Por que esperei tanto para ler Jane Austen?

Por que esperei tanto para ler Jane Austen?

Por Joshua Raff
Tradução mal feita por mim

Cheguei tarde a Jane Austen. Como velho e fiel leitor vitalício, não tenho uma explicação simples para essa omissão, mas quando minha família decidiu ler Orgulho e Preconceito como um projeto de leitura familiar logo após a pandemia nos forçar ao isolamento, aproveitei a chance de preencher esta lacuna na minha alfabetização.

Depois que encontrei meu equilíbrio em sua linguagem, fiquei viciado. Deixei de lado os outros livros que estava lendo e me dediquei a Jane. Segui Orgulho e Preconceito com Emma e depois Persuasão em rápida sucessão. Cada um tem ótima narrativa, com o peso adicional de comentários sociais nítidos em uma linguagem que é elegante, intrincada e reconfortante ao mesmo tempo, uma combinação que parecia faltar nos outros livros que eu tinha lido durante o pandemia. E, como pai de duas filhas, senti um tipo especial de admiração pelas jovens heroínas de Austen, que parecem ter sua idade e serem modernas ao mesmo tempo. Particularmente Elizabeth Bennet em Orgulho e Preconceito, que se encaixa mas não se encaixa, que lê, que observa com algum humor as pessoas ao seu redor e o mundo em que habitam. E que, em uma das cenas favoritas de todos, enfrenta a imperiosa Lady Catherine de Bourgh, de uma forma que as heroínas ainda mais modernas teriam orgulho de imitar.

Por que levei tanto tempo para ler Austen? Foi o preconceito masculino da minha educação? Eu comprei a percepção dela como muito feminina… E o que há em seus romances que oferece fuga e consolo para esses tempos estressantes?

Jane Austen

Antes de começar minha busca por Jane, eu sabia ainda menos sobre Austen e sua vida do que sobre seus livros. E eu não apreciava sua base de fãs obsessiva. Testemunhe as legiões de leitores de todas as idades, todas tomadas por histórias ambientadas quase inteiramente no mundo estultificante e aparentemente estreito das classes superiores da Inglaterra da Regência. Ela é popular no Japão, por exemplo, onde existem até versões em mangá de seus livros, de acordo com a estudiosa de Austen, Catherine Golden. Além de sua base de fãs japoneses, suas histórias foram transferidas para a Índia (Noiva e Preconceito) e para a Los Angeles contemporânea (Clueless, um favorito da família), para mencionar apenas alguns. Seus livros foram até mesmo reformulados como histórias de vampiros e zumbis. Existem Sociedades Jane Austen em todo o mundo celebrando todas as coisas relacionadas a Jane.

As mulheres parecem constituir os principais leitores de Austen. As aulas de Catherine Golden em Austen no Skidmore College, onde ela detém a Tisch Chair in Arts and Letters, são predominantemente ocupadas por mulheres. Estou supondo que o mesmo se aplica a muitas outras faculdades e universidades. “Os fás são tipicamente mulheres e principalmente bebem chá”, Jeanne Kiefer conclui na pesquisa mais recente de Jane Austen (Anatomy of a Janeite: Results from The Jane Austen Survey 2008). Existe uma conexão? Estou muito feliz por finalmente ler Austen, mas você não pode me fazer beber chá.

Os homens que encontram Austen tendem a fazê-lo mais tarde na vida do que as leitoras, de acordo com Kiefer. Isso certamente é verdade para mim. Mas a resistência do leitor masculino a Austen parece ser um fenômeno relativamente recente. O professor Golden me disse que até meados do século 20, os homens eram grandes leitores de Austen. E os romances de Austen foram até enviados para soldados britânicos no front em ambas as Guerras Mundiais, em edições feitas especialmente para caber no bolso de seus uniformes.

Os leitores veem em Austen “mulheres jovens bonitas, casas grandes e dramas recatados em salas de estar…”, de acordo com Helena Kelly. Essa é a versão de Austen apresentada em muitas adaptações para cinema e televisão de seus romances, com as bordas de Austen suavizadas. Mas se é assim que conhecemos Austen, Kelly diz: “Sabemos errado”.

Enquanto os romances de Austen acontecem em “espaços feminizados”, nas palavras do escritor e crítico literário William Deresiewicz, Jane é frequentemente caracterizada como “um expoente de grande paixão”. É possível que eu tenha colocado Austen em uma caixa reservada para escritoras particularmente femininas, embora eu leia pelo menos tantos romances de escritoras quanto de homens. É a própria existência de tal caixa (se é que existe uma) evidência de misoginia inconsciente?

Ao contrário das leitoras mulheres, que foram forçadas a se identificar com personagens masculinos durante anos, os homens não tiveram que encontrar coisas em comum com personagens femininas e simplesmente não são bons nisso, diz Deresiewicz. Seu livro, A Jane Austen Education, descreve sua transformação tanto como homem quanto como pessoa, uma vez que ele rompeu essa barreira. Por mais que me deliciasse com o trabalho de Austen, não posso dizer que passei por tal transformação ou, se passei, não percebi, nem minha família ou meus companheiros de zoom. Nunca é tarde demais, suponho.

Pode ser que “homens que lêem”, leitoras de Jane em potencial, sejam afastados pelo tratamento às vezes brutal de Austen para seus personagens masculinos. Eu, pelo menos, fico mais envergonhado, às vezes chocado, com os homens frequentemente vaidosos, insípidos, arrogantes e mesquinhos que povoam os livros de Austen, personagens como Sir Walter Elliot em Persuasão ou o Sr. Collins em Orgulho e Preconceito. Mas Austen não poupa ninguém e há muitas personagens femininas que também se enquadram nessa descrição. E, por necessidade, existem alguns bons homens, muitas vezes pares para as heroínas, uma vez que os livros terminam em casamentos tradicionais. Mas a descrição de Sir Walter que abre Persuasion foi quase o suficiente para eu abandonar totalmente o livro. Obcecado por posição social, seu lugar na sociedade, e impossivelmente vaidoso, “Ele [Sir Walter] considerava a bênção da beleza inferior apenas à bênção de um baronete; e o Sir Walter Elliot, que uniu esses dons, foi o objeto constante de seu mais caloroso respeito e devoção.” E essa é uma das descrições mais brandas de Austen desse homem ridículo. Superei meu desconforto para continuar lendo e estou muito feliz por ter feito isso.

Os poderes curativos ou calmantes da escrita de Austen foram reconhecidos há muito tempo, de acordo com o professor Golden. Não só os soldados britânicos no front receberam cópias de Austen, mas também os soldados em processo de reabilitação. Rudyard Kipling, um grande admirador da obra de Austen, até escreveu uma história sobre um grupo de soldados lendo Austen (The Janeites, publicado em 1924).

O que torna Austen tão atraente em tempos como estes, tempos de isolamento e estresse? É, pelo menos em parte, uma fuga para um mundo, por mais fechado e protegido que possa ter sido, no qual as principais preocupações parecem ser bailes, chás e casamentos, sugere Golden. Mundos ordenados e estáveis, como William Deresiewicz os descreve, ambientados em ambientes rurais e domésticos. E para aqueles soldados nas trincheiras, uma imagem de casa, uma Inglaterra idealizada. Um dos soldados na história de Kipling descreve os romances de Austen: “Eles não eram aventureiros, nem obscenos, nem o que você chamaria de interessantes, mas parece que em tempos particularmente estressantes, a fuga ideal deve ter peso suficiente para enfrentar a crise. Jane tem esse peso.

Seus romances são mais do que boas histórias, mesmo para o leitor casual. Seus comentários cáusticos sobre classes sociais e alguns outros males de seu tempo transcende o mero escapismo e torna seus livros uma diversão digna em dias difíceis. O comentário de Austen sobre o papel e a situação das mulheres, mesmo das mulheres privilegiadas, é tão relevante hoje quanto era há duzentos anos. O que eu suponho que seja triste por si só. Seus insights sobre as emoções humanas, “discurso livre e direto”, de acordo com o professor Golden, nos levam diretamente para a mente de seus personagens e fornecem um imediatismo que fala aos leitores hoje, prova de que a natureza humana e a emoção não mudaram tanto desde a época de Austen.

A linguagem de Austen costuma ser mordaz, mas também é um alívio da alta vulgaridade de hoje. Talvez pareça antiquado, mas há paz a ser encontrada ali, no ritmo, na contenção, na poesia e na elegância que é produto de outra época, inteiramente. E, claro, há o gênio de Austen. Austen retrata uma sociedade altamente regulamentada, seus personagens limitados por uma intrincada teia de regras. Eu não gostaria de viver naquela época, mas como ficção é um contraponto bem-vindo ao caos que parece nos cercar hoje. Existe uma polidez ou etiqueta que é sufocante e atraente, exigindo que seus personagens permaneçam no controle de seu comportamento, não importa o quão turbulento seja seu tumulto interno. Os vilões de Austen violam essas normas sociais aceitas de forma grosseira, enquanto as heroínas (e alguns heróis) se perdem em pequenos caminhos que se avultam no mundo estreito em que seus personagens vivem. E em um estranho paralelo com nossas vidas circunscritas durante a pandemia, o mundo de Austen, como o nosso, é limitado, tanto geograficamente quanto por ordem social.

Acontece que o resto da minha família está deliciada com minha conversão a Austen. E embora algumas coisas pareçam estar melhorando em nosso mundo desde que terminei de ler Persuasão , os eventos recentes são terríveis o suficiente para exigir uma distração valiosa, embora ocasional, da seriedade mortal dos eventos ao nosso redor. Jane Austen é a coisa certa. Estou saindo para ler a Abadia de Northanger .

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

José Paulo Paes dixit e a gente só concorda

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Bom dia, Miguel Ángel Ramírez (com os melhores lances de Olímpia 0 x 1 Inter)

Bom dia, Miguel Ángel Ramírez (com os melhores lances de Olímpia 0 x 1 Inter)

O Inter voltou a jogar mal, mas venceu novamente o péssimo Olímpia, agora em Assunção. Foi 1 x 0 — golaço de Yuri — e agora pega o igualmente fraco Always Ready, em Porto Alegre, para terminar a fase de grupos em primeiro lugar. Será uma classificação sem brilho e com pouco futebol, uma classificação triste, apertada e entremeada por atuações ruins no Campeonato Gaúcho. O jogo contra os bolivianos será na próxima quarta-feira (26/05), às 19h. Antes disso, devemos perder o título gaúcho para o Grêmio, na Arena, às 16h deste domingo (23/05), contra um time que atua com 4 jogadores que farão 36 anos no segundo semestre, dois destes de quase 100 Kg, sendo que ambos não aguentam uma partida inteira e um deles brinca de fazer gols na gente. Ou seja, tudo indica um domingo medonho para nós, colorados.

Após perder um gol que não costuma errar, Yuri marcou um golaço em um chute difícil | Foto: Ricardo Duarte – SC Intarnacional

Como disse um amigo, o Inter é aquele pirralho de bairro que eventualmente bate num amiguinho aqui, noutro ali, mas que invariavelmente apanha do valentão do pedaço.

Iniciamos bem os dois tempos, mas, após 10 minutos, voltamos à lenga-lenga da lentidão. Taison ainda está desambientado e não faz a esperada diferença. Lucas Ribeiro dá mais segurança à defesa do que Zé Delivery e nem vou dizer que o gol nasceu em jogada de Moisés, complementada por ótimo passe de cabeça de… Marcos Guilherme. OK, hoje daremos uma folga a MG, porém não a Lindoso. Este entrou e logo cometeu uma falta que por milagre não deu o empate ao Olímpia. E, pô, Yuri, temos que parar com esse negócio de receber cartões bobos. Pra que tirar a camisa? Não sabe que dá amarelo?

Tarefa árdua | Foto: Ricardo Duarte – SC Internacional

A tarefa de Miguel Ángel Ramírez (MAR) é complicada: ele precisa mudar um modelo de jogo que existe no Inter há um bom tempo com o agravante de que o clube não tem condições financeiras de suprir as carências do grupo. Sim, prefiro meu time propondo o jogo ao esquema reativo de Odair-Abel. Mas gostava muito da rapidez do ataque do segundo filho de Adão e Eva, coisa que MAR não está obtendo. O time do MAR espera e espera que os espaços apareçam. Ainda bem que espera com a bola no pé, só que a lentidão do time irrita. Há duas formas de se abrir espaços, (1) com deslocamentos e bons passes para a frente e (2) à dribles, também para a frente. Parece que a segunda é proibida no Beira-Rio. As vitórias pessoais só ocorrem em jogadas de Yuri e, pasmem, de Moisés. É claro que o esquema geral é o de tocar a bola, mas e aquele drible oportuno?

E vamos ao Gre-Nal de domingo. Eu estou certo da derrota. Acho que a ESPN exagerou abaixo. Gigantesca foi a consequência.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Thick as a Brick e o velho filho da puta

Thick as a Brick e o velho filho da puta

No dia 7 de agosto de 1975, fui até a King’s Discos e comprei um LP. Quando estava chegando no caixa, um velho FDP que nunca tinha visto antes, arrancou o disco da minha mão e gritou para a loja lotada:

— Sabem o qual é a tradução do título deste disco? Grosso como um tijolo! É este tipo de idiotice que os jovens de hoje ouvem!

Todo mundo riu e eu, idiota adolescente, fiquei quieto, humilhado. Mas comprei o disco. Hoje, de graça, depois de mais de 40 anos do fato e após décadas sem ouvir o LP — que é bom –, voltei a ter vontade de estrangular aquele velho FDP.

Espero que ele tenha sido trucidado por hordas de fãs do Jethro Tull ainda nos anos 70.

(Eu sei o dia exato da compra porque anotava meu nome e a data da aquisição nas capas dos discos).

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Para Elena, em seu aniversário

Para Elena, em seu aniversário

Elena, sei que tu estás te desintoxicando da internet. Estás vindo pouco aqui.

Durante este difícil ano, tirei mais fotos de teus pães do que de ti. Te vi mais em roupas de casa, em velhas camisetas minhas.

(Digo a vocês todos que nestas roupas ela parece uma rainha camuflada de contos de fadas. Pois, mesmo no à vontade dos trajes, é clara a nobreza, elegância e a beleza (rimou). E quando ela fala só melhora. Digo-lhe isso da rainha escondida e ela faz aquela cara de quem está ouvindo a maior idiotice).

Cioran disse que a arte de amar é saber unir o temperamento de um vampiro à discrição de uma anêmona. Esqueça, Elena, é muita habilidade para um cara desajeitado como eu. Só que tenho fotos, palavras, histórias, viagens, amor, decisões, planos.

Sabes, hoje, observei como minha mão denuncia a idade. Olhei bem pra ela, frente e verso. Quem ousa ler mãos e traçar destinos se elas se modificam? Vi duas linhas separadas que passam a ficar lado a lado. De repente se cruzam. E depois seguem juntas novamente. O que será aquela intersecção? Algum mal? Iam distraidamente paralelas, se cruzaram, e voltaram a andar lado a lado.

Melhor te dizer logo no ouvido aquelas três palavras simples que somam sete letras e dar fim ao textão.

Acrescento duas fotos tuas. A primeira é engraçada. Por algum motivo, adoro a segunda, um daqueles bonitos erros fotográficos.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Três excelentes livros brasileiros são as sugestões da Bamboletras

Newsletter de 19 de maio de 2021

Olá.

As sugestões da semana são bem diferentes entre si. A biografia da arquiteta modernista e Lina Bo Bardi é luminosa e guarda um imenso leque de surpresas. Andarilhos é uma reinvenção do pampa, quase um faroeste tardio. E uma nova biografia, desta vez da filósofa, escritora e ativista antirracismo Sueli Carneiro. Ela é fundadora e diretora do Geledés — Instituto da Mulher Negra e considerada uma das principais autoras do feminismo negro no Brasil.

Boa semana com boas leituras!

Corre para garantir seu exemplar aqui na Bamboletras!
📝Faz teu pedido na Bambô:
📍 De segunda à sábado, das 10h às 19h.
🚴🏾Pede tua tele: (51) 992556885 ou 3221-8764.
🖥 Confere o nosso site: bamboletras.com.br
📱 Ou nos contate pelas nossas redes sociais, no Insta ou no Facebook!

.oOo.

Lina – Uma Biografia, de Francesco Perrotta-Bosch (Todavia, 575 páginas, R$ 89,90)

Poucas figuras públicas foram mais brasileiras do que a arquiteta italiana Lina Bo Bardi. Chegando ao Brasil logo após a Segunda Guerra, ela se afeiçoou à cultura brasileira de tal maneira que se tornou uma de suas principais intérpretes, capaz de uma leitura das tradições locais ao mesmo tempo rigorosa e abrangente. Crítico de arquitetura e ensaísta de mão-cheia, Francesco Perrotta-Bosch examina a trajetória dessa artista brilhante à luz da seguinte questão: para além de sua participação política, como uma estrangeira foi capaz de enxergar tanto de um país que não era o seu, a ponto de traduzi-lo para os próprios brasileiros?

Andarilhos, de R. Tavares (Zouk, 200, páginas, R$ 46,00)

Andarilhos já pode ser considerado um novo clássico da literatura regional brasileira. Tavares traz frescor e contemporaneidade a um dos gêneros mais amados pelos brasileiros – mostrando a força e a representatividade das pessoas que moram no vasto território campesino da América Latina.

 

 

 

Continuo Preta, de Bianca Santana (Cia. das Letras, 286 páginas, R$ 59,90)

Sueli Carneiro é uma das maiores intelectuais públicas do Brasil, referência histórica do movimento negro, biografada por uma das mais promissoras vozes da nova geração. Em mais de quarenta anos de ativismo, ela vem combinando escrita, academia e intelectualidade para qualificar uma luta política que enegreceu o feminismo no Brasil e, ao mesmo tempo, colocou as mulheres como protagonistas do movimento negro.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

O melhor filme sobre a Segunda Guerra Mundial

O melhor filme sobre a Segunda Guerra Mundial

Retirado daqui.
Tradução mal feita por mim

Com a invasão nazista da URSS em 22 de junho de 1941, há 80 anos, a Segunda Guerra Mundial atingiu uma dimensão de selvageria até então desconhecida. O objetivo da ofensiva não era apenas a conquista, mas a aniquilação dos povos conquistados. “Os problemas começam com as crianças. Nem todos os povos têm o direito de existir. Nem todas as nações merecem um futuro “, diz um dos nazistas que participam do massacre da população civil que Elem Klimov retrata em Vá e Veja (1985), um clássico do cinema de guerra.

Este filme foi lançado por ocasião do 40º aniversário da vitória sobre o Terceiro Reich, quando a perestroika estava prestes a começar na URSS com a ascensão ao poder de Mikhail Gorbachev. O título que aparece em todas as listas dos melhores filmes de guerra. O escritor de ficção científica J.G. Ballard escreveu que foi “o melhor filme de guerra de todos os tempos”.

Situado em 1943 na Bielorrússia, Vá e Veja conta a história de um menino que se junta às fileiras da resistência em uma jornada infernal durante a qual descobrirá a tática do Exército Alemão para acabar com a guerrilha: o assassinato em massa de civis. A passagem das hordas nazistas é retratada quase como uma epidemia de peste, o custo humano da invasão alemã foi tão devastador quanto a doença medieval, a suástica foi um sinal de morte constante, implacável e cruel. Em muitas cidades, eles trancaram todos em um prédio — uma igreja ou um celeiro — e depois o incendiaram.

O filme inspira-se na memória do escritor bielorrusso Alés Adamóvich (1927-1994), autor do roteiro e do livro em que se baseia, The Story of Khatyn em sua tradução para o inglês (não confundir com Katyn, a local onde a polícia stalinista assassinou milhares de oficiais poloneses após a invasão de 1939). Adamóvich, que por sua honestidade e habilidade narrativa pertence à mesma linhagem da ganhadora do Nobel, a bielorrussa Svetlana Alexievich, serviu quando adolescente em um batalhão de guerrilheiros em 1942 e 1943. Seu livro, disponível em inglês, começa com as seguintes informações: “De acordo com documentos da Segunda Guerra Mundial, mais de 9.200 cidades foram destruídas na Bielorrússia e em mais de 600 delas, todos os seus habitantes foram mortos ou queimados vivos. Apenas alguns sobreviveram.”

Em uma entrevista com Pilar Bonet em 1985, após o lançamento do filme, Klimov explicou que queria fazer um filme “claramente antifascista” no qual suas próprias memórias da guerra também surgissem: “Eu sou um filho da guerra. Nasci em Stalingrado. A guerra começou quando entrei no primeiro ano da escola, vi a cidade queimada e destruída, cadáveres e prisioneiros. As memórias da infância são as mais fortes”.

Com uma estética brutalmente realista, Klimov e Adamóvich conseguem refletir algo quase impossível de contar em um filme: o horror da Segunda Guerra Mundial na URSS. Após a invasão da Polônia em 1939, os nazistas mataram intelectuais e perseguiram judeus. Com a Operação Barbarossa, o conflito ganhou uma nova dimensão e foi também o momento em que começou o Holocausto, primeiro com o assassinato em massa de judeus perpetrados pelos esquadrões da morte móveis, os Einsatzgruppen, e depois com as câmaras de gás. Entre 29 e 30 de setembro, eles foram mortos na ravina Babi Yar. Todos os judeus de Kiev, cerca de 200.000 pessoas, no maior massacre da Segunda Guerra.

O que mudou naquele verão de 1941 e está horrivelmente refletido no filme de Klimov, foi que o alvo dos massacres não eram apenas adultos, mas mulheres e crianças. O extermínio tinha que ser total. O historiador francês especialista em nazismo Christian Ingrao lembra em seu último livro, Le Soleil noir du paroxysme: “O objetivo desta luta deve ser a aniquilação da Rússia de hoje. Cada situação de combate deve ser enfrentada com uma decisão atrelada à aniquilação total e implacável do inimigo. Em particular, dos partidários do atual sistema russo-bolchevique.”

Nas primeiras quatro semanas da guerra na Polônia, os nazistas assassinaram 12.000 pessoas. Na URSS, 50.000 no mesmo período. E, em meados de agosto de 1941, começaram as execuções em massa de mulheres e crianças. Em dezembro de 1941, o Exército Alemão e os Einsatzgruppen haviam assassinado meio milhão de civis, a maioria judeus. Ingrao conta como os oficiais conseguiram convencer os soldados do “atroz dever”, nas palavras de Himmler, que deviam cumprir. Um oficial de 35 anos teve que anunciar a centenas de homens reunidos que agora teriam que matar mulheres e crianças. Então, ele trouxe uma mulher e seu filho recém-nascido e, na frente da tropa reunida, sacou sua pistola e atirou neles ”. Esse é o universo moral que retrata Vá e Veja.

 

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

O Estado das Coisas Coloradas

O Estado das Coisas Coloradas

Inter terá que jogar a vida no Paraguai, contra o Olímpia, na próxima quinta.

E que não reclamem de desgaste físico. Afinal, isto foi gerado pelo próprio time com seus fiascos na Bolívia e na Venezuela.

Ontem, o Olímpia venceu o Always Ready na “terrível altitude”. Fez gol nos acréscimos, pondo no ridículo a histeria colorada com as alturas.

Quem escala Marcos Guilherme e Zé Gabriel, quem brinca de vai não vai, que resolva agora.

Zé Gabriel treinando para entregar o jogo para Ferreirinha domingo | Foto: Ricardo Duarte / Internacional

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Quem precisa de um estado totalitário quando pessoas zelosas garantem que livros com ‘opiniões inválidas’ nunca sejam publicados?

Quem precisa de um estado totalitário quando pessoas zelosas garantem que livros com ‘opiniões inválidas’ nunca sejam publicados?

Eu não concordo 100% com o autor, mas muitas vezes me deparei com casos semelhantes na Livraria Bamboletras, da qual sou proprietário. Discordando do texto abaixo, nego-me a vender Olavo de Carvalho e outros fascistas em minha livraria. Também não venderia autores de textos transfóbicos. Mas tenho este problema quando o cliente quer literatura de baixa qualidade. Alguns de nossos funcionários dizem: “Mas isso não é livro para nós vendermos!”. E, bem, é verdade que temos um acervo muito bem cuidado de bons autores que é nossa mais cultivada qualidade — a dedicada curadoria –, mas não podemos nos dar ao luxo de rejeitar vender best-sellers que não agridam nossos valores éticos, mesmo sendo ruins… 

De Frank Furedi (*)
Tradução mal feita por mim

A indústria editorial está encorajando a censura popular e cada vez mais cedendo aos funcionários que exigem que certas opiniões nunca devam ser expressas — especialmente aquelas que envolvem questões trans.

Parece que a área editorial está rapidamente se tornando uma escolha de carreira para ambiciosos aspirantes a censores. A ala mais ambiciosa e agressiva do movimento de censura de base são as publicações de policiamento de lobby que tratam de questões relacionadas a trans. Recentemente, um grupo de indivíduos de toda a indústria editorial associada a este lobby escreveu uma carta ao The Bookseller exigindo a censura de livros que considere desfavoráveis ​​à sua causa.

O ponto principal da carta é afirmar que a trans cultura não pode ser um assunto de debate e que os editores devem evitar que opiniões contrárias a ela sejam publicadas. Afirma:

A transfobia ainda é perfeitamente aceitável na indústria de livros britânica. Nossa indústria desculpa, diz que ver os indivíduos trans como tendo menos do que direitos humanos plenos está OK e uma opinião tão válida quanto as outras. Nossa indústria ainda está muito confortável em dar a essa forma de preconceito uma plataforma poderosa. Precisamos nos afastar do paradigma de que todas as opiniões são igualmente válidas.

A exigência de rejeitar o paradigma de que todas as opiniões são válidas é uma forma indireta de dizer que as opiniões “inválidas” podem ser legitimamente censuradas e os autores que defendem tais opiniões devem ser cancelados e silenciados.

Pedidos de censura por inquisidores autônomos que trabalham no setor editorial também têm estado sido uma tônica nos EUA. Os funcionários da Simon & Schuster recentemente entraram com uma petição insistindo que a editora cortasse seus laços com escritores associados à administração Trump. A petição, assinada por 216 funcionários, ganhou o apoio de mais de 3.500 apoiadores externos, incluindo renomados escritores negros, como Jesmyn Ward, duas vezes vencedor do National Book Award for Fiction.

Quando escritores famosos se juntam à fila de censores entusiastas, torna-se evidente que a cultura literária americana está em apuros.

Um dos alvos dos inquisidores Simon & Schuster é um acordo de dois livros que a empresa assinou com o ex-vice-presidente Mike Pence. Por acreditarem que as opiniões de Pence não são tão válidas quanto as deles, fechar uma das principais vozes do Partido Republicano é um serviço público à sociedade.

Uma das características mais perturbadoras do movimento inquisitorial na indústria editorial é a maneira casual com que procura corromper os ideais de tolerância e liberdade de expressão.

É importante notar que a carta enviada é intitulada ‘O Paradoxo da Tolerância’. Uma vez que rejeita a tolerância por pontos de vista com os quais discorda — afirma, “claramente não é apropriado dizer simplesmente ‘todos têm direito à sua opinião’” – deveria ser intitulado ‘Pela intolerância’!

A hipocrisia dos defensores da censura na publicação foi destacada em junho de 2020, por um grupo denominado Pride in Publishing. Eles escreveram uma circular, ‘Vamos esclarecer o que a liberdade de expressão é e o que não é’. O objetivo desta carta era apoiar os funcionários da Hachette Children’s Books que se opuseram a trabalhar no último livro de JK Rowling. Rowling — a autora da série Harry Potter — havia cometido, na opinião desses funcionários, o pecado imperdoável de se recusar a aceitar a definição de sexo e gênero promovida por ativistas trans.

A carta dizia: “Vamos esclarecer o que é e o que não é liberdade de expressão. A liberdade de expressão não dá ao autor o direito a um contrato de publicação. Mas protege o direito de um trabalhador de soar o alarme quando é convidado a participar de algo que pode causar dano ou trauma a ele ou a outra pessoa. Os autores transfóbicos não são um grupo protegido. Pessoas trans e não binárias são. ”

Na lei britânica, quem usa palavras que expressam hostilidade para com os chamados grupos protegidos com características protegidas — como raça, religião, orientação sexual, status de transgênero e deficiência — pode ser acusado de crime de ódio . A implicação da declaração da Pride in Publishing é que o direito de exercer a liberdade de expressão é qualificado em circunstâncias quando é dirigido a um grupo protegido. Esta carta também destaca o que se tornou uma das características mais distintivas do policiamento linguístico do século 21 — a doença da liberdade de expressão.

Na verdade, a implicação da declaração Orgulho na Publicação é que o livro de Rowling representa uma ameaça à segurança e à saúde mental das pessoas trans e não binárias que trabalham na Hachette. Afirma que “os funcionários nunca devem ter que trabalhar em conteúdo que seja prejudicial à sua saúde mental ou que lhes cause turbulência desnecessária”. Esse sentimento ecoa a visão amplamente aceita que insiste que as comunicações verbais e publicadas são um perigo potencial para o bem-estar das pessoas e, portanto, precisam ser regulamentadas para proteger certos grupos de ofensas, traumas psicológicos e problemas de saúde mental.

Esta medicalização da liberdade de expressão, levando à sua doença, tornou-se um dos argumentos mais eficazes usados ​​para minar a liberdade de expressão.

Os ativistas têm, com efeito, reforçado seu apelo à censura, alegando que a publicação de opiniões equivocadas de parte de autores os ofendem e causa-lhes sofrimento psicológico e trauma.

A indústria editorial reconheceu que sua nova geração de funcionários não espera trabalhar com material que os perturbe. David Shelley, o CEO da Hachette, e Clare Alexander, uma agente literária, disseram recentemente ao Lords Committee que os novos empregados da indústria editorial devem ser avisados ​​de que podem ter que trabalhar em livros de pessoas com as quais não concordam!

O fato de as editoras precisarem alertar os funcionários de que talvez tenham de trabalhar com autores cujas opiniões não gostam destaca a posição precária de liberdade de expressão e tolerância nesse setor.

Era uma vez, os editores estavam preocupados com a ameaça representada pela censura do Estado e temiam provocar a ira de censores autoritários de cima. Hoje, a indústria editorial tornou-se cúmplice em consentir em cancelar a cultura e a pressão para policiar o que o público consegue ler vem de baixo, de uma nova geração de funcionários intolerantes.

Quem precisa de um estado totalitário quando trabalhadores zelosos e frágeis estão determinados a garantir que as ‘opiniões inválidas’ nunca sejam divulgadas?

.oOo.

(*) Professor emérito de sociologia na Universidade de Kent em Canterbury.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Fada, de Dyonelio Machado

Fada, de Dyonelio Machado

Dyonelio Machado (1895-1985) sempre foi um enclave dentro do RS. Um enclave comunista, talentoso e muito culto, cercado por silêncio. Até hoje, fala-se bastante em seu romance Os Ratos, às vezes em O Louco do Cati, mas o restante de sua obra — que não é pequena — é ignorado. Coisas da província, do dito “estado mais politizado do país”, que sempre deixou Dyonelio fora da lista de seus principais autores. Sorte ele ser psiquiatra, porque como escritor conseguiu apenas receber prêmios nacionais, ser eventualmente preso e ver seu nome raramente citado nos jornais gaúchos.

Os Ratos (1935) e O Louco do Cati (1944) foram os únicos romances que atravessaram a cortina de fumaça criada em torno do escritor. Bem, esqueça a objetividade de Os Ratos e a aspereza de O Louco, pois Fada (1982), livro recém republicado pela Zouk, é um muitíssimo diferente. O artificialismo erudito e antiquado da linguagem de Fada nos passa de cara uma sensação de irrealidade. O livro conta uma história de amor jovem que beira o sobrenatural. Não estão sendo narrados feitos de outro mundo, mas a forma com que Dyonelio os descreve nos engana. Apesar do susto inicial, vale a pena seguir a leitura. A trama é simples. Sem spoilers, dá para dizer que é um amor que vai contra a vontade do padrasto da jovem, que prefere um casamento de interesse. A impressão é a de que estamos no terreno do sortilégio e da mitologia — que é muito citada no livro. A própria obsessão de D`Artagnan, pois este é o nome do rapaz, por Jafalda, a Fada, parece mágica.

Li o romance como uma bem-sucedida tentativa experimental. Ou seja, Dyonelio conta fatos corriqueiros de um modo que as torna fantásticas. Não como se fosse um Joyce, não com tantos paralelos ou leque de estilos, mas de forma calma e simples. Há símbolos como o monte que exerce tanta atração sobre o casal — e que é certamente inspirado no Cerro do Jarau, de Quaraí, local de nascimento de Dyonelio. Até o carro de D`Artagnan parece ser dotado de algo especial, tratado como se fosse um Pégaso. Também podemos pensar que as mulheres são fadas que os apaixonados trazem dentro de si ou que o amor obedece à regras próprias e irrepetíveis.

Recomendo o livro, principalmente para que se sinta como Dyonelio cria e mantém o inusitado clima do livro de cabo a rabo. De resto, é literatura descompromissada com os fatos políticos e sociais tão caros ao autor e que o mantiveram no ostracismo. Dyonelio merece ser recuperado, relido e a iniciativa da Zouk é mais do que necessária. É um enorme autor.

Queremos mais Dyonelio!

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

A volta de Han Kang e dois autores brasileiros são as dicas da semana da Bamboletras

Newsletter de 12 de maio de 2021

Olá.

Três livros muito sérios neste começo de maio. Todos eles tratam de violência. Aquela mesma que, infelizmente, parece ser nosso dia a dia. Um é coreano e tem muito em comum com nosso passado recente, os outros dois são brasileiros e falam a nossa língua de perplexidades e impotência. É a literatura nos ajudando a vermos a nós mesmos.

Boa semana com boas leituras!

Corre para garantir seu exemplar aqui na Bamboletras!
📝Faz teu pedido na Bambô:
📍 De segunda à sábado, das 10h às 19h.
🚴🏾Pede tua tele: (51) 99255 6885 ou 3221 8764.
🖥 Confere o nosso site: bamboletras.com.br
📱 Ou nos contate pelas nossas redes sociais, no Insta ou no Facebook!

.oOo.

Atos Humanos, de Hang Kang (Todavia, 192 páginas, R$ 59,90)

Em maio de 1980, na cidade sul-coreana Gwangju, o exército reprimiu um levante estudantil, causando milhares de mortes. O evento de trágicas consequências foi transfigurado nesta ficção extraordinária, poética, violenta e repleta de humanidade. Construindo um mosaico de vozes e pontos de vista daqueles que foram afetados, Atos humanos é a demonstração dos enormes recursos literários de Han Kang, uma das autoras mais importantes da cena contemporânea. Lembram do excepcional “A Vegetariana”? Pois é. Este é segundo livro de Kang a chegar ao Brasil.

 

Ensaio Sobre o Grito, de Rafael Valles (Metamorfose, 92 páginas, R$ 40,00)

O escritor, pesquisador e documentarista Rafael Valles lança seu livro de contos “Ensaio sobre o grito”. A obra traz histórias com personagens que se deparam com ânsias de mudarem suas vidas para não ficarem condenadas ao silêncio. Só que, para tanto, precisam encarar a realidade, as perdas e as escolhas pessoais. Entre as personagens, uma dona de casa que resolve aceitar ser dublê, um professor… Sem spoilers, né?

 

 

O Riso dos Ratos, de Joca Reiners Terron (Todavia, 208, páginas, R$ 62,90)

Nesta epopeia sobre a obsessão, um homem acometido por uma doença fatal promete vingar a filha da brutalidade de que foi alvo. No entanto, o agressor está fora de alcance, assim como a própria filha desaparecida, e o mundo que o homem conhecia não existe mais. Desse modo, ele mergulhará num inferno de violência, no qual as lembranças e o absurdo vão se sobrepor aos horrores da realidade e da existência. Um romance original e surpreendente.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Bom dia, Miguel Ángel (com os maravilhosos lances do delivery de ontem)

Bom dia, Miguel Ángel (com os maravilhosos lances do delivery de ontem)
O teimoso MAR | Foto: Ricardo Duarte

O Inter pegou disparado a chave mais fácil da Libertadores. Táchira, Always Ready e o atual Olimpia são times realmente muito fracos. Só que não estamos conseguindo nos destacar. Isto acontece em boa parte por culpa de Miguel Ángel Ramírez (MAR) que, não obstante as boas ideais táticas, insiste em escolher jogadores inferiores a seus reservas imediatos. E justo ontem Zé Gabriel abriu caminho para a virada dos venezuelanos no Táchira.

Zé Gabriel é uma escolha incompreensível desde Coudet. Dizem que ele sabe sair jogando, que tem bom passe, que é hábil. O que eu não entendo é porque ele dá tantas roscas, botes errados e erra tantos passes. O que ele fez ontem foi disparate técnico. O que ele fez foi algo para não vestir mais a camiseta do clube. Vejam abaixo como ele lança o jogador do Táchira para empatar um jogo que ganhávamos.

Para completar, seu reserva é Lucas Ribeiro, um zagueiro comprovadamente muito mais seguro do que Zé. Como entender?

Outra coisa incrível é a escalação de Marcos Guilherme, jogador cujo tratamento para depressão parece que tem que ser feito dentro de campo, sob os olhos da torcida. Que sorte que ele tem de estarmos com o estádio vazio! Já imaginaram a vaia que MG levaria cada vez que seu nome fosse anunciado? Bem, ele se mataria! Acho melhor mandar ele logo para um psiquiatra.

E há mais. O Inter perdeu o Brasileiro do ano passado por várias razões, mas o motivo mais claro foi aquele jogo contra o Sport. Muita gente lembra de Uendel falhando, mas esquece do segundo gol do Sport, quando Lomba abdicou de ir na bola porque achou que ela tinha saído pela linha de fundo. Se saiu ou não é coisa que um goleiro deve ignorar até que o juiz apite. Lomba ficou olhando e o Sport fez o segundo gol. Bem, ontem ele achou que a jogada estava resolvida mesmo com Edenílson erguendo os braços, demonstrando que a bola era dele. Lomba saiu trotando e, quando viu, o cara do Táchira já tinha passado e ele cometeu o pênalti. Edenílson também errou, mas o goleiro tem que vir rasgando.

Não, é muita cagada junta, seu MAR. Falta orientação e tesão.

Perdemos muitos gols mesmo jogando mal, estávamos levando a vitória contra um time ruim, mas as tuas escolhas nos mataram. Outra ruindade absurda é Moisés. Mal preparado fisicamente, morreu no segundo tempo, mas não tem reserva. Só se salvaram Cuesta, Galhardo e Taison. O resto…

Se tivesse torcida no estádio, é provável que tu, MAR, estivesse na marca do pênalti.

Abaixo, a virada surreal de ontem, conforme expressão da ESPN:

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

O terrível calendário do Inter nos próximos 30 dias

O terrível calendário do Inter nos próximos 30 dias

Um mês, quatro competições e nove jogos para o Inter:

11/05 – Táchira x Inter – Libertadores
16/05 – Inter x Grêmio – Ida da final do Gauchão
20/05 – Olimpia x Inter – Libertadores
23/05 – Grêmio x Inter – Volta da final do Gauchão
26/05 – Inter x Always Ready – Libertadores
30/05 – Inter x Sport Recife – Brasileirão
03/06 – Vitória x Inter – Ida da terceira fase da Copa do Brasil
06/06 – Fortaleza x Inter – Brasileirão
10/06 – Inter x Vitória – Volta da terceira fase da Copa do Brasil

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Quais são os livros mais discutidos na Internet?

Quais são os livros mais discutidos na Internet?

Por Emily Temple, na Literary Hub
Mais ou menos traduzido por este blogueiro...

Como uma pessoa que discute livros na internet para ganhar a vida, às vezes tenho pensamentos estranhos e aleatórios, como “quais são os livros mais discutidos na internet?” Ou então, “como posso descobrir quais livros são mais discutidos na Internet?” Bem, “por que não procuro no Google?” Depois disso, paro de pensar e começo a pesquisar no Google. No final, na tentativa de responder à minha pergunta, pesquisei 275 livros diferentes para comparar o número total de resultados, de acordo com a ferramenta.

Esse número, a propósito, é uma estimativa — um webmaster do Google o descreveu como “um valor aproximado”, mas pode ser ainda menos preciso do que isso. Até mesmo a estimativa pode variar muito, com base em uma série de fatores diferentes, como onde você está e o que mais você pesquisou (em toda a sua vida). Mas mesmo que os próprios números sejam aproximados, eles ainda podem ter significado relativo, especialmente quando acessados ​​do mesmo computador, usando o mesmo navegador, no mesmo dia: no mínimo, eles devem ser capazes de nos dizer, de uma forma geral forma, quais livros foram referenciados mais ou menos do que outros online.

É importante lembrar que isso não é exatamente o mesmo que a popularidade verdadeira — muitos best-sellers, especialmente os mais antigos, publicados quando a internet não era uma força motriz no marketing de livros, tinham uma classificação relativamente baixa aqui. As recentes adaptações de grande orçamento obviamente ajudam. O mesmo acontece com o drama. Assim como estar maduro para a investigação acadêmica. O fato de o livro de Rupi Kaur estar apenas no meio dessa lista me prova que o Google não faz um bom trabalho de busca no Instagram. Ainda assim, admito que fiquei surpresa com alguns deles – particularmente com a classificação relativamente baixa de alguns dos livros que para mim, no meu canto da internet, parecem ser discutidos até a morte.

Uma nota sobre estratégias de pesquisa: minha técnica básica era pesquisar o nome do autor e o título do livro juntos, ambos entre aspas. Ajustei um pouco se o título ou nome fosse muito comum; quando relevante, muitas vezes omitia o artigo em um título para acomodar referências casuais (muitas vezes eu tentei isso, não importava, mas às vezes sim). Dito isso, quem sabe o que pode estar escondido nesses milhões de resultados? Outra razão para pensar nesses números apenas em termos aproximados.

Uma nota sobre os livros: a única maneira de abordar isso era procurando livros que achei serem de alto nível, um por um. Isso significa que se eu não pensei no livro, ele não entrou na lista. Provavelmente esqueci uma série de best-sellers populares publicados nos últimos cem anos ou mais. Mas olha, eu tinha que parar em algum lugar. Ao contrário do Google, o tempo é finito.

Portanto, seja o que for que valha (ou não), aqui está o que os senhores da máquina me retornaram:

(Títulos em inglês)

George Orwell, Nineteen Eighty-Four – 12,997,000*
J.R.R. Tolkien, The Lord of the Rings – 8,630,000**
William Shakespeare, Hamlet – 8,240,000
Harper Lee, To Kill a Mockingbird – 5,600,000
William Shakespeare, Macbeth -5,540,000
Jane Austen, Pride and Prejudice – 5,530,000
J.R.R. Tolkien, The Hobbit – 4,690,000
William Shakespeare, Romeo and Juliet – 4,680,000
Laura Ingalls Wilder, Little House in the Big Woods – 4,440,000
Michelle Obama, Becoming – 4,410,000
J.K. Rowling, Harry Potter and the Sorcerer’s Stone – 4,310,000***
Herman Melville, Moby-Dick – 4,260,000
Henry David Thoreau, Walden – 4,180,000
E.L. James, Fifty Shades of Grey – 4,130,000
Karl Marx and Friedrich Engels, The Communist Manifesto – 3,800,000
Plato, The Republic – 3,690,000
Charlotte Brontë, Jane Eyre – 3,450,000
Alan Moore, Watchmen – 3,400,000
F. Scott Fitzgerald, The Great Gatsby – 3,300,000
Homer, The Odyssey – 3,050,000
Homer, The Iliad – 2,920,000
Frank Herbert, Dune – 2,670,000
Diana Gabaldon, Outlander – 2,660,000
Stephenie Meyer, Twilight – 2,620,000
Stephen King, The Shining – 2,540,000
Gustave Flaubert, Madame Bovary – 2,490,000
George Orwell, Animal Farm – 2,460,000
Adam Smith, The Wealth of Nations – 2,300,000
Frances Hodgson Burnett, The Secret Garden – 2,280,000
Louisa May Alcott, Little Women – 2,260,000
Suzanne Collins, The Hunger Games – 2,080,000
James Joyce, Ulysses – 1,850,000
Margaret Atwood, The Handmaid’s Tale – 1,800,000
Charles Dickens, David Copperfield – 1,780,000
Lewis Carroll, Alice’s Adventures in Wonderland – 1,630,000
Barack Obama, A Promised Land – 1,610,000
Ray Bradbury, Fahrenheit 451 – 1,600,000
Roald Dahl, Matilda – 1,560,000
John Green, The Fault in Our Stars – 1,480,000
Geoffrey Chaucer, The Canterbury Tales – 1,460,000
Vladimir Nabokov, Lolita – 1,430,000
Veronica Roth, Divergent – 1,410,000
Miguel de Cervantes, Don Quixote – 1,380,000
William Shakespeare, A Midsummer Night’s Dream – 1,340,000
Joseph Heller, Catch-22 – 1,320,000
Jack Kerouac, On the Road – 1,320,000
Neil Gaiman, American Gods – 1,300,000
Delia Owens, Where the Crawdads Sing – 1,290,000
Charles Dickens, Great Expectations – 1,270,000
Niccolo Machiavelli, The Prince – 1,270,000
J.D. Salinger, The Catcher in the Rye – 1,260,000
Aldous Huxley, Brave New World – 1,240,000
Michelle Alexander, The New Jim Crow – 1,230,000
Leo Tolstoy, Anna Karenina – 1,100,000
Toni Morrison, Beloved – 1,090,000
Leo Tolstoy, War and Peace – 1,060,000
Joseph Conrad, Heart of Darkness – 1,040,000
Dan Brown, The Da Vinci Code – 998,000
Sylvia Plath, The Bell Jar – 986,000
Mark Twain, The Adventures of Huckleberry Finn – 984,000
Daphne du Maurier, Rebecca – 984,000
Dante Alighieri, The Divine Comedy – 979,000
Roald Dahl, Charlie and the Chocolate Factory – 972,000
Neil Gaiman, Good Omens – 905,000
John Steinbeck, Of Mice and Men – 888,000
C.S. Lewis, The Lion, the Witch and the Wardrobe – 791,000
Anne Frank, The Diary of a Young Girl – 791,000
Albert Camus, The Stranger – 790,000
Arthur Miller, The Crucible – 790,000
Ernest Hemingway, The Old Man and the Sea – 782,000
Margaret Mitchell, Gone with the Wind – 782,000
Gillian Flynn, Gone Girl – 776,000
Chinua Achebe, Things Fall Apart – 771,000
Virgil, The Aeneid – 760,000
Emily Brontë, Wuthering Heights – 756,000
Upton Sinclair, The Jungle – 753,000
Richard Adams, Watership Down – 753,000
Douglas Adams, The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy – 735,000
Ta-Nehisi Coates, Between the World and Me – 725,000
Cormac McCarthy, The Road – 719,000
Frederick Douglass, Narrative of the Life of Frederick Douglass – 713,000
Agatha Christie, Murder on the Orient Express – 713,000
George Eliot, Middlemarch – 703,000
Sylvia Plath, Ariel – 695,000
Jonathan Swift, Gulliver’s Travels – 690,000
Franz Kafka, The Metamorphosis – 682,000
Ayn Rand, Atlas Shrugged – 681,000
Virginia Woolf, Mrs. Dalloway – 660,000
Edward Said, Orientalism – 650,000
Walt Whitman, Leaves of Grass – 649,000
Stephen Hawking, A Brief History of Time – 640,000
Art Spiegelman, Maus – 638,000
John Steinbeck, The Grapes of Wrath – 637,000
Rupi Kaur, Milk and Honey – 633,000
Harriet Beecher Stowe, Uncle Tom’s Cabin – 633,000
Khaled Hosseini, The Kite Runner – 611,000
Alexandre Dumas, The Count of Monte Cristo – 607,000
John Grisham, A Time to Kill – 603,000
Virginia Woolf, To the Lighthouse – 592,000
Lucy Maud Montgomery, Anne of Green Gables – 585,000
Jorge Luis Borges, Ficciones – 584,000
John Green, Looking for Alaska – 583,000
Haruki Murakami, Norwegian Wood – 580,000
Stephen Hawking, A Brief History of Time – 579,000
Markus Zusak, The Book Thief – 573,000
Edith Wharton, The Age of Innocence – 551,000
Hilary Mantel, Wolf Hall – 541,000
Angie Thomas, The Hate U Give – 541,000
Chuck Palahniuk, Fight Club – 539,000
Malcolm Gladwell, Blink – 538,000
Truman Capote, In Cold Blood – 521,000
Stieg Larsson, The Girl With the Dragon Tattoo – 516,000
Maya Angelou, I Know Why the Caged Bird Sings – 515,000
Alice Walker, The Color Purple – 513,000
Paula Hawkins, The Girl on The Train – 509,000
Kurt Vonnegut, Slaughterhouse-Five – 506,000
Agatha Christie, And Then There Were None – 505,000
Sigmund Freud, The Interpretation of Dreams – 500,000
Marjane Satrapi, Persepolis – 495,000
P. L. Travers, Mary Poppins – 469,000
Helen Fielding, Bridget Jones’ Diary – 468,000
Trevor Noah, Born a Crime – 449,000
Donna Tartt, The Secret History – 445,000
Ralph Ellison, Invisible Man – 439,000
John Williams, Stoner – 435,000
Yann Martel, Life of Pi – 420,000
Ernest Hemingway, The Sun Also Rises – 411,000
Kazuo Ishiguro, Never Let Me Go – 409,000
Antoine de Saint-Exupéry, The Little Prince – 397,000
William Gibson, Neuromancer – 397,000
Mark Haddon, The Curious Incident of the Dog in the Night-Time – 394,000
Bryan Stevenson, Just Mercy – 389,000
Franz Kafka, The Trial – 387,000
Zora Neale Hurston, Their Eyes Were Watching God – 381,000
James Joyce, A Portrait of the Artist as a Young Man – 375,000
Kathryn Stockett, The Help – 372,000
Hunter S. Thompson, Fear and Loathing in Las Vegas – 368,000
Fyodor Dostoevsky, Crime and Punishment – 361,000
Elena Ferrante, The Neapolitan Novels – 356,000
Umberto Eco, The Name of the Rose – 353,000
Alex Haley, Roots – 352,000
Chimamanda Ngozi Adichie, Americanah – 350,000
Jonathan Franzen, Freedom – 344,000
Toni Morrison, The Bluest Eye – 341,000
W.E.B. Du Bois, The Souls of Black Folk – 323,000
Ian McEwan, Atonement – 319,000
Toni Morrison, Song of Solomon – 317,000
Rabindranath Tagore, The Home and the World – 315,000
Marcel Proust, In Search of Lost Time – 305,000
Colson Whitehead, The Underground Railroad – 302,000
Tim O’Brien, The Things They Carried – 300,000
David Foster Wallace, Infinite Jest – 293,000
Larry McMurtry, Lonesome Dove – 291,000
Philip K. Dick, Do Androids Dream of Electric Sheep? – 284,000
Shirley Jackson, The Haunting of Hill House – 282,000
Richard Wright, Native Son – 280,000
Harriet Jacobs, Incidents in the Life of a Slave Girl – 280,000
David Mitchell, Cloud Atlas – 279,000
Solomon Northup, Twelve Years a Slave – 273,000
André Aciman, Call Me By Your Name – 272,000
Don DeLillo, Underworld – 263,000
D.H. Lawrence, Lady Chatterley’s Lover – 258,000
Lorraine Hansberry, A Raisin in the Sun – 246,000
Haruki Murakami, Kafka on the Shore – 243,000
William Faulkner, The Sound and the Fury – 242,000
Amy Tan, The Joy Luck Club – 241,000
Toni Morrison, Sula – 239,000
Edith Wharton, The House of Mirth – 239,000
Arundhati Roy, The God of Small Things – 239,000
Gabriel García Márquez, One Hundred Years of Solitude – 238,000
Betty Friedan, The Feminine Mystique – 235,000
Cormac McCarthy, Blood Meridian – 234,000
Erich Maria Remarque, All Quiet on the Western Front – 232,000
J. M. Coetzee, Disgrace – 230,000
Fyodor Dostoevsky, The Brothers Karamazov – 226,000
Milan Kundera, The Unbearable Lightness of Being – 226,000
Salman Rushdie, Midnight’s Children – 224,000
Amor Towles, A Gentleman in Moscow – 223,000
James Baldwin, The Fire Next Time – 219,000
Banana Yoshimoto, Kitchen – 218,000
Raymond Chandler, The Big Sleep – 217,000
Djuna Barnes, Nightwood – 215,000
Frank McCourt, Angela’s Ashes – 211,000
Alice Sebold, The Lovely Bones – 208,000
Jeffrey Eugenides, Middlesex – 203,000
Mitch Albom, The Five People You Meet in Heaven – 199,000
Kazuo Ishiguro, The Remains of the Day – 198,000
Booker T. Washington, Up From Slavery – 197,000
Yaa Gyasi, Homegoing – 197,000
Erik Larson, The Devil in the White City – 191,000
Betty Smith, A Tree Grows in Brooklyn – 191,000
William Faulkner, As I Lay Dying – 187,000
Roberto Bolaño, 2666 – 187,000
Roxane Gay, Hunger – 187,000
Evelyn Waugh, Brideshead Revisited – 186,000
Ursula K. Le Guin, The Left Hand of Darkness – 186,000
Zadie Smith, White Teeth – 181,000
Sandra Cisneros, The House on Mango Street – 177,000
Robert A. Heinlein, Stranger in a Strange Land – 175,000
Jean Rhys, Wide Sargasso Sea – 173,000
Dashiell Hammett, The Maltese Falcon – 171,000
Audrey Niffenegger, The Time Traveler’s Wife – 170,000
E.M. Forster, Howards End – 170,000
Audre Lorde, Sister Outsider – 168,000
Nella Larsen, Passing – 168,000
Stendhal, The Red and the Black – 165,000
Marilynne Robinson, Gilead – 165,000
Alex Haley and Malcolm X, The Autobiography of Malcolm X – 164,000
James Baldwin, Notes of a Native Son – 163,000
J.M. Barrie, Peter and Wendy – 162,000
Michael Ondaatje, The English Patient – 160,000
John Kennedy Toole, A Confederacy of Dunces – 160,000
Willa Cather, My Ántonia – 158,000
Italo Calvino, Invisible Cities – 157,000
Thomas Pynchon, Gravity’s Rainbow – 156,000
Iris Murdoch, The Sea, The Sea – 154,000
Patricia Highsmith, The Talented Mr. Ripley – 150,000
Isabel Allende, The House of the Spirits – 148,000
James Baldwin, Giovanni’s Room – 147,000
Terry McMillan, How Stella Got Her Groove Back – 143,000
Haruki Murakami, Kafka on the Shore – 139,000
Angela Carter, The Bloody Chamber – 139,000
Don DeLillo, White Noise – 139,000
A.S. Byatt, Possession – 139,000
Philip Roth, American Pastoral – 138,000
Mark Z. Danielewski, House of Leaves – 137,000
Pearl S. Buck, The Good Earth – 136,000
William Faulkner, Absalom, Absalom! – 136,000
Sherwood Anderson, Winesburg, Ohio – 133,000
Jhumpa Lahiri, The Interpreter of Maladies – 133,000
Flannery O’Connor, A Good Man is Hard to Find – 132,000
Marilynne Robinson, Housekeeping – 129,000
Octavia Butler, Kindred – 128,000
Willa Cather, O Pioneers! – 127,000
Sojourner Truth, The Narrative of Sojourner Truth – 127,000
Vladimir Nabokov, Pale Fire – 126,000
Shirley Jackson, We Have Always Lived in the Castle – 126,000
Vikram Seth, A Suitable Boy – 125,000
Jonathan Safran Foer, Everything is Illuminated – 125,000
Tom Wolfe, The Bonfire of the Vanities – 122,000
Jean Toomer, Cane – 118,000
Carlos Ruiz Zafón, The Shadow of the Wind – 118,000
Jonathan Franzen, The Corrections – 115,000
Susanna Clarke, Jonathan Strange & Mr. Norrell – 115,000
James Baldwin, Go Tell It On the Mountain – 115,000
Jennifer Egan, A Visit From the Goon Squad – 113,000
Philip Roth, The Plot Against America – 112,000
John le Carré, Tinker Tailor Soldier Spy – 109,000
Sarah Waters, Fingersmith – 109,000
Curtis Sittenfeld, Prep – 108,000
Philip Roth, Portnoy’s Complaint – 104,000
Leslie Marmon Silko, Ceremony – 102,000
Richard Yates, Revolutionary Road – 101,000
José Saramago, Blindness – 101,000
Marguerite Duras, The Lover – 96,300
Carson McCullers, The Heart is a Lonely Hunter – 95,700
Maxine Hong Kingston, The Woman Warrior – 87,100
Joan Didion, Slouching Towards Bethlehem – 86,600
Dave Eggers, A Heartbreaking Work of Staggering Genius – 84,700
Raymond Carver, What We Talk About When We Talk About Love – 83,400
Jacqueline Susann, Valley of the Dolls – 80,200
Robert Pirsig, Zen and the Art of Motorcycle Maintenance – 76,600
Junot Díaz, The Brief Wondrous Life of Oscar Wao – 69,400
Annie Dillard, Pilgrim at Tinker Creek – 67,300
Louise Erdrich, Love Medicine – 66,300
Jeffrey Eugenides, The Virgin Suicides – 66,200
Rudolfo Anaya, Bless Me, Ultima – 60,700
Maggie Nelson, Bluets – 57,300
Michael Chabon, The Amazing Adventures of Kavalier & Clay – 56,000
Denis Johnson, Jesus’ Son – 53,700
Jamaica Kincaid, A Small Place – 51,300
Edwidge Danticat, Breath, Eyes, Memory – 51,000
Samuel R. Delany, Dhalgren – 42,900
Edward P. Jones, The Known World – 40,100

* Como o título é regularmente escrito de duas maneiras diferentes, esse número foi alcançado pela combinação de 11.800.000 instâncias de “ 1984 ” e 997.000 de “ Mil novencentos e oitenta e quatro ”

** Sei que são tecnicamente três livros (embora ele sempre quisesse que fossem publicados como um); para o bem ou para o mal, pensei que faria mais sentido funcional ir com o título da trilogia neste caso.

*** Este número foi alcançado combinando os resultados para os títulos dos EUA e do Reino Unido para este livro: Harry Potter e a Pedra Filosofal (Reino Unido) teve 2.720.000 menções e Harry Potter e a Pedra Filosofal (EUA) teve 1.590.000.

.oOo.

Emily Temple é editora-chefe da Lit Hub. Seu primeiro romance, The Lightness , foi publicado por William Morrow / HarperCollins em junho de 2020.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Atrás do balcão da Bamboletras (XXXIX)

Atrás do balcão da Bamboletras (XXXIX)

Chega uma moça e pergunta para quem estava no atendimento:

— Eu quero um livro para a minha avó que está fazendo 88 anos. Ela gosta de romances que tenham uma pegada sexual.

O atendente ri nervoso e me chama:

— Milton!!!

E eu desço as escadas com aquela postura inequívoca de especialista em literatura de pegada sexual.

— Milton, esta cliente pediu…

— Eu ouvi.

E eu começo a pensar… A pensar… E paro em A Gorda, extraordinário romance de Isabela Figueiredo. Conto a história do livro. Falo de seu realismo, da baixa autoestima, da profissão, da vida portuguesa, do namorado fpd, de tudo o que acontece e na linha reta utilizada pela autora cada vez que fala em sexo. A franqueza é absoluta.

A moça pede outras ideias e eu sugiro mais dois ou três livros, meio sem vontade.

Finalmente, ela abre A Gorda numa página aleatória. De repente, arregala os olhos e diz sim, vou levar este, minha avó vai adorar!

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Dia das Mães, uma lembrança

Dia das Mães, uma lembrança

Estávamos lá por 2004 e minha mãe estava começando a ficar confusa. Ela era uma viúva de 77 anos e passava muito tempo parada em casa. Aposentou-se aos 73 e foi horrível para ela. Prejudicou-a muito, acho eu, ela ficou solitária. Eu a visitava sempre, mas naquele dia resolvi levá-la ao cinema.

O filme era muito bom, com uma história cheia de complicações. ‘Longe do Paraíso’ parecia algo escrito por Tennessee Williams.

Frank e Cathy (Julianne Moore) eram um casal modelo no final de década de 1950. Ele era um executivo influente, enquanto ela desempenhava à risca o papel de esposa dedicada e atenciosa, que se ocupava em tempo integral com o lar, coisa que minha mãe nunca fez. D. Maria Luiza era dentista — uma das primeiras do RS, formada em 1948 — e cumpria dupla jornada em casa. Isto é, trabalhava muito em casa para nós e muito no consultório, onde era admirada pelos clientes.

Mas voltemos ao filme. Frank, entretanto, sentia-se atraído por outros homens, e mantinha à medo relações esporádicas fora de casa. Uma noite, quando o marido mais uma vez se atrasou, Cathy decidiu visitá-lo no escritório com uma refeição quentinha. Ao chegar, encontrou-o nos braços de um amante. Ele confessou que já vivenciara sentimentos desta natureza no passado, mas acreditava ser capaz de superá-los. Então, o casal decide procurar o auxílio de um psiquiatra.

Em meio a isto, Cathy torna-se alvo de comentários por aproximar-se de seu jardineiro, um negro. Um filme amplo — homossexualidade, armário, racismo, infidelidade e uma versão anos 50 de cura gay.

Durante o filme, observei que a mãe estava bem quieta. Eu revisava a toda hora se ela dormia. No final, perguntei-lhe o que achara, esperando ouvir qualquer coisa vinda das crescentes brumas que lhe atrapalhavam o cérebro. Pois ela me surpreendeu com uma opinião muito lúcida a respeito da relação do casal e dos amantes. Juntos, fizemos o elogio do filme e falamos sobre o sem-solução de tudo aquilo.

Acho que esta foi a última vez que vi-ouvi minha mãe inteira. Ela viveu mais 8 anos.

Foi nisso que pensei hoje, nesta véspera de Dia das Mães. Pois é, em minha mãe e em um filme.

(Deixo aqui uma foto dela de 1949, acompanhada do verso da mesma, anotado por meu pai. Eu nasceria 8 anos depois).

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Os livros mais vendidos de abril na Bamboletras

Os livros mais vendidos de abril na Bamboletras

Aqui está a lista dos mais vendidos de abril aqui na Bamboletras!

1. Torto Arado, de Itamar Vieira Junior (Todavia)
2. O Avesso da Pele, de Jeferson Tenório (Companhia das Letras)
3. Os Supridores, de José Falero (Todavia)
4. Vista Chinesa, de Tatiana Salem Levy (Todavia)
5. O Oráculo da Noite, de Sidarta Ribeiro (Companhia das Letras)
6. Marrom e Amarelo, de Paulo Scott (Alfaguara)
7. A estrangeira, de Claudia Durastanti (Todavia)
8. Talvez você deva conversar com alguém, de Lori Gottlieb (Vestígio)
9. O som do rugido da onça, de Micheliny Verunschk (Companhia das Letras)
10. A vida não é útil, de Ailton Krenak (Companhia das Letras)

📝Faz teu pedido na Bambô:
📍 De segunda à sábado, das 10h às 19h.
🚴🏾Pede tua tele: (51) 992556885 ou 3221-8764.
🖥 Confere o nosso site: bamboletras.com.br
📱 Ou nos contate pelas nossas redes sociais, no Insta ou no Facebook!

#livraria #livros #bookstagram #apoielocal #bamboletras #bamboleitor #literatura #maisvendidos #bestsellers

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Ser colorado

Tive que explicar para um carioca, o Guto Leite, o que é ser colorado. É incompreensível mesmo.

“Nós somos assim: quando estamos no auge, pensamos no futuro negro que nos aguarda. Quando afundamos, jamais vamos subir. Já os gremistas são uns bobos alegres, imortais e perfeitos. Quando estão mal, a culpa é dos juízes ou da federação. Quando são criticados, a imprensa é injusta e exagerada. Até hoje, nunca perderam uma partida. Estão invictos desde 1903, algo increíble. Nós perdemos todos os dias ao acordarmos. Aliás, vamos perder hoje para o Juventude e seremos eliminados do Gaúcho. Já estou deprimido.”

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

Um padre

Um padre

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!

A divisão de tarefas entre Elena e eu

A divisão de tarefas entre Elena e eu

A Elena tem uma personalidade forte. Ela decide tudo aqui em casa. O que vamos comer, o que eu devo fazer, o que e quando limpar, o que deve ser arrumado, o que ouvir, tudo. Em compensação, eu tomo as decisões em relação à viagens espaciais, filmes, livros e plantas.

Adaptado de Woody Allen.

Gostou deste texto? Então ajude a divulgar!