A Ospa e a Arca Russa

A Ospa e a Arca Russa
Maxim Fedotov, grande estrela do concerto de ontem à noite
Maxim Fedotov, grande estrela do concerto de ontem à noite

O concerto é um gênero de composição que tem por uma de suas características principais a oposição entre a orquestra e um ou diversos solistas. O solista não necessita ser um virtuose absoluto, mas é bom que esteja à altura da música e do “enfrentamento” com a orquestra. Ontem à noite, nas brumas da acústica e no barulho do ar condicionado do Auditório Dante Barone da Assembleia Legislativa, tivemos dois concertos mais do que clássicos: o Concerto Nº 1 para piano e orquestra, Op. 15, de Beethoven, e o Concerto para violino e orquestra, Op. 35, de Tchaikovsky. À frente da orquestra, o casal russo — são mesmo casados — formado por Galina Petrova (piano) e Maxim Fedotov (violino). Vamos abrir e ver o que nos trazia a arca russa.

Se Beethoven tivesse parado no Op. 15, sua imortalidade não estaria garantida. Este concerto para piano de Beethoven é bem mais ou menos — uma assimilação meio confusa de Haydn e Mozart com uma voz própria nascente — e Galina Petrova obteve empurrá-lo mais para baixo. A pianista levou o concerto sem nenhuma sutileza e de forma bastante errática. O Allegro com Brio é solene e chato, mas a música melhora muito no belo e lírico Largo e no zombeteiro Allegro scherzando. Este é um tipo de música cheia de repetições, onde os temas apresentados pela orquestra são muitas vezes revisitados pelo piano e vice-versa. Petrova deixava claras suas limitações ao não conseguindo realizar as denunciadoras repetições ou ver-se repetida pela orquestra de forma ligeiramente diferente. Ela também não se salvava pela interpretação… Então, a primeira surpresa da arca russa foi decepcionante, mas…

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Ospa em grande noite e vagas felicidades deste que vos escreve

Ospa em grande noite e vagas felicidades deste que vos escreve
O excelente maestro  Nakata e o voiolinista Adrian Pinzaru durante os ensaios | Foto: Augusto Maurer
O excelente maestro Nobuaki Nakata e o violinista Adrian Pinzaru durante os ensaios | Foto: Augusto Maurer

O jornalismo gonzo é um estilo onde o autor abandona a objetividade ou o distanciamento, misturando-se à ação, argumentação ou enredo. Então você dirá que tudo o que escrevo no blog é gonzo e eu vou concordar, mas hoje serei ainda mais gonzo que o normal.

E, ainda por cima, vou escrever sobre o concerto de ontem a partir do Concerto Duplo de Brahms, desconhecendo a ordem de apresentação das obras. Bem, sou filho de uma família onde não faltava nada e tampouco sobrava. Meus pais garantiam que eu tivesse acesso a tudo o que fosse necessário a uma boa formação, porém, até os 20 anos de idade, eu dormia num sofá de uma sala que se transformava em quarto à noite. Não, não começarei uma narrativa dickensiana de tormentos infantis — não seria sincero, tive uma infância nojenta de tão feliz –, mas direi que na sala estava o toca-discos e meu pai costumava ouvir música até 2, 3 ou 4 horas da madrugada, enquanto eu dormia. Minha formação musical tem a mão dele. Antes de eu dormir, ele me mostrava coisas de que gostava ou detestava. Tal fato rendeu alguns subprodutos: tenho sono pesado, difícil de perturbar e conheço muitas músicas absolutamente de cor, sem saber de onde vieram. Então, quando começou a execução do Concerto Duplo para Violino e Violoncelo de Brahms, eu logo constatei: esta é uma daquelas músicas que vieram pré-instaladas no meu cérebro desde os tempos imemoriais. Ou seja, meu pai devia ouvi-la muito.

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Christ lag in Todesbanden, BWV 4, de J. S. Bach

Ingmar Bergman escreve em A Lanterna Mágica:

Johann Sebastian havia feito uma longa viagem de trabalho e ficara dois meses fora. Ao retornar, soube que sua mulher Maria Barbara e dois de seus filhos haviam falecido. Dias depois, profundamente triste, Bach limitou-se a escrever no alto de uma partitura a frase: “Deus meu, faz com que eu não perca a alegria que há em mim”.

Eu também tenho vivido toda a minha vida com isto a que Bach chama “a sua alegria”. Ela tem-me ajudado em muitas crises e depressões, tem-me sido tão fiel quanto meu coração. Às vezes é até excessiva, difícil de dominar, mas nunca se mostrou inimiga ou destrutiva. Bach chamou de alegria ao seu estado de alma, uma alegria-dádiva de Deus. Deus meu, faz com que eu não perca a alegria que há em mim, repito no meu íntimo.

Porque está complicado de não me sentir in Todesbanden. Então às vezes eu, o limitadíssimo e ateu — tal como Bergman — Milton Ribeiro, repito esta frase. Ela me emociona, me acalma e me faz pensar que minha alegria ainda está comigo, tem de estar. É um grito infantil que reconheço facilmente, mas que não tenho ouvido.

Liliya Gaysina (soprano), Yulia Mikkonen (alto), Andrey Krasavin (tenor), Anton Tutnov (bass)
Vlad Pesin, Marina Katarzhnova – violinos; Lev Serov, Rust Posumsky – violas, Alexander Gulin (cello), Anastasia Braudo (orgão)
Concerto realizado em 12 de agosto de 2011 na Igreja Anglicana de Moscou

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Beethoven, o surdo imortal que escrevia para o futuro

Beethoven, o surdo imortal que escrevia para o futuro
Sua surdez era trágica do ponto de vista social. No plano artístico, apenas impediu uma carreira como pianista.

Publicado em 16 de dezembro de 2012 no Sul21

Ludwig van Beethoven (16 de dezembro de 1770 – 26 de março de 1827) foi um compositor cuja existência foi tão adequada a romances e filmes que as lendas em torno de sua figura foram se criando de forma indiscriminada, às vezes paradoxalmente. Sua surdez, por exemplo, contribuiu muito para popularizá-lo e para que fosse lamentado. Victor Hugo dizia que sua música era a de “Um deus cego que criava o Sol”, mas quem o conhecesse talvez reduzisse o tom de piedade. Beethoven era uma pessoa absolutamente segura de seu talento – não mentiríamos se o chamássemos de arrogante – e tinha certeza da imortalidade de sua obra. Com toda a razão. Ele tinha a perfeita noção de que criava um conjunto espetacular de obras musicais, que alicerçava uma Obra, noção que inexistia ao tempo de Bach, o qual tratava suas composições como se fossem sapatos a serem entregues ao consumidor. A surdez representava uma tragédia muito mais do ponto de vista social, das relações amorosas e das de amizade, além prejudicar de forma fatal sua carreira de grande pianista, mas nunca foi encarada por ele como um obstáculo no plano da criação.

Aos 31 anos, Beethoven já ouvia muito pouco, mas seguiu compondo até a morte, aos 56 anos | Arte de
Aos 31 anos, Beethoven já ouvia muito pouco, mas seguiu compondo até a morte, aos 56 anos | Arte de Sergio Artigas (http://artigas.deviantart.com/art/Ludwig-van-Beethoven-07-152989423)

Com isso, não estamos dizendo que ele não tenha sofrido muito com o progressivo ensurdecimento. Sofreu a ponto de ter pensado em suicidar-se. Era 1802, Beethoven tinha 31 anos – idade com que Schubert morreu – e pensava em matar-se. Ao que se sabe, nunca fez uma tentativa, mas, se a fizesse e fosse bem-sucedido, talvez ainda assim estivéssemos falando dele.

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Ospa: belos retalhos do tecido metafísico

Ospa: belos retalhos do tecido metafísico
Foto: Antonieta Pinheiro
Foto: Antonieta Pinheiro

Creio que todos se emocionaram na noite de ontem ouvindo grande música e levados a pensar na existência do ponto de vista metafísico. Se a metafísica busca alguma explicação sobre a essência dos seres e as razões de estarmos no mundo, também o faz o Réquiem de Verdi. Ontem, a Igreja da Ressurreição do Colégio Anchieta recebeu este Réquiem que sai de um quase nada, com violoncelos e cordas sussurrantes que se dirigem a um débil coro que pede descanso eterno, para logo depois tremer com a fúria do Dies Irae (Dia da Ira / aquele dia / em que os séculos se desfarão em cinzas, / … /  Quando o terror é futuro, / quando o Juiz vier, / para julgar a todos / A trompa esparge o poderoso som / pela região dos sepulcros, / convocando todos ante o Trono) e desmanchar-se com o Libera me final, o qual pede a Deus que tenha misericórdia. Read More

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J. S.Bach: Prelúdio Coral Ich ruf zu dir, Herr, BWV 639

O que dizer? Este é um pequeno prelúdio que Bach escreveu para o órgão e que foi transcrito para piano por Ferruccio Busoni. E é lindo, lindo, consolador e lindo.

A pianista é a ucraniana Valentina Lisitsa. Eu acho que Ich ruf zu dir, Herr pode ser traduzido para Eu Te chamo, Senhor, mas a tradução está sujeita a chuvas e trovoadas.

E a versão original pelo organista Aarnoud de Groen:

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Presente do Philip Gastal Mayer, que me mostrou esta maravilha ontem

O que: Concerto da Orquestra Sinfônica da Juventude Venezuelana Simón Bolívar
Regida por quem: Gustavo Dudamel
Quando: Caracas, 19/02/2010
Obra: Gustav Mahler, Sinfonía Nº 9
Movimento: III. Rondo. Burleske Allegro assai. Sehr trotzig

Obrigado, Philip!

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Luiz Gonzaga (1912-2012): o homem que descortinou o nordeste

Luiz Gonzaga: cem anos hoje

Publicado em 13 de dezembro de 2012 no Sul21

Nascido há exatos cem anos, Luiz Gonzaga foi o artista que trouxe do nordeste para o resto do país não apenas o baião, o forró e o maxixe; trouxe também ao conhecimento popular a vida do sertão com suas festas, geografia, religiosidade e ritmos. E sua pobreza, injustiças e aridez. A importância de Gonzaga, o Rei do Baião, foi notável para a fixação da identidade nordestina, pois, mesmo construindo uma carreira musical no sudeste, Luiz Gonzaga manteve-se fiel a suas origens.  Pernambucano de Exu, nascido numa sexta-feira, 13 de dezembro de 1912, Luiz Gonzaga elevou à qualidade de gênero vários ritmos nordestinos que conseguiram penetrar à princípio nas rádios do Rio de Janeiro, centro de uma indústria fonográfica em florescente naquela época, e depois em todo — ou quase todo — o Brasil.

A surra

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Ospa entre a alegria e o aperto

Ospa entre a alegria e o aperto
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Ospa: mais um belo concerto ontem à noite | Foto: Antonieta Pinheiro — Clique para ampliar

A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados aprovou ontem o projeto de decreto legislativo que trata da chamada “cura gay”. A proposta altera uma resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP) que proíbe psicólogos de atuarem na mudança da orientação sexual de pacientes. Desta forma, a homossexualidade volta a ser uma doença em nosso país e pode ser tratada. Mais uma vez, o Congresso debruça-se sobre uma besteira.

Coincidentemente, como frisou o Samir Rahde na saída do concerto, a Ospa dedicou a noite de ontem à música de um doente: Tchaikovsky. De um doente talvez em surto, pois sua 4ª Sinfonia foi escrita durante o tumultuado casamento com Antonina Ivanovna Miliukova, na verdade uma tentativa de cura gay feita pelo próprio compositor, uma autoajuda que não deu certo. O casamento, proposto à princípio pela moça e aceito com relutância, durou apenas seis semanas, não obtendo colocar Tchaikovsky entre os honrados chefes de família da sociedade czarista. A moça não queria só fachada. Tinha razão, claro. Por outro lado, não há notícia de que houvesse um Marco Felicianov na Rússia do século XIX. Só houve sofrimento, pois. Read More

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Orquestra grega é fechada e dá adeus sob lágrimas

O crítico inglês Norman Lebrecht recebeu este vídeo dilacerante. A Rádio e a TV nacionais da Grécia fecharam suas portas. Com isso, 2650 famílias tem um ou mais membros sem trabalho.

Não sou músico, mas por alguma razão sinto-me colega deles. Sou jornalista, poderia estar no rol de colegas demitidos, se me fosse dado ser grego. No vídeo, a Orquestra e Coro da Rádio Nacional, estão tocando em lágrimas, dentro de sua sala de ensaios, ontem à noite. A sala, quente e úmida, com o ar-condicionado já desligado, está repleta enquanto milhares de pessoas assistem do lado de fora. Eu também chorei. Chorei pela arte, por ela não merecer atenção apenas residual, complementar, descartável.

Eu acho que a música é um trecho das Variações Enigma, de Elgar. A segunda obra, suponho que seja o hino da Grécia.

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Excelente concerto da Ospa, sobrevivendo à acústica e aos câmeras

Excelente concerto da Ospa, sobrevivendo à acústica e aos câmeras
Se eu tocasse como ee toca, não pararia de rir | Foto: Antonieta Pinheiro
Emmanuele Baldini: se eu tocasse como ele toca, não pararia de rir | Foto: Antonieta Pinheiro

A Ospa saiu vencedora no tremendo duelo travado contra a acústica do Auditório Dante Barone na noite de ontem. Cheguei ao local no momento do início do concerto e os lugares mais à frente já tinham sido ocupados. Então, sentei lá atrás. Digamos que ouvi mais do que vi, pois onde eu estava tinha uma dificuldade extra: a necessidade de driblar os dois câmeras que ficaram em pé, fazendo seu trabalho no meio do auditório, mas também atrapalhando o público. Então, sob o meu ponto de vista, o concerto foi mais espreitado do que assistido.

A primeira obra do programa foi o divertido Concerto para violino e cordas – Série Brasil 2010, nº 6, de Dimitri Cervo. Melodioso, cheio de ecos brasileiros e de citações barrocas, o concerto recebeu luxuoso tratamento do solista Emmanuele Baldini, spalla da Osesp e primeiro violino do quarteto de cordas da mesma orquestra. Ontem, Baldini solou e regeu a Ospa. Os aplausos para o santa-mariense Cervo foram inteiramente justos. O pós-modernismo e o poliestilismo é um guarda-chuva que permite grande liberdade aos compositores – uma liberdade que é perigosa, porque deve ser exercida com bom gosto. Cervo passa longe da vulgaridade com sua música bela e acessível, pois igualmente afastada das incomunicabilidades de algumas vanguardas do século XX. Gostei de tudo, das melodias do primeiro e segundo movimentos, assim como da brincadeira com as  citações no terceiro. Read More

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A água do Báltico afeta severamente poloneses, estonianos, finlandeses…

A água do Báltico afeta severamente poloneses, estonianos, finlandeses…
Helena Tulve dentro d`água
Helena Tulve dentro d`água

Há talento de sobra em torno do Mar Báltico. Deve haver alguma coisa na água que corre dos rios da Polônia, Finlândia, Letônia, Lituânia e Estônia — estes três últimos chamados de Países Bálticos — para o mar, que faz com que nasçam compositores extraordinários na região. Quem contar a história da música erudita do século XX tem que passar por ali. Mais ainda se a história for dedicada ao final do século e ao início do nosso. Não consultei os anos de nascimento de cada um deles, mas quem pode ostentar um time com Witold Lutosławski, Karol Szymanowski, Krzysztof Penderecki, Henryk Górecki, Wojciech Kilar e Bogusław Schaeffer como pode a Polônia? E, se quiserem mulheres, o país ainda tem Grażyna Bacewicz, que é uma excepcional compositora. Claro que o motivo do surgimento de tantos compositores é educacional e cultural, mas não deixa de ser curioso. Read More

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Ospa: a trombonada que salva e liberta

Durante o ensaio, o trompista Israel Oliveira testa seu volume pulmonar. | Foto: Augusto Maurer
Durante os ensaios, o trompista Israel Oliveira testa sua capacidade pulmonar. | Foto: Augusto Maurer

Libertos da ditadura das cordas, derrubado o muro que separa madeiras e metais da plateia, os sopros utilizaram muito bem a liberdade de expressão que lhes foi concedida após anos de lutas. Eles deram um belíssimo concerto ontem no Salão de Atos da Ufrgs. É claro que o repertório ajudou muito. A fórmula Bernstein + Strauss + Stravinsky + o ainda desconhecido Ewazen demonstrou o quanto é saudável a expansão dos programas em direção ao ineditismo. Os aplausos após o concerto foram merecidíssimos. Afinal, foi um trabalho árduo enfrentado com brilhantismo pelo pessoal do barulho. Read More

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Debbie, you see how boring it is

Quase dormindo, Claude Debussy com seu grande amor, Emma Bardac
Quase dormindo, Debbie diz a seu grande amor, Emma Bardac: “Acho que vou compor uma peça para piano” (clique para ampliar)

É claro que se trata de gosto pessoal. Por exemplo, jamais colocaria Debussy no mesmo ofurô de vulgaridade onde sufoca Rachmaninov. Reconheço os méritos do francês apesar de seus efeitos sobre mim, pois, se há trabalho e suor para criar aquelas coisas, elas têm igualmente o condão de me fazer viajar. Pode acontecer de eu pensar em  coisas que podem ser boas como os planos para escrever uma resenha leve, informativa e agradável sobre a Sagração da Primavera. Mas pode me ocorrer fazer uma prosaica revisão dos compromissos de amanhã. Debbie, you see, convida ao sonho, convida a divagações bem longe dele. O concerto da última terça-feira da Ospa, continha um bonito concerto de Mozart (Concerto para Flauta, Harpa e Orquestra,  K. 299), um Ravel (Le Tombeau de Couperin), porém dois dramins debussyanos: os Noturnos, para orquestra e coro feminino, e as Danças Sacra e Profana, para harpa e orquestra. Read More

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O Resto é Ruído, de Alex Ross

o-resto-e-ruidoEu já tinha comprado este livro, mas ainda não o tinha lido. Surpreendi-me quando, em fevereiro, cheguei a Londres e descobri que o complexo de salas de concerto do Southbank Center estava apresentando uma série de espetáculos que teria a duração de um ano (é isso mesmo) e que era inteiramente baseada no livro de Ross. Ou seja, eles tinham lido O Resto é Ruído e já estavam escutando o século XX, como diz o complemento do título do autor norte-americano. Depois de comprar alguns ingressos com os quais pude assistir a um fantástico concerto com a Sagração da Primavera e outro sobre a obsessão de Ravel pela Espanha, não apenas me senti menos infeliz ao comparar Londres a Porto Alegre como decidi que leria imediatamente o livro. Quando voltei para casa, não precisei avançar muitas páginas para saber porque o ensaio, — que é recente, de 2007 — é objeto de tantos elogios, quase objeto de culto. Read More

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Gary Oldman e Marion Cotillard no clipe The Next Day, de David Bowie

Thank you, Gary; thank you, Marion; thank you, Bowie.

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Ospa em Noite Transfigurada e jovem, demasiadamente jovem

Ospa em Noite Transfigurada e jovem, demasiadamente jovem
Cláudio Cruz no concerto de ontem | Foto: Antonieta Pinheiro
Cláudio Cruz no concerto de ontem | Foto: Antonieta Pinheiro (clique para ampliar)

O curioso e novidadeiro (sim, isto é muito positivo) programa de ontem da Ospa iniciou com a Sinfonia Simples, Op. 4, para orquestra de cordas, de Benjamin Britten (1913-1976). Britten escreveu-a aos 20 anos de idade, utilizando temas que compusera para o piano entre os dez e treze anos. A primeira apresentação foi em 1934, com o compositor regendo uma orquestra amadora. A Simples, em quatro movimentos, não faz jus à Britten, um sofisticado compositor do ponto de vista musical e literário. Digo literário porque a parte principal de sua produção é de música vocal baseada em estupendas obras, muitas das quais foram adaptadas por Britten e colaboradores para seu companheiro Peter Pears cantar. Britten era alguém tão cool e respeitado que nunca escondeu sua sexualidade, mantendo abertamente sua relação com Pears por mais da metade da vida. Read More

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Ospa e Indiana Jones em noite cheia de aventuras

Karl Martin: Indiana Jones e a Última Cruzada
Karl Martin: Indiana Jones e a Última Cruzada

O concerto de ontem à noite no Theatro São Pedro trouxe um repertório de primeira linha e emoções inéditas. Primeiro, uma voz do além avisou-nos que haveria um atraso de 10 minutos para o início do concerto. Tudo ficou mais claro quando finalmente o maestro suíço Karl Martin adentrou o palco. Ele é muito parecido com o Indiana Jones dos últimos filmes e, como a maioria das aventuras do herói ocorre aproximadamente na década de 1930, nada melhor do que começar o concerto com a Sinfonia Op. 21 (1928) de Webern. Só que… Bem, o motivo do atraso foi que um músico esquecera suas partituras em casa, no bairro Guarujá, e teve buscá-las com a presteza do personagem de Spielberg. Certamente, o esquecimento foi inoculado em seu cérebro por algum cientista nazista daqueles que costumam perseguir Indiana no desejo de se apossar de relíquias como o Santo Graal e partituras de compositores vienenses. Ainda mais que Webern foi, na década de 40, o mais descabelado hitlerista dentre os compositores austro-germânicos (favor ler O resto é ruído, de Alex Ross) e deve ser muito querido entre os inimigos de Indiana. Ah, e depois ainda teríamos o judeu Mahler!

Bem, enquanto o músico atormentado permanecia em sua corrida pelas ruas, o concerto começou. É que as primeiras obras não tinham a participação dele. E, como dissemos, o concerto foi aberto  justamente com a Sinfonia de Webern. Webern sempre se caracterizou por se expressar de forma descontínua. Como Céline e suas milhares de reticências. Sua música é paradoxalmente densa como um haicai e rarefeita como a cabeleira de seu mestre Arnold Schoenberg. Suas composições têm movimentos muito curtos. Em 1927, decidiu expandir-se um pouco, então escreveu um Trio de Cordas que dura nove minutos. Logo depois veio esta Sinfonia que não é muito maior — 10 minutinhos — e que exibe uma beleza abstrata e estranha em seus dois movimentinhos. Anton Webern era um dos compositores da chamada Segunda Escola de Viena juntamente com Schoenberg e Alban Berg. A primeira teria sido formada por Haydn, Mozart e Beethoven, que não sabiam nada a respeito disso e que não pensavam como Schoenberg. No ano de 1928, ele escreveu: “A arte desde o princípio e por natureza não se destina ao povo. Mas querem forçá-la a isso. Espera-se que todos possam dar sua opinião. Pois a nova glória consiste no direito de falar: liberdade de expressão! Ó Deus!”.

(E o coro grego responde em intermezzo não programado:

— Ei, Schoenberg, vai tomá no cu! Olê, Inter, olê, Inter!)

Não obstante a tal obscura escola, eu curti o Webern.

E o nosso músico perdido? Nada de voltar. Então, ainda em Viena, voltamos no tempo para encontrar Mahler. Os lieder de Mahler, Strauss e Schubert são coisas a respeitar. No gênero, há dezenas de coleções e avulsos sublimes. As quatro Canções de um Viandante, com texto de autores da Idade Média compiladas no livro Das Kanben Wunderhorn, são lindíssimas. A segunda foi depois amplamente reutilizada por Mahler na Sinfonia Nº 1. (Aliás, quando iniciou este segundo lied, nosso músico adentrou o palco com enorme tranquilidade. Tal como Indiana Jones, ele não sua muito em suas correrias. parecia saído do banho.)

Mas voltemos ao Mahler. O barítono uruguaio Alfonso Mujica é magérrimo e garanto que todos pensaram numa voz fraca e inadequada para as canções, mas ele tirou de letra, dando a elas compreensiva interpretação, proporcionando-nos um dos mais belos momentos da temporada. Que seguiu com Haydn.

As últimas doze sinfonias de Haydn são as chamadas Sinfonias de Londres ou Sinfonias Salomon, nome do empresário esperto que as contratou. A Sinfonia Nº 92 é a última não londrina e tem o apelido de Oxford porque o compositor a conduziu na cerimônia onde recebeu o titulo de doutor Honoris Causa naquela Universidade. O pessoal de Oxford só pode ter adorado, não há como não sorrir àquela Sinfonia! Dentro da uma estrutura clássica de quatro movimentos (Grave-Alegro, Adagio,  Minueto e Presto), é uma música feliz, cheia de invenções e surpresas, daquelas que fazem as pessoas irem para a rua felizes. Foi o que aconteceu.

Belo concerto! All’s well that ends well (Tudo está bem quando termina bem), já dizia Shakespeare.

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Se você quiser medir o tamanho de seu compositor preferido…

Via Elena Romanov

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1,50 m…………….. 150 cm………… 4′ 11″ (quatro pés e onze polegadas)
1,51 m…………….. 151 cm………… 4′ 11.5″
1,52 m…………….. 152 cm………… 5′
1,53 m…………….. 153 cm………… 5′ 0.25″
1,54 m…………….. 154 cm………… 5′ 0.5″
1,55 m…………….. 155 cm………… 5′ 1″
1,56 m…………….. 156 cm………… 5′ 1.5″
1,57 m…………….. 157 cm………… 5′ 2″
1,58 m…………….. 158 cm………… 5′ 2.25″
1,59 m…………….. 159 cm………… 5′ 2.5″
1,60 m…………….. 160 cm………… 5′ 3″
1,61 m…………….. 161 cm………… 5′ 3.5″
1,62 m…………….. 162 cm………… 5′ 3.75″
1,63 m…………….. 163 cm………… 5′ 4″
1,64 m…………….. 164 cm………… 5′ 4.5″
1,65 m…………….. 165 cm………… 5′ 5″
1,66 m…………….. 166 cm………… 5′ 5.5″
1,67 m…………….. 167 cm………… 5′ 5.75″
1,68 m…………….. 168 cm………… 5′ 6″
1,69 m…………….. 169 cm………… 5′ 6.5″
1,70 m…………….. 170 cm………… 5′ 7″
1,71 m…………….. 171 cm………… 5′ 7.5″
1,72 m…………….. 172 cm………… 5′ 7.75″
1,73 m…………….. 173 cm………… 5′ 8″
1,74 m…………….. 174 cm………… 5′ 8.5″
1,75 m…………….. 175 cm………… 5′ 9″
1,76 m…………….. 176 cm………… 5′ 9.25″
1,77 m…………….. 177 cm………… 5′ 9.5″
1,78 m…………….. 178 cm………… 5′ 10″
1,79 m…………….. 179 cm………… 5′ 10.5″
1,80 m…………….. 180 cm………… 5′ 11″
1,81 m…………….. 181 cm………… 5′ 11.25″
1,82 m…………….. 182 cm………… 5′ 11.5″
1,83 m…………….. 183 cm………… 6′
1,84 m…………….. 184 cm………… 6′ 0.5″
1,85 m…………….. 185 cm………… 6′ 1″
1,86 m…………….. 186 cm………… 6′ 1.25″
1,87 m…………….. 187 cm………… 6′ 1.5″
1,88 m…………….. 188 cm………… 6′ 2″
1,89 m…………….. 189 cm………… 6′ 2.5″
1,90 m…………….. 190 cm………… 6′ 2.75″
1,91 m…………….. 191 cm………… 6′ 3″
1,92 m…………….. 192 cm………… 6′ 3.5″
1,93 m…………….. 193 cm………… 6′ 4″
1,94 m…………….. 194 cm………… 6′ 4.5″
1,95 m…………….. 195 cm………… 6′ 4.75″
1,96 m…………….. 196 cm………… 6′ 5″
1,97 m…………….. 197 cm………… 6′ 5.5″
1,98 m…………….. 198 cm………… 6′ 6″
1,99 m…………….. 199 cm………… 6′ 6.5″
2,00 m…………….. 200 cm………… 6′ 6.75″
2,01 m…………….. 201 cm………… 6′ 7″
2,02 m…………….. 202 cm………… 6′ 7.5″
2,03 m…………….. 203 cm………… 6′ 8″

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Versão de ópera de Wagner com nazistas é cancelada na Alemanha

Germany-Opera-ScandalDo Público.pt

Uma produção da ópera Tannhäuser, de Richard Wagner (1813-1883), foi cancelada na Alemanha depois de críticas ao realismo das cenas de judeus a serem executados e a morrerem nas câmaras de gás, noticiou na quinta-feira a AFP. A produção, que inaugurou no fim-de-semana na Ópera do Reno, em Dusseldorf, constrói para a ópera de Wagner o cenário de um campo concentração. Provocou “protestos violentos” na noite de estreia, de acordo com a imprensa local. Read More

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