O homem que encaçapa a bola branca

O homem que encaçapa a bola branca

Em foto pré-eleitoral, todo o conhecimento de José Maria Marin. Não é só de futebol que ele não entende.

Marin Genio

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Diana Oliveira, a musa do cimento

Diana Oliveira, a musa do cimento
Foto: SC Internacional
Foto: SC Internacional

Eu detestei a reportagem do caderno Donna com a arquiteta Diana Oliveira, uma das responsáveis pela confusão que é a finalização das reformas no Beira-Rio. O problema que aponto não é exatamente com a ZH, que é um jornal que precisa de reportagens, mas com a moça mesmo. Num momento em que o Inter ainda não consegue usar o estádio e antes mesmo da confirmação do mesmo como um dos locais da Copa, ela se dispõe a uma ego trip de pura vaidade nas páginas do jornal. Quem lê a reportagem, tem a impressão de que o trabalho de Diana foi coroado de sucesso e que ela cuidou bem tanto dos cronogramas da obra quanto das exigências da FIFA. Em verdade, digo-vos que espero que ela seja uma das tais estruturas temporárias…

No link acima, há poucas fotos, mas no jornal Diana aparece com diferentes roupas. A retratada dá um show de imagens. É como se fosse uma modelo ou uma candidata ao cargo de Giovanni Luigi dotada de um gênero de apelo ainda raro no futebol. Não haveria problema nenhum se seu trabalho fosse bom. Porém, em diversos grupos de discussão formados por colorados mais informados do que eu, ouço somente falar de problemas e mais problemas — haveria inclusive dificuldades no acesso de cadeirantes, um aborrecimento bem típico de arquitetos, não? Então, a reportagem apenas sugere uma coisa: ela está lá para desfocar e se lançar. Ou seja, provavelmente, está no cargo pelo trampolim. E assim caminha o SC Internacional.

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Londres, 19 de fevereiro: Hyde Park e Southbank Center

Londres, 19 de fevereiro: Hyde Park e Southbank Center

Dia 19 foi um dia quase comum. Um dia de quem não tem maiores pressas. Estávamos em férias, certo? E, depois de ouvir Maurizio Pollini, tudo parecia menor. Ficamos na cama mais do que o esperado para quem está fazendo turismo. Conversamos muito, fazendo uma clara opção por nós e pelo turismo sinfônico. Depois, quando descemos, soubemos que poderíamos nos mudar para um quarto melhor. Maravilha. A mudança foi realizada e fomos passear no Hyde Park.

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Como disse, nosso hotel é muito bem localizado e fizemos quase tudo a pé neste dia. Atravessamos calmamente o Hyde Park. Acima, The Albert Memorial, o monumento que fica na frente do Royal Albert Hall, às margens do parque.

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Demos voltas e mais voltas.

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E preparamos a saída do parque pela Oxford Street a fim de chegarmos até a Primark. Afinal, Londres é uma cidade onde as roupas são muito baratas quando comparadas com os preços gaúchos e brasileiros. Aliás, acho que é uma boa viajar com duas mudas de roupas e malas vazias para lá. Ah, as malas também têm preços baixos. Acho que uma parte do custo da viagem pode ser obtido NÃO COMPRANDO nada de vestuário no Brasil, deixando tudo isso para Londres. Falo sério.

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À noite, para variar, voltamos a nosso turismo sinfônico, novamente no Southbank Center. Após meses ouvindo cordas discretamente problemáticas, foi um bálsamo para nossos ouvidos a perfeição da Filarmônica de Londres tocando música russa. Abaixo, o programa.

Mily Balakirev: Islamey, oriental fantasy
Aram Khachaturian: Piano Concerto
Vasily Kalinnikov: Symphony No.1

London Philharmonic Orchestra
Osmo Vänskä conductor
Marc-André Hamelin piano

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Não apenas a orquestra se mostrou espetacular como também o solista Marc-André Hamelin. Mas… vejam bem: no dia anterior tínhamos visto Pollini, então qualquer pianista nos pareceria apenas correto, normal. Mas… vamos lá. E não foi apenas isso: a orquestra, dirigida pelo finlandês Osmo Vänskä, tocou os russos como estes devem ser tocados. (Um dia, um amigo me disse que em sua orquestra havia dois arpistas, um italiano e outro russo. O primeiro tocava tudo como se fosse Verdi e o segundo tudo como se fosse Tchaikovsky). Bem, eles tocaram os russos adotando o sotaque russo e isto diz muito sobre a qualidade e o profissionalismo do conjunto àquilo que interpreta. A gente se sente respeitado e fica muito mais feliz.

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No final, minha bielorrussa — mesmo com Pollini na memória — prestou sua homenagem à Hamelin e ao armênio Khachaturian. E, falemos sério, que grande compositor foi Vasily Kalinnikov! Sua Sinfonia Nº 1 é grandíssima música.

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Londres, 18 de fevereiro: Wallace Collection e Maurizio Pollini

Londres, 18 de fevereiro: Wallace Collection e Maurizio Pollini

Para Gilberto Agostinho.

Será que este foi o melhor dia de nossa viagem? Acho que sim.

Quando nos dirigíamos para a Wallace Collection, caiu o maior toró e a bota Usaflex (conforto sem igual…) da Elena pegou-lhe uma peça nada engraçada. Apesar da boa aparência e da coisa ser “de marca”, entrava água por todos os lados. Eu pensava ouvir o som do chapinhar interno da bota. Tentamos nos esconder em vários lugares, mas a proximidade do pequeno museu fazia-nos avançar, mesmo na chuva. Quando chegamos lá, abriu o sol, claro.

Na minha opinião, The Wallace Collection é um dos melhores lugares do mundo. É uma casa linda e aconchegante que guarda uma coleção que pode não ser numerosa, mas de qualidade difícil de superar. Desta forma, não é cansativo como os grandes museus e a gente termina feliz a visita, no bar interno, comentando o que viu e falando apenas sobre arte, pois seria pouco respeitoso falar em coisas menores naquele ambiente. A Wallace está localizada na ex-residência — na verdade uma mansão nada humilde — de um colecionador que morreu no final do século XIX e cuja esposa transformou em museu e o estado encampou.

Vocês deveriam dar uma clicada no link da primeira linha a fim de ver tudo o que faz parte da Wallace. Tirei fotos de muitos quadros, mas vou colocar aqui apenas quatro. Dois estão aqui por sua beleza, o terceiro e quarto por serem curiosidades que mostram parte do espírito da coleção.

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The Music Party, de Jean-Antoine Watteau (1684-1721) é uma de minhas predileções desde sempre, assim como a pintura de que mais gosto de todo o museu:

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The Laughing Cavalier, de Frans Hals (1580-1666), certamente a pintura mais divulgada nos folders da Wallace. 

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Já a pintura acima está aqui pelo cômico. Aliás, várias obras da coleção de Sir Richard Wallace que contam histórias cotidianas. Há uma muito curiosa que resolvi agora mostrar para vocês:

Nicolaes Maes (1634-93)

The Listening Housewife, de Nicolaes Maes (1634-93), mostra o pecadilho de uma dona de casa que costumava ouvir as conversações amorosas de seus empregados. Não coloquei minha foto porque esta saiu escura, a do próprio museu é melhor… Ah, quando a gente vai ao banheiro, passa por uma “gravura” de Joseph Kosuth que contém somente uma citação, mas QUE citação:

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Depois, o bar. Igualmente localizado no centro do edifício, é um maravilhoso jardim coberto. E temos que registrar nossas caras alegres pós-Wallace. A Elena estava feliz, …

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… mais feliz …

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… e ainda mais feliz. (E não era só ela, vejam a gaitada da mulher que está na outra mesa, à esquerda da cabeça de Elena).

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Como a próxima atração seria o maior dos pianistas — Maurizio Pollini — começamos a falar sobre o estilo de diversos desses seres. A partir da foto em que estou “tocando” Bach, Elena corrigiu minha postura, arredondando meus dedos. Bem, então eu comecei a imitar os gestos delicados dos pianistas de tocam Schumann, …

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… o estilo grosseirão de quem vai atacar o percussivo Concerto N° 1 de Bartók, …

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… as singelas tentativas matemáticas de alguns quando tocam Bach, …

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e o jeitinho Glenn Gould de dialogar com Johann Sebastian:

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E então, ao final da tarde, fomos para o Southbank Center, localizado em mais um dos corações culturais de Londres. De um lado, o Parlamento e o Big Ben; de outro, o London Eye e o Southbank; no meio, o Tâmisa ao entardecer.

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O Tâmisa com Elena, ao entardecer.

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E às 19h, ele entrou no palco do Royal Festival Hall. Antes da sua entrada, o locutor do teatro anunciou que o repertório do recital — cuja primeira parte seria formada por obras de Chopin e a segunda por Debussy — fora ampliado por decisão de Pollini: era estava incluindo a Sonata N° 2 do compositor polonês na primeira parte. E completou dizendo que Maurizio dedicava pessoalmente o concerto à memória de Claudio Abbado. Aquilo fez com que um arrepio percorresse a espinha de todo o teatro, desde as primeiras e caras cadeiras até o lugar mais barato onde nos encontrávamos. Ato contínuo, enquanto o teatro com mais de mil pessoas mudava o tom da algaravia comum pré-concerto, traindo a emoção de todos, Pollini caminhou para o piano. Era o início de um dos maiores momentos de minha vida.

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Naquela noite, anotei no Facebook:

Hoje foi um dia especialíssimo e irrepetível — quem sabe? — em Londres. Eu e Elena assistimos ao concerto de Maurizio Pollini no Royal Festival Hall, sala principal do Southbank Center. O programa era vasto, mas centrado em peças de Chopin e Debussy. Ele tocou o primeiro livro dos prelúdios do francês e peças esparsas do primeiro. O concerto foi dedicado por Pollini à memória de Claudio Abbado. Talvez isso explique a recolocação no programa da Sonata nº 2 para piano, Op. 35, cujo terceiro movimento é a célebre Marcha Fúnebre.

Tudo isso contribuiu para que a eletricidade estivesse no ar. Mas talvez o melhor seja passar a palavra para a Elena, que não tivera muito contato com Pollini, enquanto que eu o conhecia de gravações desde os anos 70, chamando-o de deus no PQP Bach e considerando-o um dos maiores artistas vivos de nosso planeta, tão vulgar.

No intervalo, após uma série de Chopins, a Elena já me dizia: “Ele é um sábio. Tem altíssima cultura musical e concisão. Enquanto o ouvia, pensava em diversas formas de reciclagem: ecológica, emocional, psíquica… Sua interpretação é a de um asceta que pode tudo, mas demonstra humildade e grandeza em trabalhar apenas para a música. Pollini não fica jogando rubatos e efeitos fáceis para o próprio brilho, mas me fez rezar e chorar. Que humanidade, quanto conhecimento! Depois desse concerto, minha vida não será a mesma”.

Foi a primeira vez que vi Pollini em ação, após ouvir dúzias de seus discos. Acho que não vou esquecer da emoção puramente musical — pois ela existe, como não? — de ouvir meu pianista predileto. Já estava com pena dele, tantas foram as vezes que retornou ao palco para ser aplaudido. Para Pollini ser absolutamente fabuloso, só falta o que não quero que aconteça e que já ocorreu com Abbado.

Foi isso que nos aconteceu hoje.

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No intervalo, falávamos da facilidade telepática com que Pollini passava suas instruções ao piano, sobre a forma como ele depurara aquelas interpretações até chegar àquele ponto de limpidez e compreensão. E, inteiramente felizes e tranquilos, íamos registrando nossa presença.

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Pedimos que alguém tirasse uma rara foto de nós dois juntos.

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Ainda durante o intervalo, Elena mostra a cara de felicidade de quem está vendo algo especialíssimo. Aliás, o efeito Pollini foi duradouro e passou a atrapalhar os concertos seguintes. Tudo o que víamos era comparado a Pollini e sistematicamente derrotado….

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Depois, cometemos um jantar não previsto em nosso orçamento. Mas, digam-me, como evitar ficar bem locupletado após de tanta euforia e descobertas?

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Londres, 17 de fevereiro (segunda-feira): o Victoria and Albert Museum e a primeira visita ao Wigmore Hall

Londres, 17 de fevereiro (segunda-feira): o Victoria and Albert Museum e a primeira visita ao Wigmore Hall

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O Victoria and Albert Museum — quase sempre abreviado para V&A — talvez seja o maior museu de artes decorativas e design do mundo, com uma coleção permanente de mais de 5 milhões de objetos. Fica ao lado do Museu de História Natural. Os dois ficam um de cada lado nas esquinas da Exhibition Road com Cromwell Road, pertinho do Hyde Park e do Royal Albert Hall. Quem conhece sabe, estávamos num dos corações culturais da cidade e pertinho do nosso hotel e imenso quarto.

Guardamos as melhores lembranças desta visita, mas antes é bom lembrar que quase todos os museus de Londres — principalmente os maiores e mais famosos — têm entrada gratuita. O V&A não é diferente. Ele foi fundado em 1852. Suas coleções mostram 5.000 anos de arte decorativa, desde os tempos antigos até ao presente. Ficamos lá o dia inteiro e poderíamos ter permanecido muito mais. Não é um local cansativo e quase inacessível como o Louvre. As coisas estão dispostas para serem vistas, sem empilhamento nem quadros até o teto.

Com um mapa na mão, fomos avançando pelas artes decorativas que os ingleses compraram ou mais provavelmente surrupiaram de todo o planeta. Não estávamos ainda com aquele espírito nipônico de viver para tirar fotos, então, quando vejo nossas fotos, penso, putz, por que não registrei e tal qual momento? Mas curtimos muito o V&A. passamos toda viagem de bom humor, mas este foi um dia realmente excelente.

Na primeira foto e na de baixo, tento pegar o reflexo da Elena ao observar as joias chinesas (chinesas?) que pretendíamos roubar.

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Passeando pelos largos corredores do V&A, encontramos uma dupla de esculturas de Alfred Stevens (1817-1876). Seus significados foram jogados na nossa frente com surpreendente clareza. A Elena é quem exclamou “veja que beleza, veja que metáfora!”. A primeira chama-se Valour and Cowardice

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… e a segunda Truth and Falsehood. E em verdade vos digo que, mormente a segunda, tem tanto a ver com o que vivi (vivemos?) em 2013 que fiquei embasbacado olhando todos os detalhes e depois pesquisando a respeito do significado de cada detalhe. A coisa parecia uma encomenda para mim. Os museus de arte são assim: a gente vê milhares de coisas, mas só quatro ou cinco grudam na memória e lá ficam dando voltas. Creio que são funções muitíssimos nobres, dos museus e da memória.

A ação da verdade pode ser vista de modo claro e quase deselegante. Com um rosto sereno, ela puxa a língua da mentira para fora. Um pesadelo e um sonho, certamente.

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Depois disso, fomos para o café regulamentar da Elena. É que, ali pelas 11h da manhã, minha namorada tem de ser religada e a forma é a utilização do líquido escuro que agitava loucamente as mulheres na época de Bach. E o café do V&A fica no jardim central do enorme edifício. O local é aprazibilíssimo, como podem ver. Sentar lá e não fazer nada é perfeito.

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Depois, a gente se perdeu e demos de cara com a época atual. Gostei muito deste armário dos anos 60.

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E da biblioteca abaixo.

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Lá de cima, temos uma vista do jardim interno.

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Voltando à arte, paramos para descansar bem ao lado de um belíssimo e clássico Dante Gabriel Rossetti que conhecia apenas dos livros..

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Numa parte do museu, há exposições de roupas usadas no teatro. Sim, claro, é um museu de artes decorativas, lembram? E eles oferecem vários tipos de roupas para a gente experimentar. Bem, sabemos que, nem que seja por um dia lá na infância, todas as mulheres sonharam em serem princesas…

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… e todos os meninos pensaram em terem todo o poder para satisfazer todos os seus desejos, os mais sublimes e os mais perversos.

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Enquanto eu posava de reizinho, uma menina pegou um lápis e riscou TOTALMENTE meu mapa do museu, tornando ilegíveis as marcações das salas visitadas e das por visitar. Era uma inglesinha ruivinha e diabólica, que estava por ali com um pai assustadoramente tatuado.

A Elena ficou encantada com um sujeito que depois, revelou-se ser…

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… Georg Friedrich Handel. É uma bonita obra de Louis Francois Roubiliac, esculpida em 1738. E é puro século XVIII, credo. Muito típico, parece saída da páginas de Henry Fielding.

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E é claro que a gente tira fotos evitáveis de pombinhos bobos.

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À noite, fomos ao lendário Wigmore Hall para assistir ao recital do pianista Piotr Anderszewski que conhecia de várias gravações. A acústica do local é es-pan-to-sa, Sr. Marcos Abreu. É local relativamente pequeno e em forma de caixa de sapato, como manda o melhor figurino para os ouvidos. E se a boa acústica é um refrigério para a alma, também não perdoa ninguém, claro. No primeiro acorde de Anderszewski já deu para entender porque aquele local é de devoção á música. Na fila para compra do programa, havia um senhor que reconheci como o romancista Ian McEwan (chupa, Charlles Campos). Olhei bem e foi ele quem pegou o programa depois de mim e se dirigiu para o banheiro masculino, mancando como se estivesse com dores musculares.

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O programa tinha a Abertura Francesa de Bach; as seis Bagatelas, Op. 126, de Beethoven; a Novelette Op. 21 Nº 8 de Schumann; e a Sonata Op. 110 de Beethoven. Numa palavra, o polonês que hoje vive em Lisboa é um monstro.

Segundo Eric Hobsbawm, que conhecia música como poucos, talvez o Wigmore seja hoje a melhor sala para a Música de Câmara no mundo. Ao menos é o que o ele afirmava isso a todos por anos e anos.

Ao final, o cara deu três bis. Eu conhecia somente a Sarabanda da Partita Nº 5 de Bach. A Elena não conhecia nenhuma das três peças mas me humilhou acertando as outras duas com base no estilo e na harmonia das mesmas: era um Schumann (Cenas da Floresta) e uma bagatela de Bartók. Mas acho natural perder SEMPRE para alguém que tem um ouvido como o dela.

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Londres, 16 de fevereiro (domingo): o English Breakfast e Camden Town

Londres, 16 de fevereiro (domingo): o English Breakfast e Camden Town

O título anuncia dois programas obrigatórios em Londres: o primeiro é uma tortura; o segundo, pura diversão.

Ir a um pub pela manhã para comer o English Breakfast… Faz parte. É cultura e deve ser turismo. Afinal, ele é o Pai de Todas as Porcarias. Está na raiz dos McDonalds e Subways. Sua consequência é o crescimento para os lados do povo americano e o declínio inevitável do império através das veias entupidas de seu povo. Comendo a porcaria abaixo, …

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As mãos de Elena não logram esconder o temor.

… a gente fica com a sensação de ter tomado banho num mar de gordura, só que nos afogamos no mar, acabando por beber litros dele. A gordura fica sensível nos dentes, gruda neles e nossa sorte é não termos disponível uma endoscopia para olharmos nosso estômago. Ah, aquele feijãozinho ali ao lado é misturado àquilo que conhecemos como catchup. E veja acima: meio escondido entre o pão e os salsichões cheíssimos de gordura — está o bacon.

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Pior, de forma solidária, pedi o mesmo.

Talvez fosse o prato ideal para os trabalhadores das minas durante a Revolução Industrial. Mas já se passaram séculos, era domingo e íamos a Camden Town. Vejam a cara de animação de minha querida Elena ao ter de enfrentar o delicado e sutil pratinho.

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Vai lá, Elena, coragem!

E, assim engordurados, fomos para Camden. Camden Town é um bairro-feira situado longe do centro, mas facilmente acessível pelo metrô. Na verdade, nos finais-de-semana, ali é um dos centros da cidade.

Em Camden, vende-se e acontece de tudo. Boa parte da região das lojas foi uma imensa estrebaria de onde a nobreza saía para seus passeios. Hoje, cada estábulo é uma lojinha e cada lojinha tem personalidade própria e vende desde roupas até coisas que você não imagina como usaria. Bairro onde residiu Charles Dickens quando jovem, tem o bar preferido de Amy Winehouse. Mas nem só de lojas vive Camden. Há locais para comer e há comida de todo lugar do mundo. Se você quiser churros ou feijão tropeiro, tem, eu vi e até conversei com os brasileiros responsáveis. As lojas podem ser perfeitamente convencionais, mas também estranhas…

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Que tal um vestido desses?

… além de divertidas.

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Elena pensa em como se vestir no próximo concerto da Ospa. Afinal, na orquestra, as mulheres usam aquele longo preto há muito abandonado na Europa.

Abaixo, o local onde as pessoas sentam para comer, só que o fazem sobre motocicletas, de frente para o riozinho que passa no meio do bairro.

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Você compra seu lanche numa barraca, sobe na moto e come olhando a paisagem.

E há gente, gente, gente por todos os lados. É fácil de se perder ou de perder alguém no meio da multidão. E é complicado reservar uma roupa e reencontrá-la no meio do labirinto da feira. A loja visitada há uma hora parece ter sumido sem deixar referências no meio da confusão. Foi um sufoco reencontrar o casaco que eu escolhera para minha filha Bárbara.

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Elena e um bobão que queria aparecer neste prestigiado blog. Vejam a cara alegre do moço.

Né, Elena?

Melhor programa de domingo.
Todo mundo na rua. Melhor programa de domingo.

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Londres, 15 de fevereiro (sábado): na Saint-Martin-in-the-fields

Londres, 15 de fevereiro (sábado): na Saint-Martin-in-the-fields

Nos dia 15, saímos às ruas. Fizemos o passeio até o cartão postal do Parlamento + Tâmisa + London Eye, fomos até Trafalgar Square e entramos na National Gallery. E só hoje notei que não tiramos fotos neste primeiro dia, prova de que Londres é uma cidade que mais se vive do que se vê. As primeiras fotos foram tiradas à noite, quando fomos assistir a um concerto na Saint-Martin-in-the-fields, do outro lado da Trafalgar.

Chegando lá, fomos direto ao elevador que nos levaria à cripta, onde há um belo café. Na porta deste, há o seguinte cartaz.

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Mesmo após horas de caminhadas pela cidade, pegamos as escadas, claro.

Se a Saint-Martin começa a valer a pena desde a porta do elevador, melhora na descida até a cripta. Ali, há séculos, temos religiosos enterrados no chão, mas, sobre eles, também temos um excelente e charmosíssimo restaurante-café. A homenagem aos túmulos é radical. A fragrância do café, dos chás e das iguarias certamente não fazem com que os féretros se ergam, mas certamente tornam mais leve e menos tediosa a eternidade.

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Elena manda bala na salada.
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Elena reflete sobre o motivo de haver tantos carecas numa mesma foto.

Vocês, meus sete inteligentes leitores, já notaram que o local também é uma igreja, mas que hoje é mais uma casa de concertos e restaurante. É uma tendência.

Bem, fôramos lá mais para conhecer a Saint-Martin do que para ver o concerto, de bom repertório, apesar de batidíssimo, conforme vocês podem conferir agora:

Baroque Extravaganza by Candlelight
Bach – Concerto for Two Violins in D minor
Vivaldi – Spring from Four Seasons
Bach – Air on the G String
Vivaldi – Concerto for Two Violins in A minor
Bach – Brandenburg Concerto No 4
Pachelbel – Canon and Gigue in D
Mozart – Divertimento No 3 in F
Vivaldi – Concerto for Four Violins in B minor

Festive Orchestra of London
Miki Takahashi Violin
Martin Feinstein Recorder (flauta)

Mas ocorreu um fato curioso: a excelente violinista Miki Takahashi, solista e primeiro violino da Festive Orchestra of London, em vez aquecer e ganhar corpo durante o concerto, sentiu o efeito da maratona ao final da função. Ela foi minguando. Depois do Brandenburguês Nº 4, passou a rodar em ponto morto, deixando espaço para os outros ótimos instrumentistas da orquestra.

De todos os muitos concertos que assistimos em nosso “turismo sinfônico” (expressão da Elena), este disputa o posto de mais fraco com o confuso Quarteto Elias, mas isso é papo para depois.

Um idiota no palco
Milton Ribeiro, um idiota no palco. Alguém sabe o que significa aquele ovo nos vitrais?
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A partitura sobre o cravo.
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E o mesmo, só que para o violoncelo.
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Fim de concerto na Saint-Martin-in-the-fields.

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14 de fevereiro (sexta-feira): o hotel em Londres

14 de fevereiro (sexta-feira): o hotel em Londres

Nas duas oportunidades anteriores em que fui à Londres, fiquei no EasyHotel de Earl`s Court. Desta vez, fomos pra lá novamente. Era uma escolha minha que tinha suas razões superiores: trata-se de um hotel barato e extremamente bem localizado, próximo da região dos principais museus, com boas opções de restaurantes e supermercados, além de uma estação de metrô duas quadras adiante. Claro que o fato de ser barato tem suas consequências: nada de serviço de quarto e dependências diminutas.

Só que as tais dependências nunca tinham sido tão mínimas quanto as do quatro 104 (com janela) que nos reservaram desta vez. Quando entramos no quarto, vimos que não conseguiríamos sequer abrir nossas malas, nenhuma delas, a não ser que o fizéssemos em cima da cama. A Elena experimentou um surto quase silencioso. Eu comecei a rir, o que é uma variação do mesmo sintoma psicológico.

Desci até a recepção para reclamar. Ouvi que o hotel estava cheio para o fim-de-semana e que o sistema reservara aquele quarto de forma automática, sem intervenção humana. Depois de muitas reclamações, conseguimos arrancar a promessa de uma mudança para o quarto 209, o que nos dava mais escadas para subir, mas mais espaço para respirar. Porém a mudança só ocorreria na terça-feira. Ou seja, metade de nossa temporada londrina se daria naquele quartinho. O jeito foi se adaptar.

Deixamos nossas malas no luggage store e subimos apenas com o necessário numa das malas de mão. Usamos o parapeito da janela como prateleira, a TV e o chuveiro como varal. A coisa ficou tão boa que, dois dias depois, a Elena tinha criado uma sistemática que já nos fazia achar tudo bastante confortável, mesmo que tivéssemos que combinar quem levantaria e caminharia pelo quarto. Os dois ao mesmo tempo era impossível. Ficamos com pena de abandonar nosso casulo.

Mas o abandonamos, ganhando o latifúndio do quarto 209. Já estávamos tão minimalistas que, no novo quarto, jantávamos os pratos pré-prontos comprados nos supermercados próximos. Na próxima viagem a Londres, já sabemos que o melhor é alugar um flat. O que gastaremos a mais com ele, economizaremos em comida, pois o valor das coisas compradas é muito pequeno se comparado ao preço dos restaurantes. O problema talvez seja o wi-fi, que no EasyHotel era ótimo.

Foi depois da crise do quarto que fomos a um pub e descobrimos estar no Valentine`s Day, como já expliquei no primeiro post desta série.

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Esta foto foi tirada encostado na parede. À direita, a porta do banheiro; à esquerda, a do quarto. Era nós ou as malas.
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A cama. Não há reclamações sobre ela. Era confortabilíssima.
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Vista de cima da cama, com joelho.
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A TV varal.
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Aspecto das meias e da samba-canção deste que vos escreve.

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Vontade de estar com eles

Vontade de estar com eles

Mesmo que eles falassem sueco, ou norueguês. E estivessem em 1968.

Ingmar Bergman e Liv Ullmann em Fårö, 1968
Ingmar Bergman e Liv Ullmann em Fårö, 1968

via Paulo César Teixeira

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Bom dia, Abel (ou Sejamos pragmáticos)

Bom dia, Abel (ou Sejamos pragmáticos)
Abel Braga, o técnico do time-dramin.
Abel Braga, o técnico do time-dramin.

Oh! sejamos pornográficosOh! não, não, nada disso. Sejamos pragmáticos. Só para poder dizer que o Inter venceu o Remo por 6 x 1 sem jogar nada. Passei a noite sofrendo críticas por estar cabeceando durante o jogo. Me mandavam para a cama, só que o time empilhava gols… Como sair da frente da TV? Sim, minha cabeça caía de sono e levantava quase só para ver os gols. Agora, pude conferir nos jornais que não perdi nada. Abel Braga já começou a fazer das suas ao juntar Jorge Henrique e Alex na armação. Ambos são bons o suficiente para não serem massacrados e lentos o suficiente para causar sono. Acho que o efeito dramin foi sentido para dupla de volantes do Remo na segunda etapa.

O curioso é que todos sabem disso, todos os comentaristas de todas as rádios falam na lentidão da dupla, mas Abel tem seu código de conduta e este diz que os substitutos têm que aguardar pela aposentadoria ou pelo enforcamento público dos titulares.

Mas, pô, como sou chato, foi 6 x 1. Cala a boca , Milton! Melhor abster-se de criticar hoje. Melhor falar do golaço de Rafael Moura, que fez aquela coisa incompreensivelmente linda no último gol. Melhor falar do Aránguiz, que joga bem até quando não está inspirado. Mas torcedor de futebol é um sujeito sempre insatisfeito então mando o Luigi às favas mesmo com o 6 x 1.

Em tempo: aquele Paulão é muito ruim!

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Batemos um recorde ontem

Segundo o Google Analytics, meu blog recebeu, ontem, 154.898 visitas. Sim, em um só dia.

Segundo outro contador, o JetPack, ele teve 78.839 page views.

(Não perguntem nada sobre contadores, OK? Só digo que notei, pela lentidão e rumores no Facebook e no Twitter, que estava acontecendo uma super-visitação).

Ah, se me pagassem pelos acessos…

O que puxou o número para cima foi uma série de postagens: aquela sobre religião foi o carro-chefe, mas também Sophia de Mello Breyner Andresen, narrativas de viagens, críticas de livros e até contos! Entre as dez mais “lidas” não havia nenhum post da série “Porque hoje é sábado”.

Agradecemos a preferência!

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E aqui vai minha homenagem aos arqueólogos

E aqui vai minha homenagem aos arqueólogos

Arqueologista

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13 e 14 de fevereiro: ainda de Porto Alegre a Londres

13 e 14 de fevereiro: ainda de Porto Alegre a Londres

Pois comecei a contar nossa viagem sem falar no embarque em Porto Alegre. A Elena manifestou estranheza pelo fato de estarmos saindo do país sem estresse, brigas, nada. As malas tinham sido fechadas desorganizadamente e às pressas, tudo em cima da hora. Desta forma, tivemos em nossas mãos tudo para um pequeno atrito, só que este não ocorreu. Esta tem sido nossa rotina. Minha companheira sentia-se vivendo uma doce e inédita irrealidade, onde as coisas caminhavam natural, amorosa e cordialmente. E reclamou, para minha diversão. Propus um espancamento súbito, mas ela apelou para a Maria da Penha e achei melhor deixá-la insatisfeita, sem problemas.

O voo pela TAP foi perfeito, em 11 horas estávamos em Lisboa, conforme as fotos do post anterior. Nossa maior preocupação foi em vão: acontece que minha companheira é alérgica à proteína do leite e a empresa portuguesa respeitou a dieta combinada quando da compra das passagens pela Casamundi. Tudo certo.

Duas horas depois, pontualmente, a TAP já nos levava para Londres, não para o aeroporto de Heatrow, mas para Gatwick. Fizemos lá a imigração. Eu, como cidadão europeu e, portanto, pessoa de qualidades especiais, fui para a fila rápida e descomplicada dos semideuses da União Européia; a Elena, sendo um bielorrussa naturalizada brasileira, foi para a fila dos sob desconfiança. Eu passei tranquilo, claro, já a Elena teve que responder as perguntas de um inglês sorridente e cortês.

— O que você veio fazer aqui?

— Vim conhecer a cidade e assistir concertos.

— O que você faz?

— Sou violinista de uma Orquestra Sinfônica no Brasil.

— Música clássica?

— Sim.

— Hummm… E onde está seu violino?

— Deixei no Brasil.

— Good, férias são férias. Está sozinha?

— Não, estou com meu boyfriend.

— E onde ele está?

— Na outra fila.

— Mas por que ele está na outra fila?

— É que ele é cidadão português.

O homem ficou pensativo e concluiu:

— Makes sense.

— Poderia tirar os óculos para eu ver melhor seu rosto?

— Sim.

— E vão para onde depois?

— Para Paris e Lisboa.

— Gostaria de ver a passagem.

— Aqui está.

— Perfect. Enjoy London!

E saímos para o mundo! Ou mais exatamente para o Gatwick Express, modo mais barato e fácil de ir daquele aeroporto até o centro de Londres, mais precisamente a Victoria Station. É a melhor opção: os trens saem a cada 15 min, o trem vai direto e a passagem custa 19 pounds por pessoa. Dali para o Earl`s Court é uma barbada de metrô.

No próximo capítulo, meus sete leitores saberão sobre nossa chegada ao hotel, a qual foi bastante espetacular e que deu à Elena o esperado alívio: finalmente, o estresse.

Ela poderia ter mostrado esta foto pro cara, né?
Ela poderia ter mostrado esta foto pro cara, né? | Foto: Vanessa Wigger

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Sexo oral não é pecado quando for realizado pensando em Jesus

Sexo oral não é pecado quando for realizado pensando em Jesus

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Francisco Javier Martinez, arcebispo de Granada, Espanha, deu conselhos às mulheres crentes evitarem cair em pecado ao praticarem sexo oral com seus parceiros.

“As mulheres podem praticar felatio com seus maridos sempre que eles pedirem. Mas quando o fizerem, devem pensar em Jesus para não se tornarem pervertidas. “Recorda que não és uma pervertida”, disse a sumidade.

O prelado já tinha provocado polêmica com o livro Cásate y sé sumisa (Case e seja submissa), lançado em dezembro passado na Europa. Mulheres, não deixem de ler!

via Pepe Martini. Retirado daqui.

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13 e 14 de fevereiro: de Porto Alegre a Londres

13 e 14 de fevereiro: de Porto Alegre a Londres

Planejamos nossa viagem junto a Casamundi, que nos conseguiu um preço do tamanho de nosso bolso para a viagem e conexões. O voo foi pela TAP e, além do preço legal, pudemos ir de Porto Alegre a Lisboa direto, sem passar pelo inferno de Guarulhos e por um possível problema e translado de bagagens. A vantagem é que a gente chega muito mais descansado, o que não é pouca coisa.

De manhã, eu e Elena aterrissamos ao aeroporto de Lisboa que, não obstante o fato de ser uma cidade de 700 mil habitantes, tem um aeroporto dez vezes maior, mais equipado e mais funcional do que o de Porto Alegre, cidade de 1,5 milhão. Estávamos acessando nossos e-mails antes de pegar a conexão também da TAP para Londres, quando…

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… começou um show, um pequeno show que se revelou uma linda surpresa e afetuosa saudação para uma viagem perfeita.

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A cantora, acordeonista e compositora Celina da Piedade fez uma curta e bela apresentação matinal para quem ali estava.

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Algumas pessoas começaram a dançar — um deles um cadeirante temporário.

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Outros a fotografar, como eu e outros.

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O grupo era formado por Celina, um contrabaixista e uma tecladista. Eles interpretaram canções folclóricas do interior de Portugal. As pessoas não conseguiam ouvir sem sorrir. Nós também ficamos felizes com as boas-vindas.

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E chegamos a Londres pelo aeroporto de Gatwick. Pegamos o Gatwick Express até a região central da capital, deixamos nossa bagagem num hotel do quela falaremos nos próximos dias e fomos para um pub. Achamos estranho que em todas as mesas havia velas acesas, tornando o ambiente romântico. É que era o dia 14 de fevereiro, também conhecido como …

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Valentine’s Day.

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Férias

Fico fora até o dia 10 de março. Realmente ignoro se vou postar algo por aqui até o retorno. Um abraço carinhoso em cada um de meus sete leitores. E voltem no mês que vem!!!

P.S. — Os colunistas do Sul21 devem seguir mandando pra mim seus textos. Eu repasso pro Prestes, que ficou no meu lugar.

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Na escuridão, amanhã, de Rogério Pereira

Na escuridão, amanhã, de Rogério Pereira

na escuridao amanha

Escrevem-se poucos grandes livros com o propósito de escrever uma obra-prima. Em compensação, com um propósito circunstancial…

BIOY CASARES, citado por Ernani Ssó em sua crônica de ontem no Sul21

Na escuridão, amanhã (Cosac & Naify, 125 páginas) é um livro ambicioso, que deve ficar ao lado da melhor literatura nacional dos últimos anos. É um romance que, sob uma linguagem poética, trata da vida e da morte de uma família que sai do campo para a cidade grande. A narrativa carrega uma quase insuportável verossimilhança para contar a tristemente exemplar história de uma degradação familiar. Não é daqueles romances que narram o que não são, é do gênero que diz o que é, um texto onde há um pai terrível e odiado, abusador e animal, que mantém sob seu tacão uma mulher de religiosidade simples e seus três filhos, dois meninos e uma menina. O desajuste é geral. Desajuste e pobreza no campo; desajuste, pobreza e repetição de padrões de comportamento na cidade. Seu texto é luxuoso e sufocante.

O livro de Pereira tem seu parentesco mais próximo com Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar, mas o clima — atenção, eu escrevi “o clima” — parece mais o de Os Desgarrados, de John Huston. A narrativa está estabelecida em dois planos: o primeiro são cartas enviadas ao pai pelos filhos. A maioria delas é de um dos filhos homens que está numa guerra, presumivelmente expatriado, que reflete com enorme ressentimento o passado familiar. O outro plano é direto, apesar de caminhar no tempo. Mas há outros flashes. Quem cala é o pai, o qual mantém o silêncio de um deus impiedoso do velho testamento. A mãe, personagem tão fundamental quanto o pai, também aparece pouco, embotada que fica pela religião e incompreensão. Há também a pequena e mirrada filha, ainda mais vítima.

A história é irremediável como alguns filmes de Bergman e romances de Faulkner, mas vou me negar a avançar nos spoilers.

Rogério Pereira é o criador e editor do jornal literário mensal Rascunho o qual existe desde o ano 2000. Está no número 165, algo inédito para os efêmeros padrões nacionais. O romance Na escuridão, amanhã é seu primeiro livro de ficção. E vale muito a leitura.

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Elena

Elena

Tudo de novo?

Ou não. Talvez seja tudo novo, isso sim, pois não consigo lembrar de algo parecido em minha vida e olha que tenho boa memória. Tenho voltado feliz pra casa em meio ao calorão que nos assola. Caminhando na canícula, fico até envergonhado de meu meio sorriso. Sou o único feliz. É claro que, descontando uns outros aí, és meu primeiro amor. Tudo me parece tão inédito ou estava tão escondido e afastado no tempo que nem lembrava mais de como era. Meu único trabalho tem sido o de tentar retirar quaisquer objetos incômodos, oferecendo-te as horas calmas. E assim vamos atrás do que há para ser alcançado, que é a hora seguinte e que sempre chega a tempo. Tudo tem sido tão, mas tão bom e simples que estou pasmo, Elena. Talvez seja estranho agradecer, mas é o que tenho vontade de fazer.

elena

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Gre-Nal chato

Gre-Nal chato
Sono...
Sono… | Foto: SC Internacional

Joguinho chato de início de ano. Qualquer um dos times poderia ter vencido, o empate ficou adequado ao calor e à falta de dinâmica de jogo de ambos. Ademais, os dois apenas não queriam perder. Conseguiram. A mim, colorado, interessa mais o Inter, claro. Gostei das novidades Gilberto e de Aránguiz. Detestei Willians como primeiro volante — achei-o uma curiosa mistura de autoconfiança e insegurança — e Jorge Henrique, que segue muito mal. O meio-de-campo funcionou razoavelmente, mas ainda não obteve municiar o ataque. De qualquer forma, tivemos as melhores chances, que pararam nas mãos do bom Marcelo Grohe.

O positivo é que se pode detectar duas boas ideias de times. O Inter não precisa apressar-se para acertar o seu; afinal, joga um campeonato de baixo nível técnico que se decidirá certamente com sua presença lá em abril. O problema está com o Grêmio, que entrará no chamado “Grupo da Morte” da Libertadores, formado pelo fraco mas multicampeão Nacional de Montevidéu, pelo Newell’s Old Boys de Rosário e pelo Atlético Nacional, de Medellín. É uma tarefa complicada, mas a evolução apresentada ontem no Gre-Nal dá boas esperanças aos tricolores, acho.

E assim, sonolento, o futebol gaúcho inicia 2014.

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O lado de Woody Allen

O lado de Woody Allen
Hoje, Allen tem 78 e Dylan 28.
A resposta de Woody Allen.

Depois de se pronunciar rapidamente contra as acusações de que teria molestado a filha adotiva, Dylan Farrow, Woody Allen falou novamente sobre o caso em uma carta publicada no jornal “The New York Times”.

Há 21 anos, quando eu ouvi pela primeira vez que Mia Farrow tinha me acusado de abuso sexual infantil, eu achei a ideia tão ridícula que eu não pensei duas vezes nisso. Estávamos envolvidos em um processo de separação terrivelmente amargo, com grande inimizade entre nós dois, e uma batalha pela custódia (dos filhos), lentamente reunindo forças. Sua maldade tão transparente me pareceu tão óbvia que eu sequer contratei um advogado para me defender. Foi o advogado que tratava dos meus trabalhos que me contou que ela estava levando a acusação à polícia e me disse que eu precisaria de um advogado criminal.

Eu ingenuamente achei que a acusação seria descartada porque, claro, eu não tinha molestado Dylan e qualquer pessoa racional iria ver a manobra para que eu fosse acusado. O bom senso iria prevalecer. Afinal, eu era um homem de 56 anos que nunca tinha sido (ou fui depois) acusado de abuso sexual infantil. Eu estava saindo com Mia por 12 anos e nunca, nesse meio tempo, ela sugeriu que eu tivesse qualquer coisa parecida com má conduta. Agora, de repente, quando eu tinha dirigido até sua casa em Connecticut em uma tarde para visitar as crianças por algumas horas, quando eu estaria jogando no campo do meu adversário feroz, com meia dúzia de pessoas presentes, quando eu estava nos felizes estágios iniciais de um novo relacionamento com a mulher com quem eu viria me casar – que eu escolheria este momento para embarcar numa carreira como molestador de crianças deveria parecer altamente improvável para uma mente mais cética. A pura falta de lógica de um cenário tão louco me pareceu que prescreveria.

Não obstante, Mia insistiu que eu tinha abusado de Dylan e a levou imediatamente a um médico para ser examinada. Dylan disse ao médico que ela não havia sido molestada. Mia então levou Dylan para tomar sorvete e, quando voltou, a criança tinha mudado sua história. A polícia começou sua investigação, uma possível denúncia pesou na balança. Eu, de bom grado, fiz um teste de detecção de mentiras e, claro, passei, porque eu não tinha nada a esconder. Pedi a Mia que fizesse o mesmo e ela não quis. Na semana passada, uma mulher chamada Stacey Nelkin, com quem eu tive um caso muitos anos atrás, foi à público para dizer que, quando eu e Mia tivemos nossa primeira batalha pela custódia, há 21 anos, ela queria que Stacey testemunhasse que ela era menor de idade quando nós saímos, apesar de isso não ser verdade. Stacey se recusou. Eu incluo esta anedota para que todos nós saibamos com que tipo de pessoa estamos lidando aqui. Dá para imaginar por que ela não quis passar por um detector de mentiras.

Nesse meio tempo, a polícia de Connecticut pediu ajuda de uma unidade especial de investigação especializada em casos do tipo, a clínica de abuso sexual infantil do Hospital Yale-New Haven. Esse grupo de homens e mulheres imparciais e experientes, a quem o promotor recorreu em busca de orientação quanto à possibilidade de abrir um processo, passou meses em uma investigação meticulosa, entrevistando todos os envolvidos e checando cada pedaço de evidência. Por fim, eles escreveram a conclusão que transcrevo aqui: “É nossa opinião, enquanto especialistas, que Dylan não foi molestada sexualmente pelo Sr. Allen. Além disso, acreditamos que as declarações de Dylan em vídeo e os depoimentos que ela nos deu durante nossas avaliações não se referem a fatos reais que teriam ocorrido no dia 4 de agosto de 1992… No desenvolvimento do nosso parecer, consideramos três hipóteses para explicar os depoimentos de Dylan. Em primeiro lugar, que as declarações de Dylan eram verdadeiras e que o Sr. Allen abusou sexualmente dela; em segundo, que o depoimento de Dylan não era verdadeiro, mas sim inventado por uma criança emocionalmente vulnerável, envolvida em uma família perturbada, em resposta a um ambiente estressante; e terceiro, que Dylan foi treinada ou influenciada por sua mãe, Sra. Farrow. Enquanto podemos concluir que Dylan não foi abusada sexualmente, não podemos definir se a segunda ou a terceira formulações são verdadeiras. Acreditamos que o mais provável é que a combinação dessas duas hipóteses explicam melhor as alegações de Dylan de abuso sexual”.

Poderia ser mais claro? Sr. Allen não molestou Dylan; provavelmente uma estressada criança de 7 anos foi orientada por Mia Farrow. Essa conclusão desapontou muita gente. O promotor esperava julgar o caso de uma celebridade e o juiz de custódia, Elliott Wilk, escreveu uma declaração muito irresponsável dizendo que, como se trata de abuso sexual, “nós provavelmente nunca saberemos o que aconteceu”.

Mas nós sabíamos, isso foi determinado e não havia equívoco sobre o fato de que nenhum abuso havia ocorrido. O juiz Wilk foi muito rude comigo e nunca aprovou meu relacionamento com Soon-Yi, filha adotiva de Mia, que estava com seus 20 e poucos anos. Ele me via como um homem mais velho explorando uma mulher muito mais nova, o que ultrajou Mia, a despeito do fato de ela ter tido um caso com um muito mais velho Frank Sinatra quando ela tinha 19. Para ser justo com o juiz Wilk, o público sentiu o mesmo desprezo sobre Soon-Yi e eu, mas apesar do que poderia parecer, nossos sentimentos eram autênticos e nós estamos muito bem casados há 16 anos com duas filhas maravilhosas, ambas adotadas (aliás, por causa do circo midiático e das falsas acusações, Soon-Yi e eu fomos cuidadosamente escrutinados tanto pela agência de adoção quanto pelos tribunais e todos abençoaram nossas adoções).

Mia ficou com a guarda das crianças e nós seguimos caminhos separados.

Eu estava com o coração partido. Moses estava com raiva de mim. Ronan eu mal conhecia porque Mia nunca me deixou chegar perto dele desde que ele nasceu e Dylan, que eu adorava e de quem eu era muito próximo, sobre quem Mia ligou para minha irmã num acesso de raiva e disse: “Ele tomou minha filha, agora eu vou tomar a dele”. Eu nunca mais a vi ou pude falar com ela, não importava o quanto eu tentasse. Eu ainda a amo profundamente e me sentia culpado que, por me apaixonar por Soon-Yi, eu a tenha colocado na posição de ser usada como um instrumento de vingança. Soon-Yi e eu fizemos inúmeras tentativas de ver Dylan, mas Mia bloqueou todas elas, acintosamente sabendo que eu a amava tanto, mas totalmente indiferente à dor e aos danos que ela estava causando em uma garotinha, apenas para satisfazer sua própria índole vingativa.

Aqui eu cito Moses Farrow, na época com 14 anos: “Minha mãe martelou para que eu odiasse meu pai por ter separado a família e molestado sexualmente minha irmã”. Moses está com 36 anos e é terapeuta familiar por profissão. “É claro que Woody não molestou minha irmã”, ele disse. “Ela o amava e esperava para vê-lo quando ele vinha visitar. Ela nunca se escondeu dele até nossa mãe conseguir criar uma atmosfera de medo e ódio contra ele”. Dylan tinha 7, Ronan tinha 4 anos e isso foi, de acordo com Moses, a história contada, ano após ano.

Faço aqui uma pausa rápida para comentar a situação de Ronan. Ele é meu filho ou, como Mia sugere, filho de Frank Sinatra? É verdade que ele se parece bastante com Frank, com os olhos azuis e os traços faciais, mas se for verdade, o que isso diz? Isso quer dizer que Mia mentiu sob juramento durante a audiência de custódia, apresentando falsamente Ronan como nosso filho? Mesmo que ele não seja filho de Frank, a possibilidade que ela levanta indica que ela estava secretamente envolvida com ele durante o tempo em que ficamos juntos. Isso sem mencionar todo o dinheiro que eu paguei de pensão para a criança. Eu estava cuidando do filho de Frank? Mais uma vez, eu quero chamar atenção para a integridade e a honestidade de uma pessoa que conduz sua vida desta maneira.

Agora, 21 anos depois, Dylan apresentou novamente as acusações que os peritos de Yale investigaram e deram como falsas. Com mais alguns toques criativos que magicamente apareceram durante os 21 anos em que ficamos sem nos falar.

Não que eu duvide que Dylan acredite que foi molestada, mas se, aos 7 anos, uma criança vulnerável foi levada por uma mãe forte a odiar seu pai porque ele é um monstro que abusou dela, é tão inconcebível que depois de tantos anos de doutrinação esta imagem que Mia queria estabelecer para mim tenha criado raízes? Não é de se admirar que os especialistas de Yale tenham apontado o aspecto de doutrinação maternal 21 anos atrás? Até mesmo o local onde o abuso sexual fabricado teria acontecido foi mal escolhido, mas interessante. Mia escolheu o sótão de sua casa de campo, um lugar que ela deveria ter percebido que eu jamais iria porque é um lugar fechado, minúsculo e apertado, onde dificilmente alguém consegue ficar em pé, e eu sou um grande claustrofóbico. Uma ou duas vezes em que ela me pediu para ir lá procurar alguma coisa eu o fiz, mas tive que sair rapidamente. Sem dúvida, a ideia do sótão veio da canção de Dory Previn, “With my daddy in the attic” (“Com meu pai no sótão”). É do mesmo disco da música que Dory compôs sobre Mia ter traído sua amizade de forma insidiosa ao roubar seu marido, André, “Beware of young girls”. Devemos nos perguntar: Dylan escreveu mesmo a carta ou foi, no mínimo, guiada por sua mãe? Será que a carta realmente beneficia Dylan ou simplesmente avança com a agenda de vingança de sua mãe? Isso é para me machucar. Há até mesmo a tentativa idiota de me causar danos profissionais ao envolver estrelas de cinema, que cheira muito mais a Mia do que a Dylan.

Depois de tudo isso, se falar era realmente uma necessidade de Dylan, ela já havia se manifestado meses antes na “Vanity Fair”. Aqui eu cito Moses Farrow novamente. “Sabendo que minha mãe costumava nos usar como peões, eu não posso confiar em nada que foi dito ou escrito por qualquer um da família”. Finalmente, Mia realmente acredita que eu molestei sua filha? O bom senso deve questionar: será que uma mãe que acredita que sua filha de 7 anos foi sexualmente abusada por um molestador (um crime muito horrível) aceitaria aparecer em um clipe usado para homenagear o criminoso no Globo de Ouro?

É claro que eu não molestei Dylan. Eu a amava e espero que um dia ela entenda como foi impedida de ter um pai amoroso e explorada por uma mãe mais interessada em sua própria raiva purulenta do que no bem-estar de sua filha. Ser ensinada a odiar seu pai e ser levada a acreditar que ele a molestou já teve um custo psicológico sobre esta encantadora jovem, e Soon-Yi e eu esperamos que um dia ela entenda quem realmente fez dela uma vítima e se reconecte conosco, como Moses fez, de uma forma amorosa e produtiva.

Ninguém quer desencorajar as vítimas de abuso a falar, mas é preciso ter em mente que às vezes há pessoas que são falsamente acusadas e que isso também é uma coisa terrivelmente destrutiva. Este texto vai ser minha palavra final sobre o caso e ninguém mais vai responder em meu nome quaisquer outros comentários feitos sobre ele por qualquer parte envolvida. Pessoas suficientes já foram magoadas.

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