Stromboli foi ontem, agora vem Bom dia

Stromboli foi ontem, agora vem Bom dia

Se tu não vieste ontem ver Stromboli ontem, aqui na Livraria Bamboletras, deves rever teus conceitos. Com urgência, seu burro.

Eu tinha visto Stromboli pela primeira vez num avião. Fiquei muito impressionado com o realismo das cenas e imagens, com os atores não profissionais contracenando com a deusa Ingrid Bergman. Aliás, este é um capítulo especial. Rossellini escreveu o filme para ela após receber esta carta:

Prezado Sr. Rossellini:

Assisti aos seus dois filmes, Roma, Cidade Aberta e Paisán, dos quais gostei muito. Se o senhor precisar de uma atriz sueca que fale inglês fluentemente, que não tenha esquecido seu alemão, que seja quase incompreensível em francês e cujo único italiano seja “Ti amo”, estou pronta para ir fazer um filme com o senhor.

Ingrid Bergman

Ora, Ingrid Bergman era a maior atriz de sua época. Porém, costumava rejeitar as normas convencionais: não queria ser apenas a temida mulher fatal, nem queria continuar interpretando a boa camponesa. E virou as costas para a grana de Hollywood a fim de mudar de vida e percorrer um caminho novo e ousado na Itália, longe do puritanismo e da censura contra os quais sempre lutou na era de ouro do cinema americano. Para completar, logo ficou grávida de Rossellini e recebeu ofensas até no Senado estadunidense. Seria um mau exemplo para um país tão… puro.

E hoje temos Stromboli, cujo nome parece realmente um trovão como os do vulcão que dá nome à ilha. Rossellini filma uma mulher cercada por mar, pedra, fogo e por uma cultura incompreensível a ela. Poucos filmes mostraram com tanta intensidade o choque entre a liberdade sonhada e a liberdade realmente possível. Como fazem alguns mestres, Rossellini substituiu os grandes acontecimentos por uma sucessão de experiências concretas e, desse material aparentemente simples, faz surgir questões universais.

Quem veio ver o filme ontem saiu tri feliz porque a coisa é um portento de humanidade e beleza plástica.

~ BamboFilmes: todos os filmes apresentados e o próximo.

1. Sunset Boulevard (Crepúsculos dos Deuses), de Billy Wilder (1950)
2. As Vinhas da Ira, de John Ford (1940)
3. Pacto Sinistro, de Alfred Hitchcock (1951)
4. Prisão, de Ingmar Bergman (1949)
5. Rebecca, de Alfred Hitchcock (1940)
6. Amarcord, de Federico Fellini (1973)
7. Delírio de Loucura, de Nicholas Ray (1956)
8. O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman (1957)
9. O Criado, de Joseph Losey (1963)
10. Vá e Veja, de Elem Klímov (1985)
11. O Espírito da Colmeia, de Victor Erice (1973)
12. A Infância de Ivan, de Andrei Tarkovski (1962)
13. Oito e Meio, de Federico Fellini (1963)
14. Profissão: Repórter, de Michelangelo Antonioni (1975)
15. O Desaparecimento (The Vanishing, Spoorloos), de George Sluizer (1988)
16. Zabriskie Point, de Michelangelo Antonioni (1970)
17. Morte em Veneza, de Luchino Visconti (1971)
18. Inverno de Sangue em Veneza (Don´t Look Now), de Nicolas Roeg (1973)
19. A Conversação, de Francis Ford Coppola (1974)
20. O Desprezo, de Jean-Luc Godard (1963)
21. Expresso para o Inferno, de Andrey Konchalovsky (1985)
22. Dersu Uzala, de Akira Kurosawa (1975)
23. Infiel, de Liv Ullmann (2000)
24. Infâmia (The Children’s Hour), de William Wyler (1961)
25. Morangos Silvestres, de Ingmar Bergman (1957)
26. Stromboli, de Roberto Rossellini (1950)

E, na próxima segunda-feira (29), às 19h30, na Livraria Bamboletras, teremos “Bom dia” (1959), de Yasujiro Ozu.

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Bom dia, Argel Fucks (com os gols de ontem)

Bom dia, Argel Fucks (com os gols de ontem)
Vai um só que não temos ainda preparo físico!
Vai um só que não temos ainda preparo físico!

Como um doente que se recupera de uma operação grave, mas sem os dramas da UTI sartoriana, o Inter vai se reerguendo após a traumática eliminação da Libertadores e o não menos 0 x 5 no Gre-Nal. Tu, Argel, fizeste uma cirurgia interessante. Colocaste os jogadores num esquema conhecido de todos, o 4-4-2; injetou-lhes ânimo — as entrevistas mudaram muito –; cortaste os celulares nos almoços, jantares e cafés; isto é, obrigaste o grupo a interagir. E mandou todo mundo marcar em campo. De quebra, deve ter levado Nilton e Vitinho para um canto a fim de terem uma conversinha íntima. Sim, porque eles estão tão diferentes e pra lá de pra frente quanto a moça do Chico.

Mas é tudo muito inicial. Tu sabes que podem acontecer recaídas, febres e novas internações, mas a coisa sabe bem, parece ter direção e intenção claras. Eu e toda a torcida gostamos de ver, mesmo sendo um jogo contra o fraco Ituano. Acabaram os muxoxos e não acredito que o excelente Juan viesse agora aos microfones reclamar de um pequeno atraso. Se ocorresse, a nova (velha) forma de agir do clube talvez lhe respondesse para ir logo para o Flamengo, onde o mês tem 120 dias. E voltaria a se preocupar com futebol. (E com o Bom Senso FC, uma necessidade de todos).

No mais, o Inter parece ter encontrado um caminho. Haverá turbulências, só que agora está ficando parecido com o clube que conheço.

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Bom dia, Abel Braga

Bom dia, Abel Braga
O derrotado recebeu homenagens. Por que Rafael Moura não lhe entregou o mimo? | Foto: Alexandre Lops / Internacional)
Tu recebeste homenagens ontem. Por que não trouxeram o Rafael Moura para te entregar o mimo? | Foto: Alexandre Lops / Internacional)

Vamos falar sério: acho que ainda não é o caso de te demitir, mas também não é o caso de renovar teu contrato. A notícia de que tu já negocias a renovação é um absurdo, ainda mais que não se sabe qual será o novo presidente. Lembras de que haverá eleições no final do ano? Talvez o novo presidente deseje um técnico com menos bruxos no time. Talvez ele goste de jovens, sabe-se lá.

É válido escolher um campeonato — nossos bons jogadores são tão velhinhos que é melhor protegê-los –, mas é mais válido ainda observar que teus erros estão nos dois times que escalas. Aránguiz se posiciona erradamente nos dois times, ambos não criam chances e os dois deixam o centroavante isolado. Culpar a má fase é tentar explorar a ingenuidade do povo colorado. Agora, eliminados da Copa do Brasil e mortos na Sul-Americana, ficamos como tu querias que ficássemos, só com o Brasileiro. Não vou te cobrar o título porque o vejo como impossível, considerando-se que continuarás com teus bruxos, teus repetidos testes furados e teu mau posicionamento em campo, mas é razoável te cobrar um G-4, não?

De resto, Abel, sei que estás louco para voltar a escalar o Rafael Moura e eu te digo: o centroavante do Inter joga isolado, tem poucas chances e, quando perde gols, não pode se recuperar porque seu próximo chute a gol será só no jogo seguinte, se for. Nosso time está uma merda, Abel, uma merda.

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