois pretendia pintá-los. Pareciam plácidos, porém, pesaroso, percebeu penhascos pedregosos, preferindo pintá-los parcialmente, pois perigosas pedras pareciam precipitar-se principalmente pelo Pico, porque pastores passavam pelas picadas para pedirem pousada, provocando provavelmente pequenas perfurações, pois, pelo passo percorriam, permanentemente, possantes potrancas. Pisando Paris, pediu permissão para pintar palácios pomposos, procurando pontos pitorescos, pois, para pintar pobreza, precisaria percorrer pontos perigosos, pestilentos, perniciosos, preferindo Pedro Paulo precaver-se. Profundas privações passou Pedro Paulo. Pensava poder prosseguir pintando, porém, pretas previsões passavam pelo pensamento, provocando profundos pesares, principalmente por pretender partir prontamente para Portugal. Povo previdente! Pensava Pedro Paulo… “Preciso partir para Portugal porque pedem para prestigiar patrícios, pintando principais portos portugueses”.
Passando pela principal praça parisiense, partindo para Portugal, pediu para pintar pequenos pássaros pretos. Pintou, prostrou perante políticos, populares, pobres, pedintes. – “Paris! Paris!” Proferiu Pedro Paulo. -“Parto, porém penso pintá-la permanentemente, pois pretendo progredir”.
Pisando Portugal, Pedro Paulo procurou pelos pais, porém, Papai Procópio partira para Província. Pedindo provisões, partiu prontamente, pois precisava pedir permissão para Papai Procópio para prosseguir praticando pinturas. Profundamente pálido, perfez percurso percorrido pelo pai. Pedindo permissão, penetrou pelo portão principal. Porém, Papai Procópio puxando-o pelo pescoço proferiu: -Pediste permissão para praticar pintura, porém, praticando, pintas pior. Primo Pinduca pintou perfeitamente prima Petúnia. Porque pintas porcarias? -Papai, proferiu Pedro Paulo, pinto porque permitiste, porém preferindo, poderei procurar profissão própria para poder provar perseverança, pois pretendo permanecer por Portugal. Pegando Pedro Paulo pelo pulso, penetrou pelo patamar, procurando pelos pertences, partiu prontamente, pois pretendia pôr Pedro Paulo para praticar profissão perfeita: pedreiro! Passando pela ponte precisaram pescar para poderem prosseguir peregrinando. Primeiro, pegaram peixes pequenos, porém, passando pouco prazo, pegaram pacus, piaparas, pirarucus. Partindo pela picada próxima, pois pretendiam pernoitar pertinho, para procurar primo Péricles primeiro.
…e achei quase tudo muito ruim. Vamos começar pelos piores.
O tal Gustavo do PP ficou chorando por ter sido “traído pelo Marchezan”. Será que ele acha que ter recebido cornos políticos o credencia a algo?
Maroni apareceu com um olhar meio louco, segurando um cachorro e procurando seu texto com ar desesperado. O teleprompter estava embaixo, à direita. Mas ele disse no máximo duas frases. Não podia ter decorado? Pensando bem, o Maroni é quem está abaixo e à direita.
Juliana Brizola sentou-se numa escrivaninha e escreveu uma cartinha para seus eleitores. Tudo muito fófis e anos 50. Ela deve adorar a série This is Us.
Marchezan explicou que agora conhece a prefeitura e que, reeleito, fará muito mais. A mim, pareceu uma ameaça.
João Derly estava todo sorridente, bem perdido, com o ar de quem pede desculpas e que não sabe bem o que está fazendo ali.
Melo apostou na breguice, além de dizer que vai acordar cedo e dormir tarde todos os dias. Vai trabalhar como um louco. Eu lembro de que ele fez capotar uma caminhonete numa via secundária de Porto Alegre. Alegou estar a 40 Km/h. Mas capotou. Deve ser louco mesmo.
Minha candidata Fernanda pareceu estar bem indignada. Acho que poucos apreciam gente indignada surgindo na tela. A menos que seja o vilão. Ela não é o vilão.
As melhores propagandas foram a da Manuela e a do perigoso Fortunati. Aquele ar de tiozão religioso faz o maior sucesso. Uma desgraça.
Curioso é que muita gente apareceu passeando na orla. É o novo símbolo de Porto Alegre e é… Obra do Fortunati, não?
Tostão falou no rádio que se encantou com o inicio do trabalho de Coudet, mas que logo viu que ele não teria um grupo grande e de qualidade suficiente para manter o que pensa e que, portanto, o Inter, por pobreza de jogadores, não lutaria por NADA. É exatamente o que penso.
Hoje, temos 25 pontos. Poderiam ser 29, caso não fossem os dois erros incríveis de Moisés e Rodinei ao final de 2 jogos ganhos. É difícil contestar o trabalho de um treinador que está em segundo lugar no Brasileiro comandando um time com as carências apontadas por Tostão. Soma-se a isto a confusão administrativa — dívidas de 1 bilhão — e política, adubadas pelo presidente Marcelo Medeiros e por seu ex-vice Roberto Melo.
Ontem, chegamos aos 25 pontos em 14 jogos. Normalmente, este aproveitamento não seria de um segundo colocado, mas o perde-ganha, a troca de pontos é tão grande no Covidão 2020 que nossos 59,9% bastam para o segundo lugar isolado. Só que todo mundo está muito junto e qualquer escorregadela faz com que um time perca sua posição — assim como quaisquer duas vitórias fazem um time subir como um balão.
A vitória de ontem contra o fraco Bragantino é o terceiro triunfo fora de casa no campeonato. Isso era raro nos tempos do Odair… Além de ser uma quebra em nosso estilo solidário de perder para os times do Z-4.
E vamos aos trancos, de qualquer jeito.
Thiago Galhardo agradece o cruzamento de Heitor que, esperamos, deixe-nos livres de Rodinei | Foto: Ricardo Duarte
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O Alexandre Perin (@a_esportivo) publicou no twitter uma boa análise de nosso grupo. Leiam a lista com o terrível cenário de endividamento do clube ao fundo.
FAIXAS SALARIAIS NO INTER
BLOCO 1: Natanael, Dudu, Moisés, Musto, Leandro Fernandez, Danilo, Lomba, Rodinei, Lindoso, Patrick, Galhardo, Marcos Guilherme, Yuri Alberto e Lucas Ribeiro custam mais de 200k.
BLOCO 2: Uendel, Saravia, Cuesta, Moledo, Boschilia, Zeca, Valdívia, Dourado, Pottker ganham mais de 300k
BLOCO 3: Edenilson, Abel, D’Ale, Guerrero ganham mais de 400k.
Na minha visão, o bloco 3 deveria ser fortalecido, com metade dos jogadores com potencial de revenda e erro mínimo.
Bloco 2 deveria ser de atletas no auge de idade e primor técnico.
Bloco 1 deveria ser reduzido drasticamente com o uso da base, reduzindo investimentos.
Assim tb se visualiza discrepâncias como jogadores da mesma posição ganhando salários altos (e só podendo um atleta jogar por vez, como gol, lateral, primeiro volante, centroavante, etc.).
Em resumo é gastar mais com diferenciais técnicos e menos com jogadores que tem igual na base ou se consegue mais barato garimpando corretamente.
Mais Saravias e menos Natanaeis…
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Sequência do Inter:
08/10 – Bragantino 0 x 2 Inter
11/10 – Inter x Athletico
14/10 – Sport Recife x Inter
18/10 – Inter x Vasco da Gama
22/10 – Universidad Católica x Inter (Libertadores)
25/10 – Inter x Flamengo
28/10 – Atlético-GO x Inter (Copa do Brasil)
31/10 – Corinthians x Inter