Um Mercado Público sem fiscalização a 30 metros da Prefeitura

“Para Fortunati, Porto Alegre não está preparada para combater grandes incêndios”. OK. E a Prefeitura de Porto Alegre está preparada para fiscalizar obras a 30 metros de distância da prefeitura em um prédio, sob sua responsabilidade e sem PPCI há seis anos? Roto falando do esfarrapado?

Fernando Guimarães, no Facebook

Ontem, o Mercado Público de Porto Alegre foi atingido por um incêndio. Desde a minha infância, época em que ele estava mais para um pardieiro, sou usuário do local. A Banca 40, a salada de fruta com nata, o Gambrinus, o Sayuri que eu e minha filha adoramos, as iguarias daquela banca dos vinhos que sempre esqueço o nome — mas nunca de ir lá –, o Café do Mercado, a Tainha na Telha, mais um monte de cafés no lado de fora, as rações para animais, os peixes, a Japesca, sua temaqueria, as casas de religiões africanas, os chás, as ervas, tudo está lá reunido. Difícil sair do Mercado de mãos vazias ou sem algo no bucho.

Também é um local popular, cercado de terminais de ônibus, bem no centro de Porto Alegre. E bem ao lado da prefeitura. Então, bem ao lado da prefeitura, repito, no Centro Histórico de Porto Alegre, tínhamos um prédio histórico e útil, querido da cidade e muito frequentado. Só que o Plano de Prevenção Contra Incêndios (PPCI) do Mercado Público estava vencido há seis anos, há uma gestão e meia. E muita gente devia saber. Faz um mês a Band avisou que os extintores de incêndio, por exemplo, estavam sem vistoria de segurança há pelo menos dez meses e que a prefeitura voltava a prometer uma inspeção. Ontem, pouco adiantariam os extintores internos, mas e o PPCI? Será que a Kiss não funcionou como lição?

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A Vida Financeira dos Poetas, de Jess Walter

A Vida Financeira dos Poetas Jess WalterComprei o romance A Vida Financeira dos Poetas (Benvirá, 352 páginas) em razão do bom título. Bem, foi uma tentativa… A história  sem spoilers: Matt larga seu emprego no minguante jornalismo impresso norte-americano para investir num negócio próprio na internet: um portal de notícias econômicas escritas em forma de poesia. Não dá nada certo, claro. Agora, desempregado, sem grana, corre o risco de perder a casa e a mulher, cada vez mais irritada com as dificuldades financeiras em casa e interessada em flertar com um ex-namorado.

O livro tem inegáveis bons momentos, como nos trechos em que Matt procura entrar no negócio das drogas, mas sua trama acaba esbarrando em atitudes que adocicam a situação final. É como se o autor Jess Walter estivesse dando uma volta para tornar seu livro palatável para o cinema dos EUA.

A escolha da linguagem é perfeita e podemos dar boas risadas com o livro, mas Walter acaba por destruir os bem armados conflitos do livro através do uso de soluções convencionais. Uma pena.

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O dia em que o mundo não acabou

Publicado em 22 de dezembro de 2012 no Sul21

Imagem do filme Melancolia (2011), de Lars von Trier

Esta matéria foi escrita na tarde de 21 de dezembro e programada para ser publicada na madrugada do dia 22. Evidentemente, quando foi escrita, o mundo ainda existia e, se você a está lendo neste momento, temos outra evidência de que o mundo, mais uma vez, não acabou e que você pode preparar-se com tranquilidade para as festividades natalinas. Este é o motivo de nosso título altamente confiante.

A sigla Nasa significa National Aeronautics and Space Administration. Ignoramos como os EUA obtêm administrar o espaço sideral, mas estivemos de olho em seus informes. Estes garantiam que nada estava sendo ocultado e que nenhum fenômeno celeste rondava nosso planeta. O tal Niburi, planeta quatro vezes maior que a Terra e que estaria em rota de colisão conosco — em exata analogia com o filme Melancolia, de Lars von Trier — , nem passou perto. Se o Niburi viesse de encontro à Terra, seria uma catástrofe muito maior do que aquela que teve como resultado a extinção dos dinossauros há 65 milhões de anos. Na época, um asteroide de 10 a 15 km de diâmetro caiu sobre a atual península de Yucatán, no México. Don Yeomans, cientista do Laboratório de Propulsão de Jatos da Nasa, acrescenta que, se o Nibiru estivesse chegando, ele seria visível, muito visível, mesmo a olho nu, como o foi no filme de von Trier.

O Sol se extinguirá, mas só daqui a 5 bilhões de anos

Nada visível foi outra ameaça prevista e que também foi afastada pela Nasa: a de uma grande tempestade solar. Segundo a Nasa, a previsão do tempo no Sol é a seguinte para os próximos meses: as tempestades solares se acentuarão e seu máximo deverá ser no mês de maio. Mas, garante Yeomans, trata-se de ciclos normais. A cada 11 anos, o sol passa por uma fase chamada de “máxima solar”. Durante esta fase ou qualquer outra, a Terra é muito pouco afetada. Diz a Nasa que um “apagão solar” está previsto apenas para daqui a 5 bilhões de anos, quando Sol se tornará um gigante vermelho. Antes disso, o calor galopante provocará a evaporação dos oceanos e o desaparecimento de nossa atmosfera. Depois, o astro-rei se resfriará até a extinção. Então, em nota tranquilizadora emitida dias antes do suposto fim do mundo, a Nasa negou também o fim do Sol, ao menos nos próximos dias.

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Ospa em grande noite e vagas felicidades deste que vos escreve

Ospa em grande noite e vagas felicidades deste que vos escreve
O excelente maestro  Nakata e o voiolinista Adrian Pinzaru durante os ensaios | Foto: Augusto Maurer
O excelente maestro Nobuaki Nakata e o violinista Adrian Pinzaru durante os ensaios | Foto: Augusto Maurer

O jornalismo gonzo é um estilo onde o autor abandona a objetividade ou o distanciamento, misturando-se à ação, argumentação ou enredo. Então você dirá que tudo o que escrevo no blog é gonzo e eu vou concordar, mas hoje serei ainda mais gonzo que o normal.

E, ainda por cima, vou escrever sobre o concerto de ontem a partir do Concerto Duplo de Brahms, desconhecendo a ordem de apresentação das obras. Bem, sou filho de uma família onde não faltava nada e tampouco sobrava. Meus pais garantiam que eu tivesse acesso a tudo o que fosse necessário a uma boa formação, porém, até os 20 anos de idade, eu dormia num sofá de uma sala que se transformava em quarto à noite. Não, não começarei uma narrativa dickensiana de tormentos infantis — não seria sincero, tive uma infância nojenta de tão feliz –, mas direi que na sala estava o toca-discos e meu pai costumava ouvir música até 2, 3 ou 4 horas da madrugada, enquanto eu dormia. Minha formação musical tem a mão dele. Antes de eu dormir, ele me mostrava coisas de que gostava ou detestava. Tal fato rendeu alguns subprodutos: tenho sono pesado, difícil de perturbar e conheço muitas músicas absolutamente de cor, sem saber de onde vieram. Então, quando começou a execução do Concerto Duplo para Violino e Violoncelo de Brahms, eu logo constatei: esta é uma daquelas músicas que vieram pré-instaladas no meu cérebro desde os tempos imemoriais. Ou seja, meu pai devia ouvi-la muito.

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Os Amigos de Milton Ribeiro

Eu não me acho nada legal. Sou irônico, muitas vezes debochado e faço piadas fora de hora — normalmente de forma voluntária, só para ver o resultado. Também sou opiniático, crítico a um nível bastante chato e, de forma quase inevitável, reviro os olhos abertamente quando julgo ouvir absurdos. Também nunca tive o mel da beleza e já perdi o da juventude. Mas, por alguma razão que desconheço, sou um agregador. Tenho grande facilidade para arranjar amigos e agora vai o diferencial mais importante: meus amigos são os melhores. Não posso mudar a verdade, são os melhores. Tanto que eles invadem as vidas de quem se relaciona comigo, tanto que os apresento uns aos outros e todos se encantam. E são, contrariamente a mim, pessoas qualificadas e reconhecidas em suas áreas. Eles me usam como vetor de elogios que muitas vezes não são repassados, pois sou esquecido e indigno deles. Hoje NÃO tive comprovações disso — afinal, não apresentei ninguém a ninguém — , mas nesta manhã rolou uma estranha vontade nas pessoas de saberem como eu estava. Dentro de um período de relativo isolamento e tristeza, de um período em que este blog está uma bosta, recebi telefonemas e e-mails. E eu, muito ensaboado, pouco falei, quase não deixando minhas escamas no carinho dos amigos, apesar de louco para deixá-las. Peço desculpas.

Depois desta manhã original, tivemos o almoço do um milhão de acessos mensais do Sul21. Sim, um novo almoço, porque desta vez é para sempre, já estamos batendo lá no 1,2 milhão. (Meus sete leitores participam disto garantindo quase 3000 acessos diários aqui neste blog — não sei MESMO o que tanto leem em mim).

Então, vou misturar os dois fatos agradecendo a todos. E vou usar como exemplo alguém que mal falou comigo hoje, mas que é quem divide a editoria do site comigo: Igor Natusch. Ele figura entre meus amigos, claro. Somos ambos editores — ele muito melhor do que eu — e nunca, jamais tivemos uma discussão ríspida. Não somos íntimos, apenas trabalhamos juntos, mas nunca brigamos, o que não quer dizer que sempre concordemos. É difícil existir alguém mais polido do que ele, uma pessoa bem diferente de mim, que sou muito mais deselegante e grosseiro. E vi que o Igor era assim logo quando o entrevistei para o Sul21. Briguei para que ele fosse contratado. Deu certo. Voltando ao primeiro tema deste texto, acho que tenho a qualidade feminina (ui!) de avaliar corretamente pessoas em segundos. Ignoro onde aprendi isso e, assim como alguém me convence rapidamente, posso sentir asco e me afastar correndo. O resultado é conhecido: tenho o melhor grupo de amigos do mundo ocidental. E ponto.

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O Cavalo de Turim, de Béla Tarr

cavalodeturim (1)Ontem, assisti a O Cavalo de Turim na Sala P.F. Gastal. Estava quase lotada a sessão para a obra-prima de Béla Tarr. Eu disse para quem estava comigo: “acho que veremos algo ao estilo de Tarkóvski”. Até tinha razão, mas Tarkóvski chegar a ser otimista quando comparada ao filme do húngaro.

O que Tarr propõe é uma experiência sensorial e semântica inteiramente distinta do que é possível em qualquer outro gênero artístico. O jogo que Tarr estabelece com o tempo apenas é possível no cinema, talvez no teatro. O Cavalo de Turim mostra seis dias de dois personagens — pai e filha — que vivem numa casa de pedra na zona rural da Hungria entre a aridez, o vento e o frio constantes. Falta tudo, tudo é monotonia e tudo é vida, dor e trabalho. (Coincidência, não?) Eles só têm batatas para comer, têm também um poço minguante, um destilado que deve ser parecido com a vodka, creio, e um cavalo velho e doente. Seus dias são iguais, com poucas variações, sempre no aguardo de condições melhores. Talvez a melhor descrição de O Cavalo de Turim seja a de um filme de cenas quase iguais — mas sempre filmadas de forma diferente — sobre a pesada rotina de vidas sacrificadas. Tarr vai curiosamente acumulando tempo sobre tempo e sua insistência acaba por mostrar a força e o cansaço, equilibrando-se entre a tão somente sobrevivência e a provável aniquilação, numa compassiva melancolia da resistência.

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Carta de Cristina Kirchner para o Papa

Carta de Cristina Kirchner para o Papa

É verdadeira, publicada pelo twitter oficial de Cristina (@CFKArgentina).

Cristina Kirchner para o Papa

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Christ lag in Todesbanden, BWV 4, de J. S. Bach

Ingmar Bergman escreve em A Lanterna Mágica:

Johann Sebastian havia feito uma longa viagem de trabalho e ficara dois meses fora. Ao retornar, soube que sua mulher Maria Barbara e dois de seus filhos haviam falecido. Dias depois, profundamente triste, Bach limitou-se a escrever no alto de uma partitura a frase: “Deus meu, faz com que eu não perca a alegria que há em mim”.

Eu também tenho vivido toda a minha vida com isto a que Bach chama “a sua alegria”. Ela tem-me ajudado em muitas crises e depressões, tem-me sido tão fiel quanto meu coração. Às vezes é até excessiva, difícil de dominar, mas nunca se mostrou inimiga ou destrutiva. Bach chamou de alegria ao seu estado de alma, uma alegria-dádiva de Deus. Deus meu, faz com que eu não perca a alegria que há em mim, repito no meu íntimo.

Porque está complicado de não me sentir in Todesbanden. Então às vezes eu, o limitadíssimo e ateu — tal como Bergman — Milton Ribeiro, repito esta frase. Ela me emociona, me acalma e me faz pensar que minha alegria ainda está comigo, tem de estar. É um grito infantil que reconheço facilmente, mas que não tenho ouvido.

Liliya Gaysina (soprano), Yulia Mikkonen (alto), Andrey Krasavin (tenor), Anton Tutnov (bass)
Vlad Pesin, Marina Katarzhnova – violinos; Lev Serov, Rust Posumsky – violas, Alexander Gulin (cello), Anastasia Braudo (orgão)
Concerto realizado em 12 de agosto de 2011 na Igreja Anglicana de Moscou

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Beethoven, o surdo imortal que escrevia para o futuro

Beethoven, o surdo imortal que escrevia para o futuro
Sua surdez era trágica do ponto de vista social. No plano artístico, apenas impediu uma carreira como pianista.

Publicado em 16 de dezembro de 2012 no Sul21

Ludwig van Beethoven (16 de dezembro de 1770 – 26 de março de 1827) foi um compositor cuja existência foi tão adequada a romances e filmes que as lendas em torno de sua figura foram se criando de forma indiscriminada, às vezes paradoxalmente. Sua surdez, por exemplo, contribuiu muito para popularizá-lo e para que fosse lamentado. Victor Hugo dizia que sua música era a de “Um deus cego que criava o Sol”, mas quem o conhecesse talvez reduzisse o tom de piedade. Beethoven era uma pessoa absolutamente segura de seu talento – não mentiríamos se o chamássemos de arrogante – e tinha certeza da imortalidade de sua obra. Com toda a razão. Ele tinha a perfeita noção de que criava um conjunto espetacular de obras musicais, que alicerçava uma Obra, noção que inexistia ao tempo de Bach, o qual tratava suas composições como se fossem sapatos a serem entregues ao consumidor. A surdez representava uma tragédia muito mais do ponto de vista social, das relações amorosas e das de amizade, além prejudicar de forma fatal sua carreira de grande pianista, mas nunca foi encarada por ele como um obstáculo no plano da criação.

Aos 31 anos, Beethoven já ouvia muito pouco, mas seguiu compondo até a morte, aos 56 anos | Arte de
Aos 31 anos, Beethoven já ouvia muito pouco, mas seguiu compondo até a morte, aos 56 anos | Arte de Sergio Artigas (http://artigas.deviantart.com/art/Ludwig-van-Beethoven-07-152989423)

Com isso, não estamos dizendo que ele não tenha sofrido muito com o progressivo ensurdecimento. Sofreu a ponto de ter pensado em suicidar-se. Era 1802, Beethoven tinha 31 anos – idade com que Schubert morreu – e pensava em matar-se. Ao que se sabe, nunca fez uma tentativa, mas, se a fizesse e fosse bem-sucedido, talvez ainda assim estivéssemos falando dele.

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Ospa: belos retalhos do tecido metafísico

Ospa: belos retalhos do tecido metafísico
Foto: Antonieta Pinheiro
Foto: Antonieta Pinheiro

Creio que todos se emocionaram na noite de ontem ouvindo grande música e levados a pensar na existência do ponto de vista metafísico. Se a metafísica busca alguma explicação sobre a essência dos seres e as razões de estarmos no mundo, também o faz o Réquiem de Verdi. Ontem, a Igreja da Ressurreição do Colégio Anchieta recebeu este Réquiem que sai de um quase nada, com violoncelos e cordas sussurrantes que se dirigem a um débil coro que pede descanso eterno, para logo depois tremer com a fúria do Dies Irae (Dia da Ira / aquele dia / em que os séculos se desfarão em cinzas, / … /  Quando o terror é futuro, / quando o Juiz vier, / para julgar a todos / A trompa esparge o poderoso som / pela região dos sepulcros, / convocando todos ante o Trono) e desmanchar-se com o Libera me final, o qual pede a Deus que tenha misericórdia. Read More

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Sem muita vontade de escrever

Sem muita vontade de escrever

Um pouco deprimido, opaco, um certo vazio, alguma preguiça, sei lá. Amanhã voltaremos, provavelmente. Ontem, pelo twitter, havia pessoas tentando organizar um protesto pelos dois sábados sem Porque Hoje é Sábado — vejam bem, nenhum de meus sete leitores sentiu falta dos textos… Bem, vamos tentar. Não é um momento lindo, mas vamos tentar.

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J. S.Bach: Prelúdio Coral Ich ruf zu dir, Herr, BWV 639

O que dizer? Este é um pequeno prelúdio que Bach escreveu para o órgão e que foi transcrito para piano por Ferruccio Busoni. E é lindo, lindo, consolador e lindo.

A pianista é a ucraniana Valentina Lisitsa. Eu acho que Ich ruf zu dir, Herr pode ser traduzido para Eu Te chamo, Senhor, mas a tradução está sujeita a chuvas e trovoadas.

E a versão original pelo organista Aarnoud de Groen:

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Presente do Philip Gastal Mayer, que me mostrou esta maravilha ontem

O que: Concerto da Orquestra Sinfônica da Juventude Venezuelana Simón Bolívar
Regida por quem: Gustavo Dudamel
Quando: Caracas, 19/02/2010
Obra: Gustav Mahler, Sinfonía Nº 9
Movimento: III. Rondo. Burleske Allegro assai. Sehr trotzig

Obrigado, Philip!

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Luiz Gonzaga (1912-2012): o homem que descortinou o nordeste

Luiz Gonzaga: cem anos hoje

Publicado em 13 de dezembro de 2012 no Sul21

Nascido há exatos cem anos, Luiz Gonzaga foi o artista que trouxe do nordeste para o resto do país não apenas o baião, o forró e o maxixe; trouxe também ao conhecimento popular a vida do sertão com suas festas, geografia, religiosidade e ritmos. E sua pobreza, injustiças e aridez. A importância de Gonzaga, o Rei do Baião, foi notável para a fixação da identidade nordestina, pois, mesmo construindo uma carreira musical no sudeste, Luiz Gonzaga manteve-se fiel a suas origens.  Pernambucano de Exu, nascido numa sexta-feira, 13 de dezembro de 1912, Luiz Gonzaga elevou à qualidade de gênero vários ritmos nordestinos que conseguiram penetrar à princípio nas rádios do Rio de Janeiro, centro de uma indústria fonográfica em florescente naquela época, e depois em todo — ou quase todo — o Brasil.

A surra

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O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald

O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald

O Grande Gatsby Penguin CompanhiaA excelente tradutora Vanessa Barbara, responsável por esta edição da Penguin-Companhia (249 pág.), fez uma engraçada e furibunda avaliação do recente filme de Baz Luhrmann, baseado e homônimo O Grande Gatsby em Gatsby for dummies. Só lá no final deu uma aliviada. Acho compreensível que ela ataque o filme; afinal, o cuidado que demonstrou em sua tradução é indiretamente rebatido pela mão pesada e deselegante do diretor. Uma abordagem agride a outra, só que Vanessa tem a seu lado a própria obra. Mas este parágrafo está aqui por que mesmo? Ah, sim, para elogiar a tradução. Mas talvez não apenas para isso.

O enredo de Gatsby funciona, mas o principal é a qualidade da narrativa. O livro é narrado por um dos personagens, Nick Carraway, amigo de Jay Gatsby, um cara que o conhece no início da história. O narrador não é nada onisciente, ao contrário: é hesitante, têm poucas certezas acerca dos novos amigos e vai deixando lacunas que serão preenchidas ou não, ficando alguma coisa a cargo da imaginação do leitor. Uma das coisas que faz de O Grande Gatsby uma obra-prima é esta narrativa incompleta, e a outra é o enorme charme do texto, cheio de detalhes banais escondendo dramas. Fitzgerald não é seco nem barroco, lê-lo é muito, mas muito agradável. Suas analogias são sempre belíssimas, o homem era uma fonte inesgotável delas. Read More

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Machado de Assis: uma biografia a ser conhecida

Machado de Assis: uma biografia a ser conhecida

Vocês sabem o nome do jornal que publicou o primeiro soneto de Machado de Assis? O nome era Periódico dos Pobres.

Desculpem, mas não vou encontrar nada mais digno para dizer. Talvez por meses.

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Salve, Machado!

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Ospa entre a alegria e o aperto

Ospa entre a alegria e o aperto
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Ospa: mais um belo concerto ontem à noite | Foto: Antonieta Pinheiro — Clique para ampliar

A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados aprovou ontem o projeto de decreto legislativo que trata da chamada “cura gay”. A proposta altera uma resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP) que proíbe psicólogos de atuarem na mudança da orientação sexual de pacientes. Desta forma, a homossexualidade volta a ser uma doença em nosso país e pode ser tratada. Mais uma vez, o Congresso debruça-se sobre uma besteira.

Coincidentemente, como frisou o Samir Rahde na saída do concerto, a Ospa dedicou a noite de ontem à música de um doente: Tchaikovsky. De um doente talvez em surto, pois sua 4ª Sinfonia foi escrita durante o tumultuado casamento com Antonina Ivanovna Miliukova, na verdade uma tentativa de cura gay feita pelo próprio compositor, uma autoajuda que não deu certo. O casamento, proposto à princípio pela moça e aceito com relutância, durou apenas seis semanas, não obtendo colocar Tchaikovsky entre os honrados chefes de família da sociedade czarista. A moça não queria só fachada. Tinha razão, claro. Por outro lado, não há notícia de que houvesse um Marco Felicianov na Rússia do século XIX. Só houve sofrimento, pois. Read More

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O que querem os protestos?

Por Ramiro Furquim/Sul21
Clique para ampliar | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Tudo. Os protestos querem tudo e… Como fazer para direcionar esse pessoal que se organiza nas redes e organiza protestos imensos como incrível rapidez? Quando eu era jovem, a gente marcava um comício ou um ato público. Estes eram temáticos e, para que pudesse ter gente, nós precisávamos criar panfletos, acertar o desenho e o texto da chamada, reescrever as palavras de ordem (ai, que saco), anunciar em salas de aula, distribuir nas ruas, etc. Não estou falando em tempos de ditadura, estou falando nos tempos das Diretas Já e depois. De tempos efêmeros em minha vida, pois hoje os protestos organizam-se abertamente nas redes sociais, e vai quem quer, não se sabendo o grau de comprometimento de cada um com a pauta inicial.

Pois não são só as passagens. É a frustração de não se ver representado na política, é a péssima qualidade de vida e do transporte em nossas periferias, é um Congresso cheio de personagens de opereta discutindo a cura gay e tantas outras bobagens, são leis novíssimas que são votadas e que já nascem anacrônicas, é a judicialização do estado, é a péssima imprensa — por que os protestos via de regra buscam a Rede Globo e a RBS? — que pensa que pode mudar o protesto para algo “contra a corrupção e a impunidade”, é a editora Abril e sua Veja fascista, são os bancos, são os índios assassinados, é a classe média e seus inarredáveis e incontornáveis probleminhas, é a classe C mais informada, é o mensalão na forma como foi vendido, são as polícias militares sem comando — pois os políticos ainda se cagam quando veem uma farda –, é inclusive a corrupção e a impunidade, mas é muito mais o Planalto desconectado, que vê os manifestantes como incompreensíveis mímicos e financia a mídia que sonha em matá-lo. Read More

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A redação do Sul21 durante o protesto #vemprarua

Nossa pequena redação ficou assim…

Foto: Ramiro Furquim
Clique na imagem se tiver curiosidade em conhecer nossa querida sala | Foto: Ramiro Furquim

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A Anna Karênina esquelética e sem sorrisos de Joe Wright

A Anna Karênina esquelética e sem sorrisos de Joe Wright

Anna-KareninaÉ incrível o sucesso do filme Anna Karênina em Porto Alegre. Entrou em cartaz lá em fevereiro e ainda hoje rola pelo circuito exibidor. O problema é que gostei só de dois terços do filme. E não gostei nada da escolha da atriz principal. Vamos começar por este ponto.

Quem leu o livro sabe: Anna era voluptuosa — compormental e visualmente –, Anna certamente tinha seios grandes e suas formas eram arredondadas, tinha também olhos claros e cabelos escuros. Keira Knightley não tem nada disso. É óbvio que até homens podem fazer eficientemente papéis de mulheres, mas nunca no caso de Karênina. A figura da personagem principal domina o livro, seduz meio mundo e há uma coisa nela que desarma os homens: o colo e o belo sorriso. O sorriso de Knightley é tudo menos bonito. Tanto que ela pouco sorri nos filmes, pois ele tem algo de um esgar, na minha opinião. Read More

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