Escolha, de Anaïs Nin

Escolha, de Anaïs Nin

Eu escolho
um homem
que não duvide
da minha coragem
que não
me acredite
inocente
que tenha
a coragem
de me tratar como
uma mulher.

anais nin

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Meus encontros com Kafka

Meus encontros com Kafka

franz-kafka

No livro de ensaios Reflexo e Realidade, de Otto Maria Carpeaux (1900-1978), há uma deliciosa e emocionante narrativa que descreve os encontros do autor com Kafka. Imaginem que Carpeaux recusou ser pago através de toda a primeira edição de um romance encalhado. Tratava-se apenas de O Processo. Se tivesse aceitado, seria milionário, quem sabe? Mas este é apenas um dos muitos comentários do esplêndido texto de Carpeaux.

Por Otto Maria Carpeaux

“Kauka.”
“Como é o nome?”
“KAUKA!”
“Muito prazer.”

Esse diálogo, que certamente não é dos mais espirituosos, foi meu primeiro encontro com Franz Kafka. Ao ser apresentado a ele, não entendi o nome. Entendi Kauka em vez de Kafka. Foi um equívoco.

Hoje, o “Kauka” daquele distante ano de 1921 é um dos escritores mais lidos, mais estudados e — infelizmente — mais imitados do mundo. Mas só Deus sabe quantos são os equívocos que formam essa glória. O romancista de “O Processo” é, para alguns, o satírico que zombou da burocracia austríaca; e para outros o profeta das contradições e do fim apocalíptico da sociedade burguesa; e para mais outros o porta-voz da angústia religiosa desta época; e para mais outros o inapelável juiz da fraqueza moral do gênero humano e do nosso tempo; e para mais outros um exemplo interessante do Complexo de Édipo, etc., etc., etc. Tudo, em torno de Kafka, é equívoco. Equívoco também foi aquele meu primeiro encontro com “Kauka”.

Foi em 1921, em Berlim. Embora só contando os anos do século, eu já tinha passado por duras experiências de guerra e revolução. Estudante universitário, agora, que sonhava com uma carreira literária. Berlim, naqueles anos do primeiro pós-guerra, foi um centro de vanguardas: expressionismo, dadaísmo, os primeiros pintores abstracionistas, simpatizantes do comunismo e fundadores de seitas religiosas e vegetarianas, uma boêmia na qual os jovens austríacos desempenhavam papel grande e barulhento — e alguns grandes escritores de verdade: Döblin, Arnold Zweig, Werfel. No Café Românico, centro da boêmia, esses homens feitos ocupavam mesas especiais, de que ninguém ousava aproximar-se sem ser especialmente convidado; o que não aconteceu nunca. Olhávamos para lá com inveja, escutando para apanhar, talvez, um pedaço de conversa. Rara foi a oportunidade de um convite para as tardes de domingo, no apartamento de um ou outro daqueles escritores, no bairro boêmio, mas elegante, do Bayrischer Platz, hoje um montão de ruínas. E numa dessas tardes cheguei a conhecer pessoalmente Franz Kafka.

Conheci poucos entre os presentes. Fui sumariamente apresentado. Sentindo-me um pouco perdido no meio dessa gente toda, não tendo a coragem de aproximar-me do centro da reunião, da grande e belíssima atriz D. F. — que tinha fama de Messalina — retirei-me para um canto já ocupado por um rapaz franzino, magro, pálido, taciturno. Eu não podia saber que a tuberculose da laringe, que o mataria três anos mais tarde, já lhe tinha embargado a voz. E então se desenrolou “aquele” diálogo:

“Kauka.”
“Como é o nome?”
“KAUKA!”
“Muito prazer.”

Foi este o começo e o fim do meu primeiro encontro com Franz Kafka. Ao sair do apartamento, perguntei a meu amigo e introdutor: “Quem é aquele rapaz magro com a voz rouca?” Respondeu: “É de Praga. Publicou uns contos que ninguém entende. Não tem importância”.

II

Kafka e o amigo Max Brod
Kafka e o amigo Max Brod

Meu segundo encontro com Franz Kafka, talvez cinco anos mais tarde, foi outra vez em Berlim, no escritório de uma casa editora. Antes de ir para a Itália, onde continuei os estudos universitários, tinha feito alguns trabalhos para aquela editora, chamada Die Brücke (A Ponte), mas nunca consegui receber dinheiro. Voltando para Berlim, em 1926, ouvi que a casa acabava de entrar em falência. Fui para lá. O diretor me deixou esperar na antessala, mais de meia hora. Num cantinho vi um montão de livros, todos iguais. Tirei um exemplar, abri: “O Processo”, romance de Franz Kafka. Distraído, comecei a ler sem prestar muita atenção, quando o ex-diretor da ex-Brücke me bateu nas costas.

“Pagar não posso, querido”, dizia o homem, “mas se você quiser, pode levar, em vez de pagamento, esse exemplar e, se quiser, a tiragem toda. O Max Brod, que teima em considerar gênio um amigo dele, já falecido, me forçou a editar esse romance danado. Estamos falidos. Nem vendi três exemplares. Se você quiser pode levar a tiragem toda. Não vale nada”.

Fiquei triste. Tinha esperado um pagamento de 130 marcos, e o homem me quer dar seu encalhe. Agradeci vivamente, e com certa amargura. Mas levei comigo aquele exemplar que já tinha aberto.

Foi a maior burrice de minha vida inteira. Toda aquela tiragem foi vendida como papel velho e inutilizada. Um exemplar da 1ª edição de “O Processo” é hoje uma raridade para bibliófilos. Nos Estados Unidos paga-se mil dólares por um livro desses, ou mais. Se eu tivesse aceito o presente, seria hoje milionário… Aliás, fugindo da fúria nazista, em Viena, março de 1938, perdi minha biblioteca inteira, que foi depois confiscada e dispersada. Mas cheguei, mais tarde, a receber na Bélgica um grupo de volumes que tinha, pouco antes do desastre, emprestado ao cônsul geral dos Estados Unidos em Viena e que este fez questão de devolver ao legítimo dono. Um desses livros foi aquele exemplar da 1ª edição de “O Processo” que, desse modo, fica até hoje comigo. E não me pretendo separar jamais do livro, pois foi meu segundo encontro com Kafka.

Li mesmo, naqueles dias distantes de 1926, “O Processo”; a história de um homem, de vida normalíssima, que é, certo dia, preso por esbirros de um tribunal desconhecido, interrogado em porões sinistros, denunciado por ter cometido crime do qual ignora a natureza, instruído numa catedral escura e vazia que “a culpa sempre está acima de todas as dúvidas”, condenado e executado. Li, sem compreender o alcance e significação do relato. Mas impressionou-me fundo o ambiente do romance, as ruas estreitas, as casas decaídas e sinistras, a catedral escura e vazia, a irrupção do incompreensível e irracional em nossa vida de rotina. O romance deu-me a impressão do déjà vu: quando nos encontramos, no sonho, numa paisagem onde nunca estivemos e que, no entanto, nos é estranhamente familiar, como se já a tivéssemos visto. Um pesadelo.

Deu-me a mesma impressão no segundo romance, “O Castelo”, que saiu naqueles dias, levando à beira da falência mais outra editora. A história de um homem que pretende fixar residência numa cidade tiranicamente dominada pelos senhores do imponente castelo em cima da colina. Não lhe dão permissão para ficar. Só precariamente lhe toleram a existência incerta. É uma luta desesperada, e a autorização de residir, só a alcançará o homem na agonia. Outro mau sonho, do qual custou despertar.

Nesse meu segundo encontro com Kafka despedi-me dos seus livros com a firme convicção de se tratar de visões de extrema irrealidade. Como se Kauka estivesse morto e Kafka, nunca existido.

III

praga-kafka

Descobri a realidade de Kafka em Praga: onde nunca antes estive.

Naqueles anos, fiz várias vezes a viagem Berlim-Viena, ida e volta, passando por Praga. Mas nunca antes me ocorrera saltar do trem na Estação Presidente Wilson, situada fora da cidade, que mal vi de longe, as luzes noturnas ou então a névoa fina da madrugada.

Numa madrugada assim — parece que foi em 1930 — assaltou-me a vontade de descer do trem para ver a cidade. Não sei o tcheco, e tinham-me dado o conselho de falar francês, de preferência ao alemão, pois era tensa a atmosfera em Praga; quase todos os dias, choques violentos entre tchecos e alemães. Cheguei no centro da cidade justamente para assistir a um choque de rua, mas foi de antissemitas contra judeus, odiados pelos tchecos porque costumavam falar alemão, e odiados pelos alemães porque eram judeus. Contaram-me um pequeno diálogo entre dois judeus praguenses:

— Veja como estamos sendo perseguidos.
— Em compensação, somos o povo eleito por Deus.
— Mas eu acho que já está na hora para Deus eleger um outro povo…

Vi, na Cidade Velha de Praga, um desses judeus, à porta de sua loja, esperando fregueses, uma cara em que milênios de perseguição e de estudo talmúdico tinham inscrito mil rugas, mas a boca cheia de sarcasmo e nos olhos um ar de grande suficiência, um complexo de superioridade. Um velho assim, intolerante como o diabo por causa da intolerância diabólica dos outros, deve ter sido o severo pai de Kafka, subjugando o filho – e assim encontrei a imagem de Kafka nas ruas estreitas e entre as sinistras casas decaídas em torno da sinagoga onde, conforme velha lenda, um rabino medieval tinha construído o Golem, um homem de barro, vivificado por um pedaço de papel com o secreto nome de Deus na boca. Certamente, uma daquelas lojas tinha pertencido ao velho Kafka. Certamente, nos porões daquelas casas tinha-se reunido o misterioso tribunal que condenou à morte o inocente culpado de “O Processo”… Preferi fugir desse ambiente.

Mas Praga é Praga. É uma das cidades mais belas do mundo. Atravessando o rio, o Vltava imortalizado pelo poema sinfônico de Smetana, levantei, na ponte, os olhos e vi lá em cima na colina o enorme Hradschin, o antigo Palácio Real, muito perto e no entanto parecendo inacessível nas alturas; e reconheci o “Castelo” de Kafka. Subi. Entrei, ao lado do castelo, na catedral gótica de São Vito, escura e vazia: e reconheci a igreja na qual o condenado, no Processo”, ouve a voz da Lei. Enfim, eu tinha encontrado a realidade atrás daquele sonho fantástico.

Foi este meu terceiro encontro com Franz Kafka. Tinha-o reconhecido como filho de sua cidade de Praga, que lhe foi madrasta: o homem era austríaco, alemão, tcheco e judeu ao mesmo tempo, tipo dos “displaced persons” cujo lamento enche este nosso século. Kafka antecipara o destino de milhões de judeus e alemães, italianos e franceses, holandeses, poloneses e russos, “displaced persons” todos eles. E por isso tinha ele sentido tão bem que o próprio gênero humano é uma “displaced person” no Universo. E sua obra estava destinada a tornar-se expressão simbólica da angústia do nosso tempo.

Entreato

Pouco depois, eu mesmo era “displaced person”. Vim, enfim, para o Brasil, onde escrevi, salvo engano, o primeiro artigo em língua portuguesa sobre Franz Kafka. A repercussão foi considerável. Não teria sido tão grande se não começasse, logo depois, a “onda de Kafka” nos Estados Unidos e, depois, no mundo inteiro. E tão imitado se tornou o escritor de Praga que, enfim, se chegou a confundir o original e as cópias, até nosso grande poeta Carlos Drummond de Andrade, secamente acertando como sempre, notar: “FRANZ KAFKA, escritor tcheco, imitador de certos escritores brasileiros”.

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Na escuridão, amanhã, de Rogério Pereira

Na escuridão, amanhã, de Rogério Pereira

na escuridao amanha

Escrevem-se poucos grandes livros com o propósito de escrever uma obra-prima. Em compensação, com um propósito circunstancial…

BIOY CASARES, citado por Ernani Ssó em sua crônica de ontem no Sul21

Na escuridão, amanhã (Cosac & Naify, 125 páginas) é um livro ambicioso, que deve ficar ao lado da melhor literatura nacional dos últimos anos. É um romance que, sob uma linguagem poética, trata da vida e da morte de uma família que sai do campo para a cidade grande. A narrativa carrega uma quase insuportável verossimilhança para contar a tristemente exemplar história de uma degradação familiar. Não é daqueles romances que narram o que não são, é do gênero que diz o que é, um texto onde há um pai terrível e odiado, abusador e animal, que mantém sob seu tacão uma mulher de religiosidade simples e seus três filhos, dois meninos e uma menina. O desajuste é geral. Desajuste e pobreza no campo; desajuste, pobreza e repetição de padrões de comportamento na cidade. Seu texto é luxuoso e sufocante.

O livro de Pereira tem seu parentesco mais próximo com Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar, mas o clima — atenção, eu escrevi “o clima” — parece mais o de Os Desgarrados, de John Huston. A narrativa está estabelecida em dois planos: o primeiro são cartas enviadas ao pai pelos filhos. A maioria delas é de um dos filhos homens que está numa guerra, presumivelmente expatriado, que reflete com enorme ressentimento o passado familiar. O outro plano é direto, apesar de caminhar no tempo. Mas há outros flashes. Quem cala é o pai, o qual mantém o silêncio de um deus impiedoso do velho testamento. A mãe, personagem tão fundamental quanto o pai, também aparece pouco, embotada que fica pela religião e incompreensão. Há também a pequena e mirrada filha, ainda mais vítima.

A história é irremediável como alguns filmes de Bergman e romances de Faulkner, mas vou me negar a avançar nos spoilers.

Rogério Pereira é o criador e editor do jornal literário mensal Rascunho o qual existe desde o ano 2000. Está no número 165, algo inédito para os efêmeros padrões nacionais. O romance Na escuridão, amanhã é seu primeiro livro de ficção. E vale muito a leitura.

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Fail better

Fail better

Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better.

~ SAMUEL BECKETT ~

Trad.: Sempre tenta. Sempre fracassa. Não importa. Tenta outra vez. Fracassa de novo. Fracassa melhor.
Stanislas Wawrinka

Esta citação de Samuel Beckett está tatuada no braço de Stanislas Wawrinka, que venceu a Djokovic e Nadal no Aberto da Austrália. Ele tinha 14 jogos contra Nadal e nenhuma vitória. Aliás, não ganhara nenhum set do espanhol. Contra Nole os números eram quase iguais. Este é o novo campeão e novo tenista nº 1 da Suíça. Um cara que cita Beckett no braço.

Stanislas Wawrinka ganhou
Stanislas Wawrinka: fracassando cada vez melhor

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Estilhaços de Rodolfo Walsh, de Iuri Müller

Estilhaços de Rodolfo Walsh, de Iuri Müller

Estilhaços de Rodolfo WalshO desassombrado e talentoso Rodolfo Walsh foi um jornalista, escritor e tradutor argentino que certamente concordava com a fraqueza da maioria dos autores dos dias de hoje, ao ignorarem a política e a realidade para cuidar apenas da construção de obras via de regra ignoradas pelo público. Exagerou ao pegar em armas? Ora, eram outros tempos.

Autor de contos clássicos da literatura argentina da segunda metade do século XX, época na qual não é nada simples entrar em antologias, também escreveu notáveis livros de reportagem como o célebre (na América Laitina, não entre nós) Operação Massacre, sobre o fuzilamento de civis em José León Suárez de junho de 1956 e sobre os assassinato de Rosendo García (“¿Quién mató a Rosendo?“).

O livro de Iuri Müller apresenta este autor fundamental num pequeno volume que não é chamado de Estilhaços por acaso. Trata-se de uma série de relatos e entrevistas com amigos de Walsh agrupadas em forma de mosaico, de modo a aproximar-se, cuidadosa e literariamente, de um personagem muito complexo e insatisfeito. As rajadas de cada capítulo mostram um homem insatisfeito. Insatisfeito com os cubanos que abraçara após a Revolução, com a imprensa, com seu grupo Montoneros, com sua vida, com os milicos que tomaram o poder em 1976 e o mataram após receberam uma carta aberta que era linda, franca, que tocava nos pontos certos, mas que também era uma espécie de suicídio, pois não era crível que o deixassem viver após aquele texto — o qual está completo no livro de Iuri. Como contista — e ele era ficcionista de primeira linha –, Walsh também necessitava das doses de verossimilhança e de verdade que o mataram.

O tom cronístico e melancólico do livro, tocado como se fosse uma música de funeral ou lamento de morte, é perfeito para caracterizar um autor que desejava falar de forma realista e poética ao povo, isto é, que desejava uma linguagem que não fosse entendida apenas pela burguesia letrada.

A editora cartonera Maria Papelão fez muito bem em pescar o excelente texto de Iuri do anonimato de um trabalho para a faculdade de jornalismo da UFSM. Mas ATENÇÃO: o texto não guarda ranço acadêmico. Não há grande preocupação com a objetividade, não é destituído de humor e nem traz a fragrância de suor dos rodapés. É leitura prazerosa e, como disse Shakespeare, onde não há prazer não há proveito.

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Lady Macbeth do Distrito de Mtzensk, de Nikolai Leskov

Lady Macbeth do Distrito de Mtzensk, de Nikolai Leskov

Leskov Lady MacbethEsta novela ficou muito famosa pelo fato de Shostakovich tê-la adaptado para a ópera. A versão musical — espetacular, chamada apenas de Lady Macbeth de Mtzensk — foi proibida por Stalin, juntando escândalo a escândalo. Sim, porque a novela é espalhafatosa, um verdadeiro paroxismo de maldade, bem no estilo do modelo shakespeareano tomado por Leskov. Não há nenhuma hesitação, nenhuma incerteza, nenhum retroceder na mulher. Ela é ainda menos reflexiva do que a Lady Macbeth de Shakespeare.

E é neste ponto que vejo seu único problema. São noventa páginas divididas em quinze capítulos que cobrem a violenta vida amorosa de Catierina Lvovna, nossa Lady Macbeth. Em cada um deles, há um clímax onde algo de hediondo é tramado ou realizado. Isto dá ao livro um ar mais de roteiro do que de novela. Tudo ocorre sem muita preparação e Shostakovich, ao lê-la, deve ter pensado: “Nossa, mas isso é um libreto de ópera pronto!”. É mesmo. Porém, não pensem que Leskov fez isso por inabilidade. Foi uma opção tomada por um autor sofisticado. Do tipo desta vez vou ser tosco, tá?

Não obstante os quinze clímax sem preliminares, a história é excelente e é impossível largá-la antes do final, tal o impressionismo solar de cada uma delas. As cenas que apavoraram Stalin — que chamou a ópera de “pornofonia” antes de censurá-la, colocando Shostakovich em temporária desgraça –, estão todas no livro, plenas de desejo e ódio. Deixo de lado meu incondicional ateísmo para pedir aos céus nunca cruzar com uma Catierina Lvovna, Deus me livre delas! O próprio Leskov considerava a história perturbadora e dizia ter medo dela. Esqueça. Vale a pena ler essa história tosca do nada tosco Leskov.

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Ser escritor no Brasil é a mais patética das profissões, diz jornal americano

Ser escritor no Brasil é a mais patética das profissões, diz jornal americano
Vanessa Bárbara está fazendo fortuna com a literatura
Vanessa Bárbara está fazendo fortuna com a literatura

The New York Times cita ainda dificuldades de professores, matemáticos e historiadores

Do R7

O jornal norte-americano The New York Times afirmou, em reportagem publicada em seu site no último fim de semana, que ser escritor no Brasil é a “mais patética de todas as profissões”.

O diário inicia a reportagem dizendo que os escritores brasileiros participaram de diversos encontros literários em países como Alemanha, Suécia e Itália, mas, mesmo assim, a carreira é desprezada no País.

O The New York Times adverte que, se você for ao Brasil, “não conte a ninguém sobre seu real ofício”. A publicação afirma que “não apenas vão negar seu cartão de crédito na mercearia, mas certamente eles irão rir de você e ainda vão questionar”.

— Não, sério, o que você faz para sobreviver?

A publicação, porém, lembra de Paulo Coelho, que é visto como dono de uma vasta, útil e lucrativa coleção de livros publicados.

O jornal destaca ainda que os escritores não estão sozinhos nessa jornada. Segundo a edição 2013 do ranking Global Teacher Status Index (Indicador Global de Professores, em tradução livre), referente à qualidade de vida dos educadores, o Brasil figura próximo da última posição na lista que reúne 21 países.

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Lição de literatura

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As Duas Águas do Mar, de Francisco José Viegas

As Duas Águas do Mar, de Francisco José Viegas

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Na capa do livro está escrito policial, mas isto é muito enganador. As Duas Águas do Mar não pertence de claramente a nenhum gênero literário, não se trata de forma alguma de um exemplar típico de romance policial. Sim, OK, é um whodunit, porém, antes disso, é um romance prazeroso de ser lido, descansado e hedonista, com dois policiais meio confusos que procuram de forma pachorrenta ligar dois assassinatos ocorridos a longa distância. (Pretendemos ir até o final sem spoilers, certo?). Os homens da lei, Jaime Ramos e Filipe Castanheira, são gourmets sempre dispostos a discorrer de forma original e interessante não somente sobre os crimes, mas também sobre as delícias da mesa, da vida e sobre suas paixões. Os charutos, os vinhos, as receitas e o amor fazem parte da trama tanto quanto os assassinatos, diria até que há mais molho do que sangue no livro. A vida pessoal dos detetives ocupa mais páginas do que a dos envolvidos nos crimes que investigam. Por outro lado, As duas águas do mar é uma história muito bem contada de uma desilusão amorosa ligada à mortes. Aliás, também os detetives têm vida amorosa em descompasso: Jaime Ramos namora Rosa, que reside no andar de cima e que não parece compartilhar muito de seus prazeres. Para piorar, ela o manda dormir em casa, pois ele ronca. Filipe, tem — ou teve — Isabel.

Ou seja, temos um romance policial sem correrias, perseguições, onde quase não há tiros, somente o(s) necessário(s) cadáver(es), a gastronomia, as viagens e uma tremenda indefinição. Poética, a narrativa caminha lentamente pelas 382 páginas do volume da Record. Estranha, a trama usa elementos nada usuais para justificar as mortes de Rui Pedro Martim da Luz e de Rita Calado Gomes. Minucioso, o romance leva embutidas a cena inesquecível do jantar preparado por Filipe para Isabel e as descrições de Finisterra, localidade considerada erradamente por anos o ponto mais ocidental da Espanha e, antes de Colombo, o ponto extremo do mundo conhecido. E várias coisas encontram lá seu fim.

Vale a pena ler este romance de Francisco José Viegas.

Cabo Finisterra

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Na verdade, eu não gosto da Feira do Livro

Na verdade, eu não gosto da Feira do Livro
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro

Em verdade vos digo, não gosto da enjoativa oferta de livros iguais da Feira do Livro. É muito esforço para encontrar alguma coisa especial entre as carradas de livros novos, estalando, que se repetem em toda e qualquer barraca. Como disse Luís Augusto Fischer em educada crítica, a Feira da qual é patrono é do livro e não da literatura. Pior, ela é não é nem dos livreiros, trata-se de uma Feira de editoras e de distribuidoras. Presumo (ou tenho certeza) que eles mostram o que querem, o que lhes dá lucro.

Nos balaios há coisas legais, mas haja tempo para procurar! E nem vou falar da modéstia da Área Internacional, tá? Prefiro a tranquilidade e o acervo da Bamboletras ou da Palavraria.

As programações paralelas de palestras — que antes ameaçam salvar a Feira — já não são tudo aquilo. O que era fácil ficou difícil. Há poucos anos atrás, ficava muito triste por perder tanta coisa boa; indagorinha, procurando por coisas que me interessassem, fiquei bem decepcionado, apesar de que pretendo dar um pulo no CCCEV (Centro Cultural CEEE Erico Verissimo) a fim de ouvir um grupo de escritores africanos. Eles começam às 17h30 e lá vou conhecer meu amigo moçambicano Nelson Saúte. Afinal, chega de viver de e-mails, né?

P.S. — E vejam bem a decepção: apesar de anunciado, Nelson Saúte não estava presente.

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Sábado, de Ian McEwan

Sábado, de Ian McEwan

SABADO_1374967917PComo se imaginaria, a ação de Sábado ocorre em um sábado, mas não num sábado rotineiro. Henry Perowne inicia seu dia insone, andando pela casa de madrugada quando vê pela janela um estranho corpo em chamas rasgar o céu de Londres. Perowne é um neurocirurgião, um homem de ciência que desconfia das pretensões literárias da filha, assim como do filho músico. Vive com a mulher Rosalind, advogada, em uma confortável casa.

Se o dia iniciara diferente — depois ele receberia notícias tranquilizadoras sobre o objeto voador em chamas –, havia um programa tranquilo a cumprir: uma grande manifestação em Londres contra a invasão do Iraque — a qual ele não iria por ser contra Saddam –, um jogo de squash contra um colega de hospital, compras para o jantar, um ensaio de seu filho músico e o próprio jantar, onde a família receberia o pai de Rosalind, um poeta que vive na França, e a filha Daisy, que estava lançando seu primeiro livro. Mas há fatos que atrapalham seus planos e que não contarei aqui.

A rotina e as motivações de Perowne são dissecadas minuciosamente na lenta e eficiente narrativa de McEwan. Porém, seu mundo baseado em pressupostos científicos mostra-se frágil em diversos pontos, principalmente na violenta discussão com a filha sobre a Guerra do Iraque e nas ruas, onde nosso homem cai inadvertidamente numa bela confusão.

Vou ser vago sobre a história narrada, pois certamente estragaria este excelente livro de pequena e exemplar trama contemporânea. Mas digo que gosto de narrativas lentas, detalhistas e simétricas, e também dos acasos e viradas surpreendentes. Por isso, Sábado me agradou me cheio.

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Um grupo de estudos trabalha sobre Finnegans Wake, de James Joyce

Um grupo de estudos trabalha sobre Finnegans Wake, de James Joyce

O resultado é espantoso…

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Cena de Fahrenheit 451 (1966), clássico de François Truffaut

Cena de Fahrenheit 451 (1966), clássico de François Truffaut

Com Julie Christie e Oskar Werner. Baseado no romance homônimo de Ray Bradbury (1920-2012) que apresenta um futuro onde todos os livros são proibidos, opiniões próprias são consideradas antissociais e hedonistas, e o pensamento crítico é suprimido. O personagem central, Montag (Werner), trabalha como “bombeiro” (o que na história significa “incendiário de livros”). O número 451 é a temperatura (em graus Fahrenheit) da queima do papel, equivalente a 233 graus Celsius.

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Fonte das imagens: o blog O homem que sabia demasiado.

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Asco, de Horacio Castellanos Moya

Asco, de Horacio Castellanos Moya

AscoNão entendi porque o volume da Rocco não traz o nome completo da excelente novela de Horacio Castellanos Moya, El Asco — Thomas Bernhard en San Salvador, nem ao mesmo O Asco, mas apenas Asco (Ed. Rocco, 111 páginas). Porém, deixando de lado as opções editoriais, a curiosa novela de Moya merece leitura atenta.

Curiosa por ser uma clara imitação de Thomas Bernhard — em estilo, estrutura e temática –, curiosa por Moya confessar isto no título, curiosa por ele ter repassado todo o ódio de Bernhard, aos austríacos em geral e aos habitantes de Salzburgo em especial, para um local do terceiro mundo, a cidade de San Salvador, capital de El Salvador.

Para quem não conhece Bernhard é bom explicar: seus livros são escritos em longos parágrafos — normalmente apenas um –, suas longas frases são fáceis de ler em razão das repetições e variações cuidadosamente realizadas e nelas o escritor destila ódio por páginas e páginas, chegando a tal paroxismo e descontrole que às vezes torna-se engraçado. Também não recua frente ao politicamente incorreto.

Moya foca seu relato no salvadorenho naturalizado canadense Vega, um acadêmico que retorna ao país para o enterro da mãe. Enquanto aguarda os papéis do inventário, Vega descreve suas impressões sobre o país e seus parentes, odiando tudo minuciosamente, mas minuciosamente MESMO. A invenção de Bernhard, aqui tropicalizada, funciona perfeitamente, tanto que o autor sofreu ameaças e preferiu passar bom tempo fora do país. Livrinho fascinante com ótima tradução de Antônio Xerxenesky.

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Tempos Fraturados, de Eric Hobsbawm

Tempos Fraturados, de Eric Hobsbawm

Tempos Fraturados de Eric HobsbawmExcelente e boêmio livro do grande Hobsbawm, falecido em 2012. Trata-se de 22 ensaios curtos sobre a cultura, a política e a sociedade do século XX. Muitos deles originaram-se de conferências ministradas pelo veterano Hobs – nascido em 1917 – para os mais diversos eventos. Cada um deles poderia ser expandido para formar um volume separado. Há desde análise sobre o papel do caubói na cultura americana e considerações sobre a moda até considerações fundamentais sobre a boliolice (palavra minha) do intelectual público moderno, sobre os guetos onde a grande música e grande literatura foram se esconder e sobre a situação das religiões no mundo. No último caso, as religiões são tratadas como devem ser: como forças políticas.

É difícil escrever uma resenha sobre um livro que trata de 22 temas, mesmo que estes estejam agrupados em 5 seções. Melhor citar o brilhantismo da prosa e das argumentações do mestre. Então, coloco abaixo os títulos de cada um dos ensaios a fim de que cada membro de meu septeto ledor possa avaliar o potencial de interesse que teria Tempos Fraturados (Cia. das Letras, 358 pág, tradução de Berilo Vargas). Depois, como test drive, coloco um trecho de A perspectiva da religião pública.  Pura isca para o debate.

As divisões e ensaios do livro:

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James Joyce, 1938

James Joyce, 1938

Fotografia tirada em 1938, por Gisèle Freund, mostrando James Joyce e seu neto em Paris.

James Joyce 1938

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Os maiores livros de todos os tempos, votados por 125 autores

Os maiores livros de todos os tempos, votados por 125 autores
Ao Farol (To the lighthouse), de Virginia Woolf
Ao Farol (To the lighthouse), de Virginia Woolf

Mais uma lista. Discordo de muitas coisas, mas há lembranças interessantes.

TOP TEN WORKS OF THE 20TH CENTURY 

Lolita by Vladimir Nabokov
The Great Gatsby by F. Scott Fitzgerald
In Search of Lost Time by Marcel Proust
Ulysses by James Joyce
Dubliners by James Joyce
One Hundred Years of Solitude by Gabriel Garcia Marquez
The Sound and the Fury by William Faulkner
To The Lighthouse by Virginia Woolf
The complete stories of Flannery O’Connor
Pale Fire by Vladimir Nabokov

TOP TEN WORKS OF THE 19th CENTURY

Anna Karenina by Leo Tolstoy
Madame Bovary by Gustave Flaubert
War and Peace by Leo Tolstoy
The Adventures of Huckleberry Finn by Mark Twain
The stories of Anton Chekhov
Middlemarch by George Eliot
Moby Dick by Herman Melville
Great Expectations by Charles Dickens
Crime and Punishment by Fyodor Dostoevsky
Emma by Jane Austen

TOP TEN AUTHORS BY NUMBER OF BOOKS SELECTED

William Shakespeare — 11
William Faulkner — 6
Henry James — 6
Jane Austen — 5
Charles Dickens — 5
Fyodor Dostoevsky — 5
Ernest Hemingway — 5
Franz Kafka — 5
(tie) James Joyce, Thomas Mann, Vladimir Nabokov, Mark Twain, Virginia Woolf — 4

TOP TEN AUTHORS BY POINTS EARNED

Leo Tolstoy — 327
William Shakespeare — 293
James Joyce — 194
Vladimir Nabokov — 190
Fyodor Dostoevsky — 177
William Faulkner — 173
Charles Dickens — 168
Anton Chekhov — 165
Gustave Flaubert — 163
Jane Austen — 161

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De Sophia de Mello Breyner Andresen:

De Sophia de Mello Breyner Andresen:

Mundo nomeado ou A descobertas das ilhas

Iam de cabo em cabo nomeando
Baías promontórios enseadas:
Encostas e praias surgiam
Como sendo chamadas

E as coisas mergulhadas no sem-nome
Da sua própria ausência regressadas
Uma por uma ao seu nome respondiam
Como sendo criadas

Ilha-Grande

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Três coisas que não têm nada a ver uma com a outra

Três coisas que não têm nada a ver uma com a outra
Renasceu. Abbado e músicos de Bologna | Foto:  Raffaello Raimondi
Renascido: Abbado e músicos de Bologna | Foto: Raffaello Raimondi

A Filarmônica de Berlim é atualmente um túmulo de maestros. Claudio Abbado, 80, depois que saiu de lá, tornou-se leve e criativo, deixando de lado o ser apocalíptico (e doente) da época berlinense. Criou a Orchestra Mozart em Bologna, onde nos brinda com luz, leveza e ousadia. Ouçam as gravações das sinfonias de Mozart para conferir. Já Simon Rattle, que era um monstro em Birmingham e foi para Berlim, lá tornou-se um regente crepuscular e rotineiro. O que fez? Ora, pediu demissão. Como o contrato é longo, retira-se em 2016, salvo engano. O próximo a adentrar a caixa mortuária de Berlim deverá ser Christian Thielemann. R.I.P. e depois saia correndo, Christian.

Na verdade, o que engessa a orquestra é o compromisso com um passado conservador, já enterrado. Se não mudar, ver a Berliner vai tornar-se mera atração turística.

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De Danielle Magno no Facebook:

Me deixa triste ver feministas pedindo censura à pornografia, dizendo que é objeto de submissão feminina e direito do homem sobre o corpo da mulher. Acho nada disso, que sociedade chata que regula nudez e sexo sob paradigmas tão autoritários.

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O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald

O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald

O Grande Gatsby Penguin CompanhiaA excelente tradutora Vanessa Barbara, responsável por esta edição da Penguin-Companhia (249 pág.), fez uma engraçada e furibunda avaliação do recente filme de Baz Luhrmann, baseado e homônimo O Grande Gatsby em Gatsby for dummies. Só lá no final deu uma aliviada. Acho compreensível que ela ataque o filme; afinal, o cuidado que demonstrou em sua tradução é indiretamente rebatido pela mão pesada e deselegante do diretor. Uma abordagem agride a outra, só que Vanessa tem a seu lado a própria obra. Mas este parágrafo está aqui por que mesmo? Ah, sim, para elogiar a tradução. Mas talvez não apenas para isso.

O enredo de Gatsby funciona, mas o principal é a qualidade da narrativa. O livro é narrado por um dos personagens, Nick Carraway, amigo de Jay Gatsby, um cara que o conhece no início da história. O narrador não é nada onisciente, ao contrário: é hesitante, têm poucas certezas acerca dos novos amigos e vai deixando lacunas que serão preenchidas ou não, ficando alguma coisa a cargo da imaginação do leitor. Uma das coisas que faz de O Grande Gatsby uma obra-prima é esta narrativa incompleta, e a outra é o enorme charme do texto, cheio de detalhes banais escondendo dramas. Fitzgerald não é seco nem barroco, lê-lo é muito, mas muito agradável. Suas analogias são sempre belíssimas, o homem era uma fonte inesgotável delas. Read More

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